Pela manhã, o sol deu sinal de vida e começou aos poucos a derreter a neve. Não havia mais vestígios da tempestade de gelo que assolara a cidade na madrugada da virada de ano. A pequena igreja da Vila Dharma, onde ficava o rancho Shephard e outras fazendas estava muito enfeitada para o casamento de Kate e Boone.
A maioria dos convidados já tinha chegado, inclusive o noivo. Boone andava de um lado para o outro no altar da igreja, sob o olhar atento do Padre Eko, que preparava seu sermão com tranqüilidade.
- Com tantas igrejas maravilhosas em Sidney, eu não sei por que o meu irmão resolveu se casar nessa capela chinfrim no meio do mato.- comentou Shannon, torcendo o nariz.
- Eu concordo com você, minha filha.- disse Sabrina, a mãe de Boone e Shannon.- Mas seu irmão tem desses caprichos, sorte que o passado de Kate não importará mais quando ela finalmente se casar com Boone.
- Não sei não, mamãe, uma vez roceira, sempre roceira.
- Calem a boca vocês duas!- ralhou Adam Carlyle. – Principalmente você Shannon, Sam me contou da confusão que você fez ontem no rancho Shephard, sorte que a Sra Sawyer Shephard deu à luz em segurança e está bem.
- E por que ela não estaria bem papai, se o que ela faz de melhor é parir!
Nesse momento, Sawyer chegou na igreja, acompanhado de toda a família com exceção de Ana-Lucia que estava se restabelecendo do parto na companhia de sua mãe. Trazia Mônica ao colo. Lançou um olhar de ódio a Shannon e tomou seu lugar, organizando os filhos ao seu lado.
- Já está na hora, a noiva chegou!- avisou Diana, puxando Mônica do colo de Sawyer pela mão e chamando Enrique com um gesto, eles iriam fazer a entrada de Kate. Impecáveis, as duas crianças seguiram Diana para fora da igreja.
- Mas onde é que está o Jack?- questionou Boone, não o vendo na igreja. – Se ele não tomar seu lugar ao lado da madrinha agora mesmo, o Paulo irá assumir.
Paulo assentiu, sentado na primeira fila ao lado da namorada, estava preparado se precisasse assumir o lugar de padrinho. Mas Jack finalmente apareceu, saudando Boone com a cabeça, tomou seu lugar ao lado da madrinha, e o padre Eko autorizou o início da marcha nupcial.
Todas as atenções se voltaram para a porta da igreja. Enrique e Mônica entraram de mãos dadas. Logo em seguida vinha Kate, de braço com seu pai. Seu rosto tinha a expressão de uma infeliz que estava sendo mandada para a forca. Ela buscou os olhos de Jack, como se esperasse que ele cometesse alguma loucura para impedir o casamento, mas ele evitou o olhar dela.
Sam entregou a mão de Kate para Boone que a beijou, galante. Ficaram lado a lado. Eko inciou a cerimônia:
- Estamos reunidos aqui hoje na casa de Deus para celebrar o amor que une Boone Carlyle e Katherine Austen. Mas antes que eu dê continuidade a essa cerimônia, gostaria de saber se existe alguém que tenha algo contra essa união, que fale agora ou cale-se para sempre!
As pessoas ficaram em silêncio. Kate não parava de suar. Não houve nenhuma movimentação. Eko deu continuidade à cerimônia:
- Sendo assim...
Porém, do nada, surgiu dentro da igreja um corcel negro segurando um ramo de margaridas em sua boca. Despreocupado, o cavalo caminhou até o altar, como se soubesse o que estava fazendo. As pessoas começaram a comentar entre si o estranho acontecimento, e o padre Eko se manifestou:
- Será que alguém por gentileza poderia tirar esse animal da igreja para que eu possa prosseguir com a cerimônia?
Jack olhou para Sawyer, que estava segurando o riso e deu um passo a frente, tirando uma pistola do bolso. Na verdade, era um sinalizador, mas ninguém sabia disso. Ele apontou a arma para Kate.
- Kate, venha comigo agora mesmo!
- O quê? Jack, você ficou louco?- protestou Kate.
- Se você não vier agora mesmo, eu vou matar alguém aqui dentro! A Shannon, por exemplo.
- Ai, meu Deus!- choramingou Shannon agarrando-se à mãe que estava horrorizada.
- Chamem a polícia, o meu irmão surtou!- falou Sawyer, fingindo preocupação.
- Cala a boca, Sawyer! Antes que chamem a polícia, a Shannon vai morrer!
- Não!- Shannon gritou, histérica.
- Não Jack, eu vou, abaixe a arma!- disse Kate, resignada.
Jack a puxou pela mão e a levou até o cavalo. O animal abaixou-se para que ela subisse, seguida de Jack.
- E que ninguém venha atrás de mim!- bradou Jack disparando pra cima. As pessoas gritaram. Kate envolveu os braços na cintura de Jack e ele deu a volta com o cavalo, saindo galopando para longe da igreja.
Boone que parecia ainda não ter absorvido a situação saiu correndo para fora da igreja. Diana estava de boca aberta, e Sam morrendo de rir.
- Miserável, devolve a minha noiva!- gritou Boone na porta da igreja, mas Jack e Kate já estavam longe.
Ele galopou com ela para o bosque, levando-a para a beira do lago onde tinham feito amor pela primeira vez, ainda adolescentes. Quando Jack a desceu do cavalo, Kate sorriu e perguntou:
- Por que demorou tanto?
Eles se beijaram e selaram ali o amor que os uniu para a vida inteira. Meses depois desse incidente, ela descobriu que estava grávida e eles casaram-se e compraram o antigo rancho onde Kate cresceu. Ela abriu uma casa de noivas e Jack um consultório na Vila, que depois transformou-se em um grande hospital. Tiveram três filhos e a vida seguiu seu curso. Mesmo depois de muitos anos, as pessoas do lugar ainda comentavam a incrível história do homem que roubou a mulher amada do altar da igreja e viveu feliz com ela para todo o sempre.
The End
