Capítulo 4

Dean e Sam foram até o hotel que estavam hospedados. Sam estava sentado na cama, e Dean andava de um lado para o outro.

– O que acha? Perguntou Sam.

Dean não respondeu.

– O ponto de ligação entre Eduard e Eloyza até agora é aquele padre.

Dean parecia preocupado.

– É bom agirmos rápido, Sam. Se Eduardo ouviu aquela rádio deve ser por que ele também vai morrer.

– Acha que devemos falar com aquele padre?

– Sim. Vamos agora.

Dean e Sam procuraram por alguma igreja nas proximidades da casa de Eloyza. Três quadras depois da casa viram uma pequena igreja de cor amarelo-claro e entraram. Não viram ninguém. Na igreja haviam quatro bancos de cada lado, e no altar havia uma pequena mesa. O estranho é que não havia nenhum crucifixo, imagens de Jesus Cristo ou qualquer santo. Não havia nenhum sinal de religiosidade lá dentro.

– Olá?! – falou Dean.

Alguns segundos depois saiu por uma porta localizada do lado direito do pequeno altar um padre calvo que aparentava aproximadamente cinqüenta anos.

–Posso ajudar? – perguntou simpaticamente.

–Você é o padre Charles? – pediu Dean

–Sim, sou eu.

–Ficamos sabendo dessa igreja por um amigo...

–Mentira sua! – disse o padre secamente.

Dean e Sam olharam para o padre assustados

–O que disse?

–Os membros dessa igreja são escolhidos a olho. Nenhum deles tem permissão de convidar alguém. Retirem-se!

–Cara, você é estranho. – Afirmou Dean.

–Eu mandei vocês se retirarem.

–Que tipo de igreja é essa? – Perguntou Sam. – Como você pode negar nossa participação?

–Não interessa. Saiam agora mesmo!

Dean se aproximou do padre com um olhar desafiador.

–Acho melhor você se comportar melhor, ou Papai Noel não te traz presentes no Natal.

Sam segurou dean pelo ombro para que ele parasse de desafiar o padre e perguntou:

–Charles, onde está a imagem de Cristo dessa igreja?

Dean entendeu que Sam perguntou aquilo porque se o padre estivesse possuído ele reagiria ao nome de Cristo. O padre fechou os olhos e deu um passo para trás. Aquilo podia ser um sinal, mas como ele fechou os olhos eles não tinham certeza, já que não puderam ver seus olhos negros

–A igreja é nova, ainda não compramos.

A forma de agir do padre pareceu demonstrar que aquilo não era verdade.

–Ora, qual é o problema, padre? – Perguntou Dean, subindo decidido no altar e indo em direção à única porta que havia na igreja aparentemente, além da porta principal. Charles tentou correr atrás de Dean para impedi-lo, mas ele já tinha entrado na sala. Lá ele pôde ver uma moça de mais ou menos vinte e cinco anos, cabelos pretos, sentada em uma cadeira à frente de uma mesa, sussurrando em um microfone.

– Então são vocês? E esta é sua radialista?

–Saia daqui!

–Cristo!

Os olhos do padre ficaram de um negro intenso e a moça se virou e olhou para Dean com os mesmos olhos negros. Dean correu para fora da sala para sair da igreja. Logo atrás dele vinha o padre e a radialista.

–Pega o exorcismo! – Falou Dean, jogando as chaves para Sam.

Sam correu até o carro.

Dean parou de repente e deu uma cotovelada na cara do padre que caiu no chão. Ele tentou se levantar mas Dean deu-lhe dois socos para ganhar tempo. A moça aparentemente ficou sem reação, mas em seguita tentou dar um soco na cara de Dean, que se abaixou evitando o golpe e deu-lhe um chute no estômafo, fazendo-a ir alguns paços para trás e cair de costas. Ela tentou reagir, mas Dean deu-lhe três socos na cara.

Dean viu que Sam entrava na igreja com um livro que possuía o ritual de exorcismo e além disso uma garrafa com água benta. Sam jogou a garrafa para Dean, que jogou no padre. O padre parecia estar queimando, e em seguida na radialista, e o mesmo aconteceu nela.

Sam começou a ler:

–Regna terrae, contate deo, psalite domino tribuite virtuten deo. Exorcizamus te, ominis immundus spiritus, omnis satânica potestas, omnis incuriso infernalis adversarii, omnis legio...

O padre interrompeu a leitura:

–Pare com isso, garoto. Vamos negociar. – Disse ele, ainda caído no chão, sem forças e respirando com dificuldade.

Sam olhou para Dean, que falou:

–Não dê ouvidos.

Sam voltou a ler:

–...omnis congregatio et secta diabolica. Ergo...

–É sério. – Falou a radialista, também caída no chão, falando sem fôlego – Vamos conversar. Você não querem fazer isso. Vocês deveriam nos ajudar. Vocês ganhariam muito com isso.

–Ah, é? – falou Dean – Ajudar vocês em quê? E o que ganharíamos?

–Ajudar a chamar as pessoas religiosas para freqüentar esse lugar, e depois...

–Depois matá-las? Nem pensar. Continue Sam!

­–Perditionis venenum propinare. Vade satana, inventor et magister omnis fallacial. Hostis humanae salutis...

–Vocês podiam ganhar força...

–Não pare, Sam! Não ouça. Continue!

–Humiliare sub potenti manu dei. Contremisce et effuge. Invocato a nobis sancto et terribile nomine.

O padre tentou levantar, mas Dean impediu com um chute.

–Quem inferi tremunt. Ab insidis diaboli, liberanos, domine.

Sam continuou lendo. Algumas vezes o padre ou a mulher tentavam reagir, mas Dean sempre impedia.

Sam leu o exorcismo até o final:

– (...) Ipse tribuite virtutem, et fortitudinem plebi suae, benedictus Deus, gloria patri.

Ao terminar de ler, uma espécie de fumaça preta e densa saiu pela boca do padre, e quase que ao mesmo tempo ocorreu o mesmo com a moça.

–Dois de uma vez só! Cara, isso foi incrível!

Sam sorriu aliviado.

Após a saída do demônio de ambos, o padre desmaiou, e a moça estava muito confusa:

–O que aconteceu?

–Fique calma. Eu sou Sam, esse é Dean. Nós estamos aqui para ajudar.

Algum tempo depois o padre acordou.

–Cinco meses. Isso aconteceu por cinco meses. As vezes eu acordava, sem saber o que estava acontecendo, depois eu simplesmente apagava. Era um demônio, não é? Eu já li a respeito, mas não sabia o que fazer.

– Você não poderia ter feito muita coisa. – Falou Sam.

–Como vocês estão se sentindo?

–Eu estou bem, – falou a moça levantando – só um pouco... confusa.

–Vocês conseguem lembrar onde moram? – Perguntou Sam.

–Claro! – disse a moça – Mas o que aconteceu, afinal?

–Acho que padre Charles vai poder lhe explicar.

–Posso sim. – falou ele.

A moça foi até a porta da igreja e olhou ao redor.

–Eu lembro desse lugar. Era um terreno baldio. Essa construção não estava aqui. Eu moro perto desse lugar. Quando essa igreja foi construída?

–Fomos nós que a construímos, há alguns meses atrás.

–Do que está falando?

–Eu moro em uma casa que pertence a outra igreja. Mais alguns padres moram comigo, mas é um pouco longe daqui. Vamos para sua casa. Eu posso explicar.

–Vamos. Minha casa é a algumas quadras daqui.

–Obrigado pela ajuda. – Disse o padre.

–Foi um prazer conhecer vocês – Disse a moça, muito confusa. Ela e o padre saíram da igreja.