À noite não tardou a chegar, e com ela vieram os ventos fortes anunciando a intensa tempestade de neve que estava por vir. Ana-Lucia conversava com sua mãe, ao telefone:
- Mas por que não? Eu achei que a senhora e o papa viessem para a ceia.- fez uma pausa, deixando a mãe falar. – Sim, eu sei sobre a tempestade mamã, só não entendo porque resolveram ir justo hoje pra casa da tia Consuelo! Está bem, está bem, mamã, feliz ano novo, dê um beijo no papa, nos falamos pela manhã.
Ela desligou o telefone e sentou-se no sofá, emburrada.
- Por que essa carinha zangada, corazón?- perguntou Sawyer.
- Meus pais não irão vir para a ceia por causa da tempestade.
- Ah, mas não fique assim, coelhinha, seu maridinho está aqui!- ele deu um selinho nos lábios dela quando bateram na porta.
Sawyer franziu o cenho e disse:
- Devem ser os convidados do Jack, pensei que não viessem por causa da tempestade.
- Ah não!- queixou-se Ana-Lucia. – Não agüento aquela cunhada da Kate.
- Por que amor? È uma moça tão simpática!- disse Sawyer indo abrir a porta.
- Nossa, quase a gente não vem, o vento está terrível!- disse Boone quando Sawyer abriu a porta.- Como vai Sawyer?
- Eu vou bem. Kate, Srta. Carlyle!- respondeu Sawyer cumprimentando Kate e Shannon, esta deu um olhar malicioso a Sawyer quando ele a cumprimentou.
Atrás deles vinham o Sr. e a Sra. Austen.
- Tia Diana! Eu não acredito!- falou Sawyer, alegre, abraçando a mãe de Kate.
- Ora, se não é o nosso amigo cowboy?- disse Sam dando um tapinha no ombro de Sawyer. – E os rodeios?
- Já faz um tempo que não participo de um, sabe como é, a patroa não gosta!
Sam riu. Diana abriu um largo sorriso ao ver Ana-Lucia.
- Oh querida quanto tempo! Mas que barriga linda!
Ana-Lucia sorriu e abraçou Diana.
- Já é o quinto!- ela comentou, orgulhosa.
- E você continua fabulosa, poucas mulheres conseguem essa façanha.
- Ah, que é isso!- falou Ana, corando ao comentário.
Kate começou a procurar Jack pela casa com os olhos, quando Boone se aproximou dela: - O que foi amor? Perdeu alguma coisa?
- A sanidade.- ela murmurou baixinho.
- O quê?
- Nada!- Kate disfarçou.
Ficaram todos sentados na sala, conversando e degustando os canapés da Sra. Shephard. Lá fora, a tempestade aumentava cada vez mais de intensidade, tornando impossível que qualquer pessoa deixasse o rancho. Jack e Kate trocavam olhares angustiados vez por outra. Ele estava odiando vê-la com Boone, que não desgrudava dela um só minuto.
- Eu ouvi dizer que Elena sabe tocar piano!- falou Diana.
A menina deu um sorriso tímido e escondeu o rosto no ombro da mãe.
- Elena, o que é isso?- disse Ana-Lucia. – Por que não mostra a tia Diana o que sabe fazer?
- Vamos Elena, eu toco com você.- disse Jack puxando a sobrinha até o piano, todos aplaudiram e começaram a prestar atenção.
Sentaram-se e começaram a tocar juntos. Elena tocava a melodia e Jack fazia a base que era mais difícil. Boone lascou um beijo em Kate, irritado, Jack errou as notas. Elena reclamou: - Tio, não é assim!
- Me desculpe, querida. Vamos de novo!
- Eu vou buscar mais champagne, alguém quer mais?- perguntou Sawyer.
Carol, Liam, Charlie e Kate levantaram as mãos. Sawyer foi para a cozinha. Aproveitando que todos estavam entretidos, Shannon o seguiu. Entrou na cozinha toda insinuante, Sawyer esta de costas lavando algumas taças na pia, quando ela o agarrou por trás.
Surpreso, ele indagou:
- O que está fazendo?
- Você é muito gostoso, sabia?- ela beliscou o traseiro dele.
Sawyer a segurou:
- Mocinha, acho que não estamos falando a mesma língua aqui, eu sou casado, não deu pra perceber?
- "Casado, mas não enterrado!"- disse Shannon, cínica. – E quanto a não falarmos a mesma língua, o que está esperando para colocar a sua na minha boca e me ensinar a falar como os americanos?
E dizendo isso, ela o puxou com força e tascou um beijo na boca de Sawyer. Ana-Lucia entrou na cozinha segurando uma bandeja nesse exato momento.
- Amor, me ajude a...
Ficou de boca aberta ao ver Shannon e seu marido se beijando.
- Ana, eu posso explicar...- disse Sawyer, temeroso.
Mas ela não deu nem tempo para explicação nenhuma e pegou a bandeja que tinha em suas mãos e jogou na direção dos dois. Sawyer e Shannon se abaixaram, a bandeja voou e caiu com estrondo em cima da pia.
- Ana-Lucia, fica calma!- pediu Sawyer.
Porém, ela estava mais do que furiosa:
- Sua vagabunda loira desgraçada! Eu vou te matar!- esbravejou jogando tudo que encontrava pela frente em Shannon.
O resto das pessoas na sala ouviu toda a confusão e correu para a cozinha. Ao ver do que se tratava, Laura tratou de proteger os netos, Ana-Lucia estava muito enfurecida. Kate puxou Shannon pelo braço.
- Anda, sobe e se tranca no quarto de hóspedes!
- Como é que é?- ela protestou. – Kate, essa mulher é louca, ela não tem o direito de me bater.
- E você não tinha o direito de dar em cima do marido dela, agora sobe e se tranca no quarto porque ela vai te matar!
Ana-Lucia veio pra cima dela e Shannon resolveu obedecer Kate, indo se refugiar no quarto de hóspedes. Boone seguiu a irmã, não queria tomar parte naquilo.Sam e Diana também se recolheram. Sawyer tentava acalmar a mulher a todo custo:
- Amor, se acalme, está dando vexame. Vamos conversar!
- Não!- ela gritou. – Sawyer como você pôde?
Laura levou as crianças para o seu quarto, junto com Cristian para que não ficassem vendo aquela cena. Charlie e Liam também se retiraram com as esposas e os filhos, permanecendo na sala somente Sawyer, Ana-Lucia, Jack e Kate.
- Ana, eu não fiz nada. Deixa eu te explicar, ela deu em cima de mim.
Ana-Lucia jogou um bibelô de cima da mesinha da sala nele, Sawyer saiu da frente e o objeto se espatifou na parede.
- Ana, você não pode ficar exaltada desse jeito!- disse Jack, está no final da sua gravidez, é arriscado!
Ela voltou-se para Jack com os olhos cheios de lágrimas, e em seguida olhou para Sawyer, dizendo:
- Nunca esperei isso de você!
E subiu as escadas. Os três foram atrás dela. Ela entrou em seu quarto e bateu a porta, trancando-a atrás de si.
- Ana, abre essa porta!- gritou Sawyer esmurrando a porta.
- Vá embora!- ela gritou histérica.
Foi quando sentiu uma forte pontada no abdômen e sentou-se na cama com as mãos no ventre.
- Ana, eu vou arrombar essa porta.- avisou Sawyer, mas não ouviu nenhuma resposta dela. Jack e Kate estavam ao lado dele, apreensivos.
- È 1, é 2, é 3...-contou Sawyer e com a ajuda de Jack arrombaram a porta.
- Sawyer...- ela murmurou assustada.
Kate arregalou os olhos ao ver que ela estava sentada na cama em meio a uma poça de água misturada com sangue.
- Amor, o que houve?- indagou Sawyer, preocupado.
Ela estava tremendo muito.
- Temos que levá-la ao hospital.- disse Kate.
- Com essa tempestade de neve, não dá. Eu vou fazer o parto! Rápido, providenciem água quente, uma tesoura esterilizada, toalhas e cobertores limpos.
Sawyer e Kate correram e trouxeram tudo o que Jack havia pedido.
- Amor, eu juro pra você eu não fiz nada, eu te amo, acredite em mim.- disse Sawyer acariciando os cabelos negros dela.
Ana-Lucia assentiu com a cabeça, apertando a mão dele antes de começar a gritar de dor.
- Vamos Ana-Lucia, vai dar tudo certo, faça força!- pediu Jack.
Kate o ajudou empurrando a barriga dela, e não demorou muito Ana-Lucia dava à luz a uma linda menina.
- Olha só mamãe, você tem mais uma filha!- falou Jack entregando a menininha para Ana, que chorava emocionada, junto com Sawyer que chorava mais do que ela.
- Então esta é a pequena Tereza!- ele murmurou. – Eu sou o papai!
Sawyer e Ana-Lucia beijaram-se, ela já havia esquecido a briga. Jack e Kate saíram para dar privacidade aos dois. Sentaram-se na escada, exaustos.
- Está tudo bem?- indagou Cristian a porta de seu quarto.
- Sim, papai, você tem mais uma neta.
Cristian sorriu.
- Eu vou dar a notícia à Laura e ás crianças.
Quando ficaram sozinhos novamente, Kate disse a Jack:
- Você é maravilhoso! Acabou de trazer sua sobrinha ao mundo e nem se abalou.
- Engano seu!- divertiu-se Jack colocando sua mão sobre a dela, estava tremendo. – Nunca fiz um parto, ainda mais sendo o da minha cunhada, muita responsabilidade. Confesso que tive vontade de dizer, alguém chame um médico! Mas aí alguém diria pra mim, ué, mas você não é o médico?
Kate riu: - Não importa! Cada vez admiro mais você.
- Eu gostaria que você sentisse mais do que admiração por mim.- ele disparou.
Ela não se conteve e mergulhou nos lábios dele. Beijaram-se intensamente.
- Kate?- chamou Boone saindo do quarto de hóspedes.
- Feliz Ano Novo!- disse Kate com lágrimas nos olhos, olhando para o relógio, faltavam cinco para a meia-noite. Mas Jack nada disse, ela então levantou-se da escada e foi para o quarto de hóspedes.
Jack ficou sozinho pensando no que fazer, não queria perdê-la. Levantou-se da escada e foi até o quarto do irmão. Abriu a porta bem devagar para não acordar Ana-Lucia que havia adormecido com a nenê. Sawyer levantou-se da poltrona onde estava sentado quando viu o irmão. Indagou silenciosamente o que ele queria.
- Sawyer, preciso da sua ajuda, não vou entregar a Kate de bandeja para aquele almofadinha.
Continua...
