Não possuo direitos sobre Naruto, de Masashi Kishimoto.
• Aki •
O dia está sendo movimentado na Vila Oculta da Folha. Todos estão se preparando para o Tsukimi, fazendo bolinhos, preparando as cestas com arroz e as flores de eulália para oferecerem a lua, em gratidão a natureza. As colheitas da vila foram abundantes; as terras eram extremamente férteis. Hashirama sentia-se feliz, orgulhoso; mal cabia dentro de si tamanha satisfação. Ainda haviam as escolas, os hospitais, o treinamento conjunto dos soldados de todos os clãs. O Senju quis agradecer a tudo isso, e auxiliou Mito na preparação das oferendas à lua.
''Mal posso esperar pelas primeiras cores do outono. - Mito dizia empolgada. - Adoro as folhas vermelhas!'', concluiu.
''Eu vou adorar estar com você, apreciando cada uma delas.'', Hashirama disse, aproximando-se e beijando a testa da esposa.
A noite chegara, e trouxera com ela a lua cheia, com seus dragões e mistérios. Hashirama e Mito fizeram suas oferendas e declarações de amor ao luar. Tudo perfeito, como fora desde o casamento, há pouco mais de um ano.
Hashirama pediu um minuto a esposa para trocar algumas palavras com o líder Hyuuga, homem de gênio forte que raramente misturava-se a população. Mito permaneceu observando a lua em silêncio, até este ser quebrado.
''Maravilhosa.'', Madara disse ao aproximar-se de Mito.
''Perdão, Madara-san...'', disse Mito, questionando o sentido do que o Uchiha dissera.
''A lua... Sua beleza aumenta a cada noite, especialmente a cada outono. - Madara olhou para Mito, que correspondeu o olhar seriamente. - Não acha, Lady Mito?''
''Concordo. - Mito voltou o olhar novamente para a lua. - A mais bela criação do Eremita... É como se ele nos observasse a todo momento.''
''Ainda não havia pensado nisso, mas... Creio que seja possível.'', disse Madara.
O homem deixou Mito, misturando-se novamente a multidão.
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Dias após, Mito saíra para buscar flores no jardim de sua casa, quando viu Hashirama um pouco mais afastado, sentado em um galho caído de árvore. Surpresa pela presença do marido, que aquela hora deveria estar em sua sala na torre Hokage, fora ao seu encontro, preocupada. Era notável a expressão deprimida do marido, ainda que diferente da época quando eram crianças, não deixou de ser um rosto cheio de tristeza.
''Meu amor... - Mito sentou-se ao seu lado. - O que aconteceu?''
''Madara partiu da vila. Ele desistiu de nosso sonho de infância.''
Mito levou uma das mãos aos rosto do marido, e ele a segurou firme.
''Será que todos irão nos deixar, Mito? Todos desistirão da paz?'', Hashirama disse, desanimado.
''Madara não é digno de tudo isso, não consegue aceitar que todos estamos felizes com o que você fez e faz diariamente por nós. - Mito levantou-se e pôs-se a frente do marido. - Olhe a sua volta, todos estamos bem. Todos nós. Você nos deu uma chance à felicidade... Não pense mais besteiras, Shodaime-sama.'', Mito disse docemente.
''Não gosto que me trate por Shodaime...'', Hashirama mostrou um sorriso tímido.
''Você é o primeiro e único, não somente para mim, mas para toda a Nação do Fogo... Todo o mundo shinobi...'', Mito encerrou as palavras dando um beijo carinhoso em Hashirama.
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Dias passaram-se, e em uma manhã, Mito levantou-se mais cedo do que de costume. Sentia-se mal. Era como se todo o jantar da noite anterior resolvesse revoltar-se contra ela. Correu até o banheiro pessoal e vomitou até o que não pensava estar dentro de si. Conseguiu se recompor após alguns minutos e lavou o rosto. Saindo, encontrou Hashirama parado a porta, preocupado.
''Acordei com o barulho... Está se sentindo bem?!'', questionou preocupado, levando as mãos ao corpo de Mito, buscando por alguma anomalia em sua saúde.
''Perdoe-me se eu o despertei... O dia nem amanheceu completamente e-...'', Mito fora interrompida pelo grito do marido.
''Uma criança! - Os olhos de Hashirama brilharam ao pronunciar as palavras à esposa. - Uma criança, haha, Mito! - A mão do homem tocando forte o ventre da esposa. - Mito...'', o Senju sorria em meio as lágrimas da emoção pela descoberta.
''Como disse..? - Mito incrédula. - Não consigo sentir a energia fluir...'' Mito retirou a mão do marido e apertou o próprio ventre.
''Está muito, muito no início... É uma das vantagens de conhecer jutsus médicos; detectar algo no estágio inicial...'', concluiu.
Agora a felicidade de ambos estaria completa. Uma criança, a próxima geração, o fruto de todo o amor que sentiam.
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Enquanto a notícia sobre o herdeiro do Shodaime percorria a vila, Mito preparava-se para o dia, que ainda demoraria meses, ainda que as semanas passassem rapidamente.
E assim, quase no final do outono, Mito e Hashirama que ainda não haviam visto as folhas vermelhas e amarelas da estação, conversavam sobre o fato enquanto jantavam. Tobirama estava presente, e em meio a conversa, sugeriu quase que obrigando o irmão mais velho a tomar um dia para a esposa e e seus desejos.
''Não quero que meu sobrinho nasça com cara de folha seca.'', disse, sorrindo.
Alguns minutos correram e Mito sentiu de repente o ar ficando mais frio. Pediu ao marido que fechasse a janela, mas não adiantou. A mulher começou a tremer de forma a deixar os irmãos preocupados. Hashirama abraçou a esposa trêmula e assustada, enquanto Tobirama fora buscar um cobertor.
''H-hashi-rama... - Mito falou com dificuldade - Tem algo... E-extrema-mente hostil... C-cercando... A vila...''
''O que? - Hashirama surpreso. - O que está dizendo-...''
''Me e-escute... - Mito o interrompeu. - Eu sinto... A-algo desagra... -dável... P-precisamos ver... Do q-que se trata.'', Mito começou a se levantar, mas fora detida pelo marido.
''De forma alguma você irá sair daqui com nosso filho! - Hashirama, sério, chamou pelo irmão Tobirama que já retornara com um cobertor de lã. - Cuide de Mito, irei ver o que está acontecendo.'', concluiu, saindo para ir colocar sua armadura.
''T-tobirama-san... - Mito chamou pelo cunhado. - Vá com Hashirama, p-por favor...''
''Ele sabe se cuidar melhor que nós juntos. - Tobirama respondeu calmamente, envolvendo Mito com o cobertor. - Ficarei aqui com vocês dois.'', sorriu, ainda que estivesse igualmente preocupado. Enquanto retornava com o cobertor, pode sentir o tão desagradável chakra que a cunhada citou ao marido.
Aquela noite marcaria a história da vila. O desertor, Madara, retornara à vila em busca vingança, defender o próprio orgulho enfrentando aquele que roubara-lhe a confiança dos Uchiha. Em seu poder estava a bijuu mais forte, Kurama no Youko, qual emitia toda a hostilidade detectada por Mito e Tobirama. Jutsus diversos, ataques fortalecidos. O ataque constante da bijuu e seu domínio tomado por Hashirama em modo sennin. Foi uma luta que percorreu as horas, deixando cada homem exausto pelas diversas investidas. Eis que Hashirama finalizou tudo aquilo. Um único golpe contra o oponente, e Madara cai.
Mito permaneceu acordada ao lado de Tobirama até o amanhecer. O Senju mais jovem sabia que ela procurava uma maneira de sair dali para ir de encontro ao marido. Apenas no início daquela manhã Mito encontrou a oportunidade, tocando o pescoço do cunhado.
''Me perdoe, Tobirama-san... - Mito aplicou um selo no pescoço de Tobirama, qual fez que ele caísse em sono profundo. - Preciso ajudar Hashirama.''
A Uzumaki correu de acordo com suas possibilidades. Eram poucas semanas, mas sabia que não deveria punir o filho em seu ventre fazendo movimentos bruscos. Seguiu o fluxo de energia que a bijuu transmitia e chegou até aquele que seria conhecido posteriormente como Vale do Fim. Avistou ao longe Hashirama, ajoelhado ao lado do corpo imóvel de Madara. 'Ele... O matou...', pensou a princesa. Um pouco mais adiante, a Kyuubi, presa no Senpō: Myōjinmon do Senju. Ela viu o marido usando de toda força que ainda lhe restara para manter a besta sob seu domínio. Mito sabia, assim que Hashirama caísse completamente exausto, a bijuu escaparia e a vila estaria condenada. Mito fora aproximando-se da besta devagar.
''Perdoe-me, criança... - Mito tocou o ventre delicadamente, deixando que algumas lágrimas caíssem. - Chakura Kusari! - Correntes douradas de chakra saíram de dentro do abdômen de Mito, tomando o controle de Hashirama sobre a bijuu. - Shishō Fūin!''
''Mito!..'', Foi o grito de Hashirama ao notar o feito da esposa.
E assim, seu nome pronunciado pelo marido fora apenas um som abafado prévio ao desmaio.
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''Veja! - Mito apontava para o filho as folhas em tons vermelhos caindo sobre eles. - Você gosta das folhas, Narihira?'' Mito sorria vendo o filho pequeno em seus braços acompanhar com o olhar atencioso o cair das folhas.
Era a visão perfeita para Hashirama. Ver a família, enfim, em paz. Depois de meses de gestação de Mito, seu sofrimento e a luta para manter a Kyuubi presa ao corpo da esposa durante o parto. Agora tudo era passado, e um ano após a noite escarlate de sangue e violência, eles puderam enfim contemplas o rubro das folhas secas de um novo outono.
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Nota: Oh, my... Poderia até ter escrito mais, mas acho que o capítulo já está bem extenso. Espero que estejam gostando! Não deixem de comentar!
