Capítulo 8 – O namorisco

Novembro chegou, mais frio do que nunca. E aquela noite não era exceção, mas Teresa tinha muitos assuntos para falar com Klaus, por isso, se ela precisasse de fazer uma direta, ela faria.

Chegou a meia-noite, e nada de Klaus, como ela previa. Pegou no livro que tinha que ler e continuou na página anteriormente marcada. Quando notou, já era uma da manhã e ainda nada de Klaus. Teresa começou a ficar impaciente quando chegou as duas da manhã, e às três da manhã pegou nos livros de História e começou a estudar, apesar do cansaço.

-Não devias de estar acordada – disse ele com repreensão na voz.

-Então começa a chegar mais cedo – retorquiu ela e engoliu em seco logo de seguida. Ela não tinha gostado muito do comportamento dele durante o Baile, apesar de ele só ter ido para dançar com ela três músicas.

-Tens medo de mim, isso é bom. Significa que não vais fazer nada de estúpido – falou ele e sentou-se ao dela na cama. – Então qual é o motivo de quereres falar comigo?

-Bem, temos muito para falar – disse ela, mas esqueceu-se de tudo o que tinha para falar com ele no momento em que o olhou nos olhos. – Eu…

Klaus inclinou a cabeça para o lado e sorriu travesso. Ele sabia o "poder de persuasão" que tinha assim que chegava, e deixar uma rapariga sem palavras era muito bom para o seu ego.

-Para já, devo dizer que fui a rainha do Baile.

-E como não serias? Eu disse-te: causavas desejo e inveja aos outros – Klaus afirmou revirando os olhos.

-Então isso quer dizer que desejavas-me? – indagou Teresa, mordendo o lábio. Ela não era de namoriscar, mas estava feliz por o ter ali, e de alguma forma sentiu que podia correr o risco de um namorisco ali.

-Não sejas tola. Não me interesso por mulheres mais novas – Klaus falou logo mas sorriu. Ele gostou do namorisco, mas jamais iria ter alguma coisa com ela, ele sabia-o.

-Tens que começar a pensar nisso. Afinal não tens muitos anos? Quanta mulher deve de haver por aí com a tua idade verdadeira? – Teresa fingiu uma cara pensativa e saltou da cama para arrumar os livros.

-Poucas, mas suficientes – ele falou e estudou-a com atenção enquanto ela se movia no quarto. Aquele era o território dela, Teresa conhecia o seu quarto melhor que ninguém e ao contrário do que aconteceu no Baile, ela estava realmente relaxada.

-Ah, já me lembrei! – exclamou ela e voltou a deitar-se na cama. – Preciso do teu número de telemóvel.

-Hum, já passámos à troca de números!

-Não é isso! – disse ela rapidamente e deu-lhe um falso murro no braço. – Posso precisar de contactar contigo a qualquer momento e não sei como fazê-lo.

-Bem pensado – concordou ele e tirou do bolso o seu iPhone. – Diz qual é o teu e eu mando-te um toque.

Teresa deu-lhe o número e ele guardou logo o contacto, mandando um toque para o telemóvel dela que vibrou na mesa-de-cabeceira.

-Mais alguma coisa?

-Preciso de saber mais coisas! Como é lá em Cambridge? Vou partilhar o quarto com alguém ou…

-Vais ter um apartamento só para ti – interrompeu ele e ela arregalou os olhos.

-Como assim "só para mim"? Eu não tenho posses para sustentar um apartamento sozinha.

-Não o vais sequer sustentar. Eu vou providenciar tudo enquanto lá estiveres e tudo o que a tua mãe te der podes usar para comprar coisas de que tu gostes.

-Isso é ridículo! – disse ela, sentando-se na cama de frente para ele. – Klaus, eu quero viver normalmente.

-E vais! Mas de maneira confortável.

Ela enrugou a testa.

-Mas vou trabalhar para ganhar o meu próprio dinheiro.

Klaus revirou os olhos.

-Sweet pea, tu nem imaginas como é a vida numa Faculdade. Não faças planos.

-Mas…

-Não – Klaus terminou a conversa e ela voltou a deitar-se aborrecida.

-Boa noite, Klaus – disse ela, mal-humorada e fechando a luz.

-Boa noite, Teresa.

©AnaTheresaC