NOTA: Gente, eu fiquei extremamente feliz com o número de reviews que esta fic recebeu, muitíssimo obrigada a todos! Devo avisar que o capítulo é longo, deu nove páginas do word... Falo com vocês lá em baixo, boa leitura!
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Correndo Atrás
Por Graziela Leon
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Whoa, eu sei que estou devendo algumas explicações a vocês, como o porquê de minha prima ter um quarto na casa dos meus pais, ou que história é essa do Sesshoumaru ser ex-namorado dela. Bem,não é muito difícil de deduzir...
Rin não é órfã, como possam pensar, simplesmente seus pais não se importam muito com ela. Teria sido mandada para um internato aos catorze anos, mas meus pais intervieram, trazendo-a para morar conosco. Desde então, nos tornamos inseparáveis.
Os pais dela mandavam muitos presentes, lhe davam uma mesada e pagavam a escola e demais despesas, mas quase nunca vinham visitá-la. Sinceramente, acho que eles nunca fizeram falta, nós éramos a sua família... Não disse que ela não tinha sorte no amor?
Minha família sempre foi muito ligada à do meu namorado, e eu e Rin tínhamos muito contato com os filhos dos Taishou: Sesshoumaru, Inu Yasha e Kanna. Os meninos eram da nossa mesma faixa etária, o que justifica termos nos identificado tanto. Em poucos meses, éramos um grupo.
Conforme foi entrando na puberdade, Kanna passou a andar conosco, mas, a essa altura, o fator hormonal adolescente e nossa grande e constante proximidade já haviam transformado os quatro amigos em dois casais de namorados.
Rin e Sesshoumaru se envolveram primeiro; eu e Inu Yasha meio que fomos... ahn... "influenciados" pelo clima de romance – embora hoje eu possa admitir que sempre tive uma quedinha por ele.
A "paixonite adolescente", entre meu namorado e eu, foi se intensificando com os anos, se tornando uma relação sólida, mas entre Sesshoumaru e Rin... Bem, digamos que nunca foi "coisa de adolescentes" entre eles. Quando os dois estavam juntos – e era raro que não estivessem – eu ficava um pouco assustada com o comportamento deles. A maneira como se observavam, como tocavam um ao outro, como olhavam nos olhos e, principalmente, como se falavam, em sussurros calmos e graves – como se conhecessem o maior segredo do universo, sem querer revelá-lo a nós, pobres mortais - , agindo como com uma devoção incondicional, quase religiosa, eram motivos que me faziam crer que entre eles não havia nenhum romance teen superficial. Era algo mais grave, denso e sério.
Minha mente juvenil chegava a fantasiar a respeito deles: Rin sendo uma donzela de longas e farfalhantes saias, seqüestrada por corsários sujos e malvados. Sesshoumaru, o herói intrépido e destemido, em sua ampla camisa de algodão, vindo para resgatá-la. Então eles se beijavam e eram felizes para sempre...
O "Pra Sempre", na vida real, foi muito breve. Sempre estranhei o fato de algo tão sólido – e para mim a coisa mais inabalável do mundo – como o relacionamento dos dois, fosse esvaecer, desfazer-se como um nevoeiro, por motivos tão estupidamente comuns.
Não, queridos... Não pensem que eu vou colocar a carroça na frente dos bois. Que diabo de contadora de histórias eu seria se o fizesse?Não é relevante ainda contar-lhes quais são esses motivos. Continuarei com "história de fato"; os acontecimentos de nossa tumultuada semana decisiva, e será inevitável que os fatos se revelem por si mesmos, cada um a seu tempo.
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Domingo
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"Sunday morning, rain is falling..."
Detesto discordar do Adam Levine, mas, a despeito da música suave que invadia a minha janela, aquela era uma ensolarada manhã de domingo.
Eu olhei para o meu criado mudo, de onde um rádio-relógio pink, em formato de coelhinho, me informou serem 9 da manhã. Afastei o edredom, me certificando que o meu pijama estava lá, como eu lembrava. Dormir nua na casa dos meus pais – não sei porque – me parecia algo abominável, ainda mais naquele quarto tão infantil. Caminhei até a janela esfregando os meus olhos e afastei as cortinas de estampas florais, tipicamente adolescentes, deixando que a luz e a brisa daquela "Sunday morning" me encontrassem.
Ao olhar pra baixo, localizei a fonte da música que me acordou. Um cara moreno e alto – bem bonito, pelo que pude ver – vestindo apenas uma bermuda cáqui e acompanhado de um Golden Retriever, lavava o carro no gramado vizinho, com o "Songs about Jane" estourando nas caixas de som do porta-malas.
Minha mãe falou qualquer coisa sobre um homem – ou melhor, um rapaz, solteiro ter comprado a casa que era dos Jones. Era um saxofonista, se não me engano, o que explicaria gostar de Maroon 5. Mamãe disse que seus finais de tarde eram quase sempre embalados pelo som do saxofone, mas, naquele dia,eu estava distraída demais com a massagem/cosquinha que o Inu me fazia nos pés, pra prestar atenção nas fofocas telefônicas da minha mãe.
Whoa, se eu não estivesse totalmente apaixonada pelo meu piolhinho teimoso, com certeza arriscaria um flerte com o vizinho-bonito-saxofonista. Que, aliás, ficava ainda mais bonito sorrindo, tímido, enquanto acenava pra mim lá de baixo. Eu acenei de volta, e saí da janela em seguida, antes que a cordialidade parecesse uma paquera.
Em todo o caso, seria bom saber o nome e o telefone dele. Se, no final dessa semana, nossos esforços não dessem resultados, ele seria um excelente consolo para minha prima. Só tinha que criar coragem o bastante para ir falar com ele, e poder apresentá-los, então, depois.
...
Tenho total certeza que a Rin, vestindo exatamente a mesma bermuda jeans e camiseta que eu vestia agora, conseguiria ser infinitamente mais feminina. Eu parecia um pivete! Mesmo a bermuda sendo bem justa e a camiseta mostrando até quase o meu umbigo, eu ainda me sentia um pivete.
Eu desci as escadas saltitante, e ouvi a voz de Rin cantarolando na cozinha, intercalada com o som do liquidificador. É claro que ela estava acordada há muito tempo e, provavelmente, já devia estar terminando o nosso café da manhã. O metodismo pra algumas coisas foi uma das características que Rin absorveu de Sesshoumaru, e a rotina matinal que ela mantinha era de um metodismo extremo.
Rin pulava da cama pontualmente às 5:45, sem precisar de despertador. Tomava um banho rápido, uma xícara de chá, ou um copo de água e então verificava seus e-mails e as edições das revistas concorrentes. Depois ela preparava o nosso café e, às 7 ela me acordava, me dando uns dez minutos pra enrolar na cama. Tomávamos o café juntas e, antes das oito horas, já estávamos a caminho de nossos trabalhos. Nos fins de semana, ela me deixava dormir até mais tarde, mas mantinha pra si, religiosamente, a mesma rotina dos outros dias.
Essa era UMA das características herdadas do meu cunhado, certo? Depois dele ela também ficou... ahn... Sarcástica, e prática. Mais dura até, eu diria. E quando eles estavam juntos, então... Era praticamente uma outra pessoa! Séria, calada e hipnotizada. Mas eu nunca mais a vi nesse estado desde que eles terminaram.
Quando entrei na imensa cozinha dos meus pais, Rin desencostou-se da bancada de mármore e caminhou até a mesa, com o copo do liquidificador em mãos, cheio de um líquido espesso e espumoso. Ela apenas sorriu ao me ver e virou-se para pegar os copos no armário, totalmente habituada à organização daquela casa. Então eu olhei ao redor e vi as sacolas do supermercado, só então eu me dei conta de que ela não vestia pijamas, mas sim uma calça skinny e uma blusa preta lisa.
- Então não tinha comida na casa?
Ela me olhou confusa, mas logo compreendeu.
- Oh, não...É que foi preciso comprar alguns perecíveis, sabe? Frutas, leite, ovos... – Eu sentei à mesa e ela nos serviu a vitamina – Uhn... O Inu ligou...
Eu tomei um gole grande e a olhei, curiosa. Era estranho como, mesmo depois de tantos anos, o nome dele ainda acelerava a minha pulsação. Creio que eu fiquei cor-de-rosa, porque Rin me olhou sorrindo, como quem sorri pra uma criança tímida.
- Eu menti que você estava no banho, e ele disse que passa aqui às onze pra nos pegar – ela mordeu uma maçã, e me olhou daquele jeito traquinas – Nós vamos almoçar com a noiva hoje...
- E você já descobriu o nome dela, certo?
- Uhum... Sarah...
Rin fez uma careta para o nome e gargalhou. Uma única frase passou pela minha cabeça e ficou me atormentando: "Pobre Sarah...".
...
Pobre Sarah... Ela era bonita, bem bonita, mas nem de longe poderia se destacar, se Rin estivesse por perto. E isso nem era uma questão de atributos; creio que alguém que observasse de fora, sem as conhecer – vendo em uma foto, por exemplo – poderia considerar as duas igualmente atraentes. Só que minha prima tinha aquela coisa.
Rin era especial, contagiante. Ao mínimo gesto, palavra ou sorriso, ela transbordava personalidade. Havia um brilho de inteligência nos seus olhos, uma graça nos seus movimentos e tanta jovialidade no seu modo de agir que ela poderia ofuscar qualquer uma. Os literatos têm uma palavrinha que define isso: "brio". Rin possuía muito brio, e uma capacidade sobre-humana de atrair a atenção.
Tanto que, agora, ela parecia ser a estrela principal daquele almoço. Izayoi e Kanna foram atraídas como ímãs para perto dela. Assim como meu sogro, Inu Taisho – é... Meu namorado é "júnior", mas ele odeia ser chamado assim - e naturalmente, o próprio Inu Yasha, que não perderia a chance de contar à família os detalhes mais constrangedores da vida de Rin, na presença dela. Então sobrou pra mim a infame tarefa de conversar – na verdade, monologar, já que ela era quase uma autista – com a noiva do meu cunhado. Já que, na pior das hipóteses, dentro de cinco dias e meio, seríamos quase parentes.
Ugh! Essa imagem embrulhou o meu estômago. De repente, eu visualizei o futuro dessa possibilidade: eu, casada com o meu piolhinho,recebendo Sesshoumaru e Sarah para jantar em um sábado, tendo que entretê-la com estúpidas conversas "mulherzinha". Repetir, pelos próximos cinqüenta anos, as mesmas frases que eu dizia agora, todas iniciando por um "Então, Sarah..." e culminando em pontos de interrogação, receber dela as mesmas respostas monossilábicas, acompanhadas por um sorriso de outdoor... Será que as casas na Sibéria eram muito caras? Morar lá, de repente, me pareceu tentador.
Ela era entediante, pelo menos para mim, tão acostumada à personalidade energética de Rin. Três suspeitas rondavam o meu pensamento, sobre ela:
1) Sarah era a criatura mais maçante da face da Terra;
2) Ela não tinha ido com a minha cara e estava tentando cortar a conversa ou;
3) Eu estava diante de uma criatura absurdamente tímida.
A julgar pelas suas mãos pousadas juntas e inquietas em seu colo e à maneira como fitava os próprios joelhos, eu me resolvi pelo terceira hipótese: timidez. E essa informação poderia ser bastante útil.
...
Quando Rin e eu finalmente conseguimos alguns segundos sozinhas – No banheiro, obviamente – trocamos rápidas informações sobre o comportamento "inimigo". Por mais centrada que Rin estivesse na conversa com a minha futura família, ela havia captado diversos detalhes do meu monólogo com Sarah. Entre outras coisas...
- Kanna será nossa aliada!
Eu parei de jogar água fria no meu rosto e a olhei pelo espelho.
- Como?
-Kanna... – Rin estava encostada na grande pia de mármore, com um sorriso triunfante – Ela sempre me adorou e, pelo número de vezes que revirou os olhos lá embaixo... Posso afirmar que ela não gosta nem um pouquinho da nova cunhada.
Eu enxuguei a pele com uma toalha absurdamente macia e franzia a minha testa, tentando organizar os pensamentos.
- Acha mesmo que ela estragaria o casamento do próprio irmão?
Rin fez uma careta e sacudiu a cabeça.
- Não estou falando em fazer algum tipo de proposta, Kah... – Ela riu, vendo a minha cara de confusa – Nós não vamos inteirá-la sobre nada, priminha... Mas eu tenho certeza que, com o incentivo certo, Kennie vai acabar fazendo e falando coisas que convenham aos nossos propósitos... Você sabe, tão bem quanto eu, o quanto o... Sesshoumaru protege e idolatra a irmã...
É, eu sabia. Os três eram muito ligados, e os rapazes protegiam Kanna como se ela fosse uma bonequinha de porcelana, quebrável. Em troca, ela os venerava.
- Por falar nele, Rin, eu estranhei o fato de Sesshoumaru não estar presente... Ele vai... Quero dizer, ele pretende se casar em alguns dias, mas parece que não dá a mínima para os preparativos e todas as convenções sociais que antecedem a cerimônia...
- Pois eu não fiquei nada surpresa – Ela voltou a rir, com aquele ar de "eu sei,você não sabe. Lero-lero" – Eu conheço o Sesshoumaru, e essa coisa de largar a ameba aqui e voltar pra Washington é bem típico dele – "ameba", Huhn! Eu gostaria de ter pensado nisso antes... Comparação ideal! – Com certeza ele vai tudo na mais perfeita ordem por lá, pra poder casar e sair em lua-de-mel tranqüilamente.
Eu não sou louca de discordar de Rin, muito menos quando se trata de Sesshoumaru; ela conhecia cada detalhe sobre ele. Phd no assunto.
Eu apenas dei de ombros, e saímos do banheiro. Afinal, conforme o que a própria Kanna – Kennie, para os íntimos – tinha dito à minha prima, o primogênito dos Taishou estaria de volta na terça, pela manhã, o que nos daria tempo suficiente de armar uns três circos para esperá-lo. E considerando a "ameba" que era nossa vítima, não teríamos grandes desafios pela frente.
...
O almoço foi chato. Bem, pelo menos pra mim, que fui novamente empurrada pra Sarah e tive de aumentar o meu repertório de monólogos – os outros pareceram se divertir bastante. Minha vontade foi beijar Rin na boca quando, finalmente compadecendo-se de mim, ela pronunciou as mágicas palavras "Já é hora de irmos...".
A expressão facial de Kanna se contorceu de decepção, primeiramente porque estávamos indo embora – ela realmente amava Rin, e a mim também - , e em segundo por perceber que agora teria de assumir o meu lugar, sendo simpática e receptiva com a sua (não-se-depender-de-mim) futura-cunhada. Kennie é um docinho e eu a amo, mas antes ela do que eu!
Depois das despedidas convencionais, nós nos aproveitamos do fato de que Inu Yasha queria ficar com sua família e embarcamos em uma "tarde das garotas".
Rin guiou o carro da minha mãe – um utilitário azul, quatro portas e com um porta-malas exagerado – até a nossa loja de doces favorita – possivelmente a única – em Gracetown, e nós compramos um suprimento enorme de donnuts, alcaçuz e chocolates, além de dois potes grandes de Häagen-Daz. Jogamos as compras no banco de trás e Rin tomou novamente o volante, tendo total consciência da minha aversão a dirigir. Eu reconheci o caminho. Não estávamos indo pra casa, mas para o mirante.
Oh, eu não sou muito bairrista; Gracetown sempre foi um lugarzinho muito do medíocre, patético, até. Sem grandes atrativos, sem belezas naturais... Apenas mais uma cidadezinha provinciana e pacata. Mas, quando você pega a rodovia, à esquerda da avenida principal, e anda dois quilômetros am direção ao sul... Lá está ele, o nosso mirante.
Nós passamos tantos finais de tarde aqui, quando éramos adolescentes! Depois das aulas, pulávamos no banco traseiro do carro dos garotos e íamos até os limites da cidade, só pra ficar naquele mirante, observando o sol se pôr no horizonte de Gracetown, e fazendo planos pro futuro.
Foi no mirante que Inu Yasha me beijou pela primeira vez e foi lá que, uma semana depois, ele me pediu em namoro. Foi onde Kennie contou a mim e a Rin sobre sua primeira menstruação, quando ela tinha doze anos. Foi onde prometemos, os cinco, ser inseparáveis eternamente. E onde nos despedimos de Sesshoumaru quando ele foi pra faculdade e nós ficamos, cursando o último ano do ginásio. E agora eu vejo que esse dia foi o "início do fim" do relacionamento deles.
Rin inclinou-se por entre os bancos, apanhando o pacote de doces, na parte de trás, e me deu um sorriso que dizia "vamos lá?". Eu me animei instantaneamente, impossível resistir à Rin Taylor.
Nós nos debruçamos na amurada e ficamos observando a paisagem, em silêncio, por alguns minutos. Eu sabia que Rin estava remoendo as mesmas lembranças que tinham me atingido, mas nenhuma de nós tocaria no assunto, não ali, não naquele momento. Os olhos dela brilhavam de um jeito como há muito tempo eu não via, quase era possível sentir a presença de Sesshoumaru, tamanha a intensidade das emoções que aquele lugar despertava.
Talvez tenha sido por medo de que eu lhe percebesse as fraquezas que Rin, de um salto, virou-se e foi se sentar no capô do carro, sorrindo pra mim, como um convite. Eu me sentei ao seu lado e nós abrimos os pacotes, atacando primeiro os donnuts, recheados de ganache de chocolate, meus favoritos.
- Então... – Rin lutava com o creme em seus dedos e queixo – O que descobriu sobre a ameba?
- Hum... – Eu passei o mindinho na ponta do meu nariz, limpando um pouco de cobertura – É inglesa... Natural de Devonshire, morou em Atlanta desde os doze anos. Também estudou em Princeton, arquiteta, mas só conheceu o Sesshoumaru há dois anos, em Washington. O pai dela era embaixador da Inglaterra, na época. Hoje em dia, sua família mora em Londres, pai, mãe e irmão mais novo.
- Yeah... Biografias são sempre úteis, mas eu adoraria algo mais subjetivo – Eu não compreendi direito, e Rin não hesitou em explicar – Seria interessante saber como ela é, entende? Do que gosta, o que detesta, o que a irrita, seus planos... Enfim, saber como ela pensa.
- Se é que ela pensa! – Dei uma mordida grande, e senti o chocolate derretendo e se aderindo à minha língua. Rin pareceu surpresa pelo meu comentário – Hum... Ela me pareceu meio... mecânica, sabe? É tímida, eu suponho, e terrivelmente chata. Quase como se não tivesse opinião própria.
Rin não pareceu mais tão surpresa. Talvez apenas um pouco magoada.
- Acho que o Sesshoumaru se cansou de mulheres geniosas – Eu senti a decepção contida no comentário – A amebinha com certeza nunca irá questioná-lo...
Foram alguns segundos de um silêncio pesado entre nós. Muito constrangedor. Eu devia ter dito alguma coisa, eu queria dizer... Mas, sinceramente, eu concordava com a Rin; talvez ele não estivesse mais interessado em mulheres com muita personalidade, mesmo. Talvez ele não quisesse mais alguém que o contrariaria, como Rin fez, alguém com planos e vida próprios.
- Qual vai ser a nossa estratégia? – Eu perguntei sem olhá-la.
Ela riu, e eu a observei de canto de olho.
- Creio que ela ainda não saiba sobre mim e ele... Então será melhor nós bancarmos as legais...
- Ei! Nós somos legais! – Eu fingi estar ofendida.
- Ok, ok – Ela ergueu as mãos em rendição – Precisamos conquistar a confiança dela... Sesshoumaru é esperto, vai perceber se nós formos diretas nas nossas atitudes. Tem que ser de dentro pra fora...
- Rin, eu não compartilho os seus pensamentos, lembra? Dá pra ser mais específica, por favor?
- Simples, meu amor... Vamos fazer com que eles percebam que não têm nada a ver um com o outro... Fazer com que mostrem, um ao outro, quem eles são na verdade. E torcer pra isso dar certo.
...
A lua crescente imperava alta no céu quando nós dobramos a esquina da casa dos meus pais. A noite era calma e fresca, e com a ajuda das dezenas de postes de iluminação espalhados pela rua, estava claro o suficiente pra que eu pudesse ver o vizinho lindo, mesmo a distância.
Rin sorria enquanto estava estacionando o carro no quintal dos meus pais, e eu desconhecia o motivo do seu sorriso. Quando nós desembarcamos, ela contornou o carro ao invés de ir até porta da sala, e foi em direção à casa ao lado. Eu hesitei um pouquinho, mas a segui; curiosidade mórbida
Ele estava do mesmo jeito que eu tinha visto. Jogado em uma cadeira de jardim, daquelas em que você pode praticamente se deitar, com o Golden Retriever fielmente a seus pés e uma garrafa longneck de Heinecken na mão.
Rin sorria abertamente e se aproximava com tanta confiança que me deixou pasma.
- Bankotsu? – ela chamou, com voz calma.
O rapaz pareceu emergir do mundo da fantasia, ao ouvir seu nome. Ele sorriu quando viu o rosto de Rin, e ficou em pé de imediato, pondo a mão sobre a cabeça do cachorro, que também havia levantado.
- Senhoras... – A voz dele causaria arrepios até mesmo numa freira, era grave, baixa e possuía um evidente sotaque do sul. Louisiana, provavelmente.
Rin parou, a cerca de um metro de distância dele e virou-se para me olhar. Eu estava em seus calcanhares.
- Kagome, este é o Bankotsu – Virou para ele, me indicando – Bankotsu, essa é minha prima, Kagome, de quem eu te falei.
Eu sorri encabulada e estendi a minha mão para ele. Ao invés de apertar, ele a tomou em uma reverência, levando-a próxima ao rosto sem, no entanto, beijá-la. Um perfeito cavalheiro.
- É um prazer, senhorita – Eu torcia pra que a noite pudesse esconder meu rubor –Seus pais são pessoas encantadoras.
Rin estava se segurando para não gargalhar, e eu sabia que, por dentro, ela estava se matando de rir às minhas custas. Que falta me fazia um olhar de raio-laser, nessas horas...
Ela tocou o ombro de Bankotsu, intimamente, e eu pensei o quanto seria maravilhoso que se interessassem um pelo outro. Por outro lado,eu sabia que o lugar dela era e sempre foi com o Sesshoumaru, que ainda não tinha acabado entre eles. Mas dava arrepios só de imaginar o mal que faria à Rin, se nossos planos doidos falhassem.
- Eu o encontrei hoje de manhã, no supermercado – Ela explicou, finalmente – Ficamos amigos!
Ô facilidade de fazer amigos que essa garota tem! Além do mais, qualquer homem bonito em um raio de três quilômetros acabaria sempre cruzando o caminho dela. Pena que desses, nem dez por cento conseguiam chamar sua atenção.
- Querem beber alguma coisa? – Ele aumentou a distância entre si e nós, indicando a casa com o corpo – Tem mais cerveja lá dentro.
Eu observei seus gestos largos e despreocupados. Lembrava bastante o jeito de Inu Yasha, e talvez eles até pudessem ser amigos, não fosse a mania do meu chatinho de implicar com todo o cara bonito que aparecia.
- Não, obrigada – Rin me trouxe de volta – Só passamos pra dar um oi, e porque eu queria que se conhecessem... Tivemos um longo e maçante dia – "maçante" definiria bem o meu dia, mas talvez não o dela – Bem calórico, aliás... Por hoje, um banho e a minha cama, é tudo o que eu posso desejar!
Nós nos despedimos. Quando eu disse "tchau", percebi que era a primeira vez que falei na frente dele. Estranho. Constrangedor. E muito estranho.
...
Fizemos exatamente como Rin disse: banho e cama. Depois de tanto sorvete e Donnuts, não tinha nem como jantar. O segundo dia estava terminado, e eu podia ver a areia se esvaindo na ampulheta. Faltavam cinco dias, e ainda não tínhamos feito nada.
CONTINUA...
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Então, o que acharam? Fiquei muito feliz porque a maioria atendeu ao meu pedido, e recebi reviews bem detalhistas, o que revela que o leitor prestou REALMENTE atenção à estória. Também me agradou que muitos falaram sobre a fic ser bem escrita; é pra isso que eu me esforço... Meus sinceros agradecimentos a:
Jhennie Lee (amoooo vc! Rin trakinas is the best)
Elantriel (espero que goste das "traquinagens" que virão por aí)
Pequena Rin (ela ainda vai correr bastante atrás dele, amiga)
Faniicat (amei seu review *.* obrigada pelos elogios!)
Beka Taishou (que bom q está gostando! é a 1ª vez que me arrisco em narrativa 1ª pessoa...)
Pammy (MUITO obrigada por estar aqui... Eu é q sou tua fã!)
NAMA (continuando flor... espero que TU continues lendo...)
Louise-sama ( aha... Kana vai ser importante na estória... Principalmente no próximo cap!)
Rukia-hime (agarrar o noivo? sabe que não é má idéia? hahahah... tudo pode acontecer aqui!)
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Por hoje é isso, amores... Obrigada por acompanharem, e não esqueçam os reviews!
Ah! preparem-se... o próximo capítulo é bem maior, e promete fortes emoções...
