O sol estava tão forte que Cuddy apertava os olhos com força. Uma brisa suave despenteava seus cabelos já assanhados e refrescava seus corpos nus. O dia tinha amanhecido tão lindo que havia nele uma espécie de magia ou então era porque ela estava ali com ele. Seus sentidos nunca estiveram tão aguçados como naquela manhã; ouvia os pássaros, um gotejar tranqüilo de água caindo, o perfume inebriante das flores. Abriu os olhos e ficou olhando para aquela figura ali ao seu lado. House estava num sono intenso, abandonado e completamente desprotegido. Ao sentir-se observado, ele vai aos poucos despertando ao passo que Cuddy fecha novamente os olhos, fingindo que ainda dormia. House sorri ao vê-la ali do seu lado, o vento fresco passando por eles e arrepiando o corpo. Tenta despertá-la com suaves beijos, provocando mais um arrepio suave na pele dela; ela move-se um pouco numa preguiça gostosa e ele continua a beijá-la. Lentamente seus olhos se abrem e se deparam com os deles que esboça um sorriso prazeroso ao vê-la acordar em seus braços.
- Bom dia – sussurra House apoiando o cotovelo na areia e a cabeça no punho.
Com uma das mãos ele começa a percorrer as costas nuas dela, quase sem a tocar e bem devagar. Aos poucos como uma serpente, ela move-se para mais perto dele, deitando-se sobre o seu corpo e sentido os efeitos de sua aproximação para mais uma vez fazerem amor, só que dessa vez mais suave e mais lento. Sem pressa. Adormecem mais uma vez, acordando quase ao pôr- do- sol, vendo o céu se pintar de uma cor alaranjada e avermelhada, numa explosão de cores.
- Boa tarde...ou noite... – disse ele sorrindo. - A gente vai sair da cabana hoje?
- Hummm...deixa eu pensar... eu tô com fome..
- Eu sei de uma coisa que pode acabar com essa fome – falou House maliciosamente.
- Greg...você não se cansa??? - falou com preguiça
- De que? Eu adoro...
- House...! Por favor! – disse Cuddy indignada
- O quê?? Vai dizer que você não gosta também?!?
Cuddy ria, se enroscando no corpo dele
- Ohh..- disse ele fingindo que entendia – Não acredito que você pensou que era...que mente mais suja Dra Cuddy!! - dizia enquanto tirava algumas mangas de trás de si e mostrava para ela. - Enquanto você roncava e babava ai... eu fui lá na mata e colhi algumas
- Eu não ronco!! E nem babo!!...mas, eu pensei..- dizia ela desconcertada.
- Hum..pode ser uma boa idéia para mais tarde – falou dissimulado
Cuddy deu uma leve batida em seu braço, enquanto puxava a fruta de suas mãos.
Jantaram
as frutas e mais uma vez adormeceram. Cansados e felizes.
-
Ai...- murmurou Cuddy acordando.
- O que aconteceu? – sussurrou House
Cuddy cruzou os braços sobre os seios e sentou-se lentamente, observando a expressão dele.
- Bom...ontem eu passei a noite com um certo médico... – ela falava enquanto ambos sorriam
- Foi mesmo?!? – perguntava meio enciumado - Como ele é?
- Hum... bem.. eu não consigo me lembrar muito dele, mas ele é do tipo ...meio possessivo, exigente...carinhoso...e um pouco mentiroso..
Ambos
riram daquela ultima colocação.
-
Ele era bonito?
- Muito..- falou suspirando e olhando bem nos olhos dele.
- Ah! Agora você esta parecendo com ele...mentindo - disse sorrindo.
House sentou-se e passou o braço na cintura dela, puxando-a para seu colo e afundando o rosto em seus revoltosos cachos aspirando o seu perfume natural. Cuddy levou a sua cabeça para trás encostando-a em seus ombros.
-
Cansada...? – perguntou afagando a mão dela com ternura e agora
mais sério.
-
Ôô...você parece insaciável! - disse saindo do colo dele,
levantando-se e se vestindo.
House observava ela se vestir e se encaminhar para fora da cabana, olhava-a como se estivesse magnetizado. Cuddy estalou os dedos fazendo-o voltar à realidade. Pareciam que se conheciam há tanto tempo; era como se um laço se tivesse formado e fortalecido naqueles poucos dias e continuassem entre eles, prendendo-os e aproximando-os cada vez mais forte, cada vez mais apertado.
Ele
riu para ela e ela riu de volta, saindo da cabana.
House
só pensava nela. Ela era esperta, pratica, carinhosa. Era modesta,
simpática, espirituosa e linda. Gostaria de tê-la conhecido antes.
Seu olhar agora estava preocupado e o rosto sério, conhecia ela a
pouco tempo mas gostaria de largar tudo só para ficar ao seu lado.
Mas não podia.
- Em que está pensando? – perguntou Cuddy de repente, entrando na cabana.
-
Estou pensando que descobrir que eu estou apaixonada por você e
adoraria largar tudo para o alto... que estou louco para voltar para
casa e ficar o dia todo no quarto com você..e que nunca senti uma
coisa assim..tão...tão intensa.. – Mas House não falou nada
disso, olhou para ela e sorriu dizendo:
-
Nada....não estava pensando em nada.
Naquela tarde o mundo parecia mais colorido para Cuddy. Ela aproveitou o sol para se bronzear; já que estava ali mesmo. Depois de um tempo sumido, House apareceu e sentou-se ao lado dela. Ele a apertou e depois comprimiu os lábios dela aos dele e em vez de resistir ou mostrar-se cansada, ela se atirou para ele. Precisava de conforto e do carinho que ele se beijando durante o que parecera horas, as mãos dele acariciando os seu braços bronzeados e os lábios dele beijando seus olhos, pescoço, queixo e as mãos dela em seu pescoço. Os dias que se passaram foram do mais puro romance. Cuddy nunca se sentira assim tão amada, tão protegida, mas ao mesmo tempo se sentia indefesa. Nunca necessitava tanto dele. House continuava confuso. Isso um dia teria que terminar, a vida dele nunca fora um slogan de felizes para sempre; a alegria um dia poderia acabar por mais que ele tentasse ser otimista,mas a idéia não saía de sua cabeça. Tiraram o dia seguinte um longe do outro para recuperarem as sua energias e quando a noite se encontraram, House sentiu que todo o corpo dele ansiava pelo dela, seus lábios se encontraram e beijaram-se como dois adolescentes apaixonados.
Cuddy
não sabia aonde esse romance ia parar, mas não ia adiantar fugir
nem lutar contra isso. Passearam pela praia iluminada pela luz da lua
prateada e se puseram a conversar amenidades. Havia uma grande
sensação de tranqüilidade entre ambos; ela parecia incrivelmente
feliz e bela, porém a incerteza, como sempre, tomava conta
dele.
Cuddy
correu dos braços dele e ele a perseguiu. De repente ele a apanhou a
agarrou, estavam agora se beijando embaixo de uma arvore mal
iluminada pelas frestas da luz da lua. Toda a emoção estava
evidente e House sentiu que não conseguiria mais se manter por muito
tempo afastado dela; ficava cada vez mais difícil pensar.
- Você me deixa louco sabia?- murmurou, enquanto um brilho se passava em seus olhos.
Ele enterrou o rosto no pescoço dela e começou a beijá-la suavemente enquanto uma de suas mãos envolvia o seio dela com volúpia. Cuddy tocou na mão dele querendo pará-lo, mas uma corrente elétrica passou pelo corpo dela e deixou-se ficar ali. Não tinha desejo nenhum de repeli-lo e de repente só o que sentiu foram as deliciosas mãos dele percorrer o seu corpo, incendiando-a imediatamente. Suas bocas se encontraram sôfregas e nem pareciam que precisavam de ar.
- Venha comigo – falou estendendo a mão, contrariado por parar o que estava fazendo.
- Hum...- Cuddy olhou-o interrogativamente, arqueando uma das sobrancelhas e pegando a mão dele.
- Agora fecha os olhos...
- Ãnh? - disse sorrindo.
- Fecha! Tem que fechar...
-Ok...ok
Caminharam durante alguns minutos, rindo muito quando Cuddy ameaçava tropeçar e ele a segurava, ate que House falou:
- Pode abrir agora...
Cuddy abriu os olhos devagar, acostumando-se à claridade.
- Minha nossa..- murmurou
À sua frente havia uma pequena piscina límpida e azul, formada pelo mar dentro das pedras. Em sua volta algumas tochas iluminavam o local e algumas pétalas estavam jogadas dentro da água. Havia algumas frutas espalhadas pelas pedras e a ultima garrafa de Whisky. Aquilo parecia o paraíso.
House tinha feito um piquenique em uma piscina natural.
- Primeiro as damas – falou em tom galante, estendendo a mão para ela entrar na piscina.
Cuddy olhou para ele e rapidamente abriu os botões da camisa, entrando na água; enquanto House a observava extasiado. Comeram algumas frutas, fizeram uma mistura do que sobrou das frutas e do uísque e mais uma vez se uniram, fazendo amor ate que não houvesse mais energia. Cuddy se aninhou nos braços dele e a paixão de ambos assemelhava-se a uma gloriosa explosão, um contentamento para alem de qualquer descrição. Flutuavam juntos numa suavidade aveludada, perdidos numa magia maravilhosa.
- Eu te amo – sussurrou Cuddy.
House abriu os olhos e olhou sério para ela, que ainda sorria ante a revelação.
- Eu nunca pensei que pudesse dizer isso tão abertamente, tão rapidamente – continuou ela – mas, essa é a verdade que eu tentei esconder de você por todos esse dias...eu te amo Gregory House - disse sorrindo enquanto se aproximava dele.
Acariciou o rosto dele e encostou seus lábios no lóbulo da orelha dele sussurrando:
- Eu quero casar com você, ter filhos – disse inocentemente - quero passar a minha vida junto de você....
House olhava assustado para ela. A explosão dos sentimentos dela causaram uma sensação de desconforto nele.
- Acho que você bebeu um pouquinho Cuddy...não creio que você esteja falando serio – disse rindo nervosamente - e outra...eu já sou casado.. – murmurou delicadamente
.
Cuddy jogou um pouco d'água nele e riu diante de sua seriedade. Achou que ele estava gracejando porém parou ao perceber a fisionomia dura dele.
- Eu estou sóbria...mas v-você não esta falando sério né? - perguntou cautelosa.
- Cuddy...eu ainda tenho um compromisso e...
- Compromisso Greg? E aquela noite em que você me disse que podia ter perdido quinze anos de casamento pra ficar comigo? Aquilo não era verdade?
- Sim...era verdade..
- Era?!?!
- Não...por favor Lisa...é verdade sim...mas eu acho que você esta sendo muito precipitada e...casar e ter filhos...isso não é para mim..
- É...ela estava certa..
- Ela? Quem?
- Stacy.
- Ah não Lisa! Não ponha caraminholas na cabeça! Eu não estou com você só por causa de sexo...para isso eu prefiro contratar uma prostituta...
Cuddy ficou boquiaberta com aquela revelação.
- Não!!! Não foi isso que eu quis dizer...você é ótima e...
- Cala a boca House... não fale mais nada.
Cuddy levantou-se da água vestindo a camisa e saiu apressadamente daquele lugar, antes que chorasse.
-
Você não entende - tentou se explicar respirando profundamente ao
mesmo tempo que via uma bola brilhante atravessar o céu e um barulho
ensurdecedor.
House
tentou enxergar aquele estranho objeto enquanto Cuddy se afastava da
praia.
-
Um helicóptero - sussurrou enquanto o via descer ate a areia. Vestiu
apressadamente a calça com dificuldade e correu ate a praia.
Demorou
um pouco ate chegar lá, encontrando Cuddy já vestida com seu
conjunto de moletom azul e a aparência abatida mas firme.
O helicóptero tinha a marca do MS Freedon, o que significava que era da mesma companhia do navio.
- Oh...Graças a Deus! Encontramos vocês!- falou o piloto – Vamos rápido..temos um avião esperando por vocês!
-
Mas como nos encontraram... e como sabem quem somos?- perguntava
Cuddy enquanto entrava no helicóptero.
.
O
piloto sorriu.
-
Ta vendo aquelas ilhas? São todas habitadas, eles tem um sistema de
comunicação precário...mas que funciona ainda e há alguns dias
eles viram um sinal de fogo e fumaça vindo daqui...como essa ilha
para eles é amaldiçoada – disse rindo sem acreditar – eles
enviaram um pedido de ajuda! Vocês tiveram sorte! Se não fosse a
crença deles...vocês ficariam aqui ateeee....
Cuddy olhava com raiva para House, tinha certeza que ele sabia o tempo todo que havia gente ali.
- E... – continuou o piloto ligando os motores – como o navio afundou perto daqui... em mandaram! É isso! – disse calando-se ao ver o olhar furioso que Cuddy enviava a House.
- E os outros? – perguntou House visivelmente constrangido.
- Ah..alguns foram resgatados por botes, outros achados nas proximidades e alguns...bom alguns até hoje nos não encontramos...Depois de algum tempo falando, o piloto percebeu que aqueles dois ali atrás não estavam afim de papo.
- É.. essa ilha deve ser amaldiçoada mesmo - pensou e riu logo em seguida da besteira que tinha pensado.
A viagem de volta foi rápida, chegando à capital, África di Sul, House e Cuddy puderam tomar uma banho quente e trocar de roupa. Durante o percurso ate o avião, nenhum dos dois trocou uma única palavra. Antes de desembarcarem, Lisa virou-se para House lhe bloqueando a saída.
- Você sabia não foi?
- Sabia o que?
- Não seja cínico House!! Você sabe...as ilhas...eu te perguntei uma noite e você me disse que não havia nada lá!- falou com um assomo de raiva
House olhou para baixo sem coragem de responder. Aos poucos Cuddy abriu lentamente o espaço para ele passar e enquanto ele passava ela lhe disse sussurrando.
- A sua sorte foi que eu me divertir...apesar da ultima noite..senão..você ia ver só...- disse sorrindo ternamente enquanto ele saia do avião .
Um dia depois de serem achados, House e Cuddy finalmente pisaram em solo americano. Estavam cansados, magros mas felizes de estarem em sua terra.
- Greg!! Ohh...Você esta vivo! – falava Stacy, enquanto corria em direção à House, dando-lhe um forte abraço
- Stacy...
Cuddy passou por eles direto, e encontrou Wilson, ainda um pouco machucado e ao lado de uma loira bonita. Porem havia algo em seu olhar, alguma coisa que ela não conseguia descobrir.
- Lisa...! Que bom! – sussurrou um pouco desconfiado e abraçando-a fortemente.
- Oi Wilson!
- Cuddy... – falou ele olhando em seus olhos - você está bem?!...
-
O que...o que aconteceu?? Perdi meu emprego? – falou ela gracejando
e sorrindo.
Porém
seu sorriso murchou ao perceber que ele falava sério e tinha alguma
coisa muito importante para lhe falar.
- Lees..é seu pai...e-ele ficou muito preocupado com você e...achou que tinha perdido sua única filha e...
- Mas ele já esta bem ne..? você já avisou que me encontraram e...
Wilson engolia em seco e apertava os nós dos dedos que já estavam ficando brancos. A moça loira ao lado dele segurou e desapertou as mãos dele ao passo que ele começava a balbuciar algumas palavras.
- E- eu sinto muito Lees...ele não...ele teve um infarte e...eu sinto tanto...
Cuddy olhou para ele com a respiração presa, não conseguia respirar.
- Calma Cuddy... – dizia a moça loira carinhosamente.
- Desculpe... – falou ela fora de si - eu nem me apresentei...meu nome é Cuddy... e você..?
- Cuddy... – falava Wilson.
- Cala a boca James! Eu quero saber o nome dela!
- Laureen Smith - falou a moça com pena de Cuddy.
- Você é namorada de James?
- É..mais ou menos isso...a gente se conheceu no navio
- Você tem sorte! Ele é uma ótima pessoa..você nunca ira se arrepender! - disse sorrindo para Laureen.
A relação de Cuddy e o pai sempre fora muito afastada, mas ela queria ainda ter a oportunidade de conversar com ele, tinha ainda muitas coisas para lhe contar. Mas agora já era tarde demais. De repente uma avalanche tomou conta dela e uma torrente de lágrimas desceram pelo seu rosto pálido. Wilson apertou-a em seus braços e deixou ela chorar um pouco. Passados alguns minutos Cuddy se acalmou e soltou-se dos braços dele, se encaminhando até a saída.
Passou por Stacy que a olhava tristemente e parou na frente de House. Levantou seus olhos ate os deles e olhou firmemente.
- Cuddy eu...
- Você matou ele...- falou calmamente. Aquela não era ela.
- Eu..
- Você o matou!!!- falou com raiva - se você falasse a verdade, nós já estaríamos aqui!! Se não fosse o egoísta o bastante ele ainda estaria vivo...você o matou! – disse por fim chorando
- Eu sinto..
House parou de falar ao sentir a palma pesada da mão dela batendo com força em seu rosto.
- Você não merece sentir nada! – disse saindo do saguão.
Wilson abraçou House, feliz por ele esta vivo e triste por aquela situação. House ainda olhava na direção em que ela fora e a viu olhar para trás, para ele uma última vez.
- Eu também te amo - pensou, mas era tarde demais para dizer aquilo. Agora sim, ele tinha certeza que nunca mais a veria...
