Disclaimer: Sakura & Cia não me pertencem. A Branca de neve também não... TT'


SNOW WHITE

Capítulo Dois
A aldeia, o príncipe e a feiticeira.

Suas mãos tocaram com certa pressa as enormes maçanetas douradas, hesitou por quase um minuto. O rei certamente descobriria, e caso isso acontecesse ele seria preso, provavelmente executado. Naquele momento desejou profundamente que seu antigo e verdadeiro rei não houvesse morrido e tampouco que sua rainha houvesse se casado novamente. Antigamente tudo parecia tão mais feliz e fácil...

Lembrou-se de sua Rika. Sua Rika, soltou um leve suspiro, ela o havia abandonado, ela não aceitara as tiranias daquele homem sujo intitulado de Rei, e fora muito mais corajosa do que ele mesmo havia sido em toda sua - medíocre - vida. Agora ele provavelmente não voltaria a vê-la.

Ao abrir a porta, com extremo cuidado, deparou-se com uma cena no mínimo hilária. Fez um esforço enorme para não soltar uma enorme gargalhada.

O rei desfilava por todo o salão, com um enorme manto vermelho-sangue, algo peludo o envolvia também, os sapatos tinham um salto demasiadamente alto, e ele parecia cambalear a cada vez que pisava. Ele entoava uma melodia simples, as mãos balançando delicadamente, e hora sim, hora não arriscava alguns agudos não muito bem sucedidos. Cada palavra entoada da boca do Rei servia apenas para inflar e proclamar seu auto e imenso ego. Abruptamente parou, sentindo uma nova presença naquela sala, e soltou alguns gritinhos histéricos, reclamando a falta de atenção de seu comandante - que parecia imensamente entediado.

Um sorriso malicioso estampou-se no rosto do rei, ao deparar-se com o humilde caçador parado a sua porta. Em uma manobra completamente inesperada o rei cambaleou até o caçador. E o homem de cabelos platinados, o chefe da guarda, soltou um longo e cansado suspiro.

- Oras! Veja só meu caro Yukito, se não é meu humilde caçador! E ainda voltou tão rápido! ande seu palerma, onde está a princesa? - Enquanto falava o sorriso malicioso do rei cada vez mais aumentava.

Yukito olhou friamente para o rei, desviando seu olhar logo em seguida para o caçador, o guarda certamente também queria saber a tal reposta, e o homem parecia estar trêmulo.

O caçador por sua vez fez uma exagerada e desajeitada reverencia para o rei, seguida por uma menor para o chefe da guarda. Soltou um suspiro, e, tomado por uma súbita coragem resolveu falar de uma vez por todas.

- Ela não veio, meu senhor. Mas... - acrescentou apressadamente ao ver os olhos do rei incendiarem-se - Trouxe-lhe isto, senhor. Conforme as ordens. - Olhou para o rosto horrorizado do jovem guarda ao entregar para o rei a pequena caixinha retangular de graciosos adornos dourados, levemente respingados do rubro sangue do animal.

O olhos azuis do rei brilharam com tamanha intensidade e ainda sim os mantinha fixos na urna, assustando o caçador. Os dedos longos e finos percorreram por toda a pequena extensão da caixinha, e a abriu lentamente. Ao ver o conteúdo soltou uma estrondosa gargalhada que ecoou por todo o salão, que fez o pobre lenhador encolher os ombros instintivamente. O rei tocou o conteúdo com frieza, e logo em seguida levou o dedo indicador - então tingido de carmim - aos próprios e finos lábios.

- Doce, como eu sempre imaginei que seria... Quer provar também meu caro Yukito? - Soltou outra gargalhada, mais alta e maligna desta vez, e, ao ver a expressão de horror no rosto dos dois jovens, encarou firmemente o caçador, como quem procurasse um simples traço de mentira e medo no rosto do pobre homem. - Então, ela não quis vir... Que peninha da minha pobre enteada, morreu tão jovem e tão linda... - Olhou ameaçadoramente para Yukito. - E que isto sirva de lição para todos que ousem sonhar em desobedecer quaisquer uma das minhas ordens. Hoje teremos ensopado de coração para o jantar. Tragam-me a rainha.

Yukito deixou o salão apressadamente, não fazendo esforço nenhum para desviar-se do caçador, e de fato quase o derrubou. O rei gargalhou muito e ainda rindo dirigiu-se para o meio do corredor, ainda podendo ver a enorme capa cinzenta de Yukito afastar-se velozmente. E com uma voz aguda e esganiçada o Rei, como quem quisesse que todos o ouvissem, gritou no meio do corredor:

- Cuidado Yukito! O apressado come cru! - Ao dizer isto chacoalhou levemente a pequena urna em sua mão e ainda rindo virou-se para o caçador - Aliás, como acha que estou meu caro homem? - ele parara numa pose absurdamente aristocrática, e remexeu os braços em displicência logo após ver a confusão nos orbes do caçador - Não acha que estas roupas ficam bem melhores em mim do que naquela rainha sem graça? Não acha que estou maravilhoso?

O rei sorriu ao ver a cara de espanto do homem, e voltando para a sala dirigiu-se para um enorme espelho. De costas mandou que o homem saísse, deixando-o sozinho com o espelho e em uma atitude completamente egocêntrica começou a admirar a sua imagem refletida no espelho. O espelho mágico, aquele que só mostrava o que seu mestre queria ver.

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Ela corria desesperadamente, sempre para o leste e uma pequena onda de esperança percorreu por todo o seu corpo. Ao longe avistou uma pequena aldeiazinha, deveriam ser seis ou sete casas no máximo e um pequeno poço, tudo bem organizado.

Duas pessoas conversavam, pareciam bem simples, com seus últimos esforços correu até as duas figuras, provavelmente quem quer que fosse Rika, a ajudaria. Percebeu que eram duas mulheres que conversavam, aliás duas jovens, já que não deveriam ser mais velhas que ela.

As duas olharam horrorizadas ao ver o estado da pequena princesinha. Ambas tinham os cabelos curtos, o de uma era castanho e liso e o da outra negro e levemente cacheado. Ambas eram brancas, não tão brancas como Tomoyo, mas ainda sim, eram brancas.

A de cabelos negros era Rika, e a outra era Sakura. Trajavam vestes velhas e em tons terrosos de corte simples, não usavam sapatos sofisticados como os que ela se acostumara a ver, mas sim simplórias sandálias que mais pareciam pedaços de madeira amarrados ao seus pés. Elas eram exatamente o contrário da princesa, não só pelas vestes, elas não estavam sujas, não aparentavam cansaço e tampouco tristeza.

Chegando até elas, devido ao tamanho esforço, Tomoyo desfaleceu, mas antes pode deparar-se com dois enormes olhos verdes, que mais pareciam duas jóias enormes.

Preocupadas, as moças resolveram levar a pequena jovem para descansar, talvez mais tarde a jovem - já mais descansada, limpa e alimentada - pudesse responder as inúmeras perguntas que invadiam suas mentes.

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Ao acordar percebeu que não estava em sua cama, e nem que seus desejos mais profundos haviam sido realizados, ela não estivera sonhando.

O colchão era macio, não tanto quanto o do castelo, mas de alguma maneira mais aconchegante. A cama parecia entalhada a mão em uma madeira grossa e escura, os lençóis de algodão claro e limpo. Os travesseiros também eram tão macios quanto o colchão, e, uma pequena vela amarelada estava acesa com sua luz fraquinha insistindo inultimente em iluminar o local.

Olhou os móveis, todos tão simples, mas por alguma razão desconhecida eram os mais belos que já havia visto, todos naquela madeira escura. Lenvantou-se, por uma fração de segundos cambaleou, mas conseguiu chegar até a pequenina janela onde um simples pano amarelado fazia às vezes de uma cortina. Constatou que já era noite, deveria ter passado muito tempo dormindo.

Suas roupas também haviam sido trocadas, não vestia mais os trapos de luxo, mas sim um vestido simples, parecido com o das jovens que vira mais cedo. Instintivamente virou-se ao ouvir o barulho da porta sendo aberta. Pode ver dois olhos negros a fitando com carinho.

- Que bom que acordou! Sakura estava realmente preocupada, o papai também. Venha... - pegando a mão da jovem para que pudesse guiá-la - ... Todos estão ansiosos para ouvir sua história. A sta. Rika também estava muito preocupada.

Os olhos da jovem arregalaram-se. Rika! Era o nome da moça que o caçador tinha lhe dito. Então tinha conseguido, essas pessoas lhe ajudariam, o homem continua a tagarelar em uma voz grave e séria, mas em um tom descontraído.

- Sou Toya, meu pai fundou isso aqui sabia? Ele e minha mãe eram fugitivos... - Ele parou ao ver o olhar confuso da jovem - Tudo bem, Eu acho que você vai ter muito tempo pra aprender a nossa história...

Ao chegar a pequena sala viu que todos a olhavam, como odiava aquela atenção demasiada, seus pensamentos foram desviados por uma voz doce e melodiosa.

- Que bom que você está bem! Eu realmente fiquei muito preocupada, aquele jeito com você chegou, parecia estar fugindo de algo... - A jovem de olhos verdes foi interrompida por homem, talvez o mais velho do local.

- O que fizeram a você, princesa? - A voz era profunda e gentil, como a expressão do homem.

A princesinha, até então calada, arregalou os olhos, como aquele homem sabia que ela era a princesa? Pelos deuses, será que ela não se livraria daquele fardo nunca? Não encontraria um lugar seguro? Gaguejando, ela respondeu ao homem com um pergunta:

- Co-Como s-sa-sabe?

Fugitaka sorriu, a voz era extremamente melodiosa, e ainda parecia tanto com sua Nadeshiko.

- Calma pequena, está tudo bem. O rei não te achará aqui. - abriu um largo sorriso ao ver a expressão de alívio no rosto de Tomoyo. - E respondendo a sua pergunta, você tem os traços de seu avô, e os olhos de sua mãe. As roupas que você usava também são bem singulares. Mas me responda agora, o que aconteceu a você?

- Foi aquele homem... - Ela começou com uma voz chorosa. - Ele acabou com a mamãe, e queria que eu me casasse com ele... Yukito me ajudou a fugir... - Viu que todas a olhavam atentamente, resolveu continuar. - Então o rei mandou que um caçador me levasse de volta ao castelo, e se eu não concordasse, ele me mataria. Mas o Sr. caçador ficou com pena de mim, e falou para que eu seguisse sempre para o leste... - Ela corou - E que a Srt.Rika me ajudaria...

Ao ouvir os relatos a morena sorriu, sem nenhuma duvida o caçador era Terada.

- Terada te mandou aqui... - Rika começou - Eu não posso negar que eu não o vejo faz tempos, mas os amigos dos meus amigos são meus amigos, quem diria de um amigo especial como ele. Venha, você pode ficar comigo...

- Espere Rika, já que ela vai ficar aqui no vilarejo nós precisamos saber o nome dela... - Fujitaka deu um sorriso pra a garota que ficou levemente corada - E precisa saber os nossos. Bom eu sou Fugitaka, e esses são meus filhos, Toya e Sakura - apontou primeiro para o rapaz moreno que falara com ela anteriormente e depois para a moça dos belos olhos verdes.

- Eu sou Yamazaki - Um rapaz de cabelos negros e sorriso constante falou - E estes são Chiharu - Apontou para uma jovem que parecia cochilar, de cabelos castanhos e presos em duas tranças - E Shoran - este último era um rapaz sério, que permanecia em um canto mais afastado, tinha olhos e cabelos incrivelmente castanhos. - A Rika você já conhece, não?

- Já sim, obrigada por me acolherem, sou Tomoyo... - Mas a princesinha foi interrompida por barulho estrondo vindo do lado de fora. Poderia ser o rei.

Fujitaka foi o primeiro a sair, com uma expressão séria no rosto, logo seguido por Shoran e Toya, estes pareciam não se encarar. Yamazaki foi por último depois de dar um leve beijo na testa de Chiharu.

Já do lado de fora se depararam com um homem caído, parecia estar realmente cansado. Shoran mantinha o pulso na bainha da espada, Toya parou ao lado do pai.

- Está ferido! - Gritou Fujitaka - Ajudem-me a levá-lo para dentro...

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Tomoyo olhava para o homem a sua frente, tinha cabelos realmente muito compridos castanhos e traços tão delicados, mas não pareciam ser da guarda do rei já que usava trajes negros e rubros, diferentes dos tons cinzentos de Yukito.

Sakura apareceu com uma compressa d'água e panos úmidos. Tomoyo percebeu como o jovem de olhos castanhos a acompanhava com os olhos, este virou o rosto imediatamente assim que os olhos encontraram com os de Tomoyo. Rika entrou logo em seguida com uma caneca de água.

O homem tossiu e arregalou os olhos, lenvantou-se, e em uma postura extremamente ereta bateu continência em direção ao senhor Fugitaka.

Todos na sala perceberam que o corpo da tal homem era realmente estranho para um homem, já que a cintura era estranhamente fina e ele parecia possuir um volume sobrenatural no tórax.

- É uma mulher!? - Disse Toya num tom de quem mais afirma do que pergunta.

- É lógico que sou uma mulher! - A mulher tinha uma voz melodiosa e profunda e o tom parecia ofendido, ajoelhou-se. - Sou Nakuro, Capitã da guarda do príncipe Eriol. Sinto pertubar-lhes, mas meu senhor foi seqüestrado por uma maligna feiticeira que o mantém preso em algum lugar que os meus olhos ainda não podem encontrar. Ela não passou por aqui, passou?

- Só se sua feiticeira maligna for ela. - Shoran disse em um tom sarcástico e apontou para Tomoyo, esta se assustou com o comentário, eles achavam que ela era uma bruxa?

- Não, não é. É uma mulher alta com pele pálida e cabelos avermelhados. Não é ela.

- É claro que não é ela, Shoran pare de brincar com coisas sérias! - Sakura disse em um tom reprovador, como quem fala com uma criança, o que pareceu fazer efeito em Shoran que simplesmente parou.

Nakuro parecia estar mais interessada em acompanhar o moreno alto com os olhos do que prestar atenção na pequena discussão de Sakura e Shoran. Outro estrondo foi ouvido do lado de fora da pequena casa abarrotada de gente. desta vez todos saíram. Aliás, todos menos Nakuro que ainda procurava sua espada e Tomoyo que não poderia sair, já que havia possibilidades de ser algum dos guardas do rei.

Do lado de fora um homem e uma mulher sobre um cavalo pareciam cansados. O homem trajava uma armadura negra, o elmo estava abaixado e parecia conduzir o animal, não era possível ver com clareza as características do homem. A mulher trajava vestes bonitas e finas, o cabelo muito bem penteado e os olhos fechados. Poderiam ser apenas um casal comum, cansado da longa viagem, mas uma bela fita de cetim amarrada no pescoço do homem não parecia normal.

Nakuro saiu com a espada já na mão. Soltou um berro ao ver a cena que viu. Era aquela mulher que tinha desgraçado seu reino e príncipe. Shoran também percebeu imediatamente do que se tratava, sua espada também empunhada já estava pronta para a luta. Ambos atacaram imediatamente a mulher que foi derrubada bruscamente pelo cavalo que fugiu guinchando de medo, já que as rédeas do animal foram soltas pelo homem que também empunhou sua espada.

- Vamos meu cavaleiro! Defenda-me desses bárbaros que querem me fazer mal... - A feiticeira falava em uma voz sedutora e profunda, Nakuro fez uma cara de nojo realmente engraçada.

- Corte o laço! - Gritou Nakuro para Shoran e Toya, já que também tinham entrado na briga. - O laço que mantém o feitiço!

A feiticeira soltou um grito agudo e partiu para cima de Nakuro com um punhal, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa viu quando Shoran com um golpe certeiro acertou a fita, contando-a ao meio. Todos viram a expressão de raiva da mulher, que desferiu um golpe no braço de Nakuro que soltou um grito agudo, mas não tão agudo quanto o da feiticeira.

- Vocês me pagam! - A feiticeira encarou cada um dos presentes furiosa, os planos para o seu príncipe estavam acabados. Mas antes que pudessem pegá-la ela desapareceu em uma escura cortina púrpura de poeira.

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Na enorme e bem iluminada cozinha do castelo, o Rei, ainda cambaleando, parecia provar algo muito parecido com uma sopa que as cozinheiras preparavam. A expressão feliz em seu rosto pareceu aumentar quando provou um pedaço da carne ainda pouco cozida.

- Se-Senhor, ainda não está pronto... Coloquei agora no forno... - O Rei parou por um instante antes de procurar de onde vinha a voz fina e aguda, descobriu que vinha de uma das cozinheiras. A cozinheira era baixinha e rechonchuda, tinha as maçãs do rosto bem avermelhadas e lábios finos, usava um enorme avental e um lenço que cobria todos os cabelos branco, normalmente teria uma expressão clara e serena, mas no momento parecia temer algo. O Rei não deixou de perceber esse pequeno detalhe.

- Oras! Não me diga o que fazer, ouviu bem sua velhota? - O começo da frase foi dito com arrogância, mas em segundos o rei abriu um grande sorriso. - Agradeça por eu estar de muito bom humor hoje, não vou castigar ninguém, mas não tente me afrontar novamente, entendeu? - O Rei recebeu acenos mudos e afirmativos de todos os presentes, o sorriso aumentou, decidiu já era hora de fazer uma visitinha para sua Rainha. Saiu cambaleando e cantarolando uma musiqueta alta, incompreensível e estrondosamente desafinada, suas mãos acompanhavam a melodia em gestos circulares curtos e rápidos. Em alguns trechos da música o rei fazia uma vozinha bem fininha e aguda, aliás irritante seria a palavra mais adequada.

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Ao chegar no quarto da rainha, o Rei parou. Olhou para os lados, e não vendo ninguém girou a pequena maçaneta. Apenas três pessoas sabiam da existência daquele local. Ele, Yukito e Tomoyo. As paredes eram cobertas por espelhos, o chão todo forrado de veludo, uma enorme cama dourada localizava-se bem no centro, havia bem poucos moveis, apenas a cama e uma cadeira, também dourada.

O lugar tinha no máximo dez metros quadrados e os espelhos pareciam distorcer a realidade, alguns deixavam o observador mais alto outros mais magros, alguns mais gordos e outros mais baixos. Alguns não refletiam nada.

Bem no centro, encolhida, mas ainda sim majestosa, estava a rainha sentada em sua cama. Cantava uma canção baixinho, algo muito parecido com uma canção de ninar em um leve falsete, sua voz era bonita, transmitia de certa forma conforto, e ao contrário do Rei, não desafinou em nenhum momento. O Rei parecia fascinado, Sonomi realmente era uma mulher maravilhosa, triste, mas maravilhosa, era uma pena que ela não pudesse lhe dar um primogênito.

Ao se aproximar da rainha, o rei parou, ela sabia de sua presença ali. Era engraçado que mesmo surda e cega, ela ainda percebia boa parte das coisas.

Ele tomou todos os cuidados para que não os vissem saindo da pequena e secreta saleta. A levou até a enorme e sofisticada sala de jantar. A mesa deveria ter pelo menos cinco metros, a superfície era completamente lisa e polida, as cadeiras também, com pequenos estofados de veludo vermelho-sangue que a enfeitavam, todas de um dourado reluzente assim como a mesa. Uma toalha incrivelmente branca percorria toda a extensão da mesa, talheres e taças de prata já estavam a postos. Os pratos de porcelana chinesa também estavam devidamente colocados. Um enorme quadro que retratava o rei enfeitava o local, além das rosas brancas em vasos dourados que estavam sobre a mesa.

Fez com que a rainha se sentasse logo, sentou-se na cadeira maior, a da ponta. Uma das empregadas surgiu com um pequeno caldeirão também dourado. Sorriu, e olhou para sua esposa falando baixinho:

- Hoje comeremos coração, o de sua bela e pequenina Tomoyo. - Com um sorriso maldoso observou Sonomi, que simplesmente não pode ouvir nada.

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Yukito prensava o homem contra a árvore mais próxima, ambos estavam nos arredores da floresta encantada, Yukito parecia estar bastante alterado. Sua voz normalmente calma, parecia conter um ódio mortal. O homem parecia estar realmente tranqüilo, mesmo apanhando.

- Seu estúpido, eu juro que eu acabo com você! Como pode fazer aquilo com ela Terada? Ela é só uma criança... - Yukito continuaria se não houvesse sido cortado pelo caçador.

- Ela está bem agora homem, acredite em mim! Eu não a matei, mas o rei não pode saber isso! Ele a mataria e me mataria também. - Terada falava sinceramente - Uma amiga cuidará dela, ela não corre mais perigo...

- Onde ela está?

- Se eu te disser você vai correndo até ela e o rei descobrirá! Ela está bem, acredite, não era o coração dela e sim de um velho animal.

Um guarda, ignorando a cena e a ordem para que não os perturbassem, gritou:

- Senhor Yukito! O Rei está lhe chamando, diz que faz questão que o sr. junte-se à eles no jantar.

Yukito simplesmente não fez questão nenhuma de disfarçar a cara de nojo que estampou-se em sua face. Olhou pela última vez para o caçador e seguiu o guarda para o castelo.

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Os três estavam dispostos a mesa. O rei na ponta, Yukito do lado esquerdo e a Rainha do direito. Yukito tinha o olhar perdido, ainda pensava nos segredos que o caçador a pouco lhe havia de revelado. A rainha simplesmente tomava a sopa que tinha uma cor terrosa, o sorriso do rei parecia aumentar mais a cada colherada da mulher, um olhar de extrema satisfação estampava sua face - chegando a ser no mínimo macabro.

Mas nenhum dos três falou nada. Os empregados também, o único som que poderia ser ouvido era o das colheradas do rei e da rainha e do liquido rubro sendo remexido na taça de Yukito.

Em uma fração de segundos nossa cena mudou. Com um estrondo escandaloso uma cortina de fumaça escura tomou conta de todo o salão. Todos abaixaram-se, menos a rainha que ainda continuava altiva, e puseram-se a tossir desesperadamente. Quando a poeira abaixou, todos no local puderam ver , menos a rainha, sobre a mesa uma mulher de pele pálida, cabelos avermelhados e trajes escuras sorrindo maliciosamente. O rei arregalou os olhos.

- Como vai irmãozinho? Vim fazer uma pequena visitinha, enquanto meus planos não se concretizam. Espero que não esteja atrapalhando o jantar de vocês - a mulher falava em um tom irônico e seco, um sorriso maldoso surgiu em sua face. - Vai me convidar para jantar ou não, Clow?

O rei ainda espantado, apenas disse uma palavra que provavelmente seria o nome da mulher estranha:

- Kaho?


Uow!!!! Eu realmente peço desculpas pela demora demasiada desse capítulo.

É que eu andei meio ocupadinha, e depois eu perdi todinha a linha que eu tinha traçado pra história.

Bom, nesse capitulo a maior parte das personagens principais apareceu, só faltou uma que só vai aparecer no último.

Bom, eu gostaria de agradecer a Madeimoselle DeVille por revisar pra mim, e dedicar todas a partes em que o rei excêntrico apareceu á ela. XDD

E pra Dan, eu dedico a parte do jantar, que nem ficou tudo isso.

E agradeço a littledark, aggie18, Musette Fujiwara e kureopatsura-chan pelos comentários do capitulo anterior, e novamente peço desculpas pela demora.

Beijos.