Primeiro: É MARMELADA, PORRA! É a segunda vez que eu tiro o pilantra do Dark Shaka (agora já meu bródi das fanficagem) em Amigo Secreto do grupinho Palaestra lá do Facebook; e como ele me introduziu (ui) indiretamente nesse ship, essa fic é mais pra mim mesmo do que pra ele ahueahuehuho. E, bem, é mais um ensaio ou experimento do que presente, mano Shaka. É um headcanon semi-UA que eu desenvolvo uns pedaço novo a cada conversa contigo, e você já conhece grande parte dele. Enfim, cara. Espero que você goste. Mesmo se não gostar, eu tenho ideia pra mais umas fic, então eu compenso o fracasso desse roteiro em argumentos vindouros.

Segundo: a fic tem como base o pentagrama venusiano/luciférico e o mito do deus Mitra (que faz aniversário dia 25 de dezembro, hein). Tem umas alegoria aqui e acolá e, sim, eu falo sobre coisas que eu não sei aqui, mas admiro o pouco que conheço e me serve de plena inspiração. Então, aos manjadores, perdoem a ignorância de secularizar tão grosseiramente suas coisas.

Terceiro: SUGIRO que vocês ouçam o álbum "The Mysteries" do projeto "The Gnostic Trio" de John Zorn enquanto ler. Pra entrar bem na vibe e tal...

Quarto: ENTÃO É NATAL, A FESTA PAGÃ. FELIZ ANIVERSÁRIO SENHOR MITRA! flw


AER
Ou Intelecto

A fumaça cruza os véus do quarto, me encontra.
É enjoativo, mas gosto de observar a silhueta esguia - a sombra projetada por conta das velas ritualísticas - através dos tecidos. Gosto de ouvir os mantras que recita em sua língua morta, rude, mas não menos bonita. Os braços se movimentam, quase decorei os padrões. Está entorpecido, viajando por planos astrais que poucos da Ordem sabem - ou conseguem - alcançar, assim como seu mestre fez quando o iniciou nos Mistérios, seguindo as tradições de seu povo.

Adormeço por fora.

:

Me pego envolvido numa discussão pouco convencional. Lembro como começou. "Mas você não foi iniciado em nenhum rito grego?" eu estava surpreso; seria indelicado, mas quase fiz menção a seu mestre - sua recente desgraça. "Não. Em nenhum..." ele parece mais feliz - ou menos amargurado - quando estamos em aqui em Jamiel. Deixa os cabelos desgrenhados, os nós desfeitos, os pés descalços. Seu desleixo é a prova do desprendimento ao material. E fico feliz por vê-lo assim.
Foi por isso que ele veio até mim, mas não se sentou ao meu lado. Apenas estendeu a mão e fez carinho em meu queixo, densa e lentamente caminhando até fugir do alcance de minha visão. Sem tirar a mão de meu rosto.

- Nem nos Mistérios de Elêusis?

- Nem nos Mistérios de Elêusis, Aldebaran de Touro - ouço a voz logo às minhas costas, próximo a minha nuca - há um universo além da terra onde você pisa.

Há algo de solene em seu tom. Ainda mais quando pronuncia a alcunha que recebi em seu árabe impecável que aprendeu em tantos anos de existência - mais de um século possivelmente.

Sua mão abandona meu rosto, desce por meu ombro, toma meu pulso. Me puxa de modo indelicado até o quarto. E eu vejo um sorriso em seu rosto.

Mu. Envolto em mistérios. A começar pelo sorriso, provavelmente.
Uma incógnita. Seu único enigma que não sei se quero decifrar.