Capítulo 3

Dean estava dirigindo. Desde que saíram de lá, nenhum dos dois tinha falado nada. Mas ambos sabiam em que o outro estava pensando. Sam finalmente resolveu falar:

– A chave disso só pode ser aquela rádio.

– É. Provavelmente Eloyza estava ouvindo aquela rádio quando morreu.

–Acho Eloyza era bastante religiosa.

– Porque diz disso?

– "Satã não gosta da forma que você tem agido..." Aquela "radialista do diabo" deveria estar se referindo a religiosidade. Eduardo disse que ia pra igreja toda a semana e que ia falar com o padre... Só pode ser isso.

– Hum... bem pensado.

Sam ligou o rádio do Impala e tentou localizar aquela rádio. Muitas estações estavam funcionando, diferente do rádio de Eduardo. Girou o botão do rádio até que foi possível, mas não encontrou aquela rádio.

– Estranho. – Falou Dean, vendo o resultado da tentativa de Sam.

– Talvez só funcione com algumas pessoas mais religiosas.

– É, talvez. Você viu como aquela radialista se referiu a Eduardo? Ela estava falando com ele. Acho que as pessoas são selecionadas. Todo o espírito segue um padrão.

– E talvez seja um demônio.

– É, pode ser. Mas se for também deve haver alguma ligação entre as vítimas.

Dean parou o carro.

– É aqui – disse ele.

Eles tinham ido visitar a família de Eloyza. Saíram do carro, viram que sentada em uma cadeira encontrava-se uma mulher que aparentava ter aproximadamente quarenta e cinco anos. Ela estava chorando muito. Deveria ser a mãe de Eloyza.

– Olá, somos da polícia – Falou Dean, ele e Sam mostrando as identificações falsas.

– Sentem-se – Disse a mulher soluçando.- Ah, eu me chamo Adriana.

Dean e Sam sentaram nas duas cadeiras restantes.

– Você é a mãe de Eloyza? – perguntou Dean.

– Sim.

– Podemos lhe fazer algumas perguntas? – Perguntou Sam.

– Ah, claro.

– Ããhh... Bem, hum... Sua filha costumava ouvir rádio?

– Sim, ela estava sempre com aquele walkman.

– Você sabe se tinha alguma estação de rádio que ela ouvia com mais freqüência do que as outras?

– Não sei, não.

– Dean viu que Adriana usava um crucifixo no pescoço.

– Belo colar.

– Ganhei de minha filha. Ela era bastante religiosa.

Dean e Sam olharam um para o outro com ar de vitória. Era exatamente aquilo que eles queriam ouvir.

– Hum... que igreja ela freqüentava?

– Ah, fazem cinco meses que se finalizaram as obras de uma pequena igreja católica não muito longe daqui, segundo o que Eloyza me contou. Pra falar a verdade eu nunca soube onde é, e não sei porque parecia que Eloyza nem fazia questão que eu soubesse. Ela não freqüentava igrejas antes de esta ser construída. Mas o único padre daquela igreja, o Charles, passou aqui em casa convidando-a para freqüentar sua igreja. Ele não me convidou, eu deduzi que a igreja talvez fosse para pessoas mais jovens, não tenho certeza. Eloyza começou a ir. Depois disso ela ia na segunda-feira de cada semana. Charles pareceu um cara legal.

Dean e Sam se entreolharam novamente. Os dois lembraram que Charles era o mesmo padre do qual Eduardo havia falado.

– Eloyza me disse que o padre não rezava missa nem dizia nada. Ela disse que as pessoas iam lá para se ajoelhar e rezar em pensamento...

– Ah, bem. Isso basta. Muito obrigado. – Disse Dean, e foram embora.