Edmundo sentia-se morto. Não existia outra palavra que descreveria melhor. Não estava com dor, com frio, cansaço...não sentia absolutamente nada. Uma escuridão silenciosa o rodeava. Estou morto? Mortos pensam? Bom, se não estou morto logo estarei...Belo destino para o rei justo...Só restava então esperar pela morte...mas por que diabos ela não chega logo? Oh Lucy, era disso que você estava com medo? Sentiu-se culpado por não acreditar nos temores da irmã. Mas agora já é tarde demais. Engoliu em seco. Nunca mais os verei? Maldita morte! Por que me faz sofrer tanto com essa demora??
- Moço!? - Uma voz infantil surgiu do nada.
Mortos também ouvem agora? O que aconteceu com a paz eterna?
- Eiiii, moçooo!! - O dono da voz sacudira a cabeça de Edmundo, fazendo-o abrir os olhos.
Com muito esforço ele conseguiu distinguir o pequeno vulto a sua frente, que se revelou ser um garotinho loiro com seis anos no máximo.
- Moço...- Ele se aproximou com os olhos castanhos brilhando. - Você está morto?
- Estou?
- Não sei, nunca falei com um morto antes.
Edmundo rolou os olhos. Tinha entendido tudo, havia ido direto para o inferno.
- Mas você deve saber se morreu! O que você acha??
- Eu nunca morri antes, por isso não sei! - Ele respondeu entre os dentes na esperança que o garoto fosse embora, mas este parou pensativo por alguns minutos.
- É, faz sentido. - Assentiu com a cabeça. -Mas ainda acho que você sobreviveu porque a Liz não costuma acomodar gente morta por aqui.
Aqui?
Edmundo levantou-se num salto, percebendo pela primeira vez que não se encontrava mais onde obrigara Phillip a deixá-lo. Sentiu uma pontada de dor no ombro.
- Urgh! - Percebeu a existência de um enorme curativo no lugar da ferida adquirida na batalha. - Que-em fez isso?
- Você não morreu!
- É, já percebi isso. Mas quem...
- Dói? - O menino fez uma careta.
- Só um pouco mas...
O garoto sorriu de orelha a orelha.
- Que bom! Uma vez eu caí e a Liz me fez um curativo mas tava doendo muito e eu comecei a chorar e berrar muuuuito! Só parei porque a Liz falou pra eu deixar de ser fresco e que se eu continuasse ela me jogaria pela janela!!
- Não imagino por que ela faria algo assim...Essa garota tá pra ser minha heroína. - Edmundo falou sarcasticamente enquanto olhava atentamente ao redor. Estou em um quarto?
- Pois ééééé! Às vezes ela é muito, muito malvada! Qual é o seu nome?
- Err...você pode me chamar de Ed.
- Só Ed? Você tem um nome estranho para uma pessoa estranha! - Fez uma careta.
- Eu não sou o pirralho irritante aqui.
- E quem é?
- Argh!
- Thomas! - Alguém chamou.
- Mana! - O garoto sorriu e correu para abraçar a moça que acabara de entrar no quarto.
- Não te falei pra não pertubá-lo! Ele precisa descansar! - Virou-se para Edmundo.- Como você está se sentindo?
- Já estou bem. - Mentiu.Preciso dar um jeito de sair logo daqui. - Não precisa mais...
A moça sorriu em descrença, se aproximou e colocou a mão em seu ombro. Ele gritou de dor.
- Se você quer sair logo daqui, é melhor que não minta pra mim. Mais algum sintoma além da dor ?
- Estou vendo tudo nublado.
- É normal. Você acabou de acordar, não foi? Logo vai melhorar.
Ele assentiu com a cabeça. Ainda doía.
- Mana, ele tá vivo não tá? Por que se não estiver eu terei tido a minha primeira conversa com um morto!
- Ele está vivo sim e tudo o que você fez foi pertubá-lo. Por que você não vai ver como estão as coisas lá fora??
- Devem estar do mesmo jeito que antes. - O garoto fez uma careta. - Eu quero ficar aqui!
A moça balançou a cabeça.
- Se você não for agora, vai ter que dormir do lado de fora.
- Isso não!! - Tom saiu de cabeça baixa fazendo bico.
Ela riu.
- Desculpe mesmo! Não sabia onde ele estava e fica muito difícil controlá-lo.
- Que é isso! Ele é um amor. - Edmundo mentiu.
- Fazendo piadas, talvez esteja melhor do que imaginei. Ah, me chamo Elizabeth, mas você pode me chamar de Liz.
- Edmundo. Oh não! Idiota! Eu nem sei quem ela é, se é uma espiã ou algo assim e já vou revelando quem sou? Nem tudo está perdido. Quer dizer, deve haver vários Edmundos por aí, não é? Mas pode me chamar de Ed.
- Pena nos conhecermos em tal situação. Te encontrei ontem a noite no bosque. Você perdeu muito sangue mas não tem com o que se preocupar. Nada do que um pouco de descanso não resolva. Se lembra de alguma coisa?
- Sim, eu e meu cavalo estávamos passeando no bosque e quando nos demos conta estávamos no meio de uma batalha. Um minotauro partiu pra cima de mim e me atingiu mas consegui fugir com ajuda do animal. - Edmundo sentia-se desconfortável em falar de Phillip daquela forma. Mas talvez mencionando a batalha, ela deixasse escapar algum detalhe, alguma coisa que explicasse o ataque. - Porém ele não aguentou tanto peso e nós dois caímos. A última coisa que me lembro foi acordar aqui.
Uma sombra passou pelos olhos da moça.
- Mas, você sabe de alguma coisa, tipo, o porquê do ataque repentino?
- O rei justo.
- O quê?
- Ouvi falar que o rei justo estava naquele acampamento e as pessoas dessa vila nunca foram muitos a favor dos novos reis, entende? Alguns até pesquisam maneiras de trazer Jadis de volta.
- Mas isso é impossível!!
- Como você pode ver, ainda estamos no inverno aqui, e talvez sempre estejamos. Consideram isso como um sinal que ela pode ressucitar. O que não entendo é por que buscar guerra ao invés de aproveitar a paz que nossos pais e amigos lutaram pra conseguir na batalha de Beruna?
Ela está do nosso lado. Edmundo sentiu-se um pouco mais aliviado. Porém nunca se sabe...
- Numa vila assim, como não foi expulsa por pensar de maneira tão diferente?
- O Bosque. Todos o temem. E é ele que mantém minha casa escondida.
- Mas mesmo assim, como consegue comida, bebida?
- Informação demais para um dia só, não acha?
Ele sorriu. Estava ficando cansado mesmo.
Ela aproximou-se, encostando sua testa na dele. Edmundo corou. O que é isso? Ela estava perto. Perto demais.
- Pelo menos não está com febre. - Foi a vez de Liz sorrir. - Tenha uma boa noite de sono, virei checá-lo amanhã.
Ele tentou esboçar um sorriso mas não conseguiu. Ela só tentou medir a minha temperatura! Só isso! Suspirou fundo. Só notara agora como Liz era bonita. Tinha cabelos loiros com cachos esculturais caídos sobre os ombros e os olhos! Meu deus, não conseguira ver direito se era castanhos ou verdes, mas mesmo assim eram muito expressivos...e seus lábios eram tão vermelhos e tão...beijáveis? Oh, seu idiota! Tem um plano sendo arquitetado para me matar e aos meus irmãos e tudo o que consigo pensar agora são em seus lábios? Sentiu vergonha de si mesmo e pela primeira vez desde que acordara, desejou que nenhum de seus irmãos estivessem lá para testemunhar o enrusbecer das suas bochechas.
Continua...
N/A: Viram que rapidez? haushaushauhs
Mas foi porque esse capítulo já estava escrito. Na verdade, foi o primeiro que eu escrevi. Estranho, não?
Bom, espero que gostem desse capítulo e dos meus novos personagens. Sim, é exatamente isso o que vocês estão pensando. EdXOc.
Tava pensando justamente nessa fic hoje de manhã. Ela vai ser grande, muito grande. No início eu só ia focalizar o Edmundo mesmo, mas escrever o primeiro capítulo, com todos eles foi tão legal, me fez tão bem, que mudei de opinião. Até hoje tinha uma coisa me incomodando nessa história: A susana não ia aparecer muito. Isso é porque eu não gostava dela, mas agora eu gosto. hsuahsuahsua
Agora, escrevendo sobre ela, sei lá, ela é tão simpática...me conquistou. xD
E além do mais, acho que até entendo porque ela resolveu deixar de acreditar em Nárnia. Fala sério, você fica anos sendo rainha de um país totalmente novo, pelo qual você se apaixona e acha que vai governá-lo para sempre e aí...puff...você volta pro mundo real! Então você tenta se conformar com isso e quando está fazendo um progresso, você volta pra Nárnia de novo e lá Aslam te diz que você nunca mais vai voltar?? Eu ia ficar zangada e deprimida! Por isso a entendo. Quer dizer, ela se enganou, mergulhou de cabeça no mundo real, ela quis se apegar a ele pois lá, não ia aparecer ninguém dizendo que ela nunca mais ia voltar...
Sei o que muitos de vocês pensam: Mas e os outros? Nem o Pedro, o Edmundo ou a Lúcia deixaram de acreditar em Nárnia!
Bom, pra rebater esse argumento, eu vou dar a minha opinião. A Susana é a mais fechada de todos eles e como irmã mais velha eu acho que ela se sentia no dever de ser a perfeita, a que não sofre, a que tem controle sobre tudo...e a maneira mais fácil ( não a certa) de se recuperar o controle é esquecer, fingir que nunca existiu.
Eu tenho pena dela, tenho mesmo. Espero com todas as minhas forças que consiga voltar pra Nárnia. Até porque a pobrezinha ficou sem irmãos, sem pais, sem primo...meu deus. Maldade isso!
Tá, tudo bem...to falante demais hoje.
Continuem lendo porque vem MUITO mais coisa pela frente!
O próximo capítulo será sobre o Pedro, a Lúcia e o Phillip, que a essa altura já terá chegado lá. Como será que os nosso querido rei e a nossa querida rainha vão reagir? Alguma idéia? Eu não tenho nenhuma. haushaushauhsua. Por isso devo demorar um pouco pra escrever. Sugestões são sempre bem-vindas!!
Beijosss
