Oi Huddies...bom demorei, mas vim correndo postar!

Espero que vocês gostem!!! =D

bjuxx

- Alô...- falou com a voz temerosa

- Aconteceu um acidente... Venha para cá o mais rápido que você puder foi com ...

8 horas antes

- Eu não acredito que você vai mesmo embora! – disse Wilson com uma rosquinha na mão.

- Baunilha? – perguntou sem se importar com o que o amigo falava

- Não, chocolate, mas o quê... É serio... Porque você nunca me ouve...o que aconteceu heim?

House olhou para a rosquinha de Wilson, fazendo uma cara de assustado.

- Vamos dizer que agora eu tenho uma filha com a Cuddy e decidi dar no pé...é isso..- falou com um tom que parecia de brincadeira.

- Ahh House, conta outra! É sério! – disse o amigo sem acreditar e rindo

- Ta vendo? É por isso que eu não te contei! – disse roubando o doce e saindo dali.

XXX

Apesar de pedido demissão, House decidiu escutar os conselhos de Lisa e ficar por ali, atendendo os pacientes; a verdade era que agora ele não tinha tanta certeza que queria sair dali, mas enquanto o seu prazo de um mês não cumprisse o melhor era ficar por ali mesmo.

- House! Eu soube que você vai sair...- falou Taub.

- Não se preocupe – disse entendendo a bengala – eu vou comprar uns lencinhos para você também...ou você prefere um lençol? – disse zombando

- É uma pena – comentou Kutner

-É...eu imagino – falou House sarcástico,se virando para ele

Depois de um momento de silêncio, Kutner olhou para a pasta e decidiu falar

- Nos temos um caso!

-AHHH..eu sabia! Devia ter apostado com Wilson!...Kutner..eu não sabia que você gostava de um baixinho..desde quando heim?

-É serio House! Criança de três anos e meio, com taquicardia e taquipneia, com sudorese aguda , convulsões e chiado no peito

- Credo..- disse House com cara de nojo – mais crianças...-olhou furtivamente para Kutner – leve-a para P.S e a deixem no soro.

- Não é gripe nem desidratação..Cameron que a mandou de lá...

- Humm...Vamos lá então

-Você??...Você vai la? – perguntou Kutner surpreso.

-Dãn!!! – respondeu batendo na testa – É claro que não! Onde está o Casal 20?

-Estão vindo – disse Taub que até então tinha ficado calado.

- Kutner, pegue autorização dos pais e Taub vá chamar aqueles dois inúteis.

Kutner ficou observando Taub sair e virou-se para House que olhava para ele, pronto para reclamar de sua demora.

- Temos um problema... A criança foi encontrada por uma mulher na rua,... Ela vestia um uniforme de um orfanato de freiras que se recusam a tratamento médico.

-E,...

-E se for por isso nos não temos autorização... Mas como ela foi encontrada na rua..

- Como você sabe que elas não vão autorizar o tratamento?

-Eu pesquisei no Google...

House rolou os olhos e saiu mancando, indo ate a sala para pedir uma autorização legal, até que eles descobrissem alguma coisa e mandassem a menina de volta para o orfanato.

- Quero que você fique com aguarde de uma criança órfã até que eu descubra o que ela tem – falou rápido e sem entrar, só colocando a cabeça dentro da porta.

Cuddy levantou a cabeça, mas sem olhá-lo. Duas semanas já haviam se passado desde aquele beijo no elevador e depois disso eles nunca mais tinham se encontrado a sós...,.Começou a pensar que o prazo de um mês dele estava longo demais, não devia ter aceitado aquelas condições e que se ele quisesse ter ido embora que fosse logo, assim era melhor e nenhum dos dois.... Ou melhor, ela não se machucaria

- Eu ainda não terminei a sua carta... – disse pigarreando, não querendo demonstrar a fraqueza em sua voz.

House ficou em silencio, tentando imaginar em que ela estava pensando. Ele queria que aquele beijo no elevador fosse uma mera despedida, mas podia perceber que não era aquilo que ela pensava. Ele sabia quem era que tornava as coisas difíceis, quem sempre fugia, ele mesmo não se entendia, mas aquele era seu jeito e nada iria mudá-lo...não por enquanto.

- Eu não vim falar sobre isso – disse tentando ser o mais delicado possível – você ouviu o que eu falei?

- Ouvi sim..o hospital pode ficar com a guarda...eu falarei com nossos advogados.

- Mas você não quer nem saber o porquê dessa guarda ou o que ela tem?

- Eu confio em você – disse olhando-o firmemente e querendo logo encerrar aquele assunto.A sua manha não tinha começado bem, primeiro brigou com Maggie sem motivo e depois começou a sentir o corpo meio fraco e pesado.

-Tudo bem.

House só então percebeu que os olhos dela estavam inchados e tratou de sair dali o mais rápido possível, não podia vê-la assim, na verdade não queria. Decidiu cuidar com afinco desse novo caso, tudo isso para esquecê-la.

- E então? – disse Foreman logo atrás dele ao lado de 13, reparando logo em seguida em sua expressão preocupada –House? Aconteceu alguma coisa?.

- Não...você – disse apontando para Foreman- vá la ver como ela esta e depois vão procurar algo sobre a menina.- falou serio.

XXX

House estava sentado no corredor, esperando os resultados dos exames chegarem. Viu Cuddy passar de um lado para outro imponente como sempre ou dando ordens às enfermeiras. Nunca pensou que pudesse sentir isso, mas aquilo que ele falou para ela no banheiro, estava se tornando o seu mantra, o feitiço tinha virado contra o feiticeiro e agora ele percebia que tinha um sentimento além-sexo com ela, sentiu que não queria tê-la só por uma noite, mas também não era daquele tipo de querer viver felizes para sempre, só queria que ela pertencesse a ele e ele a ela, só que ainda não sabia como isso iria acontecer. Cuddy se apoiou no balcão e olhou para alguns papeis; sabia que ele estava ali sentado, observando-a, mas fingia que não tinha percebido. Lembrou-se de repente da sua carta de recomendação, sabia que uma hora teria que escrever mas ainda não tinha ânimo ou coragem para fazê-lo. Olhou furtivamente para a direção dele e viu que ele ainda a olhava, ficaram se olhando com se um fio prendesse o olhar dos dois. Médicos, enfermeiros e pacientes passavam entre eles mas House e Cuddy não desviavam o seus olhares. House viu Cameron parar na frente dela; ficou observando-as, tentando ler os seus lábios para ver se descobria alguma coisa, mas em vão; em um instante Cuddy sumiu de seu campo de visão e tinha ido embora. Ele ainda ficou tentado, com vontade de segui-la mas ligo passou ao ver Kutner em sua frente.

- Ela esta bem... – disse Kutner, passando a pasta na frente de House, desviando-lhe a atenção.

-Não, idiota...ela não esta bem..você que ainda não descobriu o que ela tem... – falou já aborrecido

- É claro! E você ai sentado como o mais esperto de todos sabe tudo!

- Humm – murmurou House com os olhos arregalados – Pena que você só tem coragem para dizer isso porque sabe que eu estou saindo...do contrario saberia que seria despedido...- fez uma parada fingindo que estava pensando e continuou – talvez eu fique...só para ter esse prazer...

House ficou esperando ele responder alguma coisa, como Kutner não o fez, ele acabou se levantando não antes sem dar uma bengalada no pé do medico. Viu 13 vindo em sua direção e ouviu o som de bipe que vinha do paige de Kutner, que ainda soltava urros e reclamações de dor.

- Ela esta tendo convulsões

- E você veio só para me dizer isso??

- Taub e Foreman estão lá...

- Ótimo – disse House sarcástico – agora , "Pelos poderes de Greiscow, eu tenho a força… He Man!"...espere – disse estendendo a mão e fechando os olhos – eu vou enviar meus poderes ate lá...pronto...ela já esta bem..agora saiam da minha frente e me avisem se qualquer mudança significativa...acontecer com ela..do contrario vocês já sabem...- terminou por dizer enquanto saia em direção ao elevador.

XXX

O ar frio batia diretamente em seu rosto, fazendo House se encolher ao máximo para se proteger daquele frio. Mas uma vez a sua perna doía, nem adiantava mais ligar, ele já se acostumara. Olhou para frente e viu uma pessoa à sua frente. Apertou mais um pouco os olhos para ver quem era.

- Fugindo do trabalho tão cedo...- falou, observando que ela agora tinha parado de caminhar e ia se virar.

- E dr,House, algumas pessoas sabem cuidar de suas responsabilidades, ao contrario de outras - respondeu sem se virar e continuando a andar pelo estacionamento – e você? Agora que não vai mais trabalhar aqui, deu para deixar seus pacientes?

House olhava para ela, sentindo seus pés afundando na fofa neve que tinha caído durante todo o dia, observando como ela andava seus movimentos remexendo a sua cintura, como um pêndulo,com seu porte majestoso porem frágil, fazendo House sacudir a cabeça e se concentrar no que ela havia dito.

-Não...- falou com um grande esforço – simplesmente a menina-sem-nome esta na mesma...

-Menina-sem-nome? – perguntou Cuddy se virando para a direção dela.

House olhou para o seu rosto e percebeu que ia sentir falta de vê-la, de sentir sua presença, de olhar seu decote ,o seu ass, ia sentir falta mesmo delo, simplesmente a pessoa que ela via todos os dias,mesmo que só brigassem.

- É...de manhã..eu fui ate a sua sala...- percebendo que ela tentava se lembrar– Você escutou o que eu falei?

- Sim...- disse rápido – Claro que eu lembro...

- Sei...- duvidou House chegando ate a sua moto.

O vento pareceu ficar mais forte. Cuddy encolheu-se contra o frio, se ele estivesse ali, abraçado a ela talvez não sentisse tanto. Decidiu dar as costas para ele e sair dali o mais rápido possível, antes que suas pernas congelassem porem o ouviu praguejando,

- Droga!! Quem foi o idiota que fez isso?

Cuddy olhou para trás e viu os dois pneus da moto dele murchos, conteve um riso e reparou que ele a olhava interrogativamente.

- Foi você quem fez isso?

- Eu?? – perguntou indignada – O que eu ganharia?

- Uma carona para um aleijado?

House olhou para Cuddy que já abria a porta do carona, já ia se encaminhando para lá quando a viu colocar a sua bolsa no banco da frente e fechar a porta olhando logo depois para ele.

-Ops...você pensou.. – olhou para uma fila de bancos em frente ao hospital e deu um sorrisinho para ele – Ta vendo aqueles banquinhos ali? E ta vendo o nome por cima deles? Ali diz taxi...eu tenho certeza que um vai chegar ate aqui e te socorrer...

- Ah Cuddy!! Esta nevando! A cidade provavelmente esta toda engarrafada...antes de um taxi chegar aqui eu já congelei

Cuddy viu uma ambulância passar por eles e fez House acompanhar o seu olhar.

-Ah não...

- Wilson daqui a pouco sai...- disse irredutível – é ate bom que você atende mais na clinica, não pense que eu esqueci não..você ainda me deve algumas horinhas.

House observou ela entrar no carro e bater a porta, sentando-se ao volante e ajeitando o retrovisor interno. Cuidadosamente ela saiu de sua vaga, tomando cuidado para não arranhar seu carro no do vizinho. Rapidamente ela saiu da vaga e foi em direção a saída. Olhou pelo retrovisor e o viu ali parado, com os primeiros flocos de neve que começavam a cair.

- Droga Lisa! Porque você tem esse coração mole? – perguntava a si mesma – Não! Dessa vez, ele que arranje outra idiota.

House olhou o carro dela se afastando e parando na entrada do estacionamento; logo depois observou o mesmo carro dando ré, vindo em sua direção e uma porta sendo aberta ao seu lado.

- Se você fizer alguma gracinha, algum comentário, qualquer coisa, eu te expulso desse carro, ouviu bem?

- Sim senhora! – disse House dando continência a Cuddy e entrando antes que ela saísse dali.

Não se passou dois minutos e House olhou para ela e para o rádio, passando as estações.

- O que é que você quer..diga logo... – disse desligando o som.

- Porque você voltou?

- Para não ser acusada de homicídio...? – perguntou irônica, reduzindo a marcha e percebendo que ele tocava a perna.

-Wow...sorry..posso te perguntar outra coisa? – Viu Lisa rolar os olhos com uma expressão de " e eu tenho escolha?" e continuou a falar – Você pode parar em um supermercado...

- Você ta brincando né?

- To sim...e agora eu anúncio que você ganhou o premio? – falou sarcástico

Cuddy parou o carro e olhou para ele.

- Isso...e o premio é...cai fora!

- Lisa!

- Não me chame de Lisa...sai..eu disse que não ia tolerar nenhuma brincadeira sua..

- Você esta sendo intolerante! Não custa nada você desviar o caminho alguns metros e ir pra la.

- Ok então...eu te largo lá e vou embora.. – falou seria.

Depois de alguns minutos no mais completo silencio, Cuddy parou na frente do supermercado.

- Você não vem?

XXXX

- E então..eles já foram? – perguntou Wilson vendo-o entrar no hospital.

- Já sim...

- Se House descobre que você furou pneu da moto dele...ele te mata..

- Não se preocupe...com aqueles dois só funciona assim

- E se ela não desse carona para ele...

- Eu conheço a minha maninha-coração-mole...e outra ainda tínhamos você..- disse Will sorrindo largamente para Wilson.

- Claro...não seria novidade – se entregou Wilson observando Will pegar o celular que vibrava. – Ele deve ter descoberto...

Olhou para o irmão de Cuddy e viu o sangue se esvair de seu lia a mensagem de texto " jefreymalvenha para LA !"

- Eu preciso ir...

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Wilson preocupado.

- Um amigo meu... – disse saindo rapidamente em direção à saída.

Wilson observou-o ir ate a saída e depois voltar rapidamente como estivesse se esquecido de algo.

- Eu preciso que você vá ate a creche e pegue a Maggie...esse é o endereço....

- Quem?

- A filha da Lisa, mas não conte para ninguém ouviu? – falou em tom de alerta e serio.

Wilson olhou assustado, lembrando da conversa que havia tido pela manha com House.

- Só não me diga que ela é a filha de House também! – comentou rindo nervosamente.

- É claro que ele te contou! – disse saindo dali, enquanto Wilson olhava embasbacado para o nada, com a boca aberta..Viu o carro dele parar na entrada do hospital e foi andando ate lá fora.

- Leve-a para a casa da Lisa, a baba deve chegar logo logo. – falou acelerando e deixando uma marca de pneu no asfalto.

XXX

- Não House...

- E como eu volto para casa?

Cuddy colocou sua mão sobre a perna dele e disse com desdém.

-Quem não daria carona a você? E se você abrir um sorriso garanto que consegue mais rápido.

-Você é uma mulher malvada Lisa Cuddy – falou olhando-a de lado e fingindo ter medo.

-Eu aprendi com o mestre, não se esqueça...

House saiu com alguma dificuldade do carro e bateu levemente a porta. Andou em direção aos carrinhos e tentou tirar um deles, que estava grudado em outro da frente. Ele sabia que ela ainda estava o observando e fazia aquilo de propósito.

- Você podia fazer um último favor né?? – falou dizendo alto, para todos que estivessem ali fora ouvissem. – Quem não me ajudaria...isso não é coisa que se faça!! – Um senhor idoso se aproximou dele e o ajudou a tirar o carrinho.

- Você devia ter vergonha! – falou o senhor para Lisa

House ainda mancou mais ainda ate a porta de entrada, enquanto o senhor olhava para ela, esperando que fosse ajudá-lo. Cuddy olhou para os lados, jurando que ia matá-lo quando terminassem de fazer as compras. Estacionou numa vaga e desceu sob o olhar acusador do senhor e da cara de deboche de House. Ao se levantar de vez e sentiu a vista escurecer. Era a terceira vez que aquilo acontecia naquele dia; segurou-se na lateral da porta e esperou aquilo a observava, se preparando para ir ate ela, caso alguma coisa acontecesse.

- Você esta bem?

- O que é que você acha? – falou aborrecida, passando por ele e entrando no supermercado

Andaram separados pelas secções, Cuddy empurrando o carrinho dele e House jogando um monte de besteiras. Uma vez ou outra eles se encontravam com o senhor que ainda a olhava de modo irritado, desaprovando o que ela tinha feito com ele anteriormente. Enquanto House escolhia qual marca de cerveja ia pegar, Cuddy decidiu pegar uma caixa de bombons para a filha e um saquinho de batatinha para ela ir comendo.

Meia hora depois eles estavam na fila dos caixas esperando. Cuddy observou em volta, vendo se o senhor não estava por perto, para proteger o "inocente" House que de inocente não tinha nada.O saquinho de batata já tinha acabado e pela terceira vez ela abria uma barrinha de chocolate.

- Você vai passar mal...- avisou ele com certa sabedoria

- Porque você não vai para aquela fila? – respondeu, nem ligando para o que ele falava

- Ali diz..: idosos, deficientes e gestante...e eu não sou nenhum deles..

- Agora você não é...- falou sarcástica - ok então..a gente fica esperando aqui..

20 minutos depois Cuddy ainda o olhava; ele fingia que não sentia nada, mas a dor estava estampada em seu rosto. Ate ela que em um primeiro momento deixaria ele esperando também, já se sentia cansada, se as pernas dela já doíam imagine as dele, pensava

- Você é muito teimoso! Vamos para lá agora..

-Não! Só se você se disfarçar de idosa!

- Você é um estúpido! Está vazio e a gente vai para la agora!- Falou decidida, empurrando o carrinho e indo ate lá sobre a saraivada de protestos dele, nem se importando se ele a seguia ou não.

House a via passando as compras, aborrecido.

- E isso aqui não vai? – perguntou o caixa se referindo à caixa de bombons e o às embalagens vazias.

- Não..é separado....

- É junto – cortou House, pegando as coisas das mãos dela e entregando ao moço.

Enquanto andavam, calados, pelo estacionamento, Cuddy começou a remexer na bolsa como se procurasse algo.

- Tome – disse entregando uma nota de dez dólares – pelos bombons e pelas outras coisas – falou, vendo a cara de interrogação dele.

-Não precisa, dê a ela por mim e o resto...pode deixar – disse se desviando dos olhos dela.

- Obrigada...então- falou meio tímida.

O caminho até a casa dele foi em silêncio. Enquanto esperavam o sinal abrir, House observou Cuddy colocar a mão na base do estomago, como segurasse algo.A viu indo levemente para frente; de repente viu Cuddy abrir a porta ligeiro e correr ate o canteiro. Deu um muxoxo e ficou esperando ela voltar, olhou duas vezes para o relógio e decidiu sair de encontro ao vento frio da noite.

- Eu sabia que isso ia acontecer...batata mais chocolate não combinam com você...

- Cala a boca House! – disse ainda segurando o estomago e com o rosto para baixo.

House olhava com certa pena, a culpa era dela por não ter o ouvido, mas ainda assim não merecia as mãos nas costas dela, para mostrar que estava ali ou simplesmente só para tocá-la de alguns minutos abaixada, Cuddy se levanta, ainda um pouco tonta, mas agora bem mais aliviada.

Retornaram ao carro e finalmente chegaram a casa dele; já passava das dez.

- Quer que eu te ajude? – perguntou Cuddy retribuindo a "ajuda" dele.

- Não. Eu sei me virar sozinho – dizia enquanto mancava ate a entrada do conjunto de apartamentos. Parou no meio do caminho e virou-se na direção dela, que ainda o observava distraída.

House andou mais um pouco e uma lata de cerveja rolou pelo chão, ele tentou pegá-la mas a combinação perna machucada e frio não estavam o deixando fazer. Apressadamente, Cuddy fechou o carro e andou ate ele, disposta a ajudá-lo.

- Não precisa!! – falou aborrecido

- É..eu to vendo que sim – disse se agachando e pegando a lata; puxou uma das sacolsa da mãos dele, juntamente com as chaves e andou ate a porta.

- Eii...

-Deixa de ser orgulhoso! – falou já abrindo a porta e esperando ele entrar.

Cuddy o viu subir com pressa ate a sua porta, puxar as chaves da mãos dela, abrir a porta e tomar as compras de suas mãos, numa velocidade digna de recordista. Ainda o olhando espantada ela o viu dando um tchau não muito sonoro e fechar a porta na sua cara.

- De nada!!! – gritou do lado de fora.

- Obrigada...-disse House abrindo a porta. Já ia fechá-la quando viu os lábios de Cuddy se movimentarem, prontos para falar alguma coisa.

- E sua perna?

- Você ate poucos instantes queria se ver livre de mim...agora esta preocupada... – disse a olhando para ela, vendo que a fisionomia dela se fechava, House tentou ser mais agradável. – Está bem...agora pode voltar para a sua filha..tenho certeza que ela precisa mas de você do que minha perna – disse tentando ser engraçado.

Cuddy ouviu aquela palavrinha, uma única palavra que para muitos parecia não ter significado, mas para ela...SUA... Porque ele tinha dito aquilo? Porque não foi grosso como sempre, fechando a porta na cara dela?Porque sempre quando as coisas pareciam que iam acabar bem, mesmo com a constante indelicadeza dele, ele fazia aquilo? No mesmo instante Cuddy deu a volta e saiu dali, xingando todos os deuses de ter o colocado na sua vida.

- Droga! – disse House se arrependendo do que tinha dito. Aquilo saiu sem querer, era só um jeito diferente de mandá-la embora. Desceu as escadas o mais rápido que suas pernas podiam, tentando alcançá-la. Se não se desculpasse logo, não haveria outra chance de fazê-lo, mas foi tarde demais; viu o carro dela cruzar a sua rua e por pouco não atropelar um cara que passava por ali.

Cuddy dirigia o carro com pressa. Não acreditava como havia sido estúpida o suficiente para oferecer carona para ele, acompanhá-lo a contra-gosto a te o supermercado, empurrar o carrinho dele.

-Ahh.. – ela batia com raiva no volante do carro, disposta a passar por cima de qualquer coisa a sua frente. Sentiu o banco vibrar e tirou o celular do bolso. # HOUSE#.

- Idiota! Você não acha que eu vou te atender ne? – falava olhando para a tela do de volta no banco e tentou prestar atenção na estrada.- Ahh..eu devia ter deixado ele congelando lá no frio!! – falou alto, seus pensamentos mais uma vez voltando nele.

Ela sacudiu a cabeça tentando esquecê-lo, não valia apena se esquentar pensando nessas coisas, segurou o volante com força se sentindo mal mais uma vez, aquele saco de batata e o chocolate não podiam juntos fazer aquele estrago, ela já tinha feito aquela mistura antes. Ainda irritada com ele Cuddy tentava prestar atenção na estrada traiçoeira, sentindo o gelo fino sob as rodas. Havia um cruzamento na rodovia, mas Cuddy estava com tanta vontade de chegar em casa que nem prestou atenção ao sinal vermelho; só percebeu no instante seguinte quando um par de faróis altos surgiu em sua direção.

XXX

Uma neblina baixa pairava sob a estrada coberta de neve de Nova Jersey. A rua estava cheia de veículos, com suas luzes vermelhas e amarelas faiscantes. Um carro dos bombeiros e um reboque estavam perto do carro tipo Sportage emborcado, assim como uma ambulância,os carros de policia, dos paramédicos e dos policias que tentavam afastar alguns se aproximou apressadamente com o xerife, a perna doía terrivelmente e ele tremia tanto que mal conseguia respirar direito.

- Ela ficou presa nas ferragens...não estamos conseguindo.. – o xerife parou de falar abruptamente ao ver o rosto de House. – Eu sinto muito – terminou por falar,segurando o braço dele.

House se desviou e foi em direção ao carro dela. À medida que se aproximava, seus pés pareciam querer grudar no chão. Lentamente House se ajoelhou no chão, pondo a cabeça entre a janela; olhou para dentro do carro e a viu. Cuddy estava inclinada, meio de lado; as ferragens tinham-na acertado em cheio e ao mesmo tempo em que a feria, continha a sua hemorragia. House observou a respiração ofegante dela e viu aquele belo par de olhos azuis se deterem nele.

- Oi...- tentou falar com um pouco de dificuldade.

-Não fale Lisa...- House fechou os olhos tentando imaginar como aquilo tinha acontecido, tudo agora parecia estar em câmera lenta

– Greg..pede para eles pararem..por favor – disse se referindo aos bombeiros que a todo custo tentavam salvá-la.

- Não!! Você vai sair daí...

- Greg...por favor

House observou ela olhar para baixo como se pedisse para ele acompanhá-la com os olhos. A quantidade de sangue que ali havia era o suficiente para perceber que podia ser tarde demais. Qualquer médico experiente podia perceber que os cortes haviam sido profundos e atingindo as principais veias e artérias do frágil corpo dela.

- Eu não posso te perder Lisa...Por favor não me deixe.. – dizia com lágrimas nos perceber como ela piscava mais pesadamente, fazendo um maior esforço para se manter acordada.

A visão estava ficando embaçada; ela agora tinha dificuldade para vê-lo. Ela podia ver as lágrimas descendo pelo rosto dele, a sua respiração rápida e assustada. Não queria deixá-lo; não queria deixar os dois grandes amores de sua vida, mas sentia que isto estava escapando de suas mãos.

- Cuide dela...por favor...- suplicou com o pouco de ar que ainda tinha nos pulmões.

- Não! – gritou House zangado – Você não vai morrer! Não vai! Eu não vou deixar você ir! – disse desesperado, começando a se levantar dali e tentar arrancar aquela porta.

A rua tinha ficado em silêncio. Bombeiros, policiais, paramédicos e os curiosos pararam para ver a cena mais triste que se desenrolava sob seus olhos. O desespero de House fazia todos perceberem como a vida era curta e preciosa. Muitos choravam fazendo uma prece silenciosa para que aquilo acabasse bem.

- Mesmo que você não puder me ver... – disse ela aos poucos vendo que ele se deitava desconsolado no chão - ...nem ouvir a minha voz...eu sempre estarei ao seu lado...sempre... – disse com a voz entrecortada.

House agora chorava, chorava porque sabia que ela estava morrendo, porque ela o deixaria, o único amor que ele finalmente encontrara estava partindo; a mulher que tinha mudado a vida dele, o amor mais precioso que ele sabia que nunca mais encontraria.

- Greg...você me promete? Me promete que vai cuidar dela? Me prometa...por favor...

- Eu...eu vou cuidar da nossa Maggie – falou com dificuldade,olhando para aquele rosto quase sem vida.

Cuddy sorriu. O sorriso mais lindo que ela já havia visto se formar no rosto dela. Olhou para ela e se aproximou lentamente, nem se importando com os pedaços de vidro que entravam em sua pele, só para chegar mais perto seus lábios na testa dela.

- Me perdoe por tudo o que eu fiz – desceu os lábios ate a pontinha do nariz dela – Você realmente foi a única mulher que eu amei em toda a minha vida.

House reparava que ela chorava também.

- Eu te amo Lisa Cuddy, você é e sempre será o grande amor da minha vida.

- Eu também de amo Gregory House.

House desceu mais um pouco e sentiu os lábios dela embaixo dos seus, se movendo para um último e mais apaixonado beijo. Lentamente, ele observou-a fechar lentamente os olhos, estava cansada.

- Obrigada... – a ouviu murmurar e o brilho de seus olhos se apagarem,desta vez para sempre.

XXX

- Oi pequenina...voce acordou...

Foreman olhava para 13, que tentava manter uma conversa com a pequena menina que havia chegada naquela manha no hospital, e que desde que chegou 13 não tinha se afastado dela. Ele andou lentamente até as duas, observando as pupilas da garotinha.

- Eiii tira esse troço do meu olho!! - reclamava,olhando zangada para Foreman.

- Calma mocinha...daqui a pouco ele termina - falava 13 tentando ser suave com a menina

-Pra que ele quer olhar o meu olho hum? Você não quer arrancar pra vender não né? - disse se desviando das mãos dele e da luz.

- Pronto!Já acabei! - falou Foreman, soltando um suspiro de alivio

- Doeu? - perguntou observando a menina virar as costas para eles, contrariada. Foreman observou a namorada olhar com carinho para a menina, imaginava qual eram os pensamentos dela e andou lentamente ficando atrás dela abraçando-a.

- Sabe quem ela me lembra?

- Humm...- disse Foreman beijando o pescoço dela e vendo se a menina não virava.

- Com a...

Ouviram uma movimentação no corredor, Wilson corria assustado. Viram uma maca passar e alguém conhecido nela.

- ..Cuddy...- disse 13 assustada e se dirigindo à entrada do quarto.

XXX

House acordou assustado. Seu coração parecia ter vida própria, querendo sair de seu peito a cada suspiro de alivio que ele dava. Podia senti-lo bater descompassadamente, sentindo sua respiração ofegante. Pegou o copo de uísque que tinha largado e tomou junto com o Vicodim, como de costume. Lembrou-se daquele terrível sonho que havia tido, sonho não – pensou ele – um verdadeiro pesadelo – Lembrou-se de como ela havia saído da casa dele, não devia ter dito aquilo, mas saiu sem querer, sentiu que precisava falar com ela, nem que fosse só para ouvir a sua voz, só para saber se ela estava sensação estranha tomou conta de seu corpo de repente e ele decidiu que deveria sim ligar para -se preguiçosamente e começou a procurar o celular; de repente ouvir uma vibração o travesseiro e tirou o celular de lá

# WILSON#, mostrava a tela num tom de azul faiscante. Começou a sentir as pernas tremerem, olhou para a janela e as viu fechada, não era o frio... Era um medo, um pavor que de repente surgiu e começou a tomar conta de seu corpo. Lembrou-se do seu pesadelo; House olhou mais uma vez para tela de seu celular receoso

- Alô...- falou com a voz temerosa

- Aconteceu um acidente, venha para cá o mais rápido que você puder foi com a Cuddy...House – falou Wilson depois de ouvir um estalo na linha -...você esta me ouvindo?

TBC =D