Desculpe a demora! :'P
- Nós precisamos de respostas.
A voz de Sayid soou cheia de convicção na noite abafada. Suas palavras não eram uma simples afirmação: eram um convite. Enquanto encarava cada um dos sete rostos conhecidos ao redor da fogueira improvisada, ele lhes dizia que não podia ficar sentado, que depois idas e voltas e lutas sem fim, precisava saber o propósito de tudo aquilo. E os convidava a se juntarem a ele.
- Parece justo. - James concordou. - Mas pra quem você pretende fazer as perguntas?
Sua voz carregava traços leves da ironia de antigamente, porém ninguém podia negar que seu ponto era válido. Sayid sorriu, preparando-se para respoder. Quando falou, sua voz ecoou junto com a de Juliet.
- Para o habitante mais antigo da ilha. - ele disse.
- Richard Alpert. - ela completou.
Sayid inclinou cabeça num sinal de concordância. O grupo permaneceu em silêncio por um momento, considerando a nova informação. Sun foi a primeira a se manifestar.
- Acho... Acho que há outra pessoa que pode nos ajudar.
O olhar de Sayid deslizou até ela. Havia uma dose de incerteza quando ele falou novamente.
- E quem seria essa pessoa?
- Jacob. - ela respondeu sem hesitação.
As sobrancelhas de Juliet se ergueram em surpresa.
- Você sabe onde Jacob está?
- Sim, Juliet. Sob as ruínas da estátua.
*
O sol mal aparecera no horizonte quando eles começaram a arrumar suas mochilas, espalhados pela paisagem. Enquanto se debruçavam sobre suas malas, havia um ou outro sobrevivente os encarando, pessoas incapazes de pegar no sono na noite anterior. A maioria, no entanto, permanecia adormecida pela exaustão, deitadas em volta das fogueiras já quase apagadas.
Sentada ao lado de sua própria mochila, Juliet olhou discretamente para os lados antes de levantar-se e andar até Sawyer. Ela pediu silêncio e o pegou pela mão, conduzindo-o para longe dos ouvidos dos outros. Enquanto caminhavam pela areia, ela sentia seu estômago revirar-se em nervosismo e algo mais. Respirou fundo, tentando igonorar a sensação. Quando considerou que estavam longe o suficiente, ela parou e virou-se para ele. Seus olhos permaneceram baixos por um momento, se negando a encará-lo. Ele não gostou do pressentimento que cruzou sua mente.
- James, eu não posso ir com vocês.
As palavras de Juliet levaram alguns segundos para fazer sentido à James. Ele permanceu parado por um momento, e então, subitamente sua expressão mudou, a mão deslizando pelo cabelo num gesto nervoso. Achou que estivesse tudo certo entre eles. Aparentemente, as coisas não estavam tão certas assim.
- Por quê? - ele perguntou simplesmente, e Juliet pode perceber cada nota de frustração em sua voz.
Ela preparou-se para falar, mas parou antes mesmo de começar. Suspirou. Em vez de usar palavras, Juliet sorriu e seu rosto se iluminou daquele modo que o desarmava por dentro. Os olhos dela deslizaram para baixo, e sua mão direita pousou instintivamente sobre o torso. Foi o suficiente.
- Parece que vou precisar de uma passagem para aquele submarino.
Ele continuou imóvel, incapaz de se mexer enquanto Juliet levantava o rosto, hesitante, para fitá-lo. James a encarava lívido, e ela logo se deu conta de que ele não a enxergava realmente. Seus olhos tinham um brilho desfocado e melancólico: não viam nada à sua frente. Apesar de o casal continuar de pé sob o sol nascente, James estava longe - muito longe, em suas próprias memórias. E o sorriso de Juliet morreu lentamente.
- Você não precisa dizer nada, James. - ela falou suavemente, tirando-o de seu transe. Ele a encarou com as sobrancelhas franzidas: não em raiva, mas em aflição. Juliet sorriu de leve - um sorriso resignado, que subitamente a fez parecer a Juliet de Edmund. Ela não gostou da sensação. Quando ele permaneceu em silêncio, ela virou-se tranquilamente, e recomeçou o caminho de volta, abandonando atrás de si um James preocupado e indeciso.
