Decidir postar logo essa parte para não deixar vocês curiosas...

=D

Desceram a rua rapidamente e logo chegaram a casa dela. Durante o percurso, Cuddy sentiu o calor que o corpo dele emanava e logo aquilo a aqueceu... Sentiu o cheiro gostoso de perfume e não sabia se era dela ou dele que saia aquele cheiro..

- Não pare ai... – disse tirando a chave da bolsa e acionando o controle da garagem.

House obedeceu e estacionou a moto, esperando, depois, ela descer.

- Gostou?

- Como disse?

- Gostou do passeio de moto?

- Porque você acha que é a minha primeira vez?

House olhou de soslaio para ela.

- Porque talvez você quase quebra a minha coluna? – perguntou num tom sarcástico e divertido

- A culpa foi sua...parecia que tava desesperado para chegar aqui...

- É..talvez – falou dando uma piscadela.

- Bobo.. - respondeu Cuddy enquanto abria a porta.

Entraram devagar, espalhando a neve na sala, que logo se transformou em salpicos de água. Cuddy ligou o aquecedor e jogou as sacolas no sofá, pegando algumas coisas da mão de House e levando até a mesinha da sala. Aos poucos o calor foi tomando conta do ambiente e a cada minuto que se passava, uma peça de roupa era tirada com pressa. House viu Cuddy subir as escadas; sentou-se, um pouco, colocando os pés no centro e se largando no sofá. Nunca se imaginou estar ali, sentiu uma sensação estranha ao ficar ali sozinho.

- Eiii... isso ai não é apoio para os pés...pode ir tirando... – disse Cuddy entrando de vez na sala

- Ah mom... – reclamou virando-se . Olhou surpreso para ela. – Que meigo... – disse zombeteiro, vendo que ela vestia uma camisola fofinha do Bob Esponja, que evidentemente não era sua.

- Vamos voltar ao que estávamos fazendo – falou Cuddy, sem dar a mínima para ele

- Depende de onde a gente parou... – falou maliciosamente

- Eu estou falando do filme...

- Eu também.. – disse indignado – que mente em Drª...A não ser... que você esteja pensando em outra coisa...

- Não! – disse ela, depressa demais

- Então ta... – encerrou House, virando-se para a tela.

Cuddy sentia seu rosto ferver, não havia passado nem dois minutos e ela pausou o filme o olhando firmemente. House entretanto, continuou olhando para a tela, como se o filme ainda estivesse passando, não que ele quisesse assistir, mas agora sabia que alguma coisa importante ela ia falar. Tinha se preparado para ouvir dela algum segredo e bla bla bla...mas realmente não saberia como ia reagir ate ouvir o que ela tinha para lhe contar.

- Por que você não me procurou mais?

House pensou que havia levado um banho de água fria, achou que ela já tinha superado essa fase, mas aquilo era só o começo, imaginou ele.

- Achei que você não ia querer me ver – disse fugindo dos olhos dela - se você não se lembra, você me culpou de tudo o que aconteceu com seu pai..

Cuddy sorriu amargurada, aquilo fora estúpido, ele não tivera nenhuma culpa, mas no momento da raiva, foi a única coisa que ela tinha pensado.

- Mas..você nunca teve nenhuma vontade..nem que fosse só para saber como eu estava...- continuou, insistindo naquele assunto

House olhou surpreso, ele tinha certeza que ela sabia que isso não era do tipo dele.

- Cuddy minha vida deu uma volta de 360º..

- Antes da perna...

- Antes também...Stacy já estava grávida...e aquela noite..que nós...você sabe...era para ela me contar dessa novidade..Eu só soube três meses depois..e eu tinha dito a ela que não queria ter filhos, no quarto mês ela perdeu o bebê e ainda me culpou...

Cuddy olhava para ele boquiaberta, como contar que tinham uma filha se ele mesmo acabava de dizer que não queria tê-los?

- Você não gosta de crianças, não é..?- perguntou cautelosa.

- Eu acho que eu não levo jeito - disse fugindo o mais rápido daquele assunto e puxando o controle das mãos dela.

Cuddy ficou pensando porque ele agiria daquela forma, nunca tinha tido filhos para ao menos saber qual era a sensação. E só porque ele fora maltratado quando criança, não significaria que faria o mesmo com os filhos que tivesse.

- Mas a gente pode mudar, não é mesmo – falou surpreendendo Cuddy.

Aquela era a deixa, mas ela ainda não tinha coragem de lhe contar a verdade; o motivo pelo qual o convidara ate ali.

- É...- falou desconfiada.

House percebeu que ela hesitara, não queria ser o primeiro a puxar o assunto, mas aquilo estava entravado em seu pensamento.

- Você tem alguma coisa para falar? - perguntou, se arrependendo no mesmo instante

- Não! – disse rindo sem graça – o que eu teria para te falar...?

House reparou que subitamente rosto dela tinha ficado vermelho, ela estava mentindo e mais cedo ou mais tarde ele descobria a verdade.

- Everybody lies.... –sussurrou, sem que ela ouvisse, virando todo o conteúdo da garrafa de cerveja.

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As horas tinham passado rápidas. O céu, antes branco, tinha um tom acinzentado cheio de nuvens frias como o aço, e o tempo tinha esfriado de vez. De vez em quando House dava um puxãozinho na coberta, só para ela reclamar ou encostar mais o corpo nele. Continuaram a assistir ao filme, porém nenhum deles prestava atenção o que se passava na tela, de vez em quando, House dava do nada, um pequeno grito de pavor, mesmo que o filme fosse de romance melado, mas isso era só para assustá-la mesmo. O que na verdade eles sentiam era a presença de um do outro ali, tão próximos, mas ao mesmo tempo tão distantes. Resolveu tomar outra cerveja, e olhou-a de canto de olho; via a expressão dela mudar a cada colherada na tigela de brigadeiro. Observava magnetizado. Imaginava como um ato tão simples de comer alguma coisa se transformava em uma cena sexy. Viu a boca de Cuddy se abrir e fechar, a língua passar lentamente sobre a colher. House nunca havia sentido tanta vontade de pegar a aquela colher e dar ele mesmo o brigadeiro para ela... Ao sentir-se observada, Cuddy olhou discretamente e depois de perceber que ele realmente a olhava, questiona:

- Quer um pouco? – pergunta gentilmente

Ele olhava para Cuddy se perguntando se ela tinha idéia do que se passava pela sua mente.

- Por enquanto não... – falou com um meio sorriso

Achando tudo aquilo estranho, Cuddy resolveu encher a colher e oferecer o resto para ele, enquanto mastigava lentamente a sua porção. Viu House balançar a cabeça em negação e instintivamente umas idéias lhe passaram pela sua cabeça. Aquele olhar e aquele sorriso eram de quem iria aprontar alguma coisa e conhecendo bem House como ela conhecia, era melhor se preparar.

Observou, parada, House se aproximar e mais uma vez estendeu a tigela para ele, se encostando mais ao braço do sofá. Inesperadamente, ele passou a mão sobre seu rosto, descendo até os seus lábios e deixando-se ficar ali. Cuddy sentia uma necessidade tão grande de tê-los por ali, tão perto, tão possessivos que se deixou ficar. Sentiu-o substituir as mãos pelos lábios e espontaneamente fechou os olhos , sentindo os lábios dele descerem pelo seu pescoço. Ao sentir que ele havia parado, abriu, extasiada os olhos. Reparou que ele olhava deliciado por aquele pequeno poder que tinha sobre ela e sentiu-se de repente envergonhada e vermelha. Cuddy olhou para a TV e viu que as letrinhas subiam, mal havia conseguido prestar atenção ao filme, sabendo que a todo o tempo ele a observava. Levantou-se com dificuldade indo ate a TV e ficou olhando para qual dos dois filmes ela colocaria. Virou-se lentamente e fitou House.

- Qual dos dois? – perguntou, respirando suavemente

- Você escolhe – falou com simplicidade, como se nada houvesse acontecido.

House deitava-se no sofá, enquanto Cuddy olhava para os dois dvd's em sua mão. Olhou para ele e achou melhor colocar um filme de ação.

- Batman?- falou surpreso

- É...nada melhor do que um pouco de ação.

- Ação...- repetiu House, pensando que talvez aquilo fosse alguma mensagem subliminar.

House se afastou, cedendo espaço para ela no sofá, não queria fazer nada que ela não permitisse, apesar de seus desejos falarem mais alto...

Cuddy se ajeitou no sofá e pegou a tigela, olhou para a mão dele e viu a colher

- Me dá a colher?

House mostrou a colher, que ainda estava cheia de brigadeiro. Ele comia propositadamente devagar. Cuddy olhou para a cozinha e ficou com preguiça de ir ate lá. Passou os dedos pela borda da tigela, capturando todo o brigadeiro que ali estava levando-os ate a boca. Olhou pelo canto de olho e viu House com a colher suspensa observando aquela pequena provocação que ela fazia.

- Assim é mais gostoso – comentou e depois olhou para ele, oferecendo a tigela – Ainda quer mais?

House tratou de lamber logo e esticou a colher, ainda olhando pra os dedos dela sujos de brigadeiro. Viu Cuddy mergulha mais uma vez o dedo na tigela e depois se aproximou dele. Cuddy passou os dedos em volta da boca dele, observando cada movimento que ele fazia ao capturar o doce dos dedos dela.

- Prefere ainda a colher? – perguntou sensual

- Não.. – sussurrou ao ver que ela descia o rosto em sua direção, lambendo sensualmente o seu lábio superior.

House respirava com dificuldade, não imaginaria que ela tomasse o controle na situação. Confuso, a viu se afastar dele e sentar-se numa cadeira do outro lado da sala, com a tigela, a colher e evidentemente com o brigadeiro. Cuddy deu um sorriso malvado para ele, fazendo-o entender que aquilo era uma pequena vingança pela provocação que ele tinha feito a ela alguns minutos antes. Observou-a assistir calmamente o filme, sem dar a mínima atenção a ele.

Passados alguns minutos, Cuddy viu que ele se encaminhava ate estante.

- Você não acha que isso vai ficar assim né? – disse desligando a TV e parando em frente a ela.