IGNIS
Ou Animus

É o último andar da torre e os uivos do vento não nos distraem.
Posso ver o prazer em seu rosto – um prazer desesperado, ávido há muito por essa distração. A sensação de ser invadido não é, de todo, interessante. Mas a paixão nos quadris irrequietos, os olhos fechados, a força sutil de quem se agarra a um objeto de esperança, isso sim, muito me desperta o interesse.

Posso sentir seus pelos arrepiarem quando minhas mãos o adornam carinhosamente. E seus quadris não cessam até que seus olhos revirem e um gemido escape de sua boca, ao passo que ele tenta recuperar o som que acabara de emitir, já de olhos fechados, cessando sua voz e curvando-se sobre meu corpo.

Eu sorrio arrepiado, sentindo mordidas e saliva e beijos desesperados em meu ombro. Beijos em meu peito escasso. Ele permanece arfante, encolhendo-se sutilmente, voltando a ser uma unidade. Saindo de mim. Voltando a ser apenas Mu. Mu, a incógnita de olhos misteriosos. Mu, o artesão. Herdeiro e leitor de estrelas. Um carneiro de fogo, intrépido explorador de planos astrais.

Um conspirador silencioso. Alvo da minha mais plena admiração.

- Você é um péssimo Mitra – digo pesadamente, arfando. Deitado sobre essa infinidade de almofadas. Ele sorri, me encarando, e prendendo novamente os cabelos.

- Por não ter substituído o Touro como figura de iniciação? Sinto muito mas eu—

- Por não ter imolado o touro - sai como uma frase chula, uma tirada barata, ao passo que ele sorri de forma descontraída. Principalmente porque acabo soando bobo, mas não fico constrangido. E ele gosta.

Sente-se desafiado. Engatinha até seu rosto estar entre minhas pernas. Suas mãos em minhas coxas. Seu hálito em meu sexo.