Capítulo Nove

Por quatro dias House e sua equipe tentaram desvendar aquele caso. Por quatro dias Cuddy ficou preocupada com ele.

- Parece que ele foi atropelado por um caminhão – comentava McMallory.

- É...ele não esta bem...

- Eu ainda não consigo entender porque você se tortura desse jeito...tudo que ele fez durante esse tempo e você ainda sente pena dele!

- Por favor!..Pára..

Os dois observaram quando Taub foi correndo até ele.

- As glândulas aumentaram muito e fizemos uma punção e nada adiantou, mas o resultado da tomografia deu positivo.

House sorriu aliviado.

- Addison! Reponha doses de hormônios que faltam nela...corticoides, mineraralocorticoides e glicocorticóides...Como eu não pensei nisso antes!Doença de Addison. O primeiro teste já tinha confirmado..onde eu estava com a cabeça? – se perguntou e virou-se sem querer para para lado em que Cuddy estava com aquele doutor.

Automaticamente, Taub se virou e entendeu onde a cabeça dele estava, deu um pequeno sorrisinho nada discreto. House olhou para ele e falou com seu tom de voz já normal.

- Vai ficar aqui de gracinha é? E ponha bastante sal na comida dela.

House ficou observando ele sair e depois virou a cabeça vendo que Cuddy o olhava enquanto conversava com McMallory.

- Ele é bom mesmo...

- Por isso que eu não posso deixá-lo ir..- comentou Cuddy sob o olhar desconfiado de McMallory.

- Sei..

Sábado 12:00

- House! – disse Wilson abrindo a porta – Eu achei que a festa fosse começar às 15hrs...

- Cadê o moleque? – disse House ignorando Wilson e entrando na casa.

- Ta la dentro..pode entrar.. Que cesta é essa ai...?

- Você não tá muito grandinho para ganhar presente ??

Wilson ia responder, quando ouviu um miado vir de dentro dela.

- Ah não House...você sabe que Laureen tem alergia!

House ficou parado,sem saber o que fazer. Tinha esquecido completamente do Natal anterior em que a esposa de Wilson ficou com a garganta quase se fechando ao receber um gatinho de presente. Voltou para o carro, abriu as janelas e deixou o bichinho la dentro.

- Você me deve cem pratas. - falou aborrecido

- Por aquilo? – disse apontando para o gato.

- Ah..não..pela cesta..o gato eu achei na rua mesmo – falou zombeteiro.

Dessa vez Wilson não teve certeza se ele estava falando sério ou nã Wilson e Laureen ajeitavam os últimos preparativos para a festa, House tomava cerveja e comia azeitona passando os canais olhando o seu afilhado na cadeirinha. Parou em uma canal onde as mulheres estavam só de biquíni.

- Aí moleque ! Olha só... – olhou para o bebe que via as imagens sem entender muita coisa.- Você gostou?

- Pelo amor de Deus House! Ele não consegue entender dessas coisas!

House nem precisou virar para ver quem era. Tommy virou a cabeça para trás e a viu ; agitou os bracinhos, pedindo para ser pego por se aproximou deles e tentou pegá-lo no colo.

- Solta ele...- falou surpresa.

House ficou segurando-o ate que Tommy ameaçou chorar. Ela pegou-o com jeito e sentou-se ao lado de House com o bebe. Tirou um grande Garfield do pacote e mostrou para Tommy, que sorria contente, enquanto House virava os olhos olhando para o outro gato.

- Você gostou...heim... – disse delicadamente ao passo que o bebe agitava as mãozinhas feliz – Ah...você gostou!

House olhava encantado para ela, lembrou-se dos dias em que passaram na praia e a pequena declaração que ela tinha feito, dizendo que queria ter filhos.

- Você daria uma ótima mãe...- disse sem jeito.

Cuddy riu da ironia, mas não comentou nada; apenas sorriu. Aos poucos os outros convidados começaram a chegar, alguns do hospital, outros da vizinhança com suas crianças e mais outros. O clima mágico que havia entre os três havia sido quebrado por gritos de criança. Cuddy ficou com Tommy a maior parte do tempo, o menino a adorava.
A festa ia correndo bem animada; as crianças corriam pelo jardim e o pequeno anfitrião estava bem comportado, quase não chorava. Tinha chegado a hora de cortar o bolo e tirar as fotos. Primeiros com os pais e depois com a madrinha e o padrinho, Cuddy e House. House pegou-o no colo e se endireitou para a câmera enquanto Cuddy se aproximava deles. Passou a mão nos braços de House e juntou-se a ele para tirar a foto. Pela primeira vez em muito tempo House sorriu de verdade e Wilson viu, sorrindo também.
A festa já estava acabando, Wilson e Laureen estavam se despedindo dos últimos convidados, enquanto Cuddy levava algumas coisas para cozinha e House observava o gato preguiçoso que ainda dormia. Laureen entrou deixando o pequeno no colo do pai, enquanto Wilson ia falar com House.

- E então?

- Então o quê? – perguntou House desconfiado.

- Ahh..House você sabe o que é...eu vi..

- Eu não sei o que voce está falando - falou House fugindo do assunto

Ficaram em silêncio até que Tommy abriu a boquinha e esfregou os olhos cansados. Cuddy saiu da casa e Wilson virou para House.

- E então...?

Rapidamente ela se aproximou depositando um beijo na bochecha rosada de Tommy.

- Tchau meu anjinho...

- Já vai titia Cuddy - disse Wilson sacudindo as mãozinhas do filho e imitando uma voz de criança.

House rolou os olhos e soltou um ' patético' aos ventos.

- Já tenho um compromisso hoje à noite.- respondeu ela.

- Quer que eu te leve Cuddy? – perguntou Wilson dando uma rápida olhada para House?

House percebeu a deixa e tentou ao máximo ser simpático.

- Eu poderia levar...é o meu caminho e...

Ouviram um som de buzina e logo depois um homem saiu de dentro do carro.

- Dr. Wilson...me desculpe por não poder vir...um paciente meu... – calou-se ao ver a cara de House e a de Cuddy.

McMallory foi ate o carro e tirou um triciclo.

- Oh..obrigado Dr., não precisava se incomodar – colocou o filho no triciclo, colocando os pezinhos dele nos pedais. Tommy estava tão cansado, que dormiu sentado, gerando risos dos adultos. House se afastou e voltou poucos minutos depois.

- Então Lees...você já esta indo?

- Já sim..- respondeu sem graça.

Deu um beijo em Tommy; parou na frente de House e confusamente se despediu dele, entrando em seguida no carro de McMallory.
Seguiram pela estrada em silêncio.

- Liam! Eu não lhe disse que não era para você vir? - disse Cuddy

- Liam?!...Você está furiosa..Não teve jeito e..eu tive que trazer o presente do filho de Jimmy

- Jimmy...por favor Will não comece..e como não teve?? Eu lhe disse que não era para você aparecer! – disse furiosa

- Ah Cuddy vamos lá ne? Porque é que você quer tanto esconder isso? Eu não entendo para que esse joguinho...admita! Você ainda gosta dele e não é porque você esta me fazendo passar por esse papel, que ele vai virar para você e dizer.. "o que você esta fazendo com esse cara..eu te amo..." Ahh Lisa...

Cuddy ficou olhando para ele.

- O que você esta fazendo aqui? Diga a verdade...

- Eu vim aqui por que você me ligou...

- Você sabe por que eu te liguei...

- Ahh claro!! – disse aborrecido –House aquilo..House isso...

- Liam! Voce sabe que não foi por causa disso! E desde quando você liga para mim? Você sempre me tratou como a menininha indefesa..mas nunca vinha quando eu pedia! – disse gritando

- Acho que nós estamos sendo irracionais...você quer que eu finja que tenho algo com você...mas você já percebeu que isso é uma loucura? Quando ele descobrir que você é minha irmã, ele vai te tratar pior do que antes...vai saber que você fez aquilo só para testá-lo,aborrecer...eu não sei o que você tem em mente, mas a partir de hoje eu serei somente o seu irmão e ponto final!

- O que você veio fazer aqui? - falo friamente

- Você ouviu o que eu falei?

- Sim..sim..se você não quer me ajudar eu arranjo quem queira!

- Less!!! Pela amor de Deus não seja estúpida! Eu sei o que é fazer isso e sei como é difícil reverter a situação... Eu fiz isso com Jefrey e..

- Ouw...como? Fez? Onde ele esta?

William balançou a cabeça negativamente

- Will...você disse que veio para cá porque ele ia se mudar e você viria junto..

- Eu menti...

Cuddy abriu a porta do carro, ainda em movimento.

- Ótimo!

- Cuddy! – disse ele freando bruscamente – aonde você vai?

- Você mentiu...me usou...

- E você? Aquele papel ridículo que eu faço, só para você criar ciúmes em seu namoradinho...!!

Ficaram um tempo calados, o vento frio entrando pela porta aberta.

- Entra..

Cuddy olhou suavemente para o irmão quis entender o que ele estava passando.

- O que aconteceu?

O irmão suspirou e riu tristemente.

- A mesma coisa que vai acontecer com você...Eu menti..ele descobriu, eu vim aqui atrás dele e ele disse para ficar longe dele...simples...

- Simples?! – disse Lisa sorrindo tristemente

- Pois é mana...nós somos gêmeos...gêmeas..se isso aconteceu comigo..pode acontecer com você també sério...você ta cometendo o mesmo erro que eu cometi. Não faça isso..

Cuddy viu os olhos do irmão se encherem de lagrimas, sabia da dor que ele sentia, abraçou-o fortemente.

- Aii..isso aqui ta muito deprê! Por favor né?

Olhou para a irmã docemente

Vai...eu começo e você continua..

- Nem pensar! A gente não tem mais 15 anos Will!

- Vamos.... - disse olhando para a irmã com carinha de anjo

- Ah não Will..eu não lembro da letra!

- Vamos maninha...vai...

- Ai ta bom! - disse vencida - Você começa!

Will fez uma pose de galante, segurou forte na direçao e olhou para irmã com um olhar fatal

- At first, I was afraid, I was thinkin' I could never liveWithout you by my side,…Vamos…

- Eu não consigo...voce com essa cara!! - disse rindo

- Vai Lees!!

- But then I spent so many nights Thinkin' how you did me wrong. And I grew stroooonggggg..

- Uhuu mana..arrasa!!!And I learned how to get so you're back from outer space.I just walked in to find you here With that sad look upon your face.I should've changed that stupid lock, I should've made you leave your key,If I had known, for just one second,You'd be back to bother me. Vai…voce sempre foi boa nessa parte!

- Well, now go! Walk out the door!Just turn around now,'Cause you're not welcome anymore!Weren't you the oneWho tried to hurt me with goodbye?Did you think I'd crumble?Did you think I'd lay down and die?

Os problemas sempre estariam presentes , mas nada como uma boa musica para levantar o astral daqueles dois irmãos. Cada dor que passavam era superado por uma boa dose de alegria. Olharam sorrindo um para o outro e se preparam para a melhor parte da canção.

- Oh no, not I! I will survive!Oh, as long as I know how to love,I know I'll stay alive!
I've got all my life to live.I've got all my love to I'll survive! I will survive!
Hey, Hey!

- Que barulho foi esse? – perguntou Cuddy, parando de cantar

- Ta dizendo que minha voz é ruim é?

- Não Will...é serio! Shii

Ficaram os dois tentando escutar. Lá fora só o barulho do vento. Ouviram mais atentamente e perceberam um ganidinho e logo depois um miado mais forte. Olharam para trás e viram uma cesta.

- O que é isso...? Abre ai – falou Will.

- Larga de ser frouxo...abre você... – respondeu Cuddy

- Eu não vou colocar as minhas mãos ai de jeito nenhum! Nem pense!

Cuddy olhou para o irmão zangada e pegou delicadamente a cesta, enquanto Will parava o carro e observava. Medrosa, mas decidida a abrir, Cuddy tirou o paninho e viu o que tinha ali dentro.

- Ohh..que lindo! – murmurou William, tirando o gatinho da cesta.

- Ahh..eu mato House!

- Oxe..mata nada...oi lindinh..- olhou embaixo do gato para ver qual o sexo – lindinho! É menino...!

- Você vai ficar com ele?

- Claro! Um gato foi embora e outro entra na minha vida – falou sorrindo sob o olhar intrigado de Cuddy.

- Você tem cada uma...

- Né Jimmy.. – disse olhando para o gatinho

- Ah não! Você não vai chamar ele de Jimmy! – protestou rindo.

- Você quer que eu chame de que? House?

Cuddy riu, enquanto via o irmão colocar o gatinho de volta na cesta.

- Não! Deixa Jimmy mesmo..!

- Ele é lindo!

- O quê? – perguntou assustada.

- O gato sua boba! – disse maliciosamente

- William McMallory Jr. ... Olhe lá o que você vai aprontar viu! – disse dando um beijo na bochecha do irmão – vamos para casa?

- Com certeza! Vamos Jimmy? – disse olhando para trás.

Mais uma semana tinha passado rápida. A paciente de House, já tinha recebido alta e ido embora. Porém a semana dele não tinha sido completa; alguma coisa faltava. A principio, ele pensou que ela estava ignorando ele, mas depois de três dias sem ouvir uma reclamação sequer ou ninguém mandado ir a clinica, percebeu que alguma coisa estranha estava acontecendo.

- Wilson! – gritou House entrando de supetão na sala do amigo

- Misericórdia House! Que susto! Ninguém te ensinou a bater?

- Não! – respondeu solenemente.

- Ótimo! Eu estou com uma paciente..não percebeu?

- Oh..Tudo bem? Chega pra la - disse se sentando ao lado da paciente de Wilson- Você viu a Cuddy?

- House! Saia daqui! – gritou furioso e sem graça

- Porque eu tenho que sair? Ela já vai morrer mesmo...deixe eu ficar..

- House! – disse pegando o braço do amigo e o levando para fora – O que é que você quer?

- Cuddy..!

- Hãn? Como? – disse não entendendo o que ele queria dizer.

- Noooo! Você viu a Cuddy?

- Não... – disse desconfiado

- Mentiroso! Você sabe sim..eu sei quando você mente! E agora – disse apontando para ele – você esta mentindo!

- Eu juro que eu não sei...mas, porque você esta assim tão preocupado com ela?

- E- eu s-só percebi que ela sumiu...e-e..é isso.

- E-e-eu...s-s-ssó...- disse rindo imitando a gagueira de House. – Isso se chama saudades!

House olhou furioso para o amigo; nunca tinha sido tão transparente e não tencionava sê-lo agora.

- Ah Wilson...sua psiquiatra particular...- disse falando da esposa dele – deve estar de deixando doido...

- É...voce não imagina o quanto...- disse provocando o amigo, que virou as costa e saiu o mais rápido dali.

- House! – gritou Wilson ao vê-lo virar o corredor – pergunte a McMallory..ele sabe – falou serio.

House saiu resmungando e na primeira curva se bateu com o dito cujo.

- Onde esta Cuddy – perguntou de supetão.

William olhou para ele confuso, os olhos estava inchados e ele parecia cansado.

- Ela não pode vir...

- Por 3 dias?

- É...ela teve que viajar.. – falou saindo dali o mais rápido possível.

- Para onde?- House parou na frente dele o impedindo de andar e olhava-o firmemente.

- Para que você quer saber? – falou já em tom meio aborrecido

- Porque ela teria contado para você? - replicou House.

William olhou para aquele homem à sua frente. Percebeu que a preocupação dele era genuína e como a irmã não lhe pedira para guardar segredo, decidiu contar tudo de vez ou quase tudo; o resto seria por conta dela.

TBC

Música: I will survive