Hitori no Mai
Kaigi
Um som alto e suave foi ouvindo, indicando que o elevador chegara ao andar de destino. A porta de metal se abriu e por ela passou um jovem rapaz. Rapaz que, ao passar pela janela do corredor, parou para observar a cidade. Estava no décimo oitavo andar, o último daquele prédio, o que lhe proporcionava uma boa vista da cidade. Podia ver o topo de alguns prédios e casas, além de uma praça em frente ao prédio em que estava. Ao fundo da praça, uma grande casa podia ser vista. Na fachada da casa, no segundo andar, estava uma placa pintada de preto e escrita com tinta vermelha estava a palavra Akatsuki. É claro que ele conhecia aquela boate, trabalhava nela também. Akatsuki era a mais famosa e mais badalada boate de Tóquio e uma excelente fachada para os negócios de Pain, seu chefe. Chefe este, que o estava aguardando.
Voltou a caminhar pelos iluminados e belamente decorados corredores. Pain era um famoso e poderoso empresário, dono da empresa na qual se encontrava. Uma empresa de perfumes, cuja marca levava o nome da esposa de Pain, Konan. Dono de uma empresa de perfumes e chefe de uma rede de prostituição, Pain era um homem de várias faces. Mas pensar em Pain, o fez lembrar-se da mais nova aquisição dele, o menino chamado Sai. Seu presente. Ainda se perguntava como Pain e Deidara o haviam conseguido. A tatuagem que Sai tinha abaixo da nuca deixava bem claro que um dia ele pertenceu ao seu tio-avô Madara. E Madara é rival de Pain no ramo da prostituição, então porque ele daria um de seus rapazes a Pain?
Balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos acerca de Sai. Se continuasse pensando naquilo, acabaria enlouquecendo. Até mesmo porque acabara de chegar na sala de seu chefe. Bateu três vezes e esperou. A resposta não demorou a vir. Logo a voz de Pain pôde ser ouvida de dentro da sala, autorizando-o a entrar. Abriu a porta enquanto entrava na sala, fechando a mesma assim que se encontrou dentro do escritório.
- Bom dia, Pain-sama. - cumprimentou.
Pain levantou o olhar para vê-lo. Estava em sua mesa, vendo alguns relatórios no computador. Seus olhos, de íris arroxeadas, analisaram seu subordinado. Itachi era seu melhor e mais confiável funcionário. Sabia que poderia delegar qualquer tarefa à Itachi e ele iria cumpri-la com perfeição e êxito. Com um movimento da mão, indicou que Itachi se sentasse na cadeira a sua frente. Foi prontamente obedecido.
- Bom dia, Itachi-san. - devolveu o cumprimento, sua voz saindo em um tom autoritário e frio - A razão pela qual o chamei aqui é que, como sabe, em breve lançaremos uma nova linha de perfumes e, por causa disso, precisamos de um modelo para nossa campanha publicitária.
- Sim, senhor.
- Sempre usamos um dos rapazes da boate como modelo e já tínhamos até escolhido o modelo dessa nova campanha. Mas Deidara, como responsável pela publicidade da empresa, teve uma idéia.
- Que idéia?
- A idéia de usarmos Sai como modelo.
- E por que justamente ele?
- Como o próprio Deidara disse: "ele é jovem, bonito e chama a atenção."
Itachi ficou em silêncio, embora por dentro estivesse completamente surpreso pela idéia de Deidara.
- O que acha, Itachi? - as íris arroxeadas de Pain estavam fixas na íris vermelhas de Itachi.
- Acho uma boa idéia, Pain-sama. Sai é um rapaz desconhecido e, por enquanto, ninguém sabe de sua conexão com a Akatsuki. Os outros modelos sempre deixavam escapar que frequentavam a boate e isso acabava prejudicando a imagem da empresa.
- Sim. Muito bem pensado, mas ninguém sabe da conexão de Sai com a Akatsuki porque ela não existe.
- Não estou entendendo, senhor.
- A conexão de Sai é com você e não com a boate. Esse rapaz pertence a você e não a mim, como os outros.
O comentário de Pain intrigou Itachi.
- Posso fazer uma pergunta, senhor?
- Claro.
- Porque Sai foi dado a mim?
- Sai foi dado à Akatsuki por Madara. Deidara, quando o conheceu, teve a idéia de dá-lo a você.
- Porque Madara daria um rapaz para a Akatsuki?
- Simples. Madara está se retirando do ramo da prostituição. Ele, agora, está se dedicando ao campo das armas e das drogas.
- Simples assim?
- Também achei estranho, mas não vejo motivos para desconfiarmos de Sai.
Itachi ficou em silêncio. Duvidava que Madara realmente tivesse se retirado do ramo da prostituição. Nesse submundo, Madara era quase tão poderoso quanto Pain.
- Enfim, está de acordo em usarmos Sai como nosso modelo, Itachi?
- Sim, Pain-sama.
- Ótimo. - Pain olhou em seu relógio de pulso - Marquei um almoço para você com Sasori.
- Como Sasori? - Itachi estranhou.
- Sim. Sasori é o fotógrafo da empresa. É dever dele, junto com o responsável pela campanha, a montagem da imagem e da publicidade.
- Sim, mas os responsáveis pelas campanhas são sempre Deidara e Hidan.
- Exatamente, só que nessa campanha, você será o líder e trabalhará com Sasori, Deidara e Hidan.
- Por quê?
- Porque, como disse antes, Sai pertence a você e não a mim. O almoço será no restaurante Ongaku em meia hora. Está dispensado, Itachi.
O rapaz fez uma silenciosa mesura antes de se levantar e sair.
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Após sair da sala de seu chefe, Itachi seguiu para o estacionamento do prédio. Em sua mente, meditava sobre a recém terminada reunião. Tinha a plena certeza de que Madara não abandonaria tão facilmente o ramo da prostituição, principalmente porque este o dava muito lucro. Ou seja, desconfiava das reais intenções de seu tio-avô ao dar Sai à Akatsuki. Consequentemente, desconfiava de Sai. E isso levava a outro problema. Sai era seu.
Abriu a porta de sua Mercedes preta e entrou. Colocou o cinto de segurança e ligou o carro. Enquanto manobrava para deixar o estacionamento, continuava a meditar. Se pudesse, matava Deidara! Que presente de grego o loiro fora arrumar! A última coisa que ele queria ganhar era algo - ou alguém - relacionado com seu tio-avô. Odiava Madara. Muitos poderiam pensar que esse ódio provinha dos negócios de Madara. Afinal, diferente de Pain, Madara não prezava pela descrição. Todo o mundo sabia quais eram o seus negócios. Mas ele não odiava Madara por causa disso. Aliás, nem podia, já que estava trabalhando no mesmo ramo. Odiava Madara por outros motivos.
Enquanto dirigia pelas ruas de Tóquio em direção ao restaurante, ligou o rádio. Tocava Chizuru da banda The GazettE. Sorriu enquanto ouvia a música. Gostava da música e da banda. Aquela música combinava com ele.
Parou o carro em frente ao restaurante. Desceu e ligou o alarme. Antes de entrar no local, olhou toda a fachada do estabelecimento. Era um restaurante simples e de pouco renome, mas o favorito de Pain. Todas as reuniões "casuais" da empresa eram feitas nesse restaurante. Respirou fundo e entrou. Assim que pisou no interior do local, seus olhos vermelhos começaram a procurar por Sasori. Logo o achou, em uma mesa nos fundos. Andou até ele.
- Bom dia. - Sasori cumprimentou assim que o colega se aproximou.
- Bom dia. - respondeu Itachi, enquanto se sentava.
Imediatamente um garçom se aproximou e ambos fizeram os pedidos. Assim que o garçom se afastou, começaram a reunião.
- Pain-sama me informou que você trabalhará na nova campanha. - comentou Sasori.
- Irei.
- Isso é incomum.
- Mas é a ordem de Pain-sama.
Os olhos castanhos de Sasori observavam o companheiro. Itachi estava inquieto, o que era estranho, e parecia incomodado com o novo trabalho. E ele tinha uma pequena ideia do motivo de tal incômodo.
- Sabe que usaremos o novo rapaz, Sai, não é? - perguntou.
- Claro. - Itachi respondeu.
- Não há problema nisso para você?
- E por que haveria?
- Por mais que meu namorado seja exibicionista, eu não gostaria de ver a imagem dele em propagandas pela cidade inteira.
- Sai não é meu namorado. E aposto que Deidara adoraria trabalhar como modelo em uma campanha.
- Sai pertence a você.
- É o que você diz.
Um discreto sorriso nasceu nos lábios finos de Sasori.
- Sabe por que Deidara lhe deu Sai? - perguntou olhando diretamente nas íris vermelhas do colega.
- Não.
- Não gostaria de saber?
Itachi não respondeu. Sasori interpretou o silêncio do colega como uma resposta afirmativa.
- Deidara acha que você é muito solitário. - continuou.
- Solitário?
- É.
- Então ele decidiu me arrumar uma companhia?
- Sim.
- E por que aquele rapaz?
- Deidara achou que ele seria perfeito para você.
- Por quê?
- Porque ele é tão solitário quanto você.
- Como assim?
Quando Sasori ia responder, uma voz se intrometeu na conversar e uma mão tocou o ombro direito de Itachi.
- Yo, Sr. Vice - presidente!
- Bom dia, Hidan. - respondeu enquanto tirava a mão de seu ombro.
- Bom dia. - cumprimentou Sasori.
- E então, - Hidan puxou uma cadeira e se sentou entre Sasori e Itachi - Já começaram a montar os planos para a campanha?
- Ainda não. - Itachi respondeu friamente.
- Ah que pena.
- Esqueceu que também é seu trabalho montar os planos para a campanha? - perguntou Itachi no mesmo tom.
- Não. Mas isso é um saco. - Hidan reclamou.
- Você como designer da empresa, tem um papel criativo fundamental. - comentou Sasori.
Hidan fez uma cara de desgosto.
- Temos um modelo já?
- O rapaz novo. - respondeu Sasori.
- Aquele que virou o xodó do Deidara?
- Esse.
- Pensei que ele tivesse dado o rapaz de presente para o Itachi. - Hidan apontou o dito rapaz.
- E deu.
- E você tá ok em ter seu rapaz posando como modelo da nova campanha da empresa?
- Eu não tenho nada com ele, Hidan.
- Como assim? O Deidara não tinha dado o rapaz para você pra ele ser seu puto?
Em um segundo todo o restaurante se voltou para a mesa dos três rapazes. Itachi estava com a mão fechada ao redor do pescoço do Hidan enquanto prensava o rapaz contra a parede dos fundos do restaurante. Os olhos vermelhos faiscavam com a raiva incontida.
- Aquele rapaz não é meu puto, Hidan. - Itachi falou em um tom baixo e controlado.
- Mas não foi para essa função que o Deidara o deu a você? - um sorriso sádico brincava nos lábios de Hidan.
- Não. - dessa vez quem respondeu foi Sasori. - Solte-o Itachi.
- Se ele não é seu puto, Itachi, por que você está todo nervosinho? - Hidan continuou a provocar.
- Porque eu tenho o mínimo de respeito pelas pessoas. Você ia gostar se eu te chamasse de "puto do Kakuzu"?
Agora Hidan ficou irritado. Com o pé, chutou o tronco de Itachi, fazendo o rapaz o soltar.
- Agora você não gostou não é? - provocou Itachi enquanto limpava o paletó.
Quando Hidan abriu a boca para retrucar, Sasori o interrompeu:
- Já chega, vocês dois. Podemos voltar a falar da campanha da nossa empresa?
- Claro. - respondeu Itachi voltando a se sentar.
Hidan se sentou em silêncio.
- Deidara não vai participar dessa reunião? - perguntou o dono dos olhos vermelhos.
- Não. - respondeu Sasori - Ele está ocupado, resolvendo alguns assuntos referentes à boate.
- Hn.
Após a pequena discussão, o almoço prosseguiu com certa tranquilidade, embora uma leve tensão ainda rondasse por entre Hidan e Itachi.
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À noite, após o expediente na empresa, Itachi resolveu ir até a Akatsuki. Não pela boate, mas por Sai. Queria vê-lo. Assim que entrou na boate, seguiu em direção ao segundo andar. Ainda se lembrava de qual quarto era o de Sai. Ao chegar no quarto que queria, bateu na porta e aguardou. Minutos depois, o barulho dela sendo aberta foi ouvido e o rosto de Sai apareceu.
- Boa noite, Itachi-san. - cumprimentou. O sorriso falso estampado em seu rosto.
- Boa noite, Sai. - respondeu seriamente.
- Entre, por favor.
Sai abriu um pouco mais a porta e deu espaço para que Itachi entrasse em seu quarto. O mais velho não se fez de rogado e logo entrou no aposento, analisando-o. O quarto continuava do mesmo jeito em que o encontrara na noite anterior. Enquanto Itachi estava parado, de pé, em frente a cama, Sai estava com as costas apoiadas na porta.
- Em que posso servi-lo, Itachi-san?
Itachi se virou para olhá-lo. Seus olhos observaram todo o corpo do rapaz. Sai com certeza fora uma boa escolha como modelo. Apesar do sorriso falso, o corpo de Sai poderia chamar a atenção de qualquer um. Corpo jovem, magro e definido. Pálido. A palidez da pele era destacada pelo cabelo, pelos olhos e pelas roupas negras.
Vendo que Itachi não pretendia responder, Sai se aproximou. Tocou o peito do dono dos olhos vermelhos com as duas mãos, deslizando-as pelo tórax, sentindo o quanto o corpo do mais velho era definido. Quando suas mãos atingiram a cintura, mãos alheias seguraram seus pulsos, mas seu toque não foi afastado. Sorrindo falsamente, Sai aproximou seu rosto do pescoço de Itachi, deslizando seus lábios pela pele exposta, distribuindo beijos e leves mordidas.
Itachi mantinha-se impassível, embora sentisse a temperatura de seu corpo aumentar cada vez que os lábios do mais novo tocavam sua pele.
- Por que faz isso? - perguntou.
- Porque é para isso que estou aqui. - Sai respondeu de forma calma, contra a pele de Itachi.
O Deidara não tinha dado o rapaz para você pra ele ser seu puto? As palavras de Hidan ecoaram pela mente de Itachi. Soltou um dos pulsos de Sai e com a mão, agora livre, segurou a nuca do rapaz, afastando-o de seu corpo.
- Não precisa fazer isso se não quiser. - disse olhando nas íris negras e opacas.
- E quem disse que eu não quero? - o mesmo sorriso falso.
A mão de Itachi deslizou para o pescoço de Sai, segurando-o da mesma forma que o segurara na noite anterior. Com um impulso, o jogou na cama, atrás de si.
- O que faz aqui, Sai? - perguntou friamente.
- Estou aqui para servi-lo, Itachi-san. Nada mais.
Itachi desabotoou e retirou o paletó negro. Em seguida, retirou a gravata vermelha. Por fim, abriu os primeiros botões da camisa social branca. Subiu na cama e ficou ajoelhado no colchão, com uma perna de Sai, que estava deitado, de cada lado da sua cintura. Tocou o corpo abaixo de si, na região do abdômen e deixou sua mão subir, passando pelo peito, tocando a garganta, a ponta de seus dedos deslizando pelo queixo e tocando levemente os lábios finos. Sua mão voltou a descer, parando na garganta de Sai, segurando-o.
- Por que Madara o deu para a Akatsuki? - seu tom de voz era frio e autoritário.
Mesmo na situação em que estava, Sai não deixava de sorrir.
- Porque ele se cansou de mim. Não tinha mais utilidade para ele.
Itachi ficou em silêncio, meditando sobre as palavras de Sai. O rapaz parecia dizer a verdade. E era bem típico de Madara tratar as pessoas como se fossem objetos, mercadoria. Pelo menos seu chefe tinha algum respeito pelos rapazes que possuía. Deixou que sua mão voltasse a deslizar pelo corpo de Sai, parando dessa vez sobre o peito do mesmo, sentindo a respiração calma. Sua mão começou a subir e a descer de forma leve. Conforme sua mão tocava o tórax de Sai, a respiração do mesmo se tornava mais rápida. Parecia que ele estava gostando daquele toque. Com esse pensamento, Itachi começou a aumentar a pressão com que tocava Sai. A respiração do mais novo se tornava mais rápida e profunda, quase ofegante. O corpo jovem arqueava, Sai lançava seu corpo contra a mão de Itachi.
Sai estava com problemas para respirar. O toque de Itachi, apesar de simples, era forte e quente. Sentir a mão do mais velho deslizar por seu corpo de maneira tão viciante o estava excitando. Ainda mais quando a outra mão de Itachi começou a agir, com o mesmo toque, só que dessa vez em sua perna. Deslizando desde sua cintura até seu joelho, tocando, apertando sua coxa.
Itachi passou sua mão para a parte interna da perna de Itachi, deslizando-a do joelho até quase a cintura do rapaz. Como a região era mais sensível, logo um gemido escapou dos lábios do mais novo. O dono dos olhos vermelhos sorriu ao ouvir o gemido de Sai, mas foi exatamente esse gemido que o trouxe de volta a realidade. Como se tivesse levado um choque, tirou suas mãos do corpo de Sai e saiu da cama.
- Itachi-san? - Sai chamou enquanto se sentava na cama, estranhando a reação do mais velho - Está tudo bem Itachi-san?
Itachi pegou sua gravata e seu paletó, que haviam sido jogados no chão. Voltou a se aproximar de Sai, novamente segurando-o pelo pescoço. Olhou nos olhos de Sai quando sussurrou firmemente suas palavras:
- Você não é meu puto, Sai!
Sai não entendeu a atitude de Itachi, ainda mais quando o mesmo o soltou e saiu do quarto.
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Itachi dirigia de volta para casa enquanto brigava consigo mesmo, mentalmente. O que ele fizera? Porque tocara aquele rapaz daquela maneira? Ele não era como seus colegas que volta e meia estavam passando a noite com um dos rapazes da boate. Ele nunca passara a noite com algum dos rapazes da boate. Nunca. Então por que agora ele...? Sai pertence a você e não a mim. As palavras de Pain voltaram a sua mente. Fez um movimento negativo com a cabeça. Não importava o que os outros poderiam dizer, aquele rapaz não pertencia a ele. Não podia pertencer a ele!
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Notas da Autora:
Kaigi = Reunião
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Obrigada
Lavi Black
