Anosmia
Por: Watashinomori
Capítulo 02
Bruce ficara à porta vigiando o filho mais velho. Tim e Jason o provocavam, Jason um pouco mais preocupante. As mãos permaneciam mais tempo na coxa de Dick, quando se inclinava para soltar alguma piada, ou deslizavam quando as retirava. Ele chegava perto demais do irmão mais velho, e se não conhecesse o filho que tinha acharia que teria sérios problemas na mansão (pois querendo ou não os quatro iriam para casa essa noite). Entretanto, ele também estava consciente do olhar desafiador que o segundo Robin lançava para o primeiro Kid Flash antes, durante e depois de cada ação. Todd estava tentando enciumar o ruivo. Isso poderia trazer problemas.
Damian por outro lado, e graças a todos os deuses nesse universo, estava obtuso sobre toda a questão sexual que estava acontecendo na ala médica. Até onde seu caçula sabia Dick reagira da mesma maneira com a morte do irmão que ele 'odiava'. A santa inocência do garoto que só vivera para treinar e se tornar um assassino o salvara, ele nunca achou que faria isso, mas agora agradecia imensamente Talia por não permitir que ele tivesse tido uma infância normal.
Flash pareceu pegar alguma coisa no ar, pois sumiu por volta de dois segundos enquanto todos estavam distraídos. Quando ressurgiu parecia irritado com os rapazes, como se não soubesse de quem deveria ter raiva. Batman gesticulou para que se aproximasse.
-O que houve?
-Você sabe o que houve, você sempre sabe. Aparentemente todo mundo sabe e ninguém me contou – Batman suspirou, um som estranho vindo dele.
-Ninguém sabia, todo mundo desconfiou. Bart estava muito firme em não deixar ninguém entrar e o cheiro era bem denunciante. Eu só não sei o que significa. Eu sei o que Dick sente, mas, Wallace?
-Eu sei, por isso eu não sei de quem ter raiva. Wally é meu garoto, um filho praticamente. Dick às vezes chega a ser frágil. E Wally ainda ama Artemis, ele me disse antes de Dick acordar na primeira vez. O que Red Hood está fazendo?
-Flertando com Dick – Bruce respondeu.
-Quê? Mas...
-Ele está fazendo para enciumar Wallace, o mais engraçado é que nenhum dos meus filhos veem um ao outro como possível figura sexual, ao ponto que Dick e Tim não fazem ideia de que Jason está flertando. Mas considerando como o rapaz é orgulhoso eu vou ter sérios problemas a noite.
Artemis chegou pouco depois com o resto do Time original, e Arsenal. Red Arrow veio trazendo a filha, que correu até Wally e começou a chamar de tio. Explicou que a garota associava ruivos com família, West parecia mais que feliz em ser tio.
-Bom, mas não deve demorar até você ser mesmo tio de Lian.
-Como assim? - Wally perguntou confuso, balançando a garota no joelho que ria entusiasmada das caretas de Damian. Dick desviou o olhar, ele encarou fundo os olhos azuis de Jason, buscando forças.
-Lian é filha da minha irmã, Baywatch – Artemis explicou.
-Cheshire? Você teve uma filha com uma vilã?
-Hey, é da mãe da minha garotinha que você está falando! - implicou o outro ruivo.
Richard pensou em levantar, sair dali correndo, mas uma mão sobre sua coxa o parou. Jason ainda o encarava profundamente e moveu os lábios formando palavras. "Eu estou aqui, você aguenta. Eu te seguro se cair". Balançou a cabeça sorrindo para o irmão, passou o braço ao redor da cintura do Robin atual, o puxou até que sentasse sobre sua perna e escondeu o rosto em seu cabelo.
-HEY!
-Me conforte, passarinho – e apertou o rapaz.
Bruce gargalhou enquanto todos que não eram da família se calaram enquanto acreditavam piamente que estavam alucinando. Barry já havia ouvido Bruce gargalhar antes, mas nunca com o uniforme, porém, para ele, a atitude quase maternal de Dick que era estarrecedora. Óbvio que o vira agir assim com Dawn e Don, algumas vezes com Bart até, só que ver um Robin agir assim com outro Robin era... bom... eles deviam ser a sombra na noite, não?
-Pai! - Damian chamou resmungando.
Wally ainda não havia se decidido sobre esse Robin. O primeiro havia sido o melhor dentre todos, era seu melhor amigo, seu companheiro. O segundo ele definitivamente não gostava, tinha tirado toda a atenção de Dick e flertava com Artemis na cara dura. Eles não se gostavam desde sempre, e quando o fedelho morreu, ou não, Dick ficara arrasado. O moreno sempre desejou uma família grande, e cuidar do irmão menor despertara algo nele que não podia ser apagado. Então veio o terceiro Robin, Wally já estava fora do Time e quase nunca tinha tempo para o amigo, assim não ficou tão enciumado. Tim Drake, por mais que odiasse, era muito fofo. Sempre se esforçando em provar que era tão bom quanto os antecessores e tentando sempre agradar o irmão mais velho. Para Wally, Tim era o melhor irmão mais novo do mundo ("Desculpa, Bart"). Agora vinha o quarto. Ele era mimado, irritante e metido, lembrava Dick com aquela idade de muitas maneiras diferentes. Reclamava dos carinhos do irmão mais velho, mas parecia derreter a cada toque em seus cabelos. Ele era irritantemente fofo.
Lian pulou do seu colo, ficando em pé sobre a cama e tentando imitar Dick perturbando o novo Robin. Foi então que viu, de novo, a mão sobre a coxa de Dick a outra ao redor da cintura. Jason ainda estava praticamente agarrando o irmão. Definitivamente odiava aquele ali, Grayson sempre o amara e cuidara dele, agora retribuía com flertes? Quem ele achava que era? Se inclinou para pegar Lian no colo e formou "Ele é meu" com os lábios. Sua irritação estava a níveis tão altos que sequer percebera o que fizera. Entregou a garota para Red Arrow, era difícil chamar o amigo pelo primeiro nome já que havia dois Roy na sala.
-Vou pegar algo pra comer, já volto – e saiu, queria se afastar daquele parasita irritante e se acalmar. Pegou um monte de bobagem pra comer, inclusive coisas para as crianças e Bart. Quando se afastou da máquina encarou um par de olhos azuis desafiantes. - Você – afirmou furioso.
-Então 'ele é seu'? Só porque dormiram juntos?
-Você é o irmão dele, ele nunca vai te querer. Ele me ama!
-Convencidos, não somos? - sorriu. - Ele está confuso com sua volta, verdade. Mas depois de cinco anos ele seguiu em frente, novos amigos, novos amores. Eu voltei antes que você. Tive mais tempo.
-Ele me disse...
-Ele regrediu quase dez anos na mentalidade. Óbvio que ele está louco de amores, e não se iluda, não foi você. Ele foi mais atingido na cabeça pela speedforce que todo o resto do corpo. Façamos o seguinte, bonitão, você segue sua vida com sua namoradinha e deixa o meu irmão em paz – ele parecia irritado de verdade agora, todo o tom brincalhão sumira. - Ele sofreu mais que o suficiente por sua culpa. Você nem teve coragem de desmentir, que não seria o tio da pirralha. Você não quer namorá-lo, você quer ser idolatrado – cuspiu no chão diante dele e puxou uma arma apontando pro meio da cara dele. - Se eu te encontrar se engraçando com meu irmão, vamos rezar que consiga mesmo correr mais que uma bala. Estamos levando ele hoje daqui, não é saudável para ele ficar perto de você – e voltou pro quarto.
Wally viu Batman segurar o braço do filho e perguntar o que foi. Jason murmurou algumas coisas e sentou com os irmãos de novo. Ele perdera todo o ar de flerte que tinha antes e só o encarava furioso. Tentou conversar animadamente com os amigos, mas podia sentir Todd mirando o fundo de sua cabeça, como se estivesse pronto para puxar o gatilho.
-Não vai continuar? - Dick perguntou num sussurro divertido para o mais novo.
-O quê?
-Você estava flertando comigo, se você parou quer dizer que conseguiu o que queria?
-Você percebeu? - Dick soltou um riso abafado chamando um pouco de atenção.
-Só seria mais óbvio se você me beijasse. Mas eu conheço você o suficiente para saber que eu não era o alvo, passarinho – Damian resmungou quando usaram seu apelido carinhoso com outra pessoa.
-Aperte o Damian que é a melhor coisa que você faz. Eu vou sair daqui, tem ruivos demais num lugar só – parou diante de Megan. - Mas se você quiser me ligar sinta-se livre, pudinzinho – e saiu. Sob o olhar furioso de Conner.
-/-/-/-/-/-
A chegada a mansão havia sido tensa, Bruce havia decidido que eles iriam de carro. Então não se transportaram direto para a Batcave, mas foram para Metropolis onde Batman dirigiu, por Blüdhaven até Gotham, era para ter sido uma terapia. Acalmar os nervos de Dick e lhe dar um tempo para entender que não estaria com Wally por um tempo. No meio do caminho, entretanto, ele adormeceu e fora praticamente impossível para eles o acalmarem quando acordou, pararam o carro no primeiro estacionamento pago e rumaram com um inconsolável Richard até o primeiro tubo de zeta-beam. Ele tremia e se negava a acreditar no que lhe diziam, ao ponto que não demorou para começar a falar em romani. Jason que já estava na mansão correu para o lado do irmão o apoiando, dando espaço para Bruce se afastar e usar o comunicador.
-Flash, preciso do fedelho aqui.
-Eu não posso retirá-lo da Watchtower. Ele está se recuperando.
-Não me importa, aqui tem o Alfred, que vale mais do que a maioria dos médicos que você possa arrumar. Ele está curado de qualquer maneira, não sei o que aconteceu para isso, mas posso investigar melhor daqui – Dick soltou um grito alto, e Jason precisou de toda força para conter o irmão. – A situação está piorando, eu não sei o que fazer com esse ataque em especial. Traga o rapaz, eu o mantenho seguro e saudável.
Não houve resposta pelo comunicador, mas em instantes o Flash era anunciado pelo tubo, Kid Flash, a despeito das broncas que o Batman dava em Robin, tinha uma autorização para a Batcave desde que conhecera o garoto. Eles atravessaram a caverna e num instante Wally empurrava Jason para o lado e apoiava o amigo.
-Hey, eu estou aqui. Olhe pra mim – Dick ergueu o queixo devagar. – Isso, vê? Sou eu, não vou a lugar nenhum. Quer jogar um jogo? Imagino que seu quarto na mansão esteja desatualizado, mas você pode baixar um novo – e continuou falando bobagens, distraindo o rapaz.
Grayson começou a normalizar a respiração, passando os braços ao redor do amigo e se deixando levantar. Wally olhou triunfante para Todd e sorriu com superioridade. Jason fechou a cara e saiu, esbarrando no ruivo, ele falou em murmúrios rápidos e irados com o Batman antes de realmente sair da caverna. Tim e Damian observaram o irmão sair, deram espaço para ele passar e acabaram o seguindo, um pouco confusos.
Wally apertou o corpo menor, o aninhando perfeitamente, aspirou seu cheiro e tentou se lembrar de que não deveria pensar nessa linha de raciocínio. Soltou as mãos que se enrolaram sobre seu pescoço e passando um braço pelo seu ombro apoiando seu peso, o guiou para o quarto. A mansão mudara pouco desde que tivera lá pela última vez, apenas um ou outro móvel tinha sido trocado, alguns quadros novos tinham sido adquiridos e a única mudança significativa havia sido os eletrônicos que eram de última geração. O quarto de Dick era ainda pior. Pois nesse aposento nem os eletrônicos haviam sido trocados, mas estava impecavelmente arrumado. Guiou o rapaz até a cama, provavelmente a caixa da cama diria 'de solteiro', mas era maior que a de casal que tinha quando morara com Artemis.
Alfred apareceu logo depois trazendo dois notebooks e controles de videogames, perguntou se eles quereriam que ele trouxesse televisores para jogarem melhor, mas Wally dispensou. Ligou os computadores, se perguntando se o Batman tinha uma sala com aparelhos novos empilhados só esperando situações assim, instalou rapidamente o serviço de compra de jogos e comprou praticamente todos da página de destaque (Alfred lhes entregara um papel com os números de um dos cartões do Patrão Bruce, o limite era o céu). Dick comprara os mesmos. Colocaram os computadores de costas um pro outro e ficaram o resto do dia testando os jogos.
Quando o ruivo saiu sob o pretexto de convencer o mordomo de lhes dar outro lanche, ele escutou Batman e Red Hood discutindo.
-Eu achei que o ponto era o afastar do morto. Ele está pior do que eu esperava.
-Jason, eu sei. Mas devemos ao menos ser gradual, obviamente ele não está se recuperando bem. Se continuar dessa maneira eu temo que terei que o impedir de retornar as atividades como Nightwing.
-Você acha que isso está afetando o treinamento?
-Muito provável. Eu terei que o colocar sob treinamento intensivo, vou usar a desculpa da perna – um suspiro longo se fez audível. – Eu gosto do garoto do Flash, não duvide, mas agora eu não sei. Quero dizer, o rapaz também não deve estar bem. Imagino que essa idolatria do Dick esteja suprindo algumas necessidades dele.
-Eu sei muito bem o que está suprindo as necessidades dele! Argh! Eu o odeio! Ele está usando meu irmão!
-Não queria apontar, mas você quem começou hoje.
-Eu queria ver se ele estava disposto a expor o que fizeram, a defender o namoro deles, para descobrir que nem estão juntos. Ele usou Dick para se satisfazer. Só isso!
-Eu não quero interferir no assunto – sentiu o som de algo pesado caindo sobre uma poltrona. – Eu escutei a confissão do meu garoto, ele falando o quanto o amava. Eu só quero que vocês sejam felizes, só que parece que nenhum vocês tem a intenção de me dar o que eu quero.
-Bruce – Jason murmurou. – Pai. Nós vamos cuidar dele. Ok? Você acha que gradativamente é melhor, então vamos afastá-los aos poucos. Dick vai ser feliz nem que eu tenha que colocar o ruivo seboso num vidro com formol e dar de presente para ele. O que é esse sorriso?
-Você me chamou de pai.
Achando que estava invadindo algo muito privado agora, Wallace correu de volta para o quarto, achou Richard num canto, encolhido, a cabeça entre os joelhos, murmurando "Ele vai voltar" repetidamente. Correu até ele e ergueu o rosto. Era difícil se lembrar que o amigo precisava de sua constante companhia. Então lembrou que seria afastado dele. Sentiu-se irritado. Mas eles tinham razão, Dick não estava reagindo bem. Entretanto, a ideia de ser afastado do amigo não lhe caía bem. Eles foram feitos para ficarem juntos, eram um time.
-Walls? - o homem perguntou suave, olhou em seus olhos e depois deixou seu olhar correr por todo ele.
Richard Grayson agora tinha vinte e três anos. No início não percebera as diferenças no corpo do amigo, ainda relembrando dele aos dezoito, quando desaparecera. Porém era meio visível algumas coisas, como o queixo mais largo e anguloso, costas maiores, ombros mais largos, mesmo encolhido no canto do quarto tremendo ele não parecia mais o garotinho de onze anos que conhecera, nem o adolescente de dezoito que deixara.
-Wallace? Eu estou bem, agora. Podemos levantar? - ele perguntou, a voz ainda embargada.
-Desculpe – murmurou levantando e o puxando pela mão. - Eu não deveria ter demorado.
-Tudo bem, eu quem deveria parar de te trazer problemas – lágrimas rolaram silenciosas no rosto do moreno. - Você ainda não teve um tempo com sua família, nem sua namorada, ou mesmo com seus amigos. Eu estou ocupando todo seu espaço. Eu não deveria. Eu não sou tão importante.
-Pare. Só pare! - exclamou. - Quando eu disse qualquer dessas coisas? Que você não era importante? Que eu não queria estar com você? Nós não vimos minha família hoje cedo? Ou o resto do pessoal? Ou Artemis?
-Você nem precisava estar na ala médica. Eu preciso, eu estou perdendo minha cabeça e te obrigando a ser minha babá. Você voltou, mas nem pôde aceitar a festa que queriam fazer, ou ver sua tia. Eu ocupei cada segundo que você teve com seus entes queridos. Eu te fiz fazer coisas que você não queria.
-EM ALGUM MOMENTO PARECEU QUE EU NÃO QUIS? - gritou exasperado. - Eu não vou mentir, eu nunca pensei que poderia fazer nada daquilo, mas eu fiz, eu quis!
-Não! - Grayson tampou os ouvidos com a mão e fechou os olhos, tentando se afastar do outro, tropeçando sobre a perna quebrada e caindo contra a parede. - Pare de falar o que eu quero ouvir! Me diga a verdade. Jogue na minha cara para eu poder superar isso tudo. Eu odeio ficar assim vulnerável.
-EU NÃO ESTOU MENTINDO! OLHE PRA MIM! - puxou as mãos dele com força, vibrava em fúria. - OLHE! EU ESTOU TÃO CONFUSO QUANTO VOCÊ. EU AMO ARTEMIS, eu a quero como no dia em que a tive a primeira vez. Mas eu quero você também. Eu não sei o que fazer – terminou num fio de voz, apoiando o rosto nos ombros do amigo que tremia.
A respiração do moreno acelerou, ele parecia prestes a um ataque de pânico, se é que não já estava tendo um. Tentou se acalmar, ainda segurava as mãos dele com força.
-Você me disse – começou, a testa ainda no ombro do outro, moveu o rosto apenas o bastante para os lábios começarem a roçar contra a pele de seu pescoço – que se eu te tomasse uma vez você seria meu – respirou fundo e mordeu o lugar, lambendo e sugando. - Eu te tomei cinco vezes, Dick.
A resposta do outro foi um suspiro alto, seguido por um gemido sensual enquanto se desfazia diante da carícia. Wally levou os beijos até os lábios dele. Esgotado de tentar chegar a uma solução, ou controlar seus instintos, que gritavam por um pouco mais da noite anterior. Era tudo tão errado, Jason estava certo, ele estava usando Dick para se satisfazer. Mas agora não era hora de se controlar. Não quando uma mão corria pela sua pele sob a camisa, um corpo se jogava contra o seu, enquanto outra mão corria para sua virilha devagar demais para seu gosto.
Um tiro foi o suficiente para Wally conseguir se controlar.
-Eu avisei – rosnou entre os dentes, ajustando a mira e atirando.
Wally conseguiu ser rápido apenas o suficiente para sair da bala e levar Dick com ele. Nem bem conseguiu o feito e percebeu que o outro ajustara a mira novamente e esvaziou o pente. Uma das balas ainda roçou em seu ombro deixando um arranhão que provavelmente estaria curado em minutos. Jason recarregava a arma quando o resto da família chegou. Nightwing estava ao seu lado implorando para ver o ferimento enquanto tremia violentamente. Batman retirou Red Hood dos aposentos e ordenou que os mais novos o levassem para onde pudesse se acalmar.
-Wallace, se importaria em reportar o que fez para Jason reagir dessa forma? - Batman estava ao lado do filho o levantando e guiando até a cama. - Tem a ver com os gritos que eu estava ouvindo? - corou fortemente e negou com a cabeça. - Então?
-Dick e eu, nós, bem, er… nós… você sabe… - coçou a cabeça. Oh, ninguém o preparara para enfrentar o papai morcego. Ele escolheria o irmão maluco a qualquer hora. Aquele olhar era assustador.
-Vocês? - insistiu, sua voz caindo algumas oitavas.
-Eu o beijei – Dick se recuperou o suficiente para responder, olhando para qualquer lugar que não fosse o ombro sangrando de Wally.
-Eu quem começou, na verdade – corrigiu, seu ego o impedia de deixar o outro ser o mártir.
-West, poderia me dizer o porquê? - a voz era quase inaudível e parecia recoberta por camadas e mais camadas de ódio.
Wally estava correndo dos próprios sentimentos. Não queria ser forçado a analisá-los tão cedo e tão bruscamente. Ele o beijou porque quis. Devia ser tudo que importava no momento. Por que pensar?
-Isso é meio pessoal, Bruce – Dick respondeu enquanto sua perna era verificada pelo homem.
-Isso é para o seu bem, e do rapaz.
-Nós já fomos longe o suficiente para você se preocupar com um beijo – retrucou, irritado agora que seu pânico acalmava. A afirmação colocou Wally em pânico no lugar.
-E fique feliz que eu não os estou interrogando sobre isso – respirou fundo, ao ouvir isso, tentando se acalmar. Batman sabia o que fizeram.
O silêncio reinou, mentor e pupilo se encarando furiosamente, por um momento achou que poderiam estar discutindo através de um elo mental. No fim Bruce suspirou e o encarou. Sentiu-se gelar por inteiro.
-Eu vou educadamente lhe pedir que pare de machucar o meu filho. Não o beije, não o abrace, não o toque, caso não esteja disposto a estar com ele. De verdade, como um casal. Se estiver em dúvida ou confuso sente em uma das cadeiras, apenas perto o suficiente para que ele saiba que está aqui – virou-se para o jovem na cama. - Dick, eu lhe imploro, pare de abusar dessa perna, ou você pode perdê-la. Eu vou pedir para Alfred vir em instantes e fazer uma avaliação do estrago e colher o sangue do rapaz – voltou-se para o ruivo novamente. - Prometi ao seu tio que descobriria o que aconteceu com você, porque seus poderes parecem mais fortes. Vou pegar um pouco do seu sangue para alguns exames e depois eu vou pedir que venha até a caverna para eu rodar alguns testes. Não teste minha paciência, West – saiu com o aviso ainda reverberando pelo quarto.
Alfred chegara em minutos, demorou longamente avaliando a perna de Dick, por fim sorriu para eles e disse que o estrago parecia pior do que realmente era. Aparentemente os apoios conseguiram aguentar o peso do rapaz durante toda sua rebeldia contra a perna. Colheu algumas amostras do sangue de Wally, Richard fechou os olhos para evitar ver o sangue.
-Eu o conheço a quanto tempo, Patrão Wallace?
-Oito anos? - respondeu enquanto via o homem trabalhar.
-Bom, se esquecermos os cinco terríveis anos em que esteve desaparecido. Wally – olhou nos olhos do rapaz. Era a primeira vez que ele não o chamava de "Patrão Wallace". - Bem-vindo de volta – sorriu amplamente em resposta. Era a primeira pessoa a lhe dizer isso. - Bom, eu vou me retirar e levar essas amostras para o Patrão Bruce, caso precisem de mim estarei na caverna. Patrão Richard, por mais que os torniquetes tenham resistido, por favor, descanse – caminhou até a porta. - Vou deixá-la trancada para que tenham alguma privacidade – e saiu.
Wally caminhou até a cama do amigo sentando na beirada, se perguntando o que deveria fazer, se deveria falar algo, quando sentiu braços ao redor de seu pescoço e lábios procurando os seus.
-Você me queria momentos atrás – murmurou em um tom repleto de desejo.
-Dick… - tentou protestar, mas rendeu-se aos beijos. - Batman disse… - era muito complicado formar frases com alguém tão desejoso em seu colo. - Nós não…
Abandonou todos os protestos o empurrando de volta contra a cama e se inclinando sobre ele, o beijando com luxúria. Sua cabeça implorava para parar, mas seu corpo parecia ter-se desprendido de sua vontade. Apertou o corpo menor, o puxou contra si, o fazendo arquear levemente. Ele adorava como Dick arqueava as costas para tentar o tocar o máximo possível. Arrancou sua camisa devagar, apreciando a vista do corpo se desnudando diante de si. Mordeu cada pedaço exposto. Roçou os dedos no cós da calça, desabotoando lentamente, puxando o zíper para baixo, sendo agraciado com a visão do algodão branco de sua cueca já umedecido.
-Como você consegue ser tão sexy? - perguntou mordendo sua pele na altura das costelas, enfiando uma mão dentro da calça tocando seu órgão.
-Prática – ele respondeu entre ofegos. Aquilo lançou um tremor de ciúmes pela espinha de Wally.
-Eu disse, eu não sou justo – mordeu mais da pele, vibrando o próprio corpo lentamente. - A partir de agora, você não faz mais nada com ninguém além de mim – mordeu um mamilo, fazendo o outro gritar em êxtase. A noite anterior lhe ensinou algumas coisas, e West era bom em memorização. - Você é meu – com a afirmação ele aumentou a velocidade da vibração levando Dick ao clímax, trêmulo e ofegante.
-Injusto – concordou. - Você ainda está vestido.
-Venha corrigir isso – e o levantou, o puxando para um beijo.
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Dick acordou com um zumbido irritante em seus ouvidos. Uma mão o prendia deitado contra a cama e um peito largo pressionava suas costas. Ele podia dizer que não estava sob ameaça, e sim que provavelmente dormira com alguém. Visivelmente o peito contra suas costas era de um homem, ele lembrava vagamente de sair com uma garota recentemente. Sentiu-se ser apertado contra esse peito, enquanto o homem afundava o rosto em seu pescoço. Madeixas ruivas entraram em seu campo de visão, junto com a consciência de quem era o homem. Saltou de pé, a respiração travando na garganta. Passou uma mão pelo cabelo se acalmando. Wally sentou ao seu lado, gloriosamente nu, puxou seu rosto e olhou fundo nos seus olhos.
-Eu estou aqui, eu estou bem. Olhe pra mim.
-Sim – murmurou de volta. Um sorriso se formando. Recebeu outro em resposta.
-Bom dia, dorminhoco.
-Maravilhoso, Kidiota – escutou o celular vibrando no chão. Se inclinou para pegá-lo enquanto Wallace levantava se espreguiçando e catando suas roupas. Dick pensou que poderia facilmente se acostumar com isso, caso virasse rotina.
-Tudo bem em eu ir tomar um banho? - apontou para o banheiro.
-Acho que eu aguento uns minutos sem surtar – sorriu, admirando o corpo do outro. Assim que a porta fechou atendeu o celular. - Alô?
-Grayson? É a Florence, lembra de mim? - não, ele não lembrava. - Do bar.
-Florence, claro! Por um momento eu esqueci, afinal em minha mente seu nome era algo parecido com "pedaço do céu", mas Florence é um bom nome também – ela riu do outro lado da linha.
-Então, eu estava pensando se essa noite estaria ok para você me pagar aquele drink que ficou me devendo? - Wally saiu do banheiro, completamente vestido.
-Essa noite fica difícil para mim, eu já tenho planos com um amigo.
-Traz ele, se quiser – Oh, aquilo trouxe um rubor a suas bochechas.
-Eu não sei, eu acho que seria melhor deixar pra outro dia – Wally lhe lançou um olhar curioso.
-Vamos lá, vai ser divertido, eu posso levar uma amiga. O que me diz?
-Florence…
-Grayson! Você vai dispensar duas garotas?
O ruivo sentou ao seu lado, perto o suficiente para ouvir seu celular. Fechou os olhos irritado. Sentiu o aparelho ser tirado de sua mão enquanto seu pescoço era sugado sonoramente.
-Dick, você deveria tomar um banho. Eu te ajudo – disse o outro o beijando. Deixou um gemido escapar quando uma mão fechou-se contra seu mamilo. - Ele está ocupado agora, talvez você devesse sair com sua amiga – e desligou o aparelho. - Onde estávamos? Ah sim, banho.
-Walls – murmurou. - Não deveria me mal acostumar assim – gemeu.
-E você não deveria me enciumar, aparentemente não estamos conseguindo nenhum dos nossos intentos – respondeu levemente irritado, levando o moreno no colo até o banheiro.
-/-
Quando finalmente saíram do quarto, Alfred os esperava com a mesa de café da manhã pronta. Wallace aspirou o ar sonoramente e correu até o primeiro assento que encontrou. Encheu o prato com um pouco de tudo que tinha e começou a engolir. Dick, apoiado numa muleta, ficou parado observando o ruivo. Ele sorria amplamente, finalmente a volta do amigo estava sendo assimilada.
-Vejo que achou as muletas, Patrão Richard.
-Sim, Alfred, obrigado.
Jason entrou no aposento seguido por Bruce, olhou para o ruivo à mesa e voltou por onde veio. O homem mais velho suspirou e tomou um assento. Observou calado a interação entre eles. Wally agia normalmente, comendo a velocidades alarmantes e recebendo repreensões do mordomo pelos seus modos. Ele lembrava dessa cena ser bem comum no início da amizade de ambos, lembrava também de como o garoto esquivava dos tapas do mordomo. Dick sorria na direção do ruivo, aparentemente satisfeito com alguma coisa que Bruce não sabia, ou que estava fazendo um ótimo trabalho em fingir para si mesmo que não sabia.
-West, eu preciso de você na caverna hoje. Flash virá mais tarde para termos uma reunião, e então você irá para casa visitar sua tia e primos, depois retorne, você está alocado aqui até segundas ordens. Dick, você nos acompanha até a reunião, depois vai começar a fisioterapia para essa perna – o silêncio formou-se. Ninguém queria comentar que havia um espaço de tempo em que os dois garotos ("Jovens homens, Bruce, lembre-se disso") não ficariam juntos.
-Já era sem tempo cortar esse cordão umbilical que o West usa como coleira – Jason estava parado sob os umbrais esperando algo.
-Antes a coleira na minha mão do que na sua, não? - Wally retrucou, olhando furioso para o segundo Robin. Todd levou as mãos para os coldres e o ruivo levantou.
-Chega! - Dick gritou. Correu as mãos pelo cabelo e suspirou. - Eu vou para a caverna, quando vocês decidirem parar de me chamar de cachorro e bebê me avisem para começarmos os afazeres do dia.
-Grayson! - Todd chamou seguindo seu encalço. - Desculpa, eu não quis falar dessa maneira.
-Quem é você e o que fez com meu irmão? - seu tom era sério, mesmo com a brincadeira.
-Eu só estou tentando não te chatear mais. Eu estou preocupado, ok. Até eu me preocupo. Você não está sendo você mesmo ultimamente. Esse cara, ele tá fazendo isso. Você está ridiculamente dependente dele, seu humor depende do que ele faz. E ele não está se importando. Eu o vi com aquela loira, eu vi que ele não se incomodou em desmentir que ainda estava com ela.
-Eu não espero que ele termine com ela. Pare de tentar me defender – retrucou. - Meu relacionamento, funcional ou bagunçado, é problema meu! Agradeço a preocupação, mas pare de atacar Wally!
-Aí! Ele não te dá a mínima e você ainda o defende!
-Eu o amo! Jason! Eu nunca precisei que ele me amasse de volta, e não é agora que eu vou precisar. Eu só estou confuso. Eu passei cinco anos chorando a morte dele, acordando em um mundo sem ele, eu só não sei mais como agir num mundo com ele. A única certeza é que esse mundo é melhor!
-E ele não te ama – sua voz soou baixa e perigosa.
-Não, não como eu o amo. E eu não quero você atirando nele novamente.
-Eu vou, cada vez que eu te ver chorando por causa dele.
-Não, você não vai! Pois se uma dessas balas acertar o alvo esteja preparado para atirar em mim também.
-Dick...
-Eu falo sério, eu não vou sobreviver a perda dele novamente. Eu não tenho forças para passar por isso de novo! Eu nem sei como eu vou conseguir me afastar dele o suficiente para que ele viva a vida dele, eu não estou com forças nem para isso! Então se você acha que uma besteira como ele não me amar é motivo para tirá-lo de mim, pense de novo. Pois eu estou disposto a uma eternidade sem ser amado de volta que mais um dia sem ele!
-Por que você não pode amar outra pessoa? Babs, por exemplo.
-Desculpe, mas não é tão simples. Fora que eu prometi pro Wally que agora eu sou apenas dele – sorriu nervoso, corando.
-Você fez o quê?
-Eu disse que se ele, bem, se nós... - ele coçou a cabeça, o rosto vermelho, se recostando na parede olhando ao redor. - Eu disse que se transasse comigo uma vez eu seria dele, pra sempre.
-Você tem noção que é um homem de vinte e três anos, não tem? E não uma garota com catorze.
-Não é bem assim.
-É sim, quer saber como eu escutei você me falando isso? - ele puxou tufos do cabelo para formar maria-chiquinhas. - Hihihihi eu disse – começou com um falsete terrível – que se ele... hihihihihihi fizesse amor comigo hihi eu seria dele pra sempre sempre sempre.
-Vê se cresce, Todd.
-Não, Grayson, cresça você e tente arrumar umas bolas no processo. Eu espero que quando você for medicado para o seu estado mental. Porque acredite, você precisa de remédios. Volte ao normal e entenda as besteiras que está falando. E se o energúmeno do seu namorado, pois ele que vá pra porra se tentar negar, está achando bonitinho tudo que você está falando ele também deve precisar de remédios. Qualquer coisa eu levo o West pro Arkham, com sorte a doutora Quinn ainda está operando – recebeu um soco no ombro. Dick não resistiu a rir da piada. Sorriu de uma maneira carinhosa, que parecia estrangeira em seu rosto. - Vê? Você nunca precisou dele para ser feliz, seu idiota. Agora me deixe sair daqui antes que eu comece a pegar a sua viadagem.
Nem bem Jason virou no corredor, Wallace estava ao seu lado, mãos em sua cintura. Ele parecia furioso e chegava a vibrar, quase imperceptivelmente. Bruce surgiu pelo mesmo caminho que ele e liderou os garotos até a caverna sem soltar um comentário, mas ao passar pelo ruivo lhe deu dois tapinhas no ombro. Wally olhou estarrecido para o homem e seguiu apoiando Dick pelo caminho, e carregando suas muletas na mão.
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-Eu não percebi que estava sendo tão cruel e infantil – lhe disse enquanto era amarrado no que parecia ser uma máquina de ressonância magnética, a qual Richard juraria nunca ter visto na caverna, mas não seria ele a perguntar.
-Você não está, Jason está sendo dramático.
-Ele tem razão, pare de amolecer para o meu lado.
-Não estou, se qualquer coisa você me deixa duro – e piscou pro amigo que tentou se debater nas amarras.
-Acho que o que West está tentando dizer, Nightwing, é que essa foi terrível e por favor não esqueça que temos crianças na casa – Batman respondeu de sua cadeira em frente ao computador.
-Robin está na escola e Red Robin tem idade suficiente para entender do que eu estou falando – piscou pro homem mais velho.
-Eu acho que eu não tenho idade suficiente para ouvir isso – Wally respondeu com um sorriso. Dick gargalhou, então notou o pequeno aceno vindo de seu mentor.
-Vamos, começar, eu estou bem aqui. Ok? - tocou seu rosto levemente e depositou um beijo leve em seus lábios. - Tente não se mexer ou teremos que refazer tudo.
-Não é fácil ficar parado – olhou para a máquina.
-Tente o melhor que puder. Tente contar todos os números de pi.
-Pi é uma constante infinita – se alarmou.
-O que deve lhe dar muito tempo contando – acenou para Bruce e a cama deslizou para dentro da máquina.
Qualquer um que teve o prazer de trabalhar com velocistas sabe que eles são extremamente claustrofóbicos. Flash, sendo o mais sensato dentre todos, consegue se controlar e manter a calma, mas para um bom observador é fácil notar o suor escorrendo pelas têmporas e uma vibração leve, Conner uma vez lhe disse que os batimentos cardíacos dele também ficavam arrítmicos. Bart era um pouco menos controlado, e por pouco se quer dizer muito. Ele explodiu um armário uma vez, o que causou problemas para toda Liga, afinal havia sido na escola dele e os valentões quem haviam prendido o rapaz. Bart vibrou tanto que o metal do armário atingiu massa crítica e entrou em fissão nuclear. Quando chegaram lá o encontraram ferido, tremendo e em choque. Aparentemente para o garoto era pior pois ele lembrava dos casulos do Reach. Wally não reagia tão intensamente, mas ele também não conseguia manter a calma, ele começava a tagarelar e se mexer, e se fosse o caso, tentar vibrar pelas amarras ou o que o contivesse, o que normalmente levava a mais pânico e nariz sangrando, mas agora ele parecia capaz de vibrar através de sólidos.
O ruivo arregalou os olhos e a medida que se aproximava da máquina estremecendo.
-Três vírgula um quatro um cinco nove... - fechou os olhos com força e continuou a contagem mentalmente.
Dick foi até o lado de Bruce e espiou o monitor. Todas as leituras pareciam normais, a máquina alertava a extrema velocidade em seu metabolismo, o que indicava que tinha sido adquirida as pressas e não modificada por eles. Olhou agradecido para Bruce, provavelmente esses exames deveriam serem realizados na torre. Sentou ao seu lado.
-Eu te queria aqui, onde eu sei que o Alfred pode te vigiar e me avisar de qualquer coisa.
-Obrigado, Bruce – o homem suspirou.
-Qual a chance de um dia todos vocês me chamarem de pai?
-Damian chama.
-Se eu quisesse só um filho não teria adotado outros três – replicou.
-Para um morcego solitário você é bem carente – sorriu para o homem que soltou um som pelo nariz, tentando segurar o riso.
-Você tem noção que a única coisa mantendo o West vivo é meu amor por você não sabe?
-Achei que era porque amava o Flash – recebeu um tapa na nuca. - Jason já me deu essa bronca, podemos deixar pra lá. Eu nem tive uma semana ainda de Wally de volta.
-O que vai acontecer se por algum motivo a volta dele não for definitiva? - Dick arregalou os olhos, não havia considerado essa alternativa. - Se eu fosse o Flash o garoto estaria num ambiente isolado e esterilizado até eu tirar todas as dúvidas. E como a saúde dele está implicando diretamente na sua, estou quase tomando essa decisão.
-Bruce, ele odiaria ser preso. Ele é um velocista, se ele não corre não é como se estivesse vivo.
-Ele parou de correr por conta própria uma vez – relembrou.
-E OLHE COMO TUDO TERMINOU! - Dick jogou o corpo em pé, caindo sobre a perna quebrada, Batman estava em pé num instante o apoiando.
-Eu sei, eu não estou sugerindo trancá-lo, mas no momento nem sabemos se é seguro ele usar a speedforce.
-Por favor, pai, não faça. Não o impeça de correr. Seria o fim para ele – lágrimas caíram teimosas, ele tinha noção que não conseguia controlar seu choro mais, talvez Jason tivesse razão e ele precisasse de um terapeuta.
-Acalme-se – o homem tocou suas costas calmamente e acariciou em movimentos circulares. - Respire. Ele está bem, e eu não acredito que algo vá levá-lo. Só quero cobrir todas as possibilidades. Então sente e respire. Estamos terminando aqui.
Richard sentou respirando fundo, depois de um tempo a cama com Wally deslizou para fora do interior da máquina. Bruce foi até ele e o desamarrou.
-Chegou até qual casa decimal?
-Umas quatro mil – murmurou ofegante, então procurou Dick com o olhar, entrando em desespero em não encontrá-lo. Todos estavam um pouco alerta por causa dos ataques do homem.
Notou o rapaz sentado próximo aos computadores concentrado em inspirar e expirar. Correu para seu lado e o abraçou, murmurou algo contra seu cabelo, Dick o apertou de volta, inspirando e expirando, um pareceu acalmar o outro até conseguirem se afastar minimamente um do outro.
-West, podemos continuar os exames? Garanto que não há mais lugares fechados.
-Tudo bem – acariciou o rosto do moreno e acompanhou o Batman.
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A chegada do Flash marcou o fim dos exames, eles começaram a discutir sobre políticas para garantir a sua segurança. Sobre regimes de treino, se ele deveria retomar o ofício de herói, se ele queria. Barry exigiu que o sobrinho fosse para casa todos os dias, o que o Batman concordou prontamente, pois ele também queria que Dick tivesse um tempo para se acostumar com a distância, começariam com algumas horas, ou menos caso Dick não aguentasse, e depois aumentariam esse tempo. Nesse ponto Richard estava com tanta vergonha que praticamente enterrou o rosto no ombro de Wally. Depois eles discutiram se deviam desfazer o atestado de óbito e reativar os outros documentos, ou se criar documentos falsos levantaria menos suspeitas. Se o rapaz voltaria para a universidade, aonde ele cursaria. Ninguém discutia o tempo médio do seu resguardo, considerando que dependia exclusivamente de Dick. Depois eles contaram o que aconteceu, Richard tentando lembrar o máximo de detalhes. "Ignore detalhes, nós teremos os marcianos revendo a memória, me passe o quadro geral". O ruivo se esforçou para explicar aonde estava e como foi. Depois de horas de conversa finalmente eles foram liberados pelo dia.
Quando a reunião acabou Wallace correu para casa, sua tia o aguardava com toneladas de comida, ele só pensou em quanto trabalho a pobre mulher tinha em cozinhar para tantos velocistas. Os Garrison estavam por lá, assim como Bart e Jaime, os gêmeos, que Wally percebeu que eram super fofos e rápidos. E ele e Tio Barry. Ao entrar na casa foi recepcionado por duas crianças supervelozes, que ficaram supertímidas quando o notaram. Iris veio ver os filhos e o viu. Ela derrubou o que trazia em mãos e o abraçou chorando.
-Eles não me deixaram ir! Eu quis tanto, eu quase entrei naquele troço a força! Meu Wally, meu anjo! Eu senti tanto sua falta, meu amor – e o beijou nas bochechas, ele chorou de volta e a apertou em seus braços. Ele sentira falta dela. Era como uma mãe para ele.
O reencontro com a família fora feliz, embora todos estivessem chorando por todo o tempo.Seus pais apareceram depois, disseram que estavam felizes que ele voltara, lhe abraçaram e beijaram também em lágrimas, mas tinham um compromisso que não podiam adiar. Não que Wally achasse que seria remotamente diferente. Seus pais não eram exatamente do tipo carinhosos. Ele ficou com os tios por quase quatro horas, durante as quais recebera três telefonemas de Dick para acalmá-lo. Foi quando descobriu que o melhor amigo era parte da família agora, praticamente adotado. Bart resmungou algo sobre faltar detergente de louça na casa de Dick, quase como se estivesse mencionando sobre sua própria casa, sua tia respondera dizendo que se ele fosse passar num supermercado trouxesse algumas coisas pra ela, quase como se fosse normal Bart comprar coisas para casa do Dick. Depois de tanto mencionar o Nightwing um dos gêmeos perguntou, "Tio Dick não vem?". Ninguém falou de Artemis, ou de outro amigo seu. Mas Richard Grayson fora mencionado a cada minuto como se fosse parte integrante da casa, depois ao rodar pela sala vendo fotos dos gêmeos notou que em várias o amigo estava.
-Ele batizou o Don, vem quase todo fim de semana cuidar do afilhado – Iris disse ao seu lado lhe passando uma foto. Dick de terno segurando o bebê Don numa igreja. - Ele ficou do nosso lado, quando te perdemos. Cuidou de nós e aceitou ser cuidado por nós.
-E Artemis?
-Ela é uma boa garota, mas não do tipo que gosta de outras pessoas na vida dela. Imagino quão terrível foi para ela finalmente aceitar alguém e então perder esse alguém. Ela se afastou de quase tudo que tinha a ver com você, eu não posso culpá-la – olhou para o marido que conversava com Jay. – Acho que eu faria o mesmo.
Wally abriu a boca para falar sobre o que estava acontecendo entre ele e Dick, ele precisava de conselhos, principalmente se o irmão do garoto estivesse certo. Antes que pudesse pensar no que falar seu tio parou do seu lado, pôs a mão em seu ombro e avisou que precisavam ir.
