NOTA DA AUTORA: Ei, ei. Aqui está o prometido! Mais uma drabble :D Não é uma jily – a próxima é, eu prometo – mas é uma BLACKINNON! Uhul, hahaha. Espero que gostem e que não chorem o que eu chorei depois que eu terminei de escrever. Um beijo pra Annabeth C. Jackson, que comentou de novo, e outro pra Anne Marie Le Clair, que me elogiou um monte nos reviews *-*
Disclaimer: Tudo pertence à J.K. Rowling e a Warner Bros. O poema que inicia a drabble é do autor Olavo Bilac e pertence somente a ele. Esta história é para acrescentar ao mundo que J.K. Rowling criou. Eventuais conflitos são acidentais e ceder a sua realidade (cânon).
CAPÍTULO ÚNICO – MEU PRÊMIO E MEU CASTIGO
Por: Alice Delacour
"Foste o beijo melhor da minha vida,
Ou talvez o pior... Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo tão te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
Batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto..."
(Beijo, Olavo Bilac)
E eu lembro. E lembro. E volto a lembrar.
Todos os dias. Todas as noites. Em todos os momentos, eu lembro.
Lembro-me daquele nosso beijo. Nosso único beijo. Nosso primeiro e ultimo.
Não foi mais que um beijo, mas ao mesmo tempo não fora apenas um beijo. Eram tuas mãos nas minhas e meus braços nos teus. E teus dedos nos meus e meus lábios nos teus.
E seu perfume me deixava tonto – eu não respirava ou eu respirava demais seu cheiro? Me ajude, estou perdido sem você por aqui – e seu gosto fazia meu estomago se contorcer – eu iria vomitar ou aquelas eram as tão faladas borboletas? Estou com saudades suas, preciso de você comigo.
E eu volto a lembrar. Volto ao inicio dessa maldita lembrança. E tenho teus dedos segurando meu pulso e seu sorriso brilhando enquanto tento me afastar – eu realmente queria me afastar, mas você não deixou, será que isso foi bom ou ruim? Ainda estou tentando saber a resposta.
Tuas mãos correm pelos meus braços e então eu tenho minhas mãos nos teus braços e meu rosto na tua clavícula. Sinto as lágrimas escorrendo pelos meus olhos – e não sei se elas são somente lembranças ou reais.
Tenho saudades. Queria poder encostar meus lábios nos teus pelo menos mais uma vez. Queria apenas mais uma lembrança sua. Não quero ter que lembrar sempre a mesma. E novamente a mesma. E quando não são teus lábios que me atormentam, são teus olhos sem vida e teu corpo mole, pendurado no teto de tua sala, ao lado de muitos outros.
Mas eu volto novamente ao começo da lembrança. E suas palavras ecoam pela minha cela cinzenta.
"Merecemos tudo nessa vida... Passamos por muito e passaremos por mais..."
Deixo meus lábios se apertarem contra seu rosto enquanto escuto tua voz calma.
"Quero ser teu prêmio... Me deixe ser tua... Só tua..."
E tua voz me quebra por completo e eu tenho finalmente teus lábios nos meus. E minha língua na tua. Meus dedos seguram seu cabelo igual os teus seguram os meus.
Naquele momento eu acreditava que tudo iria ficar bem. Tínhamos salvação. Tínhamos um ao outro. Estávamos bem.
Mas você se foi. Eu deveria ter pedido para você ficar comigo aquela noite. Você estaria salva.
E eu me lembro mais uma vez dos teus dedos subindo pelo meu pulso e segurando meus cotovelos. E sua voz continua ecoando pela cela cinzenta e retumbando nas paredes frias de pedra.
"Sou tua... Só tua..."
És minha e só minha.
Fora meu prêmio mais incrível – minha esperança, minha vida, minha salvação.
E também fora meu castigo mais cruel – minha culpa, minha aflição, minha tortura.
Todas as noites eu me lembro de teus lábios e de teus olhos mortos. Todas as noites eu me vejo voltando ao momento em que vi seu corpo suspenso em meio a tantos outros.
Às vezes gostaria de ter morrido naquela noite também, assim me livraria dessas lembranças cruéis e de todas essas dores que o simples calor dos teus lábios me traz.
Se tivéssemos morrido juntos, naquela noite quente do verão de oitenta e um, poderíamos ter finalmente tido a salvação que queríamos.
Se tivéssemos morrido juntos, seríamos somente mais um casal qualquer que morreu na guerra.
Não seríamos Marlene McKinnon, a mulher que sozinha derrubou mais de vinte Comensais da Morte.
Não seríamos Sirius Black, traidor de sangue e traidor da Ordem.
Se tivéssemos morrido juntos, você não seria meu prêmio. E nem meu castigo.
Você seria apenas Marlene e eu somente Sirius. E não haveria amor. Nem saudades. Nem esperança. Somente... Morte.
E quando eu fecho os olhos novamente, sinto teus dedos apertarem meus dedos...
