Nanatsu Kimochi( Sete sentimentos)

Por: Akane Kyo

Era mais uma noite de calor extremo na Cidade dos Sentidos, seria aquilo mais um dos estímulos que aquela cidade provocava?

Quatre não agüentava nem pensar, estava trancado na hospedagem há seis horas esperando Trowa voltar. O moreno disse a ele que iria comprar munição, porém ele estava demorando e já estava ficando tarde.

Todas as janelas do generoso quarto em que estavam se encontravam abertas, milhares de cheiros, bons e ruins chegavam às narinas do loiro e ele ficava se deliciando com a imaginação, era comida, fondue de chocolate, torta de morango com suspiro, suchi, oyakodon, pave... coisas muito gostosas, delirantes de tão gostosas.

Meio impaciente e preocupado Quatre se dirigiu até a janela e constatou com certo pesar e fome, que estavam fazendo um festival de comida próximo à estalagem, a idéia de descer e comer parecia bastante interessante.

De repente alguém bate na porta, o rapaz finalmente se anima pensando ser seu amado Trowa do lado de fora. Ele sorri, pega uma camisa e corre para lá, mas quando abre a porta tem uma surpresa: não há ninguém, no chão perto da porta há apenas um pequeno bilhete com um símbolo em vermelho.

Quatre pega o bilhete meio confuso e o abre ele também está escrito em vermelho. O rapaz lê sem atenção as duas primeiras vezes e só consegue assimilar as palavras Trowa, rapidamente e assassinado.

Ele esfrega os olhos procurando clareza e lê mais uma vez com inquietação:

" Tabibito-san queria pedir-lhe que viesse a nossa humilde Alameda dos Prazeres, estamos com seu amado Trowa aqui e convocamos sua ajuda desesperadamente para ele e para nós, se não vier rapidamente seu precioso Trowa será assassinado. "

- Alameda dos Prazeres? Eu passei por lá ontem, Trowa provavelmente não foi com Duo! – Quatre começou a correr para o local onde ficavam os veículos dos hóspedes, chegando lá encontrou Duo que se surpreendeu ao escutar a história dele.

Os dois já estavam a caminho do local, de alguma forma Quatre sentia que aquilo não terminaria bem. Ele estava sem munição extra, levava uma porção de facas e algumas armas carregadas.

Muitas vezes nas viagens que faziam era necessário ter isso, primeiro porque eles quase viraram pratos principais de uma horda de canibais, segundo porque a proteção era necessária e por último e não menos importante carregavam armas porque muitas vezes quando viajavam por lugares muito desertos e por um longo tempo tinham de caçar seu próprio alimento.

Quatre estava pensativo, o que realmente queriam? O rapaz não possuía nada de valioso além de Trowa e Duo.

O rapaz chegou a uma bifurcação, estava tudo escuro mesmo com a luz que Duo emitia que ele não conseguiu identificar qual caminho o levaria a Alameda dos Prazeres. Seguiu pela direita apenas a luz frontal da motocicleta iluminava o caminho, que era um tanto familiar.

Quatre aumentou a velocidade, queria chegar logo, mas a rua de pedra levemente lisa o impedia de andar rápido, sem contar os receios e dúvidas. Não era possível que todos estivessem no festival. Estava tudo muito escuro, ninguém nas janelas, ninguém nas casas.

O rapaz loiro virou em uma esquina próxima, dali chegaria em breve à alameda, mas as ruas continuavam escuras e misteriosas, pior ainda foi quando em uma janela próxima ele viu uma luz de vela e alguém se distanciar da mesma.

Parou lentamente, foi em direção a casa onde ele vira a luz da vela e bateu a porta. De instante ninguém veio atender, ninguém parecia querer atender, porém em passado algum tempo uma mulher velha, apareceu e disse:

- O que você procura eu não tenho, mas tenho algo para você Tabibito-san. – E dizendo isso a velha desapareceu para dentro da casa, levando o pouco de luz da vela com ela. Quatre estava confuso do que ela realmente falava? Ele esperou pacientemente a velha, sentindo o coração comprimir ao pensar no amado, sentindo-o em seguida bater rapidamente ao ver a luz da vela se aproximar. – Tabibito-san sabe o que é isso? – A velha exibia um sorriso desdentado agora, e mostrava algo ao rapaz, um pequeno vidrinho com uma quantidade infame de líquido esbranquiçado. – O nome disso é néctar de Pandora, ele é antigo e só tem uma utilidade, recuperar o amor.

- Recuperar o amor? – O rapaz se sentiu estranho ela parecia se referir a Trowa. Ainda surpreso ele a viu assentir.

- Quando tudo de bom tiver desaparecido diante de você e unicamente você restar de bom, isso vai recuperar aquilo que lhe é mais importante no mundo.

- O amor? – Quatre arregalou os olhos e pegou o vidro, a velha apenas sorriu e assentiu, fechando a porta na cara dele logo em seguida.

Ainda confuso Quatre subiu na moto sem ignorar as palavras da mulher, que ele ia repetindo a fim de procurar algum sentido nelas. Provavelmente o que havia no vidro serviria para salvar Trowa de alguma forma.

- Duo...Vamos rápido!

- Sim! É uma ordem do capitão! – Duo acelerava o máximo que podia em segundos estariam na Alameda dos Prazeres, mas quem eles procuravam?

Entraram em algo que possivelmente era a alameda, mas ao que o loiro lembrava a alameda não possuía tantas árvores, á frente encontraram um casarão, estava caindo aos pedaços e havia alguém parado na frente dele. Um homem de terno, baixinho e atarracado, o observava. O rapaz desceu da moto e sussurrou apenas para que Duo escutasse:

- Esteja preparado para fuga! – Em seguida encarou o estranho homem, o mesmo lhe fez uma exagerada mesura e disse:

- Tabibito-san estávamos esperando por você! – O homem entrou na casa e fazendo um sinal para que o jovem o seguisse. Com um medo indescritível o rapaz o seguiu.

Realmente aquela casa era assustadora, o imenso corredor da casa demonstrava isso, o papel de parede estava rasgado, em diversos pontos como se alguém o tivesse arranhado até rasgar, e grande parte dele estava podre, exibindo por trás a parede meio rachada, às vezes descascada e às vezes ainda quebrada, por onde era possível ver os canos de água vazando, com suas nojentas ratazanas pretas a roer os fios de luz que por ali passavam, fazendo as luzes do local piscarem.

Tirando tudo isso ainda havia o teto, quebrado parecia que ia desabar sobre a cabeça do louro a qualquer instante, as lâmpadas e candelabros estavam pendurados precariamente, sendo que em alguns locais não havia luz, apenas um conjunto de fios soltos no teto. O tapete que deveria ser vermelho estava pútrido, as vezes via-se ali pedaços de vestes, sujos de sangue, sapatos...

Quatre estava ficando com medo, que espécie de local era aquele?

Era muito suspeito, das diversas portas do corredor por onde caminhava, vinham sons de gritos pedindo ajuda, gemidos chorosos e gemidos de prazer.

O que eles poderiam querer com ele? E com Trowa?

O homenzinho parou a frente de uma porta cinza, retirou devagar um molho de chaves do bolso e a abriu. Quatre estava preparado para algo perigoso, debaixo do sobretudo. Armas e facas aguardavam ansiosas uma chance de serem utilizadas.

Depois de ser convidado a entrar o loiro começou a descer por uma escada que daria a uma espécie de porão, da onde vinham gritos e um barulho estranho, todavia nada que lhe lembrasse Trowa.

O local estava fracamente iluminado ao pé da escada parecia haver algumas roupas largadas e elas eram de... Trowa!

Quatre correu até o fim da escada e pegou as roupas, depois se virou para o lado para ver o que acontecia e o que viu o fez chorar.

- Tro...- Ele se ajoelhou quando o rapaz virou-se para vê-lo, seu lábio sangrava, parecia que ele o estava mordendo, suas costas também sangravam por inúmeros cortes que pareciam feitos por chicotadas. Ele pendia pendurado pelos braços, por cordas grossas. – O que estão fazendo?

- Bem Tabibito-san, dissemos que não iríamos matá-lo, mas não falamos nada sobre não feri-lo! Agora vamos ao que interessa você tem que conseguir algo para nós! – O homem sorriu abertamente e Quatre pode ver vários dentes podres em sua boca e um dente de ouro. – Essa Alameda dos prazeres e essa casa eram os pontos mais convidativos da cidade há alguns anos atrás, mas depois de várias revoltas que ocorreram na cidade por causa desse local optaram por fechar as lojas daqui e tirarem as pessoas daqui de perto. Então essa parte da cidade se tornou pobre. Todos que passam aqui de dia pensam que é um belo local, mas isso é apenas ilusão de ótica nos aproveitamos disso para atrair desavisados como você!

Você pode imaginar o ódio que sentimos todo esse tempo? Claro que pode, eu vejo nos seus olhos!

- Ainda não entendi o que NÓS temos haver com isso. – Responde Quatre entre dentes, estava irritado.

- Precisamos que encontre algo para nós! Uma caixa! – O homem voltou a sorrir.

- Uma caixa? Por que uma caixa? – Quatre estava confuso, se eles estavam torturando seu amado poderiam pedir qualquer coisa, mas por que uma caixa?

- Não tenho a obrigação de te contar lembre-se que quem está em desvantagem aqui é você! Prometemos não bater mais no seu amado se for pegar a caixa. Há alguém aqui que pode levá-lo até ela. – O homem se dirigiu a uma porta e a abriu, era um pequeno armário de vassouras, mas dentro havia um rapaz de cabelos negros, longos, presos em um rabo de cavalo, ele estava amarrado e amordaçado. O homem voltou a falar. – Ele sabe como chegar à caixa, vocês devem ir o quanto antes, Tabibito-san. – O rapaz foi libertado, e olhou irritadamente para Quatre, o homem atarracado pegou uma arma e entregou ao loiro. – Cuide bem dele. Ele ainda serve... – O homem fitou o rapaz de aparência feroz maliciosamente. - ...aos meus propósitos. – Se ele fugir, esse aqui. – O homem segurou o rosto de Trowa, fazendo Quatre morder os lábios irritadamente. – Vai ter que substituí-lo.

Quatre segurou a arma, e apontou para a cabeça do moreno, mas sem desgrudar os olhos do pequeno homem, o loiro mandou o outro seguir, e juntos eles foram para fora da sala. Chegaram à rua depois do corredor macabro. Quatre ainda mantinha a face carrancuda, o homem pequeno entrou e fechou a porta, disse para estar de volta antes do amanhecer e ele apenas assentiu.

- Você, por favor, vá para a moto parada logo ali e suba nela. – Quatre agora sorria com gentileza.

- Eu vou é fugir! – O rapaz moreno preparou-se para correr, mas não seguiu em frente, pois escutou um clackt, Quatre estava destravando a arma.

- Escute, pode escolher fugir agora e arruinar a minha vida, mas saiba que se algo assim acontecer, eu vou atrás de você... e te mato. – O moreno virou-se e observou o outro rapaz, ele mantinha o sorriso gentil, porém seus olhos demonstravam que estava preparado para atirar a qualquer momento.

- Eu entendo, mas... – O outro se aproximou colocando a mão na sua boca e calando-o, depois sussurrou bem baixinho:

- Eu não planejo te deixar para esses homens. Primeiro vamos sair daqui, ainda assim temos que achar a caixa. Agora suba na moto. – O rapaz foi para a moto ele entendeu o que o loiro estava dizendo, estava dizendo que iria colaborar momentaneamente para depois poder fugir.

- Ele vai me dirigir? – O moreno deu um salto, a moto estava falando e ele estava assustado. – Prazer sou Duo!

- Você não deve saber... as coisas, os objetos, tudo é capaz de guardar memórias e nos entender. – Quatre disse calmamente. – Para onde?

- Devemos seguir reto essa avenida, no fim dela, haverá um desvio existem dois caminhos nele, mas...

- Mas...? – Quatre franziu o cenho.

- Bem, os caminhos mudam conforme as horas mudam. – O rapaz subiu a moto e o observou.

- E como saberemos o caminho certo?

- Devemos jogar com a protetora do local!

- Jogar? – Perguntou Duo, que assim como Quatre não entendia nada.

- Sim, se ganharmos ela indicara o caminho certo, se não nos mandara embora. Se formos muito persistentes nos mandara pelo caminho errado, onde seremos comidos por uma criatura horrenda.

- Como sabe disso? – Se ele sabia da criatura era porque alguém já havia ido lá, ou ele já havia ido lá.

- Bem, minha família há anos cuida dessa caixa, cuidamos até mesmo das informações sobre ela, não deve ter problema eu te contar, você sabe o que ela tem?

- Não, mas você me conta no caminho. – Quatre subiu na moto e pediu que o outro a pilotasse, quando eles se afastaram um pouco o loiro perguntou. – O que tem na caixa?

- Nanatsu Kimochi (os sete sentimentos) são bem parecidos com os pecados capitais, essa caixa também é quase igual à caixa de pandora se você a abrir os sentimentos ruins se espalharão pelo mundo, pelo menos é isso que os idiotas lá de trás pensam. – O rapaz ficou silencioso.

- Não é assim?

- Não, esses sentimentos ruins quando libertos, se aplicam em uma pessoa só, a que abriu a caixa, essa pessoa perdera todos os outros sentimentos e será acometido por: ódio, ganância, inveja, ira, medo, tristeza, desejo e ciúme... por todos esse sentimentos que são considerados falhas humanas. – Ele suspirou e continuou. – Se acontecer daquele homem de má índole, abrir a caixa, é bem provável que pela ganância ele passe a desejar tudo para si, por causa do ódio ele amaldiçoe a tudo. Por causa da ira queira destruir.

Por causa do medo se recolha e desconfie de tudo, mas continue a desejar sua destruição o mesmo serve para tristeza. Por causa do desejo faça mal as pessoas o mesmo serve para o ciúme. Se associarmos tudo isso tiramos a conclusão de que para essa pessoa, só existira uma chance de redenção a morte, ou a destruição que lhe trará a felicidade, mas é um preço muito caro a pagar pela felicidade de um único.

- Entendo... – Quatre estava assustado.

- Por isso, eu não posso permitir que ninguém abra a caixa. Preparamos o lugar para que, nunca ninguém senão uma pessoa de nossa família ou bastante treinada consiga pegar a caixa.

- Bem como você se chama? – Quatre agora sorria, fazia alguns segundos que ele havia abaixado a arma.

- Chang... Chang Wu Fei! – O moreno o olhou sorrindo.

- Me chamo Quatre Haberba Winner. Prazer! Bem eu ainda não pensei em um plano, mas eu acho que matarmos todos que vivem naquele lugar seria uma boa idéia.

- Isso seria quase impossível, só existe um jeito de matar todos aqueles idiotas, é matar aquele baixinho inútil, se ele morrer tudo incluindo aquela casa horrenda desaparecera. – Wu Fei mordeu o lábio, já havia lutado com o velho ele era terrivelmente poderoso. – Há... bem eu não tenho certeza, mas se não me engano existe outra barreira que nos impede de chegar até a caixa.

- E o que seria?

- Um portão!

- Um portão, podemos abri-lo!

- Não ele não deve se abrir assim tão facilmente, se não me engano esse portão só se abre com muita força, pois cada porta é feita de ferro e pesa muito.

- Quanto?

- Não sei! – O rapaz tentou se lembrar, mas estava difícil. – De qualquer forma isso é uma lenda, porque se fosse assim ninguém nunca entraria naquele lugar e meu pai sempre ia lá para passar a noite.

- É ali? – Quatre apontou para alguém a sua frente e Wu Fei assentiu.

Ali os caminhos se dividiam, no meio deles havia uma mulher de branco, que segurava em uma de suas mãos uma moeda brilhante de ouro, era morena e vestia um quimono branco, ousado, pois ele ficava quase que aberto na parte superior, deixando os seios grandes da mulher há vista e uma das pernas também.

O obi que o prendia era de um tom vermelho e amarrado ao lado, ela usava um par de protetores nas mãos, assim como um lutador, os protetores se uniam em forma de um anel no dedo do meio e iam até embaixo da manga do quimono.

- Sejam bem vindos! – A mulher se curvou quando Wu Fei parou a moto. Ambos desceram. – Vocês querem saber que caminho seguirem? – Os dois assentiram. – Então eu proponho um jogo! – Ela sorriu e levou uma das mãos a manga do quimono e retirou um leque, depois lhes mostrou a moeda. – Então que comece o jogo. Em que mão está? – Os dois se sobressaltaram e observaram a mulher jogar a moeda de ouro para cima. Então ela foi caindo devagar e quando estava quase caindo na mão da mulher ela começou a trocar o leque de mão em uma velocidade incrível, eles mal podiam acompanhar com os olhos e no meio daquela bagunça ela pegou a moeda. – Então em que mão está? – Ela observou-os sorrindo, a técnica dela era quase infalível.

Wu Fei mantinha a face séria imutável, enquanto Quatre apenas sorriu e disse:

- Na mesma mão que o leque! – A mulher se sobressaltou porem abriu a mão e os dois constaram que ali estava a moeda. Ela pigarreou alto e disse:

- Meus parabéns, por terem conseguido adivinhar qual a mão direi qual é o caminho certo, mas devo avisar-lhes que não chegarão longe se tiverem intenções pútridas. A frente no caminho certo há um portão, cada uma das portas pesa duas toneladas, ou vocês a abrem por serem dignos ou terão que usar a força. – Ela fez outra mesura e apontou o caminho da direita. – Por ele chegarão ao portão.

- Obrigado! – Disse Quatre subindo em Duo que também agradeceu, Wu Fei fez uma mesura, agradeceu e subiu em Duo e eles pegaram o caminho da direita.

- Espero que consigam passar pelo portão e se passarem que saibam o que fazer depois. – A mulher ficou olhando para baixo e sussurrando votos de boa sorte.

Wu Fei, Duo e o viajante mesmo indo em alta velocidade demoraram a chegar aos portão, sim ele era enormes.

- Bem temos que tentar abrir. – Quatre disse calmamente. – Imagino que... conseguiremos abrir o portão.

- Você não escutou o que a moça disse? – Wu Fei olhava irritado para Quatre, aquele loiro tinha uma atitude positiva demais. – Cada porta pesa duas toneladas.

- Escutei sim... – Quatre se aproximou do portão. - ..., mas escutei também quando ela falou sobre nossas intenções. Provavelmente se nossas intenções forem boas abriremos esse portão fácil, fácil! – O loiro arregaçou as mangas e forçou a porta, todavia ele e Wu Fei tiveram uma surpresa, o portão cedeu sem nenhum esforço, deixando os dois muito surpresos.

- Como...? – Wu Fei se sobressaltou. – Você não pode ter tanta força!

- Eu realmente não tenho muita força, mas... essas portas que deveriam ter duas toneladas parecem pesar apenas algumas gramas. – Quatre olhou para Wu Fei novamente. – Olha eu sei que é surpreendente, mas não temos a noite toda lembra? – O moreno assentiu e correu na direção das portas. – Duo você espera aqui.

Quatre olhou a sua volta não havia nada, nem sinal da caixa a não ser um pontinho brilhante longínquo. O loiro resolveu ir nessa direção, o outro rapaz apenas o seguia. Eles caminharam por incontáveis minutos até que finalmente viram uma caixinha pequena, de ouro, sobre um altar todo enfeitado. A caixa era bastante bonita, tinha uma porção de escritos em volta, provavelmente falando sobre os sentimentos e o mal que eles trariam.

- Wu Fei, será que é seguro pega-la?

- Não faço idéia, na verdade eu imagino que não seja, mas só vamos descobrir se pegar-mos a caixa. – O rapaz de aparência oriental por impulso, pegou a caixa, nada aconteceu de imediato, contudo eles puderam escutar uma voz e ela vinha da caixa.

- Deixem onde está! Sabem que o que há dentro dessa caixa só trará desastres ao mundo. – A voz era grossa e contida, sem contar que falava com muita calma.

- Nós não temos intenção de te utilizar para trazer o mal ao mundo. Precisamos de você para salvar uma pessoa depois se possível iremos devolvê-la a esse lugar. – O loiro tomou a palavra, tinha que voltar com a caixa ou Trowa teria sérios problemas.

- Se vocês me tirarem desse lugar terão toda a responsabilidade por mim, não poderei voltar aqui. – A caixa voltou a falar. – Estão prontos para arcar com essa responsabilidade?

- Como viajante, eu acho que nada mais justo que leva-la em nossas viagens, está de acordo?

- Sim, será interessante conhecer o mundo! Tem permissão para me tirar daqui!

- Obrigado! – Quatre tirou a caixa do local onde ela estava e a segurou, não era pesada nem nada. Ele estava feliz por ter conseguido sem maiores infortúnios. Wu Fei também sorria. – Mas agora começa a parte difícil, temos que... voltar, libertar Trowa, libertar você Wu Fei e fugir, está disposto a sumir no mundo conosco Wu Fei, como um viajante? – O moreno arregalou os olhos, sua família tinha sido morta por aqueles malditos da Avenida dos Prazeres, dependendo do que acontecesse realmente não poderia mais viver na Cidade dos Sentidos.

- Sim. – Ele respondeu fracamente, não desejava ir, todavia nada mais lhe prendia a aquele local.

Os dois voltaram pelo mesmo caminho e chegaram até onde Duo estava, ou seja, antes do portão. Quatre voltou a sacar a arma que haviam lhe dado e mandou Wu Fei subir na moto, teriam que fingir um pouquinho para realizar seus objetivos. O moreno estava sendo gentil com Quatre e ajudando-o era uma pessoa boa. Os dois seguiram de moto, quando passaram pelo caminho a mulher segurava uma sombrinha de viajem e mudara o quimono branco para um mais decente, ela carregava também uma bolsa e disse-lhes:

- Agora que a caixa já não precisa de proteção eu irei fechar o caminho da persistência e ir embora daqui, só fiquei para lhes indicar qual o caminho certo. Dessa vez é o que está a sua esquerda. Obrigada por me libertarem desse lugar. – Então a mulher saiu andando pelo caminho à direita deles e em segundos sumiu na escuridão. Os quatro1 então seguiram em frente.

Chegando a casa Quatre levou a moto com ele, mas estava com um olhar diferente, sério e apontava a arma para a cabeça do outro rapaz. Infelizmente ao chegarem no porão tiveram de abandonar a moto. E descerem sozinhos a caixa jazia quieta na mão do loiro.

- Ora, ora Tabibito-san não é que você conseguiu mesmo, palmas para você. Agora vamos ver como seu amado se sai abrindo a caixa. – O homem baixinho mostrou-lhe Trowa, ele estava de pé, e um homem apontava uma faca para seu pescoço. De repente outro homem apareceu atrás do loiro e o segurou pelo pescoço ele apontava uma arma para sua cabeça.

- Então... – O homem pequeno pegou a caixa da mão de Quatre e a entregou a Trowa, o mesmo olhou o amado com a face transtornada, Trowa fez menção a abrir, mas foi interrompido por Quatre que gritava:

- NÃO ABRA, NÃO ABRA, POR FAVOR! Trowa não tem problema se eu morrer, mas não abra.

- Desculpe Quatre, mas não posso deixar você morrer.

- NÃO... ME SOLTE! – Quatre agora chorava e tentava se soltar, mas o seu carrasco era muito mais forte que ele, sim ele viu, viu quando o amado abriu a caixa e em seguida o brilho dos olhos verdes desaparecerem lentamente. A caixa mudou de cor e se tornou prateada, no mesmo momento em que Trowa transtornado a jogou na parede. Em seguida ele tomou a faca do homem que o segurava e com um golpe o assassinou.

Depois ele se virou e observou o baixinho dizendo:

- Você me capturou e trouxe aqui criatura desprezível, merece morrer. – Ele segurou o baixinho pelo pescoço com uma mão, ele agora agonizava, cada vez mais e seu rosto foi ficando vermelho, as paredes do porão foram desaparecendo o homem que segurava Quatre também desapareceu. Trowa atirou o baixinho, feio e morto no chão a distância e todos perceberam que no local só restaram, Duo, Quatre, Wu Fei, a caixa e um Trowa maluco.

Quatre pegou a arma que o homem havia lhe dado e apontou para aquele que tinha a imagem de seu amado.

- Você não pode continuar fazendo essas coisas eu não vou deixar que o Trowa se torne isso, vou te matar! – Quatre chorava, mas mantinha o sorriso gentil nos lábios.

- O que é isso Quatre vai atirar em mim? – O rapaz de olhos verdes mudou de expressão. – Você não pode, eu te salvei, você me ama!

- Não amo você, amo o Trowa e você não é o Trowa! Só se parece com ele, porque ele... era gentil e me amava também. Ele jamais sentiria ódio ou desejaria a destruição das coisas. Por isso, só por isso eu sei que você e ele não são a mesma pessoa.

- Então atire! – O dominado sorriu zombeteiro. – Vamos ver se tem coragem de atingir o corpo do seu amado. – Quatre apenas assentiu e disse:

- Adeus meu amor... – Ele disparou, foi certeiro atingiu direto o coração, fazendo a criatura com a mesma imagem do amado de Quatre tombar para trás, sem vida.

O loiro jogou a arma no chão e continuou repetindo a palavra adeus, Wu Fei apenas o observou, e correu em seguida até o outro rapaz, realmente ele estava sem vida, viu o loiro com a mesma face estranha de antes vir abraçar o amado, mas só quando o loiro abraçou o corpo sem vida de Trowa pareceu compreender a situação.

- Não, é mentira não é? Trowa não está morto, não está? – Quatre olhou para Wu Fei e este lhe respondeu com um aceno de cabeça. – Não... não, eu não queria que isso acontecesse. – Agora ele não sabia mais o que fazer, matara seu motivo de viver, contudo havia algo que ele precisava lembrar, algo que poderia resolver aquilo. – Duo o que a velha disse quando entregou aquele vidrinho?

- Que ele servia para despertar o amor, era o Néctar de Pandora, ele ia recuperar o que você tinha de mais importante no mundo... – Duo se calou, sim assim como os outros ali ele tinha entendido.

- Talvez se eu usa-lo no Trowa ele reviva. – Quatre procurou o vidrinho nos bolsos e o achou, ele ainda chorava, mas a esperança era maior. – Wu Fei, segure a cabeça dele, vou fazê-lo tomar isso. – Se dificuldade o loiro despejou um pouco do líquido na boca de Trowa, todavia nada aconteceu. – Talvez eu deva dar tudo a ele. – Quando ele ia derramar o resto do líquido na boca de Trowa todo o corpo dele começou a brilhar. Ele observou e então percebeu que aquilo o estava curando antes de devolver-lhe a vida, o brilho ia desaparecendo do corpo apenas se concentrando onde havia algum ferimento, incluindo na face, depois ele desapareceu por completo.

- O que aconteceu? – Wu Fei perguntou, enquanto tocava o pescoço de Trowa e então se sobressaltou ao sentir algo diferente, havia pulsação, sim o sangue do rapaz de olhos verdes estava correndo. – Está vivo! – Quatre colocou a mão sob a franja do amado e tirou-a de cima do rosto, revelando onde antes havia uma cicatriz um olho fechado, que se abriu lentaemte para observá-lo.

- Trowa, você está vivo! – O loiro se abraçou a ele, que sorriu e o abraçou com força. – Pensei que... – Ele foi calado por um beijo inesperado nos lábios que ele não demorou a corresponder.

Ao lado do loiro Wu Fei observava a cena achando tudo muito anormal.

- Bem não ligue, eles são sempre assim!

- Ah entendo. – O moreno olhou-os novamente eles riam juntos e o observavam, o loiro então disse calmamente:

- Trowa esse é Chang Wu Fei, ele me ajudou a encontrar a caixa e me contou coisas sobre ela, agora ele seguira viajem conosco, me desculpe eu não queria atirar em você.

- Tudo bem acho que foi para meu próprio bem, o que você fez para me reviver e... recuperar meu olho? – Ele sorria abertamente.

- Não fui bem eu, foi esse líquido. – Ele mostrou o vidrinho e disse. – Uma senhora me deu, no caminho para cá. Disse que era para recuperar aquilo que eu tenho de mais valioso no mundo.

- Então guarde bem o que sobrou assim poderá salvar minha vida mais uma vez. Nossa viajem agora vai ser mais divertida não acha? – Trowa se levantou e trouxe o pequeno junto. – Afinal temos mais um amigo conosco! – Ele mirou Wu Fei que sorriu abertamente e disse:

- Na verdade dois... – Ele correu a um lugar e pegou a caixa que estava ainda prateada. – Você disse que ia leva-lo para viajar pelo mundo não é Quatre?

- Sim, bem caixinha... caixinha não, você será...? Temos que te dar um nome! – Ele ficou pensativo, que nome você da a uma caixa?

- Eu já tenho! – Todos se assustaram. – Meu nome é Heero Yui, o mesmo nome de meu criador.

- Então assim está bom, Hee-chan, é um prazer eu sou Duo e o rapaz que estava morto o nome dele é Trowa Barton. O loiro ai é o Quatre e o rapaz com olhos puxados é Wu Fei. – Duo acendeu suas luzes. – Bem hora de continuarmos nossas viagens ou será que vocês cansaram de viajar?

- Nunca, Duo só tem um problema! – Quatre olhava para a moto de soslauo

- Qual? – Perguntou a moto muito preocupada.

- Vai carregar mais peso que antes! – Ele completou rindo-se.

- Nunca... se insistir não carrego nem você mais. – A moto apagou a luz e se virou para o outro lado.

- Se insistir em não nos carregar, nunca mais coloco gasolina em você! – Quatre fez cara de emburrado e olhou para a motocicleta, que passou a se remexer incomodamente.

- Isso seria um problema, então levar vocês é uma troca justa. – Todos riram da reação da moto.

- Bem temos que seguir viajem, afinal esse é o nosso objetivo! – Falou Trowa, indo na direção de Duo.

- Podemos pelo menos ver o festival...? – Perguntou Quatre esperando um resposta negativa.

- Sim temos mais dois dias nessa cidade... Então vamos todos? Duo prepare-se...

- Ah... sempre eu que fico com a pior parte do serviço. Bem fazer o que?

Continua... ou não?

Essa fanfic não é a melhor da série, mas foi a mais divertida de escrever ' ! Não sei se vocês perceberam, mas na verdade Tabibito é uma série(não uma fanfic) postada em forma de fanfic para facilitar a leitura! ' Espero que não se importem.

1: Quando eu digo os quatro eu estou incluindo o Duo(moto) e o Heero(caixa)!

Bem eu segui a idéia de uma leitora de criar um companheiro pro Duo , para quem já transformou o Heero em um coelho de pelúcia acreditem, transforma-lo em uma caixa parece bem aceitável (não me matem!)!

Vai continuar ou não? Respondam!

Ah bom alguém tinha me pedido pra transformar o Heero em uma moto lindíssima que pertenceria ao Trowa, mas bem acabei não acatando a idéia, gomen nasai, prefiro ele de caixinha afinal ele é tão fechado! (Piadinha infame rsrsrsrsrs)