Capítulo 1. – Amizades

- Sejam muito bem vindos! – Bella cumprimentou o casal de amigos que adentrava sua casa naquele dia. Alice havia perdido os pais há algum tempo e tinha apenas Jasper como seu companheiro de vida. E ele, como todo bom amigo, nunca a deixou.

Jasper nunca se deu bem com seu pai, John. O pai sempre foi machista e frio e sempre quis que o filho fosse assim também.

Mas ele não era. Jazz sempre foi um ser amável e compreensível fazendo que seu pai sentisse ódio por isso. A rixa aumentou quando Alice ficou órfã e recebeu o convite dele e de sua mãe Elisabeth. A história se tornou insuportável quando Alice adquiriu um estágio avançado de bronquite e então, John resolveu dar um basta nisso tudo.

- Ou você ou ela. – Ele dissera ao rapaz. – Você está em minha casa. Sou eu quem manda aqui e eu não vou cuidar dos tratamentos de uma bastarda!

Jasper não pensou duas vezes olhou nos olhos do pai e se levantou decidido.

- Amanhã mesmo eu saio daqui. – Anunciara e saiu do escritório de seu pai sem olhar para trás.

- Entrem, fiquem a vontade – Bella comunicou ao casal de amigos. – A casa agora é de vocês. – Ela sorriu e foi até a cozinha.

Jazz e Alice se olharam e sorriram.

- Ora, vejam só. – Apareceu um rapaz ruivo estendendo a mão. – Novos moradores.

- Edward! – Bella o chamou da cozinha. – Venha aqui AGORA.

Ele fez uma careta engraçada para o casal.

- A patroa ta chamando, tenho que ir. – Deu de ombros. – Já vou tchutchuquinha!

Ele virou em calcanhares e os dois amigos se sentaram no sofá da sala.

- Você é um anjo. – Alice disse baixinho olhando para os olhos de seu amigo. – Eu nunca imaginei que um dia iria encontrar alguém como você. – Falou.

Ele sorriu e a abraçou.

- Eu estou sempre do seu lado. Sempre.

Deu um beijo em sua testa.

- Jasper. – Bella apareceu ao seu lado e sorriu. – Eu quero falar com você. – Ela disse olhando para Alice.

Jazz mordeu o lábio.

- Lice, por que você não vai lá em cima, hein?

Ela sorriu.

- Pode ir. – Bella incentivou. – Fique a vontade.

Alice assentiu e subiu os degraus levando sua bolsa, na esperança de arrumar suas coisas.

Bella e Jasper observaram a pequena subindo a escada e depois se olharam.

- O que você quer conversar comigo Bella?

Ela mexeu sua cabeça em direção a cozinha e os dois foram até o cômodo.

- Quer comer algo? – Ela perguntou enquanto Jasper se sentava e Edward já estava pronto para a conversa enquanto bebia seu café.

- Não. – O loiro dissera começando a brincar com um palitinho de fósforo. – Digam logo por favor. – Pediu olhando para Bella que estava em frente a ele com uma bandeja de bolo. Ela respirou fundo e se sentou.

- Jazz... Você tem certeza que é isso que você quer? Sair no mundo por uma mulher? Sendo que você tem sua família... Sua mãe... Não precisa trabalhar...

Ele respirou fundo.

- Tenho. – Falou enquanto girava o palitinho em seus dedos. – Alice... É frágil... Ela é a pessoa mais maravilhosa que eu conheci em toda a minha vida... Ela é a pessoa que merece qualquer tipo de sacrifício.

- Até mesmo esse?

- Todo tipo de sacrifício.

- E você vai trabalhar no que? – Ela perguntou. – Olhe Jasper, eu posso muito bem deixar esse mês limpo para você, mas eu não tenho condições de sustentar mais duas pessoas.

- Eu sei. – Ele concordou. – Eu não sei ainda, mas eu vou achar um emprego, Bella...

- Eu espero. O que ela tem?

Jasper deu de ombros.

- Uma bronquite. Pelo menos foi o que os médicos me disseram.

- Bronquite? – Edward perguntou.

- É... Ela tem tido pneumonias com freqüência e... Enfim...

No exato momento eles ouvem uma tosse seguida de um grito vinda de cima.

- Alice. – O rapaz murmurou assustado e saiu em disparada atrás da garota. Bella e Edward foram atrás.

Alice estava ajoelhada em frente à cama com um lenço de papel na boca, ainda tossindo.

- Alice! – O loiro se ajoelhou ao lado dela colocando a mão em suas costas. A moça arfou e tirou o lenço da boca.

- Desculpa. – Ela murmurou e se levantou fechando o lenço em sua mão e indo para o banheiro.

- Jasper... – Bella murmurou enquanto o rapaz continuava parado olhando para o nada. – Ela... Está tossindo sangue.

- Eu sei... – Ele murmurou e fechou os olhos pressentindo que a jornada seria muito longa.

[...]

- Você se lembra do dia que nós dois nos escondemos no depósito do armazém do senhor Smith? – Alice perguntou enquanto carregava uma mala e colocava em cima da cama. – Lembra?

Jasper sorriu.

- Claro que eu lembro. Você se entupiu de ameixa e o resultado não foi lá muito agradável.

Ela gargalhou e bateu nele com uma blusa.

- Idiota! – E os dois gargalharam, terminando de arrumar suas roupas. – Você tem certeza que é isso que você quer?

- Do que está falando? – Ele perguntou.

- Tem certeza que vai mesmo ficar comigo? Eu mereço mesmo todo esse sacrifício?

O rapaz sorriu.

- Sempre. – E a abraçou.

A garota começou a tossir e ele ficou preocupado.

- Não é nada, não se preocupe. – Ela disse.

- Não posso deixar de me preocupar. – Ele afirmou olhando para ela que apenas sorria.

- Tolo super protetor! – Ela disse e mostrou a língua para ele indo até o banheiro depois.

Ele respirou fundo passando as mãos por seus cabelos.

- Talvez.

Abaixou-se para guardar seus pertences e viu cair um caderno. Franziu o cenho, afinal, nunca o vira na vida.

Curioso, abriu e se deparou com a letra miúda de Alice.

Era uma música.

I can take the rain on the roof of this empty house, that don't bother me [Eu posso suportar a chuva no teto dessa casa vazia, isso não me incomoda]

I can take a few tears now and then and just let them out [Eu posso suportar algumas lágrimas de vez em quando e apenas deixá-las rolar]

I'm not afraid to cry [Eu não tenho medo de chorar]

Every once in a while even though goin on with you gone still upsets me [De vez em quando, apesar de que continuar sem você me chateia]

There are days [Há alguns dias]

Every now and again I pretend I'm okay but that's not what gets me [Que eu finjo estar bem, mas não é isso que me intriga]

What hurts the most, was being so close [O que mais machuca foi estar tão perto]

And having so much to say [E ter tanto pra dizer]

And watchin you walk away [E ver você partir]

Never knowing, what could have been [E nunca saber o que poderíamos ter sido]

And not seein that lovin you [E não ver que amar você]

Is what I was tryin to do [Era o que eu estava tentando fazer]

Alice saiu do banheiro usando um pijama de algodão. Era uma calça e uma blusinha de mangas. Encontrou o rapaz lendo suas anotações e sorriu. Aproximou-se dele e tomou o caderno das mãos dele.

- Ará! Peguei no flagra hun? – Gritou e sorriu fazendo o rapaz se assustar.

- Alice... Eu... Me Desculpe, não estava espiando, apenas vi o caderno no meio das minhas coisas, eu... – Ele começou a se explicar fazendo a garota gargalhar.

- Calma. – Ela pediu e folheou o caderno. – Não tem nada de muito interessante aqui. – Murmurou sorrindo.

- Eu... Gostei da música. – Ele disse sincero.

Ela sorriu.

- Têm mais algumas aqui. São coisas que eu escrevo quando não tenho nada para fazer.

Ele sorriu.

- Antes que você me diga, não falo de meus sentimentos. – Ela disse. – Eu falo de coisas que me vêem a cabeça. Não são sentimentos meus.

- Certo. – Ele falou assentindo. – As letras são lindas. Podem ser sucesso.

Ela deu de ombros.

- Não... Quero dizer, nunca pensei em fazer sucesso com elas. – Apontou para ele fazendo carinha de sapeca. – Você sabe melhor do que ninguém que não sei tocar um violão e muito menos cantar. Minha voz é igual à de uma gralha seca. E rouca! Você canta e toca melhor que eu... Deveria tentar. – Deu de ombros.

- Deveria? – Ele perguntou.

- Claro. Eu te ensino as melodias... Só... Compra remédios para dor de ouvido depois, ok?

O rapaz gargalhou e assentiu.

- Você vai fazer sucesso. – Ela disse perto dele. – Acredite.

Ele sorriu e segurou os cadernos.

[...]

A cidade era pequena e tinha um jeito de interior. Vindo do Texas, ele andou pelo asfalto com suas botas e o violão nas costas. Precisava arrumar emprego. Talvez tivesse a sorte de fazer algo que goste realmente.

Entrou em um comércio tranqüilo. Pessoas conversavam, amigos bebiam e jogavam pacificamente. Não parecia um bar. Nem de longe. Todos os bares na cidade eram assim?

- Boa tarde. – Ele ouviu um homem cumprimentá-lo. Levantou a cabeça completamente assustado e os olhos verdes percorreram o local mais uma vez.

Prevenção.

- Boa tarde. – Ele disse com um pequeno sorriso no rosto e tirou o chapéu por um momento, colocando-o de volta.

Sentou-se no banco e o homem do balcão, um senhor calvo com cabelos e um bigode branco, sorriu.

- O que quer meu filho?

Jasper respirou fundo e se debruçou no balcão colocando a cabeça em seus braços.

- Um emprego. – Murmurou.

O homem sorriu.

- Não tenho um emprego. Serve um copo de café?

O rapaz levantou os olhos assustado e franziu o cenho.

- Desde quando um dono de bar oferece um café?

- Desde o momento que o rapaz não aparenta encher a cara de pinga. – O homem respondeu olhando para ele com os olhos bondosos.

Jasper retribuiu com um sorriso pequeno e se assustou ao ouvir a voz forte que invadiu o local.

- Boa tarde senhor. – O rapaz disse e sorriu mostrando sua arrogância. Jasper virou-se e encontrou o um homem louro, musculoso de olhos claros. Ele então respirou fundo e voltou-se a olhar para frente.

- Boa tarde. – O homem respondeu acuado. Aquele era Emmett e ele quer a todo custo montar sua banda ali. Ele se dizia um empresário famoso e rico, mas não passa de um pilantra.

Os membros de sua "banda" eram pessoas que estavam atrás de um sustento.

Como Jasper.

Emmett olhou o bar e sorriu.

- Pensou na oferta? – Perguntou se apoiando no balcão enquanto Jasper se afastava.

O homem abaixou a cabeça e fitou as mãos. Sabia que não tinha escolhas, Emmett era uma espécie de líder por aí e o homem não seria louco de dizer um não.

- Sim... E... Vocês podem tocar aqui.

Emmett sorriu.

- Ótimo.! Só precisamos de um vocalista! – Disse e olhou para Jasper. Viu o violão em suas costas e sorriu. Jasper franziu o cenho e mordeu o lábio. – Você toca? – Emmett perguntou apontando para ele.

- Sim. – Respondeu.

- Então... Toque. Quero ouvir.

These Days – Rascal Flatts.

http:// *www.*4shared.*com*/file/49526685/f3705666/Rascal_Flatts_-_These_?s=1

N/A: A tradução dessa música eu não consegui achar de um modo mais fácil de colocar aqui, então,infelizmente vocês terão que procurar na net... :x

Jazz pegou o violão de suas costas, o desencapou e colocou sobre seu colo. Afinou o instrumento e dedilhou sobre as cordas a fim de saber se ele estava afinado.

Estava.

Começou a cantar e então Emmett cruzou os braços arqueando uma sobrancelha.

Hey baby, is that you?
Wow, your hair got so long
Yeah, yeah, I love it, I really do
'Norma Jean', ain't that the song
We'd sing in the car
Drivin' downtown, top down
Making the rounds
Checking out the bands on Doheeney Avenue

O homem dono do bar se debruçou sobre o balcão para poder contemplar o talento do menino a sua frente. Sorriu. Era um talento. Tinha futuro.

Yeah, life throws you curves
But you learned to swerve
Me I swung and I missed
And the next thing ya know
I'm reminiscin' dreaming old dreams
Wishing on wishes
Like you would be back again

As pessoas que ocupavam o lugar pararam para olhar o rapaz cantando. Os membros da banda de Emmett colocaram as mãos nos bolsos. Emmett continuou fitando o rapaz.

Fascinado.

I wake up and tear drops
They fall down like rain
I put on that old song we danced to and then
I head off to my job
Guess not much has changed

Punch the clock
Head for home
Check the phone, just incase
Go to bed
Dream of you
That's what I'm doing these days

Era de alguém determinado como ele. Que chamasse a atenção e que fizesse as pessoas sorrirem.

Alguém que pudesse lhe trazer dinheiro.

E fama.

Sorriu ao ver o rapaz ainda cantando, com a alma, como se dependesse daquilo para viver.

Podia ver as notas vibrando em suas cordas vocais.

Ele havia encontrado seu ouro.

- Ok. Chega. – Ele disse e Jasper parou na hora, olhando para ele um pouco desconfiado.

- É somente isso que eu sei fazer. – Ele falou e Emmett assentiu.

- Apenas isso?

- Apenas. – Afirmou olhando nos olhos do homem a sua frente. O verde e o azul entraram em uma discussão silenciosa.

Jasper sabia o tipinho de Emmett e não queria se envolver nisso.

Emmett estalou a língua maneando a cabeça.

- Você é modesto. – Falou. – Você tem um dom incrível. Deveria aproveitar.

- Não sei se devo. – Disse dando de ombros e guardando o violão na capa.

- Deve.

- Preciso de um emprego. – Jasper respondeu olhando dessa vez nos olhos de Emmett. – Não quero perder meu tempo cantando.

- E se você puder fazer os dois? – Emmett perguntou se aproximando dele.

- Está propondo?

- Que você entre na minha banda. – Ele respondeu. – Eu posso sustentar você.

Jasper fechou os olhos. A proposta era tentadora, mas ele não devia aceitar.

A banda tinha quatro membros... Os instrumentos eram revezados.

Mas o maior problema era Emmett.

Jasper sabia bem onde se meteria caso aceitasse. E ele não queria isso.

Não.

Era essa sua resposta para o homem a sua frente.

No exato momento que ia abrir a boca para falar, seu celular tocou.

- Bella?! – Ele atendeu o celular preocupado.

- Jasper!! Venha CORRENDO para o hospital. Alice... Alice está internada!

E o celular tremeu em suas mãos enquanto ele continuava em estado de choque.

Fim do capítulo 1.