Kate foi embora do rancho no mesmo dia em que viu Jack sumir de sua vista galopando. Desde então, alguns dias tinham se passado, e era véspera de ano novo. Ela deixara os convites de seu casamento com a Sra. Shephard como tinha dito a Jack, mesmo assim durante os dias que se passaram não recebeu nenhum telefonema dele com sua resposta em relação a ser padrinho do casamento. Sendo assim, Boone acabou decidindo que seu melhor amigo Paulo é quem seria o padrinho.

Naquela manhã, mais gelada do que todas as outras desde que Kate retornara à sua cidade natal, ela estava em seu quarto no hotel, provando seu vestido de casamento diante do espelho. Sua mãe, que tinha chegado da Austrália havia dois dias, estava lhe ajudando a fechar o vestido quando notou que sua filha estava com o semblante triste.

- Katherine, o que houve?- indagou. – Você não está com cara de noiva feliz às vésperas de seu casamento.

- Não é nada, mamãe. Eu estou bem, apenas emocionada com a proximidade do meu casamento. Você sabe o quanto isso é importante na vida de uma mulher.

- È, eu sei!- ela concordou. – Principalmente quando se ama o noivo, o que não é o seu caso, não é Katherine?

- Por que está me dizendo isso, mãe?- assustou-se Kate.

- Porque você mudou, filha. Eu notei isso desde quando cheguei aqui. Só vive calada pelos cantos, mesmo quando está com seu noivo não vejo mais seus olhos brilharem por ele como em Sidney. Algo aconteceu aqui que te fez mudar de idéia e acho melhor me contar o que é antes que seja tarde demais.

- Mamãe, não aconteceu nada, a senhora está vendo coisas. Eu estou bem!

De repente, alguém bateu na porta. Diana Austen sorriu, divertida, imaginando ser o futuro genro.

- Não pode entrar Boone, querido, o noivo não pode ver a mulher vestida de noiva antes do casamento.

- Sra. Austen, sou eu, Jack Shephard. A senhora se lembra de mim?

O coração de Kate começou a dar pulos dentro do peito, e ela ficou pálida ao mesmo tempo em que a temperatura de seu corpo começou a cair. Diana notou a mudança dela, e comentou de imediato:

- Então foi por causa dele que você mudou de idéia, filha? Ainda o ama?

- Mamãe, por favor!- pediu Kate num fio de voz, querendo chorar.

- Você não vai falar com ele?

- Atenda a porta mãe, diga a ele que já irei vê-lo.

- Sra. Austen?- insistiu Jack do outro lado da porta.

- Mas é claro que me lembro de você, querido. Como poderia esquecer?- disse Diana abrindo a porta do quarto. Kate entrou no banheiro para recompor-se e colocar sua máscara de "está tudo bem" para poder falar com ele.

- Já faz muito tempo, eu sei...- falou Jack, emocionado ao rever Diana Austen outra vez.

- Oh meu Deus, mas você está tão lindo!- disse Diana abraçando Jack calorosamente.

- Meus parabéns pelo casamento da Kate.

- Obrigada, querido.

- Eu cumprimentei o Sr. Austen na recepção do hotel, ele me disse que Kate estava aqui, eu queria falar com ela.

- Sim, ela está. Estávamos provando o vestido de noiva.

Diana observou que o semblante de Jack ficou momentaneamente triste diante da afirmativa dela, mas fingiu não perceber, não queria que ele se sentisse intimidado.

- Katherine, Jack está aqui, e quer falar com você.

- Eu já estou indo.- disse Kate e menos de um minuto depois surgiu no quarto, ainda vestida de noiva.

Jack sentiu as pernas bambearem ao vê-la vestida assim, e desejou internamente que ela estivesse vestida de noiva para se casar com ele, porém logo afastou esse pensamento já que Kate, a mulher que ele amava estava de casamento marcado com outro.

- Bem, eu creio que o seu pai está me esperando na recepção para irmos ver algumas coisas, então terei que deixá-los sozinhos. Até mais, Jack. O verei no casamento amanhã, espero?

Ele assentiu com a cabeça, e Diana se retirou. Assim que ela saiu, Kate pensou em dizer um monte de coisas. O quanto seu coração gritava por ele, que iria desistir de tudo só para estar em seus braços outra vez, mas nenhuma palavra escapou de seus lábios e ela permaneceu muda, encarando-o.

- Você está linda!- Jack disse, segurando ternamente a mão dela.

- Obrigada!- Kate disse, nervosa.

- Eu vim até aqui te pedir desculpas pelas minhas atitudes e dizer que serei o padrinho do seu casamento e quero que você seja muito feliz.

Uma lágrima rolou dos olhos de Kate.

- Não precisa fazer isso, eu fui estúpida em te fazer tal proposta.

Mais lágrimas começaram a tomar seu rosto, e Jack acariciou sua face, enxugando suas lágrimas com os dedos.

- Mas eu quero fazer isso, porque eu te amo.

Ele então beijou as lágrimas dela. Kate fechou os olhos sentindo-o beijá-los. Ela envolveu os braços ao redor do pescoço dele e ficaram se olhando, testa com testa. Inevitavelmente seus lábios se encontraram num beijo doce, terno, que logo foi ganhando intensidade. Suas línguas explorando o interior de suas bocas com vontade.

Kate tirou o véu de noiva, e disse a Jack:

- Fique aqui, eu já volto!

Ela foi até a porta, e colocou a plaquinha na maçaneta com os dizeres "Não perturbe". Voltou até onde Jack estava e beijaram-se novamente, com mais paixão ainda.

- Por que isso Kate? Você vai se casar, não devíamos.

- Eu quero você!- ela murmurou entre os beijos.

Jack a virou de costas e a imprensou contra a parede do quarto. Suspendeu seus cabelos e beijou sua nuca, começando a abrir violentamente os botões de seu vestido de noiva, arrebentando alguns pelo caminho. O vestido ficou no chão, agora ela usava apenas o espartilho, a calcinha e as meias brancas. Jack desamarrou os fios do espartilho dela com incrível destreza e a virou de frente, sugando seus seios, descendo para a barriga.

- Oh Jack, Jack!- gemia Kate, quase escorregando até o chão, pois não tinha onde se apoiar.

Ele então a levantou do chão envolvendo as pernas dela em sua cintura. Sentou-se com ela em uma poltrona no canto do quarto e beijou seus seios antes de abrir o botão e o zíper de sua calça. Kate afastou a calcinha para o lado e deixou-se possuir mais uma vez por Jack, sem quebrar o beijo.

Movimentaram-se freneticamente por alguns minutos, entre gemidos, sussurros, mordidas e juras de amor. Quando tudo acabou, Jack acariciou o rosto dela e sentiu uma dor imensa tomar conta de seu peito porque era a última vez que fazia amor com sua amada.

Kate sentiu o mesmo e aninhou-se nos braços dele. Permaneceram assim, até que um dos dois tomasse coragem para se separar.

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- O tempo hoje está de matar, que frio!- queixou-se Sawyer carregando algumas caixas com mantimentos junto com seu pai para a cozinha.

Jack apareceu lá com o olhar desnorteado. Cristian percebeu, e indagou ao filho:

- Jack, está tudo bem?

- Está sim pai, por que não estaria? Acho que vou cavalgar um pouco.

- Com toda essa neve, acho que o dia não está propício não maninho, tenha pena do cavalo!- disse Sawyer olhando o clima ruim através da janela.

Ana-Lucia assistia tv na sala junto com Claire, Carol e sua sogra, Elena, Mônica e Megan brincavam de boneca aos seus pés.

- E quem está com vontade de curtir a virada do ano ao ar livre é melhor ter cuidado!- advertiu o repórter na tv. – Uma tempestade de neve como nunca se viu na cidade está prevista para essa noite. Mantenham a família aquecida e a despensa abastecida.

- Por Dios!- exclamou Ana-Lucia. – Isso vai trazer muito prejuízo às nossas plantações.

- Isso é verdade!- concordou Laura. – È por isso que o Cristian nunca deixa de pagar o seguro da fazenda.

- Querida, eu trouxe pêssegos e morangos também, como você me pediu.- falou Cristian entrando na sala.

- Obrigada, querido. Eu vou preparar um creme delicioso.

- Dessa vez a senhora vai me dar a receita?- indagou Ana-Lucia a sogra.

Laura limitou-se a sorrir, esse creme era um de seus segredos culinários e só daria a receita no seu leito de morte.

- Está vendo cunhada? Ela sempre faz isso!- reclamou Ana-Lucia.

Claire sorriu, aconchegando Aaron em seu colo, o menino tinha acabado de adormecer. Na cozinha, Jack andava de um lado para o outro enquanto Sawyer arrumava algumas frutas na geladeira.

- Dammit, Jackass! Vai fazer um buraco no chão, homem! Qual é o seu problema?

Jack puxou uma cadeira da mesa da cozinha e sentou-se.

- Já disse que não tenho problema nenhum!

- È a Kate não é?- questionou Sawyer, também puxando uma cadeira, só que diferente do irmão ele a virou ao contrário e sentou-se.

Jack olhou nos olhos dele e não conseguiu mais mentir.

- Sim, é isso!

- Eu sabia! O que aconteceu entre vocês na noite em que o noivo dela chegou? Dormiram juntos?

Jack não respondeu, então Sawyer entendeu que tinha acertado.

- Sim, vocês dormiram juntos e aí? O que ela disse?

- O noivo dela ligou da estrada no meio da noite e ela acabou me contando que estava noiva e ainda por cima me pediu para ser o padrinho do casamento.

- E o que você respondeu?

- Eu fui grosso com ela, não dei resposta nenhuma direito.

- E?

- Sawyer, eu estou perdidamente apaixonado pela Kate, descobri isso na noite de natal quando nos encontramos na estrada e depois que dormimos juntos tive mais certeza ainda. Mesmo assim, resolvi procurá-la esta manhã e dizer-lhe que aceito ser o seu padrinho de casamento.

Sawyer arregalou os olhos azuis:

- E por que diabos você fez isso, homem?

- Porque achei que era o certo, agir racionalmente, que seria mais fácil de esquecê-la assim, só que as coisas acabaram se complicando ainda mais.

- Como?

- Ficamos juntos de novo, no quarto de hotel dela, Sawyer, ela estava usando o vestido de noiva!

Sawyer ficou muito sério ao ouvir aquilo.

- Você transou com ela de novo? Jack ficou louco? Me responde uma coisa, mano. Vocês dois se preveniram nas duas vezes que ficaram juntos?

Jack passou as mãos pela cabeça, visivelmente nervoso.

- Você é um completo irresponsável. E se ela tiver engravidado, hã? Já parou para pensar nisso? Imagine só ela se casando com outro com um filho seu na barriga.

- Não Sawyer, eu não tinha pensado nisso.- bradou Jack, irritado. – E quem é você pra me chamar de irresponsável? Engravidou a Ana-Lucia quando tinha dezessete anos, por isso se casou com ela.

- Não, não foi por isso que me casei com ela. Isso só adiantou nossos planos, porque eu me casaria com ela de qualquer jeito. Ana é a mulher da minha vida, e eu não sou um perdedor como você, me responsabilizo pelos meus atos, assim como me responsabilizei pela fazenda, por tudo, enquanto você foi embora.

- Sawyer, não comece de novo com essa história! Eu fui embora porque não queria ser um fazendeiro como você, tinha outros planos pra mim, não sou nenhum perdedor!

- Não Jack, você foi embora porque queria esquecer a Kate! Enlouqueceu quando ela foi embora pra Europa, isso nunca teve nada a ver com os seus planos. Você poderia ter ido atrás da sua tão sonhada carreira de médico e continuar fazendo parte da fazenda, mas você não quis isso, porque tudo aqui no rancho te lembrava a Kate, e você não queria mais ficar lembrando dela, e é por isso que você é um perdedor Jack, porque não está agarrando a oportunidade que surgiu na sua frente. Por que acha que ela voltou? Ela poderia ter se casado em Sidney, mas preferiu se casar na igreja onde os pais dela se casaram, que fica onde? Ah, claro, há uns cinco quilômetros do nosso rancho.

Jack balançou a cabeça negativamente:

- E o que você quer que eu faça? Não depende só de mim!

- Lute por ela, homem! E tem razão, não depende só de você, mas a parte dela, convenhamos que ela já fez.

- O quê?- questionou Jack.

- Se entregou pra você! Duas vezes, aliás! Ela já te deu a deixa, agora seja homem e faça a sua parte!

Jack enterrou o rosto entre as mãos:

- Não adianta, Sawyer! Não importa o que eu faça! Ela vai se casar amanhã, e eu serei o padrinho. Aliás, como bom padrinho que eu sou convidei-os para a ceia de ano novo hoje.

- Como é?

- Isso o que você ouviu!

Nesse momento, Antonio e Enrique entraram alvoroçados na cozinha.

- Papai! Papai!- gritou Enrique. – O tio Charlie e o tio Liam estão nos ensinando a tocar violão!

- Vem ver pai!- pediu Antonio.

Jack levantou-se da cadeira.

- Vá Sawyer, eu vou pro meu quarto descansar um pouco.

Mas antes que Jack saísse da cozinha, Sawyer perguntou:

- O que te trouxe de volta ao rancho, afinal?

- Os espíritos do natal.- Jack respondeu sem dar maiores explicações e foi para o seu quarto, deixando Sawyer sem entender nada.

Continua...