Oi meninas!!! que bom que estão gostando..fico muito feliz em saber!!! =D

Ai vai o proxima cap. espero que se divirtam!

bjux Huddies

Capítulo dez

Já na manhã seguinte House estava no primeiro avião para Carolina do Norte. Chegando ao aeroporto, ele alugou um carro e seguiu em direção ao interior do estado, Charleston. Era uma manhã gelada e calma e House ligou o radio , passando as estações à procura de algo que o acalmasse e fizesse esquecer seu nervosismo.

Lembrou-se da noite anterior, em que William lhe contara afinal toda a verdade. Desde a revelação de que era irmão de Cuddy, o que o deixou a principio intrigado, pois podia jurar que o que rolava entre eles não tinha nada de fraternal; ate o estado em que se encontrava a mãe deles, motivo então do sumiço dela nesses três dias. No começo lamentou, mas depois de alguns minutos sentado em sua cadeira, ele pensou que talvez Cuddy precisasse de uma ajuda. Num ato totalmente impensável e inesperado, ele ligou para uma companhia aérea e reservou um lugar para o primeiro vôo da manha seguinte. Wilson quase pulou da cadeira quando soube que ele ia ate ela. Logo depois William ficou sabendo e não ficou nada contente, principalmente por que sabia que Lisa Cuddy não iria gostar nem um pouco da aparição dele por lá.

Enquanto guiava o carro, House pensava nessas coisas e se perguntava se não havia sido precipitado em estar ali. Logo viu uma casa no estilo Georgiana, perfeitamente conservada aparecer em sua frente; o fundo da casa dava para um imenso rio, que naquela época do ano ficava congelado, criando todo um clima sofisticado naquele lugar. House seguiu surpreso ate a imponente entrada. Via Cuddy tão simples que nunca imaginaria que a família dela fosse assim. Tocou a campainha e um homem alto, barbudo e de grandes olhos azuis abriu a porta. Ele era muito parecido com Cuddy.

- O que deseja? – seus olhos estavam inchados e a voz um pouco rouca

- Cuddy? Eu sou o...um amigo dela.

- Claro..! Entre, por favor – disse abrindo um sorriso tímido – Fique a vontade, eu vou chamá-la – terminou por dizer amigavelmente.

House olhou em volta e viu o estilo impecável da grande sala, povoada por peças, móveis antigos e caros e uma grande coleção de quadros de pintores importantes. Encaminhou-se curioso ate um piano e se pôs a observar algumas fotos, uma a uma. Aproximou-se, mas atentamente de uma daquelas fotos e pegou, observando-a cuidadosamente. Havia uma pequena dedicatória: "Feliz Natal, mamães"

- Isso foi quatro meses depois que fomos resgatados... - sussurrou engasgado, observando a data.

Repentinamente, uma voz surgiu à suas costas e de imediato, House pôs o porta- retrato no bolso do paletó, escondendo-o.

- O que você esta fazendo aqui?

Cuddy estava lívida, branca como o cal; quando seu irmão disse que havia um amigo la embaixo, ela imaginaria qualquer pessoa, menos ele.

- William me contou...e ai ..eu vim – falou sem graça, fugindo do olhar dela .

- Eu não sei por qual motivo você veio – falou Cuddy nervosa, afinal, ela não tinha idéia do que o irmão havia dito para ele – mas eu acho que é melhor você ir embora...

- Eu não vou embora – disse agora olhando-a firmemente – E-eu vim para tentar ajudar...sua mãe... – falou rapidamente

Cuddy respirou aliviada, mas não desistiu de tirá-lo dali.

- House...obrigada pela sua intenção....mas não é necessário...eu não preciso de ajuda e..nem da sua..- falou magoada.

House ainda olhava firme para ela, não tinha nenhuma intenção de ceder também.

- Nem me olhe desse jeito..eu vim no primeiro avião da manhã e vou ficar aqui... e ponto final! – disse se voltando ate ela e tocando num doa cachos soltos dela.

Cuddy olhou para ele e seus olhos começaram a se encher, não tinha ninguém ali que lhe desse um apoio, os irmãos estavam cada um em seu canto, isolados, o único que ela tinha uma maior afinidade, William, não pudera vir por causa de seus pacientes. Ela estava, praticamente sozinha ali..olhou para ele e nunca o vira parecer tão solidário, tão humano.

- Obrigada..Greg.- murmurou o abraçando.

Saindo do abraço dele. Cuddy observou o ambiente em volta, como se procurasse por algo. Ainda era cedo, mas não queria ter mais surpresas; chamou discretamente uma das empregadas e falou-lhe alguma coisa, observando que House continuava sentado no grande sofá. Chegou mais perto dele e sentou-se ao seu lado.

- Como ela esta? – perguntou, surpreendendo ela e a si mesmo por aquele jeito solicito.

- Mal... O médico disse que é uma questão de horas...câncer de pâncreas...o nosso médico de 4 meses...ela já passou de um ano...mas agora.. –Cuddy parou para respirar um pouco – agora..eu acho que não temos mais escolha ...

- Eu sinto muito...

- Você quer vê-la?

House não tinha a mínima intenção de ver a mãe de Cuddy, mas no estado em que ela se encontrava talvez alguma esperança, qualquer que fosse apesar de que ele soubesse que não havia, poderia ajudá-la.

- Ok... – falou se levantando. Subiram a imponente escada de mármore e atravessaram um longo corredor ate chegarem ao quarto de Elisabeth, mãe de Lisa.

Cautelosamente, ela abriu a porta e esperou House entrar, indo logo atrás dele, silenciosamente. Enquanto House ia ate a cabeceira da cama, Cuddy conversava com a enfermeira que a acompanhava.

Uma senhora já idosa e com os cabelos finos e brancos, abriu os olhos; o rosto estava contorcido pela dor, mas os olhos eram de uma vivacidade e de um azul profundo que tinham aprendido a lidar com a vida. Balbuciou algumas palavras que House teve dificuldade em ouvir, aproximou-se do rosto da senhora e tentou escutar o que ela falava.

- Você é...

- Eu sou um amigo de sua filha – falou House tímido.

- Eu sei quem você é...- disse a mãe de Cuddy pausadamente, num sorriso esperto.

House olhou para trás e viu Cuddy distraída, olhando para algum lugar distante que ele não conseguia enxergar ... virou-se novamente para a senhora ali deitada.

- Você deve estar me confundindo e..

- Greg..

House olhou assustado para aquela senhora, depois imaginou que Cuddy talvez tivesse contado sobre ele.

- Lisa te contou...

- Não..eu nunca esqueceria esses seus olhos. Eu me lembro da angustia e da dor deles naquele dia – parou um pouco para respirar e continuou – e hoje eu vejo esses mesmos olhos...só que mais amargos e sofridos...

Cuddy ouviu a voz da mãe e foi ate ela, ao passo que House tentava descobrir, ou pelo menos se lembrar o que ela queria dizer. Pensou que talvez os remédios a fizessem delirar e ela tinha o confundido com alguém.

- Lees...

- Mãe...não fale... – disse Cuddy com pena.

- Eu estou sentindo dor...

- Eu já volto.. vou pegar os remédios..espera um pouquinho– disse Cuddy apressadamente.

Elisabeth esperou a filha sair e novamente seus olhos pousaram sobre House.

- O que aconteceu com você, meu jovem...?

- A senhora deve estar me confundido com alguém – repetiu House, olhando para a porta.

A senhora olhou com pena para ele.

- Abra essa gaveta aqui..

Automaticamente House abriu a gaveta, tirando um pequeno baú, o único objeto que havia ali. Entregou à senhora, que se ajeitou com dificuldade na cama, abrindo-o e retirando lá de dentro uma pequena embalagem de uma corrente fininha de prata e colocou na mãos dele.

- Você o reconhece? - disse olhando para a mão dele

House olhou para suas próprias mãos e um frio lhe percorreu a espinha, não sabia o que pensar, nem o que falar. Já fazia anos que não via aquele objeto e nem se lembrara mais dele. Conteve um suspiro e encarou aquela senhora ali na sua frente, paralisado.

- E-eu..não..- parou subitamente de falar ao ver que não tinha nada a dizer.

Olhou novamente para aquela senhora e de repente tudo veio em sua mente. A infância surgiu como um furacão, devastando sua mente em lembranças que não queria que ressurgissem. Sentou-se lentamente na borda da cama ao mesmo tempo que olhava para a cômoda, observando as fotos de crianças que haviam ali em cima. Reconheceu Cuddy e William e depois observou mais dois meninos, lembrando-se deles e viu uma foto com um homem austero e polido. Olhou pra aquela foto e de repente se sentiu mal. Lembrou-se que ela o havia culpado pela morte do pai. A mãe de Cuddy viu uma sombra passar pelos olhos dele e falou com alguma dificuldade:

- A culpa não foi sua...quando chega a nossa hora é porque já vivemos o suficiente - disse fechando as mãos sobre as dele – quando chegar a hora, entregue a corrente pra ela.

- Cuddy?

Elizabeth riu suavemente e apontou para dentro do casaco dele falando:

- É a foto mais linda, guarde com carinho...

Finalmente Cuddy chegou, ia aplicar o remédio na mãe, porém ela se recusou veementemente.

- Não Lees...eu não quero...

- Mas mãe..?

-Não Lisa.. – falou séria - Eu preciso ir pura.

- Não fale besteira mãe! – falou com raiva.

Elizabeth respirou longa e pausadamente e olhou atenta para a filha e depois pra House, amorosamente.

- Querida.. – começou, afagando carinhosamente os cabelos da filha – você é médica e já sabe o que vai acontecer..e quando meu coração parar,...eu não quero nenhuma intervenção medica..entendeu meu amor? – terminou por falar, olhando para a filha e confirmando com House.

Cuddy olhava assustada a forma que a mãe dizia aquilo, parecia tão simples quanto ir à padaria.

- Entendeu Cuddles?

- Sim, mamãe...

- Venha cá...me de outro abraço...oh querida..eu sempre vou olhar por você viu...

House sentiu uma coisinha quente descer pelo seu rosto; tocou e viu que era uma lagrima, nunca pensou que aquilo o comoveria, afinal ele via isso todos os dias e não era nenhuma novidade, mas aquele abraço, aquela despedida, tocou no mais fundo de seu coração e pensamentos. Decidiu deixá-las sozinhas e saiu do quarto. Ficou andando pelo corredor ate que parou em uma das altas janelas e se pôs a observar o pôr - do –sol. Desde que voltara da ilha, aquela era a hora do dia que ele menos gostava, era a lembrança daqueles dias na praia que o faziam sofrer naquelas horas; mas nesse dia tinha sentido algo diferente que não conseguia explicar.

Depois de um tempo, voltou novamente para o quarto. Abriu silenciosamente a porta e olhou para os aparelhos que mostrava a pulsação de Elisabeth caindo aos poucos. Cada segundo que passava a voz dela ficava cada vez mais fraca. A mãe via o desespero tomar conta da filha.

- Cuide dela viu... - disse arfando e olhando fixamente para House – delas..

Cuddy olhou uma ultima vez para os olhos da mãe, ate que o brilho deles se apagaram. Nunca mais veriam eles se abrindo para fitá-la. Nunca mais veria o sorriso dela. Nunca mais ouviria a sua voz...

Ela se fora. Assim como o pai. House passou o braço em torno dos ombros dela, tentando lhe passar toda força que podia. Cuddy deixou-se ficar um pouco, mas depois se soltou violentamente saindo do quarto em seguida; ele porem não desistiu e foi atrás dela segurando-a mais forte. De início ela lutou para se soltar dele, mas depois se deixou ficar; quando House sentiu que ela tinha relaxado, soltou-a um pouco e a viu saindo para um dos quartos fechando a porta ruidosamente.

Dois dias já havia se passado, desde a cerimônia que havia sido simples, mas bonita. Todos os amigos da mãe dela e todos os filhos estavam ali presentes. House olhava curioso para as crianças que ali havia. Sentiu-se de repente observado e olhou para Cuddy que o olhava atentamente.

Os dias que se passaram foram cheios de protestos. Wilson e House tentavam de todas as maneiras fazer com que Cuddy não voltasse tão cedo assim ao trabalho, mas ela era muito teimosa para ouvir um dos dois. Passava os dias trancada no escritório, cercada de papeis. Um dia House resolveu ir ate la, para ver como ela estava. Olhou para os papeis e viu rabiscos em todos eles, os documentos mais importante do hospital estavam totalmente riscados. Sentiu um pânico de não vê-la ali e a procurou por todo o hospital, já estava tarde, mas ele ainda não a encontrara. Foi ate a sua sala para pegar suas coisas. Estranhamente, as persianas estavam fechadas; entrou cautelosamente tentando enxergar algo na completa escuridão e aproximou-se lentamente de sua cadeira.

- Cuddy...- murmurou aliviado ao vê-la ali sentada - você esta bem? – perguntou observando que ela olhava estática a paisagem gelada la de fora.

Ela levantou-se de vez e num impulso correu ate os seus braços chorando fortemente. House sabia que isso ia acontecer, ela não derramara uma única lagrima desde o dia que a mãe tinha ido. De inicio ficou sem jeito, mas depois de algum tempo seus braços a apertaram, dando-lhe um grande conforto. Ficaram ali no escuro, abraçados durante um longo tempo; House ouviu a porta se abrindo e depois se fechando, sabia que era Wilson, pois quando não a encontrou em lugar nenhum, tratou logo de avisá-lo, porem não olhou para trás. Sentou-se na cadeira, ainda abraçado com ela que chorava bastante. Afagou seus cachos e a observou dormir em seu colo. O rosto ainda estava marcado com lagrimas e ele nunca sentiu um alivio tão grande de tê-la ali. Sua perna, no entanto reclamava bastante; virou dois comprimidos de Vicodim na boca e fez um esforço para se levantar dali. Wilson ainda estava no corredor quando o viu levá-la carregada no colo, ofereceu-se para ajudar, mas House rejeitou.

- Para onde você vai levá-la? –sussurrou Wilson olhando o esforço que ele fazia ao carregá-la.

- Minha casa. – falou House saindo do elevador.

Pegou as chaves do carro dela e colocou-a delicadamente no banco de trás do carro, olhando-a ternamente.

- Você a ama! – disse Wilson sorrindo da "recém" descoberta

House olhou para ele e observou o chão coberto de uma fina neve. Sem dizer mais nada entrou no carro.

- Tchau Jimmy...

- Tchau Greg...

XXX

Cuddy despertou devagar, espreguiçando-se lentamente e sentindo todos os seus músculos. Olhou à sua volta sem reconhecer onde estava...se lembrava muito pouco da noite anterior. Observou o quarto bem arrumado e levantou-se indo em direção ao guarda-roupa. Abriu a porta com cuidado e viu vários tweeds, calças jeans e muitos tênis e num canto uma duas bengalas.

- House! –murmurou surpresa

Desceu as escadas cautelosa, temendo encontrá-lo e parou de repente em frente ao sofá, observando atentamente um bilhete ali deixado.

Tem leite de soja, pão integral e queijo tofu na geladeira. Cuddy olhou para o verso do bilhete, mas não havia mais nada.

Foi andando ate a cozinha, sentindo o chão frio sob seus pés, abriu a geladeira e encontrou outro bilhete Tem algumas roupas para você la na sala. Cuddy sorriu surpresa por aquele gesto; parecia que ele estava ali, observando cada gesto dela. Pegou o pão e um copo com leite e foi ate o sofá. Abriu a sacola e encontrou um pijama de homem.

- Ele só pode esta brincando – disse, dando uma mordida no pão.

Estendeu a camisa e encontrou outro bilhete, achou que ele poderia estar ali a observando. Desconfiada, pegou o papel e começou a ler Hoje é domingo Cuddy, relaxe...vá ate a estante. Automaticamente e super-curiosa, Cuddy foi ate lá. Não era do tipo dele fazer essas coisa, mas já que ele estava sendo gentil, o melhor era aproveitar.

Encontrou alguns dvd's e começou a ler os títulos, enquanto ligava a TV: O melhor amigo da noiva? PS: eu te amo?? Ahh esse aqui deve ser para ele Batman... Tirou o dvd da caixa e quando foi abrir a portinha do aparelho, eis que surge um outro bilhete. Espere por mim..fui comprar cerveja. Cuddy sorriu enquanto desligava os aparelhos, lavou o copo, pegou o pijama e foi ate o banheiro.
Enquanto sentava na banheira dele, pensava em todo o tempo que passou sozinha; aqueles gestos dele lhe despertaram uma lembrança de ser cuidada por alguém. Nos últimos 3 anos, não havia ficado com ninguém, seus únicos companheiros eram sua mãe e William, mas agora não tinha mais a mãe por perto e Will um dia ia seguir seu caminho. No fim acabaria ficando sozinha – pensou.

- Não tão sozinha – falou em voz alta.

Com receio que ele já pudesse ter chegado e estivesse ali fora,Cuddy afastou a cortina do banheiro e tentou escutar algum som. A casa estava no mais completo silencio. Ficou alguns minutos na água ate que viu seus dedos se enrugarem. Levantou-se lentamente, amassou os cabelos formando uns cachos maiores e procurou por uma toalha.

- Droga! – falou percebendo que não havia pegado nenhuma.

Saiu do banheiro e procurou por uma toalha, abriu uma gaveta do guarda-roupa dele e viu ali alguns perfumes. Curiosa, passou um pouco de um deles pelo corpo, percebendo que era aquele cheiro que ela sentia todas as manhas. Explorou o quarto dele e repentinamente via a porta se abrir. Cuddy tentou pegar algo para se cobrir. Sentiu os olhos dele a explorando e depois se ele voltar ao banheiro e pegar uma toalha.

- Tava no armário...Eu estou la embaixo – falou de costas e saindo rapidamente dali, não sem antes dar um sorriso discreto ao sentir no ar o seu perfume favorito.

House já estava na cozinha quando ouviu o telefone tocar.

- Alô? – perguntou mal-humorado.

– House! Sou eu...William..

- Diga..

-A Cuddy não apareceu por aqui e..

- Ela esta aqui – falou naturalmente – mas está dormindo...você quer que eu a acorde?

– Não...deixe ela dormir...ta bom...tchau...

House desligou o telefone e la em cima alguém também desligou. Alguns minutos depois Cuddy desceu vestida com o pijama dele e com o seu casaco por cima. Parou na janela e observou a neve grossa la fora, o capô do carro dele estava totalmente coberto de neve.

- Vai embora?

Cuddy olhou la para fora e depois para ele. Era impossível sair dali com aquele tempo.

- Não...

Os dois ficaram calados por algum tempo ate que House decidiu falar.

- Vou pegar algo para gente comer, enquanto assistimos tv...

Cuddy o viu sair dali o mais rápido que sua perna podia e achou graça da situação.

XXX

- E então... – disse apontando para os dvs's

- Você escolhe... – falou sem muito entusiasmo.

Por mais que tentasse, o jeito dele seria sempre aquele.

- Tem certeza que você pegou esses filmes para você? – provocou Cuddy.

- É..porque um cara não pode ser sentimental não? – falou sarcástico

- Um cara pode sim...mas você...

- Mas eu...

- Ah House...

Ele levantou-se do sofá e foi ate a cozinha pegar as cervejas, batata frita, brigadeiro e um creme de morango.

- Nossa...desse jeito eu perco minha forma! – disse sorrindo

- Ta vendo...um cara como eu pode ser sentimental....

House olhou para ela e pela primeira vez nesses dias a viu sorrir de verdade

- È bom ver você sorrindo assim... – falou sem jeito enquanto se levantava e colocava o primeiro dvd. A tarde mal havia chegado e já parecia que era noite; com o tempo a nevasca tinha aumentado bastante. Observou Cuddy tremer debaixo do cobertor.

- Aqui ta frio.. – comentou Cuddy

Eu posso te esquentar se você quiser... – sugeriu House com um olhar malicioso.

- Haha...Não...você poderia ir olhar o aquecedor... – cortou, corando um pouco.

- Tem certeza?

- Vai House!

House saiu em direção ao aquecedor geral, que ficava na cozinha. Voltou alguns minutos depois, vendo que ela ainda esperava por ele para assistir ao filme

- Já foi...

- Ajustou?

- Não..ele pifou mesmo...

Cuddy ficou olhando para ele, mesmo com todos os casacos que vestissem, ainda sentiriam frio; com certeza pegariam uma boa gripe.

- A gente poderia sair daqui.. – sugeriu

- E Ir para onde?

- A gente...pode ir la para casa... e ai continuamos a assistir aos filmes e você pode ficar la ate consertarem seu aquecedor - falou surpreendendo a si mesma por sugerir aquela idéia – A não ser que você queira ficar aqui...

- Ok... – ele deu de ombros e começou a recolher as coisa s e colocar tudo em uma grande sacola. Depois subiu e desceu com alguns casacos, entregando alguns para ela escolher, vestiu dois, observando como ela parecia uma bolinha com todos aqueles casacos.
- A gente vai ter que ir de moto – avisou – seu carro não vai passar por essa neve.

- É melhor ir de carro...a gente vai congelar no vento frio...

- Se a gente for de carro, vamos ficar presos no gelo...e outra, seu carro não passa pelo passeio não é? – disse dando uma piscadinha.

Cuddy afirmou com a cabeça, não tinha jeito mesmo. Fechou os botões de seu casaco e pegou a bolsa e uma das sacolas da mao dele; abriu a porta e recebeu uma lufada de ar frio no rosto. A paisagem estava totalmente branca, aos poucos perdeu a sensibildade da ponta do nariz e ia falar algo quando sentiu House pondo um cachecol em volta de seu rosto e uma touquinha na cabeça.

- Obrigada – murmurou surpresa pelo gesto dele

Viu House indo ate a garagem e depois o viu saindo com uma grande moto.

- Ponha o pé aqui e segure o meu ombro – disse ele, ao ver que a moto era um pouquinho alta para ela.

Assim que Cuddy se sentou, House deu partida na moto; antes porem pegou delicadamente os braços dela e pôs em volta da sua cintura, fazendo ela se inclinar bastante sobre as suas costas.

- Está preparada? – perguntou, dando um sorriso malicioso que ela não pôde ver...