CAPITULO 4 - Eu, você e o mar

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
(Clarice Lispector)

Stacy continuava sentada, absorta em seus pensamentos. Olhava Wilson tomar mais uma dose de drink. 20 minutos haviam se passado e nada deles aparecerem; Stacy já tinha tentado o celular dele, mas estava desligado, ia começar a discar o número de Cuddy quando a viu vir apressada em sua direção. Notou o rosto afogueado, o cabelo bagunçado e a roupa um pouco amarrotada. Não podia pensar que House faria aquilo com ela, ele jamais a trairia, pensava Stacy.

- Vamos Wilson, já chega! - disse Cuddy passando por Stacy sem lhe levantar os olhos. Tentou puxar Wilson que tentava tomar mais um último gole de sua bebida, forçando o copo a despejar uma última gota.

- Onde está o Greg? – perguntou Stacy olhando-a nos olhos.
Por um momento Cuddy a olhou. Bastou aquele olhar para Stacy perceber que tinha perdido aquela batalha.

- Eu não sei..Stacy... – a voz saindo num sussurro ia completar a frase tentar falar algo, ela viu que Stacy tinha percebido um algo a mais, porém ouviu uma voz familiar à suas costas.

- Aqui estou, meu bem – falou House se aproximando do trio - ...e aqui está Cuddy...acho que você se esqueceu disso...não sentiu? – perguntou sarcasticamente tirando a mão do bolso e colocando a calcinha vermelha de Cuddy sob um prato.

Virou-se também para Stacy que olhava fixamente aquele objeto que lhe parecia tão obsceno em cima do prato. Cuddy finalmente saiu de seu transe; olhou para sua lingerie e puxou bruscamente o braço de Wilson que olhava atônito para todos, sem entender nada.

- Vamos...Wilson se levante..colabore comigo, sim? - disse o puxando mais forte ainda.

Com muita dificuldade Wilson finalmente se levantou; andou cambaleando se segurando em volta dos ombros de Cuddy, enquanto soltava um beijinho para House mostrando que realmente estava bêbado.

Stacy continuava em choque, ainda olhando para calcinha dela, ali em sua frente; olhou para House e saiu em disparada. Ele, no entanto olhava para direção que Lisa havia saído, não conseguindo tirá-la da cabeça, sabia agora que ela nunca mais iria falar com ele, mas não iria desistir dela tão fácil. Algumas pessoas ainda olhavam para ele, parado, algumas balançavam a cabeça negativamente.

- O que vocês estão olhando? Nunca viram uma calcinha? Vão cuidar de suas vidas!! – disse saindo apressadamente atrás de Stacy.

Depois de muito hesitar, chegou a sua cabine e parou por um momento. Decidiu por fim passar cartão e finalmente abriu a porta. Olhou em volta do quarto e viu Stacy sentada na ponta da cama, olhando para o nada.

- Stacy..eu n-não queria...

- Cala a boca Gregory! – murmurou

- Foi inevitável e..

- EU NÃO QUERO OUVIR! Pára ! Por favor. Vá embora – disse chorando baixinho

House sentia pena, nunca tinha visto ela assim tão magoada, tentou se aproximar, tocar-lhes seus cabelos, porém no momento em que sua mão ia pousar na cabeça dela, parou! Não conseguia, mas fazer isso. House olhou para o chão e depois para o closet, saindo em direção dele. Pegou uma mala e começou a colocar algumas roupas dentro. Stacy olhou para ele e depois para a mala:

- Aonde você vai?
Dessa vez House não falou nada, continuava a arrumar as suas coisas

- Gregory!
House parou por um momento e olhou para ela.

- Eu não quero que você vá! Você me machucou muito...mas ainda assim eu não quero que vá...eu ainda te amo..apesar de tudo.

- Stacy... – a voz saiu num sussurro – não dá..eu.. não posso fazer isso.
House sabia o que estava sentindo não podia negar. Gostava de Stacy, mas amava Cuddy, essa diferença é que fazia tudo mudar.

- Desculpa..- disse olhando para baixar sem encará-la o mesmo tempo que fechava a mala e se encaminhava para a porta.

- Não Greg..por favor..não me deixe.. – falou enquanto escorregava da cama em direção ao chão.

House não queria ver isso; saiu apressadamente e seguiu em direção à cabine de Wilson.

XXX

- Wilson!!! Abre..!

Wilson estava completamente desnorteado. As batidas na porta pareciam marteladas em sua cabeça.

- Oh meu Deus... mais devagar..por favor – sussurrava enquanto lutava para levantar da cadeira para abrir a porta. – House...Que surpresa! – disse sem nenhuma empolgação.

- Onde ela esta?

- Boa noite para você também..meu amigão!! Que ela?

- Wilson! – disse sacudindo o pobre amigo - Onde esta a Lisa??

- Ahhhhh....quem? – perguntou mais grogue ainda depois daquela da sacudida.
House entrou em disparada pelo quarto, procurando por ela.

- Lisa? Onde ela esta?

- Ahh sim..agora eu me lembrei!!

- Onde? – perguntava House impaciente

- Deve estar em seu quarto ué...?! o que ela estarrria fazendo aquiii? Ai minha cabeça..eu não to bem..sabia House?? Eu acho que eu bebi mais um pouquinho do que devreriria...

- Deveria. - disse House corrigindo o amigo ao mesmo tempo que o olhava com pena. Decidiu levá-lo ate o chuveiro e o empurrou imediatamente debaixo da água fria.

- Aiiii...ta fria! – dizia Wilson enquanto lutava pra sair daquela água

- Eu sei! – falou, empurrando o amigo com força

- Seu grosso!

- Amanhã você vai me agradecer – disse House rindo aos poucos

Deixou-o por uns 10 minutos sob a água, entregou-lhe uma roupa e esperou do lado de fora, enquanto o amigo se trocava. Wilson saiu logo depois com a blusa pelo avesso e sem a calça.

- Eu costumava fazer isso para você ...se lembra? – falou Wilson distraidamente, enquanto pegava a xícara de café quente das mãos de House.

- Éé.. e eu não costumo fazer isso...mas tome isso e amanha você ficara pronto para outra.

- Obrigada..meu amigo...você sabe que eu te amo né?

- Boa noite Wilson – disse House saindo

Sala de Operações MS Freedon of the Seas

- E então capitão Walker, que horas chegaremos à África do Sul?
- Com a velocidade que estamos eu diria que ao entardecer de amanha... Comandante
- Aumente a velocidade.. Eu quero chegar ao amanhecer de amanha.. e só me chamem se for realmente necessário- falou o comandante de bordo com ignorância.

House caminhava silenciosamente pelo corredor, que a medida que ele ia passando as luzes acediam e depois se apagavam por trás dele. Aquela peça no seu bolso queimava ,e a coragem de pedir desculpas ia diminuindo à medida que se aproximava do quarto dela. Parou por um momento pelo corredor onde uma única luz pairava sobre sua cabeça " vamos lá!! Entregue e volte para Stacy...isso...é a melhor coisa que devo fazer...afinal quem ela pensa que eu sou para ficar indo atrás dela assim?!?" – pensava enquanto começava a andar novamente. Aproximou-se da porta dela e ensaiou bater " House você é uma babaca" deu a volta e saiu em direção da porta do elevador, apertou o botão e esperou. O elevador chegou rápido e House ficou olhando sua imagem refletida no espelho se observando ate a porta se fechar. Voltou novamente à porta dela e apertou com força o botão da campanhia. Uma, duas, três vezes e nada; esperou novamente e tocou mais uma vez

- Cuddy!
O silêncio absoluto reinava naquele local, quebrado apenas pelo som de algumas portas batendo, possivelmente dos outros andares.
" Será que ela não esta ai?". Tocou mais uma vez. Ouviu uma movimentação dentro do quarto.

- Cuddy! Eu ouvi! Eu sei que você esta ai e não vou sair ate que você abra essa porta!
- Vá embora!!!

House lutava contra si mesmo, odiava admitir que estivesse errado, mas dessa vez tinha pegado pesado com ela e tinha consciência disso.
- E-eu sinto muito... - falou de vez – fiquei com raiva e...

Silêncio.

-Ahh... Vamos Cuddy...eu já me desculpei..seja compreensiva!

- Compreensiva? Foi isso mesmo o que eu ouvi? – falava Cuddy de dentro do quarto.
- É..isso mesmo – respondeu com receio - eu não sou de me desculpar e acho que você também não seja, já que você parece muito orgulhosa!

- Ah! Só faltava essa!! Veio me dar uma lição de moral agora é? Você nem me conhece!

- Mas não deixou de fazer sexo comigo! - dizia House insolentemente.
Cuddy respirou fundo, não podia acreditar o que estava ouvindo.

- Isso não vem ao caso!! Vai embora vai!

- Você não vai nem abrir a porta?

- Não...pra que?

- Sua calcinha esta aqui...você não a quer de volta?

só faltava essa...! – Guarde-a de lembrança..porque é a única coisa que você terá de mim.

House se controlou mais uma vez. Ela era muito convencida.
- Você é muito convencida sabia? E para que me serve esse traste, hum? – disse furiosamente sem conter as palavras.
Cuddy deixou algumas lágrimas caírem traste?. Não sabia o que ele se referia: se era sua peça de roupa ou a lembrança de sua pessoa, um traste... House imediatamente pensou na besteira que faloudroga!

Eu não quis dizer isso.

- Vai embora!

- Você me entendeu mal..por..

- Vai embora!!! Você é surdo é?

- O que você disse? – falou fingindo não ouvir...ia tentar outra tática para ela abrir a porta - a porta ta abafando o som..

Alguns instantes se passaram ate a porta ser aberta de supetão. Os olhos dela estavam inchados e vermelhos, havia algumas marcas de lagrimas pelo rosto e pescoço. House sentiu-se um idiota...não devia ter feito aquilo com ela, mas a raiva foi mas forte que ele e não conseguia se controlar quando isso acontecia, não queria machucá-la ; no momento que há viu sentiu alguma coisa dentro de si dizendo que devia protegê olhou-o nos olhos:

- Vá embora! Ouviu agora? - perguntou ao mesmo tempo em que tentava puxar sua calcinha da mão dele – soltaaa..!

- Não - sussurrou ele

- Creio então que o traste deva ser eu... – a duvida pairando em seus olhos
- Nunca...você sabe...-falou carinhosamente

Num impulso a puxou pela calcinha. Ouviu um som de rasgo ao mesmo tempo em que a pegava pela cintura. Beijou-a com força, sentindo as lagrimas se misturarem com o beijo. Em um primeiro momento Cuddy cedeu, se entregando totalmente a ele. O beijo estava ficando cada vez mais envolvente e mais difícil de resistir.

- Aiii mulher! Você é louca? - berrou House levando a mão à boca

Cuddy olhou desafiadoramente para House, jogou sua calcinha, ou o que sobrara dela e entrou rapidamente no quarto gritando um vá embora bem alto
para ele.

- Grossa!! Aproveitadora!!! Só me queria para tirar o seu atraso...!!! Sua tarada!
Um casal de idosos passava pelo local e olhavam com desaprovação para House
- O que é?? Por isso que vocês estão assim!! – disse saindo da porta de Cuddy e sendo arremessado imediatamente contra a parede.

Sala de Operações MS Freedon of the Seas

- Cap. Walker..o que esta acontecendo? – perguntou o comandante ainda zonzo
- Senhor..o nosso navio se chocou com algo muito grande
- Mande um dos seus homens la para baixo! –ordenou
10 minutos depois o tenente apareceu desesperado
- Senhor! Há um arrombo de 20m de diâmetro. A maquinaria já esta toda de baixo d'àgua e as ondas estão cada vez maiores, com a chegada da tempestade
Nessa momento um estranho zumbido tomou conta da cabine de controle, sendo seguido por um estalo e todos os equipamentos eletrônicos se apagaram.
- Merda!

House sentiu a cabeça rodar; olhou para a escuridão à sua frente. Ouviu alguns gemidos e se dirigiu ate eles. Pegou o celular e o abriu tentando enxergar alguma coisa à sua frente. O casal de idosos estava no chão. Ela tinha um enorme corte na testa e sangrava muito.

- Me ajude! Por favor... ele... meu marido não esta respirando.

House olhou para a porta de Cuddy e ia se encaminhar ate lá.
- Por favor!! Ajude-me – pedia a senhora desesperada.

House voltou sua atenção à senhora, ajoelhou-se ao chão e tentou escutar alguma coisa, imediatamente tentou uma massagem de ressuscitação no velhinho. Tentou uma vez e depois outra e nada.

- Vamos senhora..você precisa cuidar desse ferimento.
- Nãooo.. Johnnie...não me deixe aqui sozinha... – murmurava ela chorando.
House olhava aquilo tudo com o coração apertado. Em poucos minutos tudo tinha mudado.

Sala de Operações MS Freedon of the Seas

- Comandante, nós precisamos avisar os passageiros!
- Espere ate a Guarda Costeira chegar! Eles já devem estar sabendo. O outro navio já deve ter chamado.
- É um cargueiro japonês. Transporte ilegal... Não creio que eles devam chamá-los. Estamos a deriva.
Mais de duas mil pessoas estavam naquele navio e as ondas estavam cada vez maiores
- Senhor o que devemos fazer? Estamos sem comunicação..ha varias pessoas machucadas..e..
- Eu já ouvi!! Agora deixe de conversa e tente ao máximo trazer as pessoas para cima ! Imediatamente!!

House levou a senhora para cima com muita dificuldade, levou tempo demais. Estava agora preocupado com Cuddy, que devia estar la embaixo ainda. Desceu rapidamente as escadas. Porém, a medida que descia, mas a água subia de nível. Finalmente chegou ao andar dela. A água subia depressa. Abriu o celular " bateria baixa??? Que droga!" Tentou se guiar pela escuridão e começou a gritar pelo nome dela .
- Lisa!! Dra. Cuddy...Você esta me ouvindo? Eu preciso que você me responda!!
Seu celular começou a vibrar. Olhou para a tela # STACY #.

- Greg? Greg?
- Oi...
- Ah graças a Deus ! Você esta bem!
-Onde você esta?
- Eu to aqui em cima..o navio bateu em um cargueiro e..
- Stacy.. eu preciso desligar... a bateria esta fraca.
- Mas..mas Alô? Alo? Droga Greg!

House apurou a audição. Nenhum som era ouvido naquelas bandas. Algumas portas estavam abertas, sinal de que muitos passageiros já tinham saído, nenhuma delas era o quarto de Cuddy. Havia porem algumas portas fechadas, House olhou para ombro e suspirou. " é agora!"
Começou pelas portas a sua esquerda, a dobradiça era muito resistente assim como a ombros já demonstravam o primeiro sinal de dor e fraqueza mas nem por isso ele iria desistir. E a água subia agora mais rapidamente.

- Minha nossa! O que foi isso?
- Alguma coisa grande bateu...
- Olha a água como ta subindo..
Vários passageiros já estavam na parte superior do navio, alguns curiosos outros já histéricos, a maioria porem estava machucada e recebia assim os primeiros atendimentos. Aos poucos iam sendo colocados em pequenos botes salva-vidas pois o choque contra o cargueiro havia sido tão violento fazendo o MS afundar rapidamente.
- Oh.. God! Como dói...
Wilson olhava aquela multidão, atônito.
- Eiii.. o que esta acontecendo – perguntava às pessoas à sua frente ainda meio embriagado - Vixi... Que povinho mais mal-educado... – continuava a falar enquanto era empurrado para um dos botes.

A água subia muito depressa e a escuridão era total. Em meia hora House só havia conseguido arrombar duas portas e nenhuma delas era a cabine de Cuddy. O ombro já estava muito machucado e a água já lhe atingia a cintura.
- Meu Deus...isso não é hora de ser irônico – sussurrava lentamente.
De repente um clarão invadiu o corredor e ele finalmente conseguiu enxergar o numero do quarto dela.
- É...- disse olhando pra cima.

Imediatamente foi ate la. Alguns tubos perigosamente começaram a ceder, devido à pressão que a água fazia. Mas isso não importava para ele, precisava salvá-la.
- Lisa!!

Gritava o nome dela enquanto chutava e empurrava a porta. Seus ombros doíam terrivelmente, sentia-se tonto, o cansaço dominava-lhe o corpo. A respiração cortante tornava-se cada vez mais ofegante, sentia que perdia suas forças. A água gelada do oceano entorpecia os seus membros.

- Ahhh...eu preciso de força!! Vamos Gregory House...eu sei que você consegue!! - dizia a si mesmo para se estimular.
Chutava a porta cada vez mais forte e sentia que ela ia ceder " ainda bem que faço boxe" – dizia tentando afastar os pensamentos de dor. Olhou mais uma vez para a porta e empurrou com toda ultima força que lhe restava
- Agoraaa!!

A adrenalina estava tão alta que nem sentiu quando um pedaço de madeira entrou em seu ombro. A procurou, forçando os olhos, por toda a extensão do quarto. Tudo flutuava. Alguns clarões ecoavam pelo corredor. Ficou esperando por mais um. Finalmente a viu estendida sob uma cômoda.
- Cuddy!
House nadou ate ela, deixando um rastro de sangue. Puxou seu corpo frágil e frio que ate pouco tempo atrás estava quente e ofegante. A cabeça estava dentro d'àgua e havia um grande hematoma em sua cabeça. Tentou sentir sua respiração. Nada. Parou mais um pouco para sentir seu pulso. Nada também. House se desesperou. Tentou fazer uma respiração boca a boca enquanto sentia a água gelada invadir o espaço cada vez mais rápido. Mas não iria desistir...não tão fácil.. Depois de vários minutos tentando salva-la ele percebeu que não havia mais duvida. Ela estava morta. House se desesperou e a puxou para fora do quarto, não podia deixá-la ali. A escada tinha sumido a água tomou conta de tudo. Voltou para o quarto dela e olhou para aquela minúscula janela. Tinha que ser por ali.

Colocou cuidadosamente Lisa na cômoda e empurrou uma cadeira em direção à janela. O vidro despedaçou-se imediatamente, alguns atingindo o seu rosto e fazendo a água entrar violentamente. Já havia perdido muito sangue e a visão começava a escurecer, lentamente. Com muita dificuldade carregou o corpo dela ate a janela, o frio que ele emanava o fez sentir um arrepio.

Passou primeiro pela janela e depois a puxou delicadamente, sem deixar que nenhum pedacinho de vidro a tocasse. Puxou-a mais um pouco, porem o cansaço lhe dominava. Olhou mais uma vez para ela, tocou seu rosto mais uma vez. O ultimo resquício de ar saia agora de seu pulmão pesado e lento enquanto ele a observava. Os cabelos ondulados com cada volteio de onda que o mar dava em torno de seu corpo, os olhos azuis agora se abrindo se confundindo com o azul negro do fundo do oceano. Sabia que era o delírio da morte chegando. A mulher por qual se apaixonara repentinamente, estava morta. Olhou-a mais uma vez e sorriu sentindo as lagrimas se misturarem com o salgado do mar. Seu melhor sorriso, cheio de perdão, paixão e amor foi para ela.

Seus olhos aos poucos foram se fechando, não acreditava em Deus, mas via que esse era o melhor presente que ele lhe dava. Através de um nevoeiro de semi- consciência, a última coisa que seus olhos viram foi ela se aproximando, como um anjo, em sua direção. Pensou ter visto ela se movimentando mas sabia que aquilo era impossível. Tentou nadar para ela mas o esforço e a dor eram grandes uma sensação de paz abençoada começou a tomar conta de seu corpo. E logo não havia mais dor. Estava livre.