Prometo que é o último capítulo de introdução ;)


Kate costumava dizer a si mesma que era forte. Como um mantra, repetia que podia superar qualquer coisa. Mas quando abriu os olhos naquele dia e se deparou com o corpo inerte de Edward Mars na poltrona ao lado, ela não encontrou força alguma dentro de si. Lutando para não chorar, virou o rosto quase que instantaneamente. Seus olhos ardiam quando, frustrada, bateu com o punho na poltrona da frente. Aquilo não era justo, e ela soluçou, incapaz de conter as lágrimas.

Atordoada, Kate levantou-se tropeçando no corredor do avião destroçado. Por um instante esqueceu-se do agente inconsciente e caminhou em direção à luz. Quando lembrou-se, deu meia volta o agarrou pelo tronco, arrastando-o lentamente para fora. As lágrimas desciam por seu rosto.

A luz do sol a cegou por um momento, quando saiu da sombra do vôo 815. Ela caiu sobre a areia, soltando seu fardo ao lado. Sentia-se exausta, cansada demais para lutar contra tudo aquilo. Durante anos ela se esforçara para conseguir uma vida normal, para si e para Aaron. E agora tudo se revelava inútil e distante - um sonho longe demais para que ela pudesse alcançar. Kate permaneceu imóvel, os olhos fechados, toda a força que pensara possuir se esvaindo rapidamente.

Foi a voz dele que a tirou do torpor. A voz de Sawyer.

- Filho da puta! - ela o ouviu gritar, e seu rosto se virou automaticamente na direção do som. Ela o assistiu derrubar Jack e então acertá-lo novamente. Algo dentro dela se agitou em aprovação: talvez Jack merecesse enfrentar a fúria de James. Talvez seu erro tivesse sido muito grande desta vez, ela considerou. Mas logo Hurley atirou-se entre os dois, separando-os, e agora todos se encaravam cansados e desesperançosos. Como ela mesma.

Kate abaixou os olhos por um momento. Então reuniu as forças que lhe restavam e levantou-se: tudo o que podia fazer era juntar-se a eles. Enquanto caminhava, ela assitiu James aproximar-se de alguém deitado na areia e então descobrir que, surpreendentemente, Juliet estava viva. Kate não pode evitar um sorriso leve.

Quando finalmente os alcançou, Jack foi o primeiro a notar sua presença. Ele piscou algumas vezes, tentando focalizar seu rosto familiar antes de sentar-se com dificuldade. Kate prendeu a respiração sem notar, seus próprios olhos ficando embaçados novamente. Ela desabou ao lado do médico, passando os braços ao redor de seu pescoço.

Kate não teria lhe exigido desculpas, não precisava daquelas paravras. Mas Jack as sussurrou ainda assim.

- Me desculpe, Kate. Eu... Eu achei que podia consertar as coisas.

- Eu sei.

Quando se separaram, ela o encarou por um momento.

- Por que isso está acontecendo conosco, Jack? - ela perguntou, seus olhos denunciando desânimo. Ele não respondeu.

Perdidos em seus próprios silêncios, Kate e Jack não notaram as figuras que se aproximavam. Duas caminhavam de mãos dadas, e havia uma aura estranha as acompanhando: uma felicidade que simplesmente não cabia em meio ao cenário de destruíção ao redor. Na verdade, o cenário era o que menos importava a Jin e Sun.

Atrás deles, ainda mais ao longe, Sayid andava lentamente, seu olhar deslizando pelos sobreviventes ajudando uns aos outros, pelas faces conhecidas. Ainda não sabia se sentia gratidão por estar vivo ou somente raiva pela insistência da ilha não deixá-los em paz. A única coisa que Sayid tinha certeza, era de que precisava de algumas explicações para tudo aquilo.