CAPÍTULO OITO

O céu explodia em lençóis gelados de chuva, as pessoas se encolhiam em sobretudos, contra o gelado vento frio de inverno. Cuddy saiu de casa se inclinando contra o vento implacável, indo em direção ao seu carro. A estrada provavelmente estaria escorregadia, a neve tinha caído durante toda a noite formando uma fina camada de gelo no chão. Ela dirigia devagar com o vento forte baixando ainda mais a temperatura. Ligou o aquecedor e enquanto guiava, pensava na confusão que ele criara no hospital, na semana passada.

- Ele sempre faz alguma besteira – falava se olhando no retrovisor.

Entrou com o carro na Moonlight Road, tomando cuidado com a estrada perigosa sob as rodas. A cidade ainda dormia e estava tudo perfeitamente calmo. Chegou na rua do hospital e seguiu para o estacionamento. Quantas vezes já passara por ali antes, fazendo o mesmo percurso, sentindo a mesma ansiedade de chegar ao seu hospital? Estacionou o carro em sua vaga e reparou que ele já estava ali ou então tinha passado a noite no hospital. Lembrou-se do seu segundo encontro com ele e logo depois o terceiro, sendo este ultimo definitivo.

(...)

2 anos após o acidente com o navio

- Lisa!...Oi..como você esta? – perguntou Wilson cauteloso

- Eu já soube...como ele está?

- Mal...as dores estão piorando...ele precisa de uma cirurgia..mas ele diz que so faz com você...

- Ele o quê? – falou elevando a voz e depois baixando suavemente – ele está louco? Eu não exerço esse tipo de medicina há um bom tempo! Impossível James...eu não posso...

- Cuddy...é serio..se não amputarmos, ele sofre um serio risco de apresentar necrose e depois uma possível infecção..

Cuddy olhou sério para Wilson, ate que sentiu uma mão leve tocando em seu ombro. Virou-se lentamente e viu Stacy. Ela parecia ter envelhecido uns dez anos e os primeiros cabelos brancos já lhe apareciam.

- Por favor Lisa...

Comovida pelo apelo e receosa de se sentir culpada caso algo mais grave acontecesse com ele, Cuddy decidiu atendê-lo. Foi até ele e encontrou-o na cama. Estava frágil e debilitado, o rosto pálido e sem vida apresentavam as primeiras rugas. O rosto parecia mais duro e o sofrimento pelo o qual passava estava estampado em seu rosto. Aquele homem à sua frente em nada se parecia com o cara que ela havia conhecido no navio e aprendido a amar na praia. Os sentimentos por ele, ainda estavam guardados na parte mais funda de sue coração. Por todos esses dois anos ela não conseguira esquecê-lo e nem podia ele era uma presença constante na sua vida, mas ninguém poderia saber do seu segredo.
Cuddy deixou o quarto e durante dias estudou sobre o caso dele, resolvendo optar por uma cirurgia que não seria nada fácil ele se adaptar e era melhor do que uma amputação total de sua perna.

Um ano após a cirurgia e ele estava de volta. Sem mulher e sem emprego. Stacy sabia que não era ela quem ele amava e por isso o deixou. Mais uma vez Wilson pediu um favor. A principio ela não aceitou, mas no fim acabaria se acostumando. E foi o que aconteceu.
Dia após dia ela se acostumou ao bater forte de madeira contra madeira e sabia que era ele quem chegava, principalmente quando vinha aborrecido.
Mal entrou no hospital e percebeu que aquele era uma dia de cão! Ouviu o som da bengala dele e depois a voz aborrecida sempre reclamando.

- Eu não passei meus anos estudando para receitar lenços de papel! – reclamava ele todos os dias.

O discurso era o mesmo, não mudava uma letra se quer.
Cuddy passou por ele sem ligar, já estava no mínimo habituada à aquela sessão tortura dele.

- ... E outra - continuou ele - eu passei a noite aqui! Por sua culpa!

- Ele já chegou? – perguntou Cuddy à sua assistente, ignorando House que batia o pé feito uma criança.

- Já sim Drª Cuddy.

- Ótimo! Mande-o para a minha sala – disse enquanto virava-se lentamente na direção dele e fingindo que percebia naquele momento a presença dele - Você falou alguma coisa?

Vendo-o calado Cuddy virou-se e saiu.

- Ahh. Foi o que eu pensei...

House ficou parado no corredor, enquanto a via se afastar a passos firmes e decididos.

- House! Ai esta você – observou-o olhando para a chefe e balançou a cabeça – Já tomou café?

- Quem é aquele cara?

- Que cara? – perguntou Wilson tentando descobrir para onde mais ele olhava.

Ficaram os dois observando Cuddy cumprimentar muito afetuosamente o seu convidado. Pareciam que os dois se conheciam há muito tempo e que eram muito ligados. Enquanto a clinica fervilhava de gente, House e Wilson observavam aquele estranho ser que recebia um grande carinho de Cuddy. Meia hora depois ela saiu com o estranho ser. Wilson ainda disfarçou, fingindo que olhava algumas pastas, mas House olhava firmemente para eles dois.

- Dr. Wilson, Dr. House - falou pausadamente – este é o Dr. McMallory, nosso novo neurocirurgião. - disse feliz.

- Oh...olá! seja bem vindo! Disse Wilson amigavelmente apertando-lhe a mão, enquanto House apenas observava-o desconfiado. Até que finalmente abriu a boca.

- Para que outro neuro se já temos o ?

- Era melhor você ter ficado calado!!! – Wilson sussurrou baixinho sem graça.

- House!! Por favor né? – falou Cuddy aborrecida.

O Dr. McMallory olhou para Lisa ternamente.
- Não...tudo bem querida... eu entendo...- disse suavemente.

Por fim Cuddy respondeu com um olhar ameaçador para cima de House, mas este como sempre nem ligou.

- Ele se aposentou ok? Agora, com licença que eu vou mostrar o hospital para o Dr. McMallory. - disse saindo triunfante.

Cuddy e o Dr. se afastaram lentamente e House pôde observar um brilho no olhar daquele doutor, virou-se para Wilson que alheio aos pensamentos maldosos de House, já estava no balcão analisando algumas fichas.

- McMallory... – falou zombando – você viu só? " tudo bem querida.." – falou imitando a voz do outro.

Wilson olhava para House com um sorriso nos lábios, enquanto ele continuava a reclamar.

- Ela estava tão encantada pelo doutorzinho que nem me mandou para a clinica!

- Houseee...House meu amigo...eu já lhe disse o que fazer - disse mostrando a aliança de ouro no dedo.

- O quê?..casar com a loira do navio?- disse ironicamente.

Wilson fez um muxoxo e não ligou
- Você entendeu o que eu quis dizer..voce poderia estar casado com ela – disse apontando para Cuddy – se não fosse tão estúpido!

- Eu era casado e..

- Ahh te peguei! Então você queria?!?!Eu sabia!! Agora eu não vejo nenhuma aliança ai no seu dedo!

House deu as costas e saiu mancando, deixando o amigo a falar sozinho.

- Isso!!! Fuja! É a única coisa que você sabe fazer - disse Wilson olhando para House.

XXX

- Eu achei ele lindo! Aqueles olhos azuis... e o porte atlético... – suspirou 13.

- Oh..obrigado 13 – disse House piscando os olhos enquanto entrava na sala.

- Mas eu acho que a Cuddy já chegou na sua frente - respondeu Taub gracejando sem dar a mínima para ele.

- McMaury? Como é o nome dele mesmo? – perguntou 13

- McMally.. eu acho, não me lembro também – disse Kutner

- McMallory – acertou Taub, olhando a cara de poucos amigos de House

House fervia por dentro, se não bastasse Cuddy, agora seus subordinados estavam encantados com aquele novo neuro.

- Como esta o paciente? – perguntou visivelmente irritado.

- Bem melhor e já esta indo embora – disse 13 – e neurocirurgião heim? Minha nossa...

- O cara deve ser muito bom...para Cuddy aceitar assim tão rápido..- completou Kutner.

House bateu com força a bengala no chão e foi até o seu escritório do outro lado da sala batendo a porta de vidro ruidosamente , perdendo definitivamnete o controle. Os três médicos se entreolharam assustados enquanto Taub dava um sorriso esperto.

- O que vocês três estão fazendo ainda ai? A clinica esta la embaixo e não vai esvaziar sozinha! - disse enquanto observava os três saindo.

Depois daquela manhã, House passou o dia deitado no sofá de Wilson, observando-o preencher as fichas. Olhou para a foto do menininho de um ano no porta-retrato.

- Tem certeza que ele é seu?

Wilson levantou os olhos e tirou os óculos, observando o amigo atentamente. Pegou a foto com saudades e comentou.

- Ele é destrutivo e teimoso! Me lembra alguém, principalmente pelo nome..- disse com carinho. - Mas eu tenho certeza que é meu sim...qual é o problema agora?

- Será que eles já se conheciam antes?

Wilson olhou confuso, sem entender o significado daquelas palavras. Após algum tempo levantou as sobrancelhas começando a entender.

- Não sei...talvez se você perguntasse a ela...

- De jeito nenhum! Falou interrompendo-o - Você está louco?

- Eu??? Não...mas eu conheço alguém que esta sim – disse rindo

House deu de ombros e se levantou do sofá se espreguiçando, saindo da sala.

- Onde você vai?

House fez uma cara malvada e saiu da sala sorrindo, ia com certeza aprontar uma.
Caminhou ate a sua sala mancando e ouvindo os comentários sobre o novo contratado do hospital. As enfermeiras disputavam com quem ele sairia primeiro e Cuddy estava no topo. House passou esbarrando nelas, visivelmente aborrecido. Abriu com violência a porta da sala, encontrando o motivo dos comentários do hospital.
Cuddy estava sentada em sua cadeira de costa para a entrada e com a guitarra dele nas mãos.

- Hey...ninguém pega nela – falou enciumado, puxando a guitarra das mãos dela.
Cuddy sorriu com essa demonstração de afeto e levantou-se da cadeira, indo ate a janela e espiando o tempo. House sentou-se de vez na cadeira e começou a dedilhar algumas canções. Ficou tocando um pouco de " Crazy" do Aerosmith e depois de um tempo parou e ficou olhando para ela.

- Frio né? – disse sarcástico, enquanto observava as bochechas dela ficarem rosadas.

De repente ela se lembrou da ilha, pensou que essa fase de lembranças passariam, mas ele era uma presença constante na sua vida e assim era difícil esquecer.

- Tenho um caso para você... - falou friamente

- E precisava trazer até aqui?? Ou você tem outro motivo?- perguntou já aborrecido

Cuddy observou o comportamento dele e sorriu intimamente, ao perceber o que poderia ter causado.
House continuou mexendo na sua guitarra, e tocava músicas calmas, como se as letras quisessem dizer alguma coisa. Olhou para Cuddy e percebeu que ela tinha entendido o recado e logo se recompôs.

- Veio me avisar a data do casamento.?

Imediatamente seus pensamentos foram quebrados por ele. Olhou-o com nojo e franziu a testa com repugnação.

- Ela já saiu de três hospitais e ninguém deu-lhe nenhum diagnostico certeiro. O marido a trouxe por indicação, só querem você...

- E porque eu?
- Ela só quer você... e eu quero também..quero que aceite esse caso...e..

- Humm..você me quer é? – falou zombeteiro.

- Você entendeu.. – disse envergonhada e logo depois ajeitou a postura e jogou a pasta na mesa dele – é uma ordem.

- E se eu não quiser?- perguntou com petulância

- Aí..eu te aconselharia a começar a procurar outro emprego...- disse apoiando as mãos na mesa dele

- Eu duvido que você me despediria... – falou levantando e ficando na mesma altura que a dele, cara-a-cara.

- Tente...- falou o desafiando e se aproximando mais.

Ficaram se olhando, ate que Cuddy mordeu o lábio inferior e falou:

- Eu também acho...agora pegue o caso – disse tocando na guitarra dele levemente e saindo em seguida.

House ficou olhando a pequena provocação que ela fizera e sorriu.

Paciente de 29 anos. Perda de peso, de apetite, fraqueza muscular, fadiga, tontura, fome por sal, náuseas, vomito, diarréia e pele escurecida onde fica exposta pelo sol.

- Gravidez? – disse Kutner.

House olhou espantado e foi até ele, batendo a pasta na cabeça dele.

- Isso pode ser qualquer coisa – protestou 13

- Já diagnosticaram como tuberculose, mas sem sucesso e a paciente...

- Anne – interrompeu Foreman lendo a ficha em suas mãos.

- ...E a PACIENTE...como eu estava dizendo...já apresentou tumores de mama, pulmão e cólon..

- Ela parece um bomba ambulante – disse Kutner, recebendo outra pastada na cabeça.

House foi ate ao quadro e começou a escrever as possíveis doenças.

- Taub, faça uma coleta e veja se encontra anticorpos de antiadrenal e bacilos de tuberculose.

- Mas tubercolose já foi diagnosticada, e..

- Faça! – sibilou House - Foreman e 13 façam uma tomografia computadorizada e Kutner...- House saiu e foi ate a sua sala. Pegou um grosso livro de medicina e jogou-o na mesa - ...pela suas gracinhas..veja quais doenças se encaixam nesse sintomas, começando pela letra A - disse saindo da sala.

(...)

Wilson ouvia Cuddy rir da sua sala, bateu na porta e entrou discretamente. Cuddy estava sentada na mesa enquanto o novo doutor estava sentada na cadeira dela.

- Wilson!! Oi James - falou Cuddy meio sem graça, levantando-se da mesa

- Oi Lisa..oi Dr. McMallory...

- Pode me chamar de Mac – falou ele interrompendo-o delicadamente.

Ficaram os três se entreolhando e calados

- Bom.. – disse Wilson quebrando o silêncio - Sábado é o aniversário do meu garoto! – falou orgulhoso.

- Oh..já! o tempo passou tão rápido. Ele vai fazer dois anos não é?, Quase a mesma idade..

- Como é o nome dele? – interrompeu McMallory

- Thomas Gregory...- disse olhando desconfiado para Cuddy – Bom..vamos fazer uma festa no sábado, às 15hrs...você poderia vir também Dr....quer dizer Mac – disse, saindo da sala em seguida preocupado

resultados chegaram Dr. House – disse 13 – e nada...

- Nada?? – perguntou House - Como assim nada?

Os paigers dos quatro médicos começaram a tocar e House ficou olhando para eles.

- Vão!! – gritou – e você ..venha comigo – disse apontando para Foreman.

Esperou os três médicos saírem e virou-se para Foreman.

- O que você sabe sobre esse Dr. McMallory?

- House! Sua paciente está morrendo e você vem falar sobre...

- Eles três podem se virar sozinhos..! Eu quero que você descubra tudo sobre ele..

- Mas...

- E não conte para ninguém..nem para o Wilson

Foreman olhou assustado para House e falou sabiamente

- É por causa da Cuddy, não é?

- E nem me pergunte sobre nada!..- disse sem graça..

Foreman levantou as mãos em sinal de rendição e saiu da sala,

A noite tinha chegado e estava mais frio do que nunca. Sua perna doía violentamente. House virou as cápsulas de Vicodim na boca e respirou profundamente, sentindo o alivio. Finalmente a hora de ir para casa estava chegando; se preparava para sair quando uma voz o chamou.

- House!

- O que é Taub..?- disse sem se virar desanimado

- Você precisa ver isso...

House olhou desconfiado enquanto andava atrás dele.

- Uh.. – disse com asco ao chegar no quarto.

A pele da paciente estava totalmente escurecida e saindo líquidos, manchando todo o lençol e a glândula tireóide estava completamente inchada, fechando o canal da respiração .

- House...ela esta piorando e nós não sabemos o que é ! – confidenciou 13

- Eu estou vendo! Acha que eu sou cego..? Administre uma dose de cortisol e vamos esperar.

A noite demorou para passar. House dedilhava sua guitarra esperando o resultado dos exames chegarem. Ouviu um barulho de salto e viu Cuddy passar pelo corredor, parecendo exausta. Ela olhou para a sala dele e seus olhares se encontraram. Cuddy decidiu entrar, estava com um copo de chá na mão.

- Ainda aqui...?

- Pois é..esta difícil achar emprego por aqui...

Cuddy deu um sorriso cansado e se aproximou dele.

- O que esta tomando? – perguntou

- Chá..Eii..

House puxou o copo da mão e bebeu o conteúdo

- Me dá!

- Argh...como é que você gosta disso! – olhou para ela e vi que ainda continuava linda, do mesmo jeito que a conhecera.

- Seu bobo! - disse rindo.

- Lisa?!? – chamou uma voz no corredor

- Eu estou aqui!...

McMallory pôs a cabeça na sala de House
- Oh...interrompi algo?

House já ia falar algo mas Cuddy logo respondeu.

- Não..já estava saindo.

- Vamos então? – perguntou o novo doutor

- Claro...- Cuddy olhou para House e tomou o copo das mãos dele – isso é meu!

- Tchau Dr. House – falou McMallory, sem receber nenhuma resposta

House olhava desapontado, enquanto via os dois saírem juntos.

(...)

- A sra Wyats apresentou uma leve melhora, já consegue falar e respirar sozinha. Mas...

- Mas o que Kutner? – perguntou House sem muita paciência.

A noite anterior já tinha sido péssima e depois que ele viu Cuddy e aquele doutor sem graça, saírem juntos foi que tudo desmoronou de vez. Estava pensando o que ela via nele e nem prestou atenção ao que Kutner falava.

- O quê? – perguntou de repente.

- Venha ver uma coisa House...

- Saía daqui!! Eu não quero te ver, seu idiota!

- Querida...se acalme – falava o marido.

- Ela esta assim desde que acordou - dizia 13 se desviando dos objetos jogados pela paciente.

- Pára!!! – gritou House, tarde, pois já havia sido acertado por um objeto. Viu o chão se aproximar rapidamente do rosto e depois não viu mais nada.

- O que aconteceu? – perguntava uma voz.

- A paciente dele arremessou tudo o que via pela frente e um pegou nele. – respondeu a outra voz.

House ouviu um som de vozes e um risinho, mas estava se sentindo sonolento demais e dormiu outra vez.

- Porque ele ta dormindo desse jeito?

- Se ele ficar acordado eu não vou conseguir suturá-lo...ele simplesmente não ia deixar .

- Cuddy...você tem uma batalhão de enfermeiras para fazer isso... não precisa fazer isso..

Cuddy respirou profundamente e olhou para o doutor McMallory à sua frente.

- Ok...já tô saindo...- falou se rendendo, conhecia ela demais e era melhor não teimar

Ele saiu da sala, encontrando o time de House lá fora esperando por pesadamente, como se fosse anunciar uma tragédia, porem seu rosto formou um sorriso.

- Ele vai sobreviver!

- Ótimo – falou Foreman – Pena que a paciente dele talvez não tenha a mesma sorte..

- Posso dar uma olhada? Talvez eu pudesse ajudar...

- Não sei..- falou Taub.

- Que mal faz? – perguntou Kutner

Todos os três olharam para Foreman, que deu de ombros aceitando ao final a ajuda do doutor.

House piscou os olhos pesadamente, odiava anestesia e se perguntava qual idiota tinha dado aquilo para a pele da testa retesada e ia tocar o local quando foi surpreendido por uma voz.

- Não mexa!

- Ahh.. você fez isso??

- Você nunca ia me deixar..

House abriu os olhos e olhou para aquela pequena à sua frente. Queria perguntar porque ela se dera ao trabalho de fazer aquilo para ele, quando tinha o hospital todo na suas mãos, mas achou melhor não falar nada. Viu ela se aproximando da cama e mexendo a luzinha entre os seus olhos.

- Aii...eu já to bem- disse levantando-se, porem a anestesia ainda estava circulando no seu corpo e deitou-se novamente tonto. – Você me drogou...de novo.

- É para o seu bem...

- E minha paciente?

- McMallory. – foi a única coisa que ela respondeu.

- Você esta louca? A paciente é minha e..

- E você não pode atendê-la agora – interrompeu ela, sendo interrompida também

- Você não tinha esse direito!

- Acalme-se...Eu soube..que você esta direto por aqui...sem nem descansar..

- E desde quando você se importa?

Cuddy levantou-se com ímpeto da cadeira

- Você é um...

Ficou calada e viu que ele também não falara mais nada. Cuddy sentou-se novamente e ficou olhando para ele fixamente.

- O que é que você ta olhando?

- Nada... – falou desconfiada – você se parece ...

House revirou os olhos e virou para o outro lado da cama, evitando-a.

- Irritadinho... – gracejou ela

House ouvia aquela palavra e uma corrente elétrica passou pelo corpo dele. Sentiu um arrepio e voltou-se para ela.

- Eu preciso sair daqui!

- Ainda nã..

- Agora!

Ele tentou se levantar, mas não tinha forças nas pernas. Olhou para ela assustado.

- Que dose você me deu?

Cuddy desviou o olhar e não quis responder.

- Que dose você me deu!! – gritou ele aborrecido.

- Ah...Uma que você pudesse descansar pelo resto do dia!

House suspirou com raiva.

- Onde estão aqueles 3 idiotas?

- Com McMallory...

- Eu tenho que ir la..agora! Se minha paciente morrer..- ameaçou ele

Cuddy viu que ele estava falando sério e foi ate a ala da enfermaria pegando uma cadeira de rodas e voltando ao quarto. Viu que ele estava no chão sem forças para levantar.

- Você esta me escondendo algo Drª.Cuddy...porque só nas minha pernas?

- E-eu...

- Fala!

- Eu achei que você ficaria mais...quieto?

- Ahh... deixe isso passar...

- Isso é uma ameaça?

- Não tenha duvida! Venha ate aqui..

Cuddy ficou desconfiada depois daquela ameaça

- Eu não vou fazer nada! Não por agora..

House a viu se aproximar cuidadosamente.

- Eu não vou sentar ai – disse apontando para a cadeira – você vai me servir de bengala...uma boa bengala – disse enquanto a olhava de baixo para cima.

Caminharam lentamente. House se apoiava totalmente nele, se escorava de propósito, fazendo um maior peso sobre a coluna dela.

- Não precisa abusar... – reclamou ela.

- A culpa foi sua... – disse sussurrando ao ouvido dela , percebendo como aquele gesto a transformava.

Chegaram ao elevador e com dificuldade Cuddy apertou o botão.

- Eu quero ir de escada...

- Haha..engraçadinho..eu por acaso tenho cara de mula? E sua paciente??

Subiram de elevador. O cubículo parecia menor e mais quente. Cuddy puxou discretamente a gola da blusa e afastou os cabelos da observava todos os gestos dele e ia soltar uma piadinha quando o elevador chegou ao andar. Ajudou ele sair de lá e juntos, caminharam ate o quarto da paciente.

- House! – disse Kutner –ela piorou...a tireóide ta do tamanho de um bola de futsal, insuficiência poliglandular e estanemica.

- Ela chorou? – perguntou ele, ignorando Kutner

- Como?

- Vocês são burros? Ou só estúpidos? Depois daquele acesso de raiva ela chorou ou se lamentou?- falou com raiva

Os três se olharam preocupados, depois que House tinha sido atingido, nenhum deles havia se preocupado com a paciente. Timidamente o marido se aproximou do grupo e comentou que ela tivera o desejo de se matar.

- É isso! Irritada e depressiva. – falou House, enquanto via que nenhum deles entendia.

- Façam um teste de estimulo ao cortisol e depois de se confirmar façam um exame de tórax e da tireóide!

- Mas..a gente já fez isso – falou Kutner.

- Cuddy..? – disse virando-se para ela – Eu falo chinês?

- Não...? – falou cautelosa.

- Ótimo..alguém me entendeu! Vão fazer os exames!

Os três saíram para novamente realizarem os exames.

- Porquê você vai refazer os exames?

- Ta com medo de gastar os fundos do hospital Cuddy?

- Não! É que...

- Ótimo.......
Foreman se aproximou.

- Sobre...aquilo que você me pediu...eu já tenho os resultados

- Ahh – arqueou as sobrancelhas ligeiramente e olhou para Cuddy

- Quando eu precisar de suas funções eu te bipo...- falou zombeteiro.

Olhou desconfiada para House e depois saiu.
- Eu adoro quando ela me olha assim .. – disse olhando para Foreman – e então?

- William McMallory, formou-se em Boston, trabalhou por dois anos em São Francisco, mudou-se depois para Los Angeles....

House imitava um ronco.

- House!

- Anh...como?- disse ele fingindo que se assustava. - Se você fosse detetive eu já teria te despedido...mas não posso...Por favor né Foreman..se eu quisesse saber isso eu digitaria o nome dele no Google

- Ta certo então...se você não quer saber o resto – disse ele saindo, ao passo que House bloqueava-lhe a saída com uma mesa de rodinhas...

- Continue...

- Veio para cá, a convite de Cuddy...eles se encontraram em Carolina do Sul e ela o convidou para vir para cá...e a cada 2 semanas eles vão para la...

- Os dois? Sozinhos..? – perguntou House já desconfiado.

- É o que parece...ele nunca foi casado e tem 31 anos..isso é tudo..!

- Você é um imprestável..mas serviu para alguma coisa...

Foreman olhava confuso para ele, sem entender muito o que ele lhe queria dizer, talvez fosse a forma dele agradecer; saiu da sala e foi se encontrar com os outros. Antes porém virou-se para House e disse-lhe cautelosamente.

- Se você não agir...vai acabar ficando sem ela...e conseqüentemente sozinho..

- E se eu fosse você não falava mais nada... - disse evitando olhá-lo nos olhos.

Foreman deu de ombros e saiu da sala.

- E então? - perguntou uma voz

- Ele vai acabar descobrindo sozinho...eu não entende vocês dois...é tão...

- Obrigado Foreman..

- De nada...mas acredite Drª Cuddy...se ele descobrir vai ser bem pior...eu te aconselharia a...

- Foreman...

- Ok...

Cuddy olhou pela fresta da porta e viu House sentando em uma cadeira, pensativo.
" se ele descobrir..." - pensou, balançando a cabeça com medo.

TBC