- Vossa Majestade? - Um fauno se aproximou. - Eu trago a carta de vosso irmão, o Rei...

Pedro arrancou a respectiva carta da mão do mensageiro com tamanha ferocidade que não acreditava possuir.

- E as cartas de minhas irmãs?

- O outro mensageiro ainda não chegou.

- Ah, sim. - Sentiu-se meio culpado. - Você deve estar cansado, seja meu hóspede e descanse.

O fauno fez uma reverência e saiu. Quando se encontrava longe, Oreius virou-se para o Grande Rei.

- A expressão: "Não apropriado para um Rei" lembra alguma coisa?

- Uhum. - Pedro não ouvia ao certo o que o amigo dizia. Abriu a carta.

Pela milésima quadragésima quinta vez, Pedro, eu estou bem. Agora pare de se preocupar com os outros e tome cuidado. Não abaixe a guarda por nada.

Edmundo.

Pedro gargalhou. Isso era tão...típico.

- Edmundo me escreveu duas linhas! - Passou-a para o general.

- Deixe-me ver. - Examinou a carta com cuidado mas por fim rendeu-se. - Pelo menos o senhor pode ter certeza que essa carta foi realmente escrita por vosso irmão e que ele não foi sequestrado ou morto. Ninguém seria capaz de escrever uma carta tão...- Procurou um adjetivo mas não o encontrou. - Assim.

- Pelo menos até ontem de manhã.

Oreius ergueu uma sobrancelha.

- O quê? - O Rei se divertia. - Eu sou o irmão dele. Mais velho ainda por cima. Sou biologicamente programado para ser chato.

XXX

- Obrigada, Nell. - Lúcia desmontou.

- Não há de que, senhorita. - O cavalo respondeu. - Por acaso deseja que eu a acompanhe até lá?

- Não é necessário. Odiaria ouvir Pedro brigando com você por ter me trazido até aqui.

- Ele tem razão para ficar nervoso.

- Eu sei, eu sei. Mas preciso de você para explicar tudo para a Susana. A última coisa que eu quero é ter um exército atrás de mim amanhã. - Ela riu.

- Ela também teria razão para ficar nervosa.

- Não se você avisá-la.

Nell fitou-a com descrença.

- Eu vou escrevê-la explicando tudo. Eu vou.- A Rainha Valente tentou se explicar.- É só que...Eu precisava fazer isso. Tá, tudo bem, eu queria fazer isso. Eu não posso ficar naquele castelo enquanto tudo isso está acontecendo. - Ela suspirou. - Eu quero vê-los.

- Vossa majestade não precisa se justificar. Sentir saudades e se preocupar nunca levou ninguém a morte.

Lúcia se acalmou.

- Agora, onde estão eles?

- O Grande Rei está ali. - Nell apontou com a cabeça para duas pequenas figuras ao longe. - Conversando com o general. Mas aonde...?

Ela deixou a frase morrer no ar ao ver a Rainha tremer. Ela estava pensando a mesma coisa.

Lúcia deu um sorriso forçado e tentou-se convencer que o que sentia nesse exato momento era ridículo! O fato de Edmundo não estar do lado do Pedro para discutir estratégias, planos de batalha era estranho mas não significava nada. Ele podia estar em qualquer outro lugar. Certo? Cada segundo que passava fazia o seu coração bater mais rápido. Apareça, apenas apareça! Apareça! Apareça!...Só para mostrá-la o quão bobo seu temor era. Por favor, apareça!

- O que é aquilo que o Grande Rei está segurando? É uma carta?

A súbita pergunta de Nell fez Lúcia parar imediatamente com o mantra. Ela sentiu lágrimas deslizarem por sua bochecha.

- Não é minha carta! Não daria tempo da carta chegar!

- Mas se não foi nem a senhorita nem vossa irmã que escreveu então só pode ser... - Nell finalmente entendeu o desespero da Rainha a sua frente.

Se Edmundo realmente estivesse lá, então por que Pedro estaria lendo uma carta dele?

- PEDROOO! -Lúcia correu atrás do irmão e se atirou em seus braços.

- LU? - Ele estava atônito com a súbita aparição dela. - MAS COMO? De onde?

A mais nova se agarrava as roupas do irmão com força e soluçava com a cabeça escostada em seu peito.

- Você se machucou? Está ferida? - Pedro estava desesperado com a falta de explicação. - Por Aslam, Lu! Fale alguma coisa!

- Ed - Ela conseguiu dizer entre soluços.

O Grande Rei respirou fundo e elevou os olhos o céu.

- Por que não estou surpreso em ouvir o nome dele? O que vocês aprontaram de...

- Onde ele está?? - Ela gritou.

- No acampamento dele? - Pedro não sabia mais o que dizer pra acalmar a irmã.

- Não, não, não. - Lúcia repetia incessantemente como se quisesse convencer-se disso.

- Vossa Majestade! - Um águia pousou na frente deles. - Trago notícias.

- Eu não acredito que essa seja a hora adequada. - O centauro interferiu

- Um cavalo está vindo para cá correndo. Mas está ferido. Não acho que vá aguentar muito tem...

- Pode cuidar disso, Oreius? - Pedro perguntou querendo se livrar logo da situação.

- Pode conta...

- E. - A águia chamou-lhes a atenção. - Eu acho que é Phillip.

Pedro nunca fora transformado em pedra pela Feiticeira Branca mas já ouvir muitos relatos de como era horripilante. De repente perder o controle do corpo e sentir o mesmo congelar aos poucos, sentir o coração palpitar horrores e ficar cada vez mais difícil respirar. Agora, ele sabia como era a sensação.

Nell, que ouvia tudo ao longe correu na direção deles.

- Suba.- Virou-se para Lúcia que obedeceu de pronto.

- Espere. - Pedro virou-se para ela com os olhos vermelhos. - Consegue me levar também?

- Não precisava pedir.

Ele montou e virou-se para a águia.

- Guie-nos.

Ela assentiu com a cabeça e alçou vôo enquanto Nell correu em disparada, com Oreius atás.

Não importava o quão rápido estavam indo, o tempo parecia passar mais e mais devagar e o destino parecia cada vez mais distante. Ambos o Rei quanto a Rainha pensavam a mesma coisa mas não se atreviam a falar nada. Prenderam a respiração durante todo o trajeto.

Continua..

N/A: Eu juro que quando a águia falou que era o Phillip eu ouvi um "TCHAM" e os tambores tocando. Fui a única? ahushauhsa

Agradecimentos a todos os que leram e me incentivaram a continuar. Obrigada mesmo.

Gente, mandar review, é simples, é fácil, não precisa estar cadastrado no e ainda me estimula a escrever mais rapidamente. Então...o que estão esperando?