Quando Boone viu Kate descer do carro, esqueceu-se completamente da neve, da frustração e do cansaço e correu até ela, apertando-a em seus braços.

- Meu amor, como eu senti a sua falta.

Shannon fez cara de tédio, já estava cansada de ficar ali plantada dentro do carro no meio da neve. Dentro dos braços de Boone, Kate ficou parada como uma estátua, sem dizer nada e sem esboçar emoção alguma.

- Gente, sei que querem matar a saudade, mas está muito frio aqui. Por que não vamos logo para o rancho? Deixem seu carro aqui, pela manhã fica mais fácil de desatolarmos.- disse Sawyer.

- Uau, mas o que é isso tudo?- suspirou Shannon, prestando atenção em Sawyer. – De repente esse rancho começou a ficar mais interessante.

Ela desceu do carro com suas coisas, e foi logo se dirigindo a Sawyer, sem fazer cerimônia:

- Hey, cowboy, não quer me ajudar com as malas?

Sawyer sorriu para ela, inocente e ajudou-a com as malas. Logo, todos entraram no carro e seguiram para o rancho.

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Por volta das nove da manhã, todos tomavam o delicioso café da manhã da Sra. Shephard na cozinha. As crianças faziam a maior bagunça na mesa, e Ana-Lucia tentava controlá-las a todo custo.

- Rick não é assim que se come geléia, Elena termine logo de passar manteiga no pão e Toni misture um pouco de leite no seu café, não gosto que você tome café puro.

- Mamãe, meu mingau!- choramingou Mônica.

- Já vai, querida!- disse Ana-Lucia mexendo a panela de mingau no fogão.

- Nossa!- exclamou Shannon. – Você é uma guerreira, não deve ser fácil cuidar de tantas crianças assim.

- Obrigada.- respondeu Ana-Lucia com um falso sorriso, não sabia o porque, mas tinha antipatizado de cara com a australiana.

Claire tentava dar papinha a Aaron que cuspia tudo de volta e sujava todo o babador. Quando ele começou a chorar, Shannon tampou os ouvidos na frente de todos e irritada, Claire saiu da cozinha com o menino, levando-o para a varanda na tentativa de acalmá-lo. Boone comia em silêncio, ao lado de Kate, vez por outra fazendo um carinho em seus cabelos, ou dando-lhe beijinhos na face. Kate não se mexia, apenas tomava seu suco de laranja sem dizer nada. Jack ainda não havia descido para tomar café.

- Bom dia.- saudou Sawyer, ao entrar na cozinha.

- Muito bom!- exclamou Shannon, descarada olhando para o traseiro de Sawyer, modelado sob a calça jeans justa.

Ana-Lucia notou e sua expressão tornou-se zangada. Sawyer não percebeu nada e sorriu para todos antes de dar um beijinho carinhoso na nuca da esposa. Sentou-se a mesa e começou a servir-se brincando de beliscar os ovos do prato de Elena, fazendo a menina sorrir.

- Pois é, como eu dizia, eu realmente admiro mulheres do campo como você, Ana-Lucia, sempre prontas para tudo, cuidando dos filhos. Não sobra tempo para vaidades, não é querida?- comentou Shannon, fazendo charme para Sawyer mexendo nos longos cabelos loiros.

Ao ver isso, Ana-Lucia soltou os seus cabelos negros que estavam presos de qualquer jeito e tentou sem sucesso arrumá-los. Isso a deixou deprimida, e ela disse, antes de deixar a cozinha:

- Com licença!

- Mamãe, o meu mingau!- disse Mônica.

Sawyer fez menção de levantar-se para buscá-lo, mas Laura levantou-se primeiro e serviu o mingau em um prato, começando a esfriá-lo para dar à neta. Todos os presentes, exceto Boone, fizeram cara feia para Shannon, que deu de ombros e continuou comendo tranqüilamente. Kate limpou a boca com um lenço de papel, e deixou a mesa indo atrás da amiga para averiguar se estava tudo bem. Sabia o quanto a futura cunhada era antipática e capaz de magoar as pessoas.

- Lu, eu posso entrar?- indagou Kate, batendo a porta do quarto.

- Yeah!- Ana-Lucia murmurou.

Kate entrou no quarto e viu que ela estava chorando. Sentou-se ao lado dela na cama.

- O que houve, querida, por que está chorando? Foi por causa dos comentários ridículos da Shannon?

Ana-Lucia balançou a cabeça: - Talvez ela tenha razão, olha só pra mim! O que eu tenho feito da minha vida? Eu estou gorda, não faço mais nada a não ser cuidar da casa e das crianças. Daí chega uma mulher como ela em nossa casa, descaradamente dando em cima do meu marido, e por que ele não corresponderia? Ela é linda, viajada e magra!

- Analulu, ele não corresponderia porque te ama. Está na cara, Sawyer vive por você e pelas crianças, jamais conheci homem mais apaixonado e dedicado do que ele. Se você é uma mulher do campo, então é perfeita pro Sawyer, porque desde que o conheço ele sempre amou o campo. Totalmente diferente do Jack, que sonhava com uma vida urbana. Vocês são perfeitos um para o outro, confesso, tenho inveja de vocês.

Ana-Lucia sorriu, enxugando as lágrimas.

- Não precisa ter inveja, você pode ter tudo isso e muito mais com o Jack.

Kate estremeceu com as palavras de Ana-Lucia, porém tentou fugir do assunto:

- Não estamos falando de mim, e sim de você.- ela disse abrindo o guarda-roupa e separando um belo vestido azul para Ana-Lucia. – Anda, veste isso.

Ana levantou-se da cama, despiu-se e começou a colocar o vestido. Kate não conseguiu não reparar na barriga dela.

- Toda a vez que eu vejo uma mulher grávida, eu fico pensando em como seria comigo. Me parece algo tão mágico!

Ana-Lucia terminou de pôr o vestido. Kate se aproximou dela com uma escova de cabelo e começou a penteá-la.

- Você vai saber o que é isso quando tiver filhos com o...como é mesmo o nome dele?

- Boone.- disse Kate.

- Pois é, mas ao invés do Boone você poderia ter filhos com o Jack.

- Ai não, Ana para com isso! Por que está insistindo nessa história do Jack? Nós não ficamos juntos há...

- Há umas cinco horas e vinte minutos.- disse Ana-Lucia, com um sorriso malicioso no rosto.

- Como é?- surpreendeu-se Kate.

- Kate, eu escutei você fazendo amor com o Jack ontem. E antes que você desminta, tenho certeza do que eu ouvi.

Kate parou de penteá-la, seu rosto estava corado.

- Sim, aconteceu, mas nós vamos deixar isso pra lá. Meu casamento será em poucos dias, e eu convidei o Jack para ser o padrinho.

Ana-Lucia riu: - Você é louca? Não faz o menor sentido dormir com um homem e depois convidá-lo para ser o padrinho do seu casamento. È Loucura!

- Que seja, como você costuma dizer. O que está feito está feito, não dá pra voltar atrás.

- Tá bom.- falou Ana-Lucia dando-se por vencida. – Mas me conta, foi gostoso? Eu quero os detalhes sórdidos.

Kate deu um tapinha de brincadeira no ombro da amiga, e disse:

- Cale a boca, senão não vou fazer penteado nenhum no seu cabelo.

- Está bem, não digo mais nada. Apenas me deixe bonita para o meu marido, o homem que eu escolhi, não que a sociedade me impôs.

- Ana-Lucia!- bradou Kate.

Kate terminou de arrumar o cabelo dela e as duas saíram do quarto. Deram de cara com Jack, que estava acabando de sair do seu quarto. Ele limitou-se a dizer para ambas:

- Bom dia!

E saiu rapidamente descendo as escadas. Kate sem perceber, foi atrás dele até a porta de entrada. Ele se dirigiu ao celeiro sem tomar café e saiu de lá montado em um corcel negro a todo galope. Ana-Lucia tocou o ombro de Kate na varanda de entrada e indagou, irônica:

- Deixou pra lá foi?

Continua...