Hitori no Mai

Shashin

O ruído foi ouvido e seguido por uma forte luz. Em um dos estúdios da empresa, cinco rapazes trabalhavam. Nos fundos do estúdio o cenário de uma sala fora montado. Sofás azuis estavam espalhados pelo falso chão de madeira, assim como alguns outros móveis, tais como mesa de centro de vidro e criado mudo de madeira. Sobre o criado estava uma luminária e sobre a mesa de centro estavam alguns objetos de decoração. Ao fundo, havia uma janela, que era a janela do estúdio. Sobre a mesa de centro, estava Sai. Em volta dos cenários, várias luzes, entre outros equipamentos, estavam posicionadas.

O jovem vestia uma calça social preta e uma camisa de manga comprida, também social e negra. A camisa estava com os primeiros botões abertos, deixando um pouco de pele pálida à vista. As mãos do rapaz estavam apoiadas no vidro da mesa, atrás das costas. Uma das pernas estava dobrada, o pé descalço também apoiado no vidro. A outra perna permanecia esticada. A posição fazia com que o peito do jovem ficasse inclinado para trás, como se estivesse sendo exibido de propósito. Sai sorria, como de costume seu sorriso era falso, e olhava diretamente para o fotógrafo, Sasori. O ruivo, por sua vez, fotografava e indicava as posições em que o rapaz deveria ficar. Claro que, vez ou outra, era interrompido por Deidara que insistia em se meter na criação das posições, atitude que testava sua pouca paciência. Afastado dos dois e apenas observando a sessão de fotos, estavam Itachi e Hidan. O designer ria silenciosamente, divertindo-se com a briga do casal, que terminou com o fotógrafo empurrando o gerente de marketing para longe. Ao lado do designer, o vice presidente apenas observava em um sério silêncio. Seus olhos vermelhos sempre fixos no modelo. Em sua mente repassava todos os seus atos na noite anterior e o quanto eles pareceram agradar o dito modelo.

Um comando foi dado por Sasori e Sai mudou de posição. Se levantou e ficou de costas para os outros rapazes. Desabotoou um pouco mais a camisa e deixou que ela escorregasse levemente por seu ombro direito, revelando-o às luzes. Virou o rosto, ficando de perfil para a platéia. Enquanto o ruivo fotografava, o moreno olhava intrigado para o ombro recém descoberto. Em passos lentos, aproximou-se do fotógrafo, ficando mais perto do modelo. Aproveitando a curta distância que o separava do modelo, pôde analisar melhor o ombro pálido. Uma linha descia pelo ombro até as costas e sumia sob o tecido da camisa. Parecia uma cicatriz. Esse pequeno detalhe intrigou o vice presidente. Da onde viria aquela cicatriz?

-Agora vira pra gente e abre toda a camisa, un! - uma voz comandou, tirando o moreno de sua silenciosa análise.

-Deidara, quem indica as posições aqui sou eu! - repreendeu o fotógrafo.

O loiro apenas sorriu e, com um movimento da mão, indicou que o modelo deveria obedecê-lo. Sai então, virou-se, ficando de frente para os rapazes e abriu toda a camisa, deixando seu tórax magro, mas trabalhado, a vista. Deidara se aproximou e o arrumou na posição que queria. O gerente de marketing afastou um pouco mais o tecido, revelando mais da pele pálida. Deixou que o ombro direito permanecesse descoberto, fez com que Sai colocasse as mãos na cintura, os polegares por dentro da calça, os outros dedos apoiados no cós, sobre o cinto preto. Pediu que Sai afastasse um pouco as pernas, enquanto posicionava o rosto do rapaz. O modelo ficou com o rosto abaixado e virado para a esquerda, os olhos fechados e o sorriso falso desenhado em seus lábios.

Deidara, após finalizar seu trabalho, virou-se para Sasori.

-E então, o que acha, un? - perguntou sorrindo.

-Ficou bom. - respondeu o fotógrafo a contragosto.

Ainda sorrindo, o loiro se aproximou do ruivo e antes que este pudesse tirar a foto, roubo-lhe um selinho e se afastou. Sasori suspirou e voltou a trabalhar, um suave e discreto sorriso desenhado em seus lábios finos.

Enquanto se afastava, Deidara cutucou o braço de Itachi, chamando a atenção do moreno:

-E você, Itachi, o que achou, un?

-Ficou bom. - respondeu o vice presidente fingindo não notar a malícia implícita no sorriso estampado na face jovem. O loiro riu discretamente, percebendo o fingimento do colega, e se afastou, ficando próximo à Hidan e continuando a observar o trabalho do namorado.

Apesar da resposta dada, para o moreno a posição estava altamente sensual. O rosto baixo, as mãos na cintura, o peito à mostra, tudo deixava a posição sensual. E isso causava um certo efeito em si. Um efeito que despertava em seu ser o desejo de tocar o corpo daquele modelo do mesmo modo que o tocara na noite anterior. E isso era perigoso. Ele não podia se deixar levar pelo desejo. Fechou os olhos e respirou fundo. Quando voltou a abri-los, notou detalhes que não havia notado anteriormente. Detalhes como certas linhas que cortavam o abdômen trabalhado. Havia linhas marcando a região dos ombros e do estômago. Ele pôde contar quatro linhas. Quatro cicatrizes. E não eram pequenas. O que haviam ocorrido para que elas aparecerem ali? Aquele rapaz parecia ter sido torturado!

Depois de mais algumas fotos, a sessão foi dada por encerrada. Sasori liberou o modelo e guardou seu material. Tarefa simples que se tornou difícil quando um par de braços abraçaram sua cintura e um corpo colou ao seu, por trás e uma boca tocou seu pescoço.

-Tem mais algum trabalho para fazer, un? - uma voz manhosa foi sussurrada contra sua orelha.

-Não. Por quê? - respondeu, terminando de guardar seu material.

-Eba! Vamos para casa, un!

O loiro soltou a cintura do ruivo e segurou o pulso do mesmo, puxando-o para fora do estúdio.

-Me largue, Deidara! - reclamou Sasori enquanto era puxado.

-Olhem lá a putaria! - caçoou Hidan quando viu o casal passar por si.

-Fique na tua, Hidan, un! - respondeu o loiro sem parar de andar ou arrastar o namorado.

Hidan riu e olhou para Itachi.

-Eu também vou indo. Já vi o suficiente para bolar os cartazes e os álbuns da nova coleção. - informou enquanto andava em direção à saída do estúdio. - Você também, viu Itachi? Tome cuidado com a putaria!

Ao contrário do colega loiro, Itachi nem seu deu ao trabalho de responder.

x -

Assim que Hidan deixou o estúdio, o moreno se aproximou do modelo. Sai retirara a camisa social negra e procurava sua própria camisa, esta branca, pelo cenário. Quando a achou, a colocou, mas seu movimento foi interrompido por uma mão em seu ombro direito. A pele que o tocava era quente e os dedos deslizavam por sua própria pele em uma suave carícia. O jovem rapaz sentia que aqueles dedos estavam tocando, contornando, a cicatriz que possuía no ombro.

-Itachi-san? - chamou, parando de tentar colocar a camisa e ficando de perfil, tentando ver o homem atrás de si. O tecido ficou largado por suas costas, sendo segurado por seus braços flexionados e já vestidos. Suas mãos seguravam nos contornos da veste para que esta não escorregasse.

-Como conseguiu essa cicatriz, Sai? - Itachi perguntou, seus dedos ainda deslizando pela pele do rapaz, abandonando o ombro e seguindo para baixo, tocando as costas e as outras cicatrizes que lá haviam. Logo a outra mão foi adicionada a esse trabalho e os dedos do vice presidente passeavam livres pela pele pálida, sentindo o quanto ela era macia e suave.

-Pelas mãos de Madara, Itachi-san. - o modelo respondeu suavemente.

O mais velho ficou alguns segundos em silêncio, pensando. Madara deveria ser algum louco para machucar Sai daquele jeito. A pele pálida estava marcada com várias linhas, várias cicatrizes.

-Por que ele o machucou? - o moreno subiu os dedos pelas costas do mais novo, parando-os na altura dos ombros. Deu um passo para frente e seu corpo ficou praticamente colado ao corpo do modelo.

-Sádico prazer, eu diria. - a resposta de Sai foi dita em um tom baixo, quase no tom de um sussurro.

Os dedos do mais velho voltaram a deslizar pele pálida, dessa vez pelos braços. Em um toque suave, os dedos deslizaram dos ombros para a extensão do braço e continuaram descendo, parando quando alcançaram as mãos fechadas. O toque voltou a subir e a descer, continuamente, suavemente. O rapaz de olhos vermelhos abaixou o rosto, encostando-o ao rosto do moreno. Este, por sua vez, apoiava a cabeça no ombro do outro.

-Por que não lutou contra Madara, Sai? - a pergunta foi dita em um tom baixo e levemente rouco, diretamente no ouvido do modelo.

-Eu não podia, Itachi-san. - Sai mantinha a voz calma e suave, mas a respiração descompassada denunciava que os leves toques do mais velho o afetavam.

-E por que não? - o vice presidente manteve o tom baixo e levemente rouco enquanto seus dedos escapavam dos braços para o abdômen do modelo. Itachi deslizava os dedos por todo o abdômen de Sai, para cima e para baixo, parando e retornando quando encontrava o cós da calça negra ou a linha que fazia a divisão entre o peito e o abdômen.

-Você sabe o porque, Itachi-san. - Sai virou o rosto, afastando-o do rosto do mais velho ao mesmo tempo em que expunha a tatuagem que possuía na nuca. A mesma tatuagem que convencera Itachi a aceitá-lo.

Os olhos vermelhos observaram aquela particular tatuagem. O desenho era completamente negro e composto por duas linhas em forma de ondas separadas por um círculo. Dentro do círculo havia uma espécie de estrela, só que com seis pontas. Itachi encostou os lábios na tatuagem enquanto deixava que seus dedos escorregassem um pouco mais, parando sobre as coxas do mais rapaz baixo. Segurou firme e afastou um pouco as pernas do modelo. Em seguida, chupou com considerável intensidade a pele sob seus lábios. Tal ato fez com que Sai arqueasse para trás, seu corpo se curvando em direção à boca do mais velho, e um gemido escapasse por entre seus lábios finos. Com o movimento de Sai, os dedos de Itachi deslizaram um pouco mais, tocando a parte interna das coxas do modelo.

O mais velho colocou uma perna por entre as pernas do mais novo e, sugando a pele sob seus lábios mais uma vez, fez com que o corpo pálido se curvasse para frente. Mais um gemido deixou os lábios de Sai enquanto este se ajoelhava no chão, suas mãos deixando o tecido da camisa para se apoiarem no vidro da mesa de centro. Itachi se ajoelhou atrás do modelo, sem o soltar por um segundo sequer. Afastou os lábios da tatuagem e deixou que seus dedos subissem pela coxa do rapaz, novamente tocando o ventre desnudo. Apoiou o queixo no ombro de Sai e deixou que seu olhar vermelho vagasse pelo cenário cuidadosamente arrumado. Sem intenção seu olhar caiu sobre a janela do estúdio. O dia começava a findar, o sol se punha lá fora e o vidro refletia a imagem dele e de Sai. Seu olhar ficou fixo na imagem refletida enquanto pensamentos voavam por sua mente. A tatuagem. Embora todo o seu corpo queimasse em um estranho e súbito desejo de ter aquele rapaz, ele não podia fazer aquilo. Sai não merecia aquilo.

Suspirando, o mais velho soltou o corpo do modelo. Encostou seus lábios no ouvido do rapaz e sussurrou:

-Troque-se. O levarei de volta à boate. - levantou-se e afastou-se do mais novo.

Sai também se levantou e fez o que lhe fora ordenado. Trocou de roupa, sua própria roupa estava sobre um dos sofás do cenário. Não teve vergonha de se trocar no estúdio mesmo. Não havia motivo para ficar encabulado ou nervoso, estava acostumados a situações desse tipo. A única coisa que o deixava nervoso, não, curioso seria a palavra certa, era a atitude do mais velho. Aquela era a segunda vez que aquilo acontecia. Itachi se aproximava e se afastava. Sai não conseguia entender o que se passava na cabeça do rapaz de olhos vermelhos.

Quando terminou de se trocar foi chamado por Itachi. O vice presidente o levou até o estacionamento e de lá, levou-o de carro até a boate.

x -

A luz do abajur era a única fonte de iluminação presente no quarto. Na cama, dois rapazes estavam sentados, suas costas encostadas na cabeceira de madeira. Um era loiro de olhos azuis e o outro era ruivo de olhos castanhos. Estavam sem camisas, expondo assim os corpos definidos e de pele clara. As pernas estavam cobertas pelo edredom branco. Nas mãos de ambos, estava uma taça de cristal preenchida com um líquido de cor vermelho escuro. Entre eles, apoiada no colchão, uma garrafa de vidro azulado se encontrava.

-Sasori. - chamou o loiro após tomar um gole de vinho.

-O que é, loiro? - respondeu o ruivo enquanto colocava a garrafa em cima do criado mudo, ao lado da cama.

-O que significa aquela tatuagem do Sai-kun? Itachi-san pareceu ficar abalado depois de vê-la.

O ruivo suspirou enquanto pegava um maço de cigarros e um isqueiro na gaveta do criado mudo. Pegou e acendeu um cigarro ao mesmo tempo em que voltava a encostar as costas na cabeceira.

-Você já ouviu falar de Uchiha Madara? - Sasori perguntou enquanto acariciava a face jovem do namorado.

-Claro. É o rival de Pain-sama. - respondeu o loiro.

-E também o tio-avô de Itachi. - o ruivo completou para depois dar uma tragada no cigarro.

-É, eu sei. - comentou o loiro sentando-se de frente para o companheiro. - Mas o que isso tem haver com a tatuagem do Sai-kun?

-Sai foi dado à Akatsuki por Madara, certo? - o loiro fez um leve movimento com a cabeça concordando – Aquela tatuagem é uma marca que mostra que Sai, um dia, pertenceu à Madara.

-Foi isso que abalou o Itachi-san? - questionou Deidara.

-Madara não é o único Uchiha nesse ramo. Ele conta com outros membros da família em seus negócios. E ele tem a fama de não ser muito bonzinho com os rapazes que possui. Há boatos de que os escolhidos de Madara, chamados de preferidos, sofrem horrores nas mãos dele. Dizem que ele é um verdadeiro sádico. - Sasori tragou mais uma vez. Deidara permaneceu em silêncio – E os preferidos de Madara servem não só a ele, mas a todos os Uchihas. Esses preferidos recebem uma marca para mostrar a quem eles pertencem. Essa marca é a tatuagem de Sai.

-Então, Sai-kun era um dos preferidos de Madara? - perguntou o loiro.

-Isso. - respondeu o ruivo apagando o cigarro no cinzeiro que estava ao lado da garrafa. - Os preferidos, por servirem aos Uchihas, também são chamados de brinquedos dos Uchihas.

-Então deve ser por isso que Itachi-san se recusa a ficar com Sai-kun. Ele não quer que Sai-kun se torne um brinquedo novamente. - comentou o loiro.

-Tenho certeza disso. - respondeu o ruivo.

Deidara ficou em silêncio. O olhar azul estava baixo e pensativo. Sabia o quanto o colega era solitário e a sua única intenção ao dar Sai a ele, fora a de amenizar essa solidão. Mas parecia que ele tinha conseguido complicar ainda mais a situação do colega e amigo. Sasori se aproximou e com uma mão tocou na lateral do rosto do loiro, trazendo o olhar azul para si. Com a outra mão depositou a taça que segurava em cima do criado mudo, logo fez o mesmo com a taça do loiro. Em seguida, com a mesma mão, tocou no pescoço claro. Aproximou a boca da orelha do namorado.

-Nem todo mundo tem a nossa sorte. - o ruivo sussurrou enquanto deslizava a mão do pescoço até a cintura do loiro.

Deidara suspirou e colocou as mãos sobre o ombro de Sasori. Deixou que suas curtas unhas marcassem toda a extensão das costas brancas do ruivo enquanto caminhavam por ela. O fotógrafo forçou o corpo para baixo, automaticamente fazendo o namorado deitar. Seus olhos castanhos estavam fixos nos olhos azuis. Afastou o edredom e deitou por cima do corpo do namorado, beijando-o de forma intensa e apaixonada. Deidara parou os dedos na cintura do ruivo, aplicando um pouco de força para puxar o corpo do namorado para mais perto do seu ao mesmo tempo em que retribuía o beijo na mesma intensidade e da mesma forma apaixonada.

x -

Itachi andava em direção ao seu carro, estacionado em frente a boate. Deixara Sai em segurança no quarto. Ele não entendia. Por que ele se sentia tão atraído por aquele rapaz? O que havia nele, no jeito, na voz dele para deixá-lo tão... desejoso de tudo isso?

O rapaz suspirou e pegou as chaves do veículo no bolso da calça. Tocou na porta do automóvel, mas parou quando sentiu uma presença perto de si. Uma presença que ele não apreciava.

-Olá, Itachi-kun. - uma voz cumprimentou do outro lado do carro.

O dono dos olhos vermelhos levantou o olhar. Do outro lado, parado na calçada, estava um homem. Os cabelos, curtos e negros, estavam soltos e tocavam o rosto conforme o vento batia, os olhos negros possuíam um brilho maroto e nos lábios vermelhos um sorriso estava desenhado. O homem estava vestido socialmente com um belo terno negro.

-Madara. - Itachi respondeu enquanto caminhava em direção ao homem.

X -

Notas da Autora:

Shashin = Fotografia

Etto... uma pergunta: Alguém gostaria de ver um lemon ItaSai? No momento estão tendo só amassos e está nos meus planos colocar um lemon, mas gostaria de saber se mais alguém, além de mim, quer. Ou se quiserem outro casal, tipo SasoDei, é só falar. ^^"

Por favor, deixem reviews. Críticas e sugestões são sempre bem vindas, obrigada. E que que custa hein? Deixar um reviewzinho para uma autora baka que nem eu? Lembre-se: faz bem ao coração! Ao seu e ao meu! 8D

Obrigada