Hitori no Mai
Sekininsha
Itachi caminhou lentamente até onde o outro homem estava. Parou de frente para este, suas mãos estavam nos bolsos da calça, fechadas, um movimento que denunciava que estava nervoso com aquela presença. Seus olhos vermelhos estavam fixos nos olhos negros do mais velho. Perguntava-se o que ele queria, o que ele estava fazendo ali, abordando-o de forma tão inesperada.
-O que quer, Madara? - perguntou com o tom de voz sério e firme.
-Apenas lhe ver, Itachi-kun. - respondeu Madara. Os olhos negros do mais velho possuíam um brilho diferente, maroto, um brilho que não inspirava confiança. Assim como o sorriso debochado que mantinha desenhado nos lábios. - Estava preocupado com você.
-Ah é? - o jovem de olhos vermelhos riu levemente. Não acreditava em nenhuma palavra que ousava deixar a boca do outro homem. - E por que justamente você estaria preocupado comigo?
-Amanhã é 23 de julho, Itachi. Imagino que saiba o que isso significa. - Madara mantinha o tom de voz suave e calmo, mas um leve timbre de malícia era perceptível.
Itachi não respondeu. Porém cerrou os olhos levemente e as mãos dentro dos bolsos se fecharam com mais força. Aquele homem estava brincando como fogo. Como Madara ousava falar sobre aquilo com ele?!
-Estava me perguntando, Itachi-kun. Quantos anos Sasuke-kun faria amanhã? 19? 20? Ou será que você não se lembra mais?
Aquilo foi a gota d'água para o mais novo. Em um segundo, Itachi estava acertando um soco no rosto de Madara. O mais velho não deixou por menos e revidou na mesma moeda. Em questão de minutos, ambos estavam lutando em frente a boate. Socos e chutes eram trocados. Em um movimento rápido, Itachi conseguiu dar uma rasteira em Madara, derrubando-o. O dono dos olhos vermelhos aproveitou e subiu em cima do mais velho, socando-o repetidamente na face.
x-x
Apesar da música alta, o som da briga que acontecia do lado de fora logo chegou no interior da boate. Dentro da Akatsuki todos pararam de dançar e começaram a se perguntar da onde viria aquele som e quem estaria brigando. Aqueles que estava mais próximos da porta logo descobriram a origem do som e se amontoaram através das portas de vidro para assistir a luta entre os dois Uchihas.
Hidan descia as escadas quando reparou na multidão grudada nas portas. Atrás de si vinha Kakuzu.
-Que porra está acontecendo ali? - perguntou o designer.
Nesse momento um rapaz apareceu subindo as escadas rapidamente. Era jovem e chamava a atenção pela estranha maquiagem que usava. Um dos lados de seu rosto estava pintado de preto enquanto o outro estava pintado de branco. Os cabelos, curtos e arrepiados, estavam pintados de verde. O rapaz parou assim que avistou Hidan e Kakuzu.
-É o Itachi. Ele está brigando com Madara. - avisou.
-E por que você não foi pará-lo, porra?! - perguntou Hidan.
-Eu não sou o tipo de pessoa que se mete em brigas alheias. - respondeu o rapaz.
-Então faça algo útil e avise Pain-sama sobre essa briga, Zetsu. - ordenou Kakuzu.
O rapaz não respondeu, apenas continuou subindo as escadas indo na direção do escritório de Pain.
-Vamos lá parar o Itachi, Hidan. - chamou Kakuzu.
O designer apenas riu e seguiu o companheiro até o andar inferior.
x-x
Itachi não pensava em nada. Agia por puro instinto. Socava e socava a cara de Madara sem pausa. Quem aquele homem pensava que era para falar de Sasuke?! Ele não tinha nem o direito de dizer aquele nome! Não tinha!
De repente, Itachi se sentiu sendo puxado para longe de Madara. Se debateu e tentou se soltar, mas alguém segurava seus braços enquanto outra pessoa o empurrava pela cintura. Apesar de estar sendo afastado, viu quando Madara se levantou e sorriu para si. Um sorriso cínico e superior, o típico sorriso de alguém que atingiu um sórdido e sádico objetivo.
-Deveria aprender a se controlar melhor, Itachi-kun. - Madara comentou enquanto limpava um rastro de sangue no canto da boca.
-Seu desgraçado! - Itachi tentou avançar novamente, mas foi impedido. - Filho da puta!
-Ora! Isso é jeito de falar com seu tio-avô, Itachi? Alguém que veio aqui por que estava preocupado com o seu bem estar, ainda mais com uma data tão importante quanto a de amanhã chegando.
-Seu...! - novamente Itachi tentou partir para cima de Madara, mas foi segurado.
-Chega! - uma voz forte e autoritária foi ouvida.
Itachi parou de se debater e tentar avançar em Madara. Este, por sua vez, apenas sorriu para o recém chegado.
-Boa noite, Pain. - cumprimentou.
-O quê faz aqui, Madara? - o tom de voz de Pain não deixava margem para oposições.
-Vim ver meu sobrinho-neto, nada mais. - Madara mantinha o tom de voz calmo e suave contrastando com o tom forte e imperioso de Pain.
-Pelo visto fez mais do que apenas vê-lo. - o dono da Akatsuki apontou para as roupas sujas de poeira e sangue de Madara e Itachi.
Madara não respondeu. O sorriso ainda presente em seus lábios.
-Vá embora, Madara. - ordenou Pain. - E você entre, Itachi.
Pain não esperou por uma resposta e entrou na boate. Madara apenas observou. Quando todos entraram foi embora rindo.
x-x
Enquanto tentava se acalmar, Itachi foi reparando melhor no ambiente que o rondava. Era arrastado pelas escadas em direção ao segundo andar. Seu braço direito era segurado por Hidan, o esquerdo por Kakuzu. Logo deduziu que foram eles que o tiraram de cima de Madara. À frente deles ia Pain, ao lado deste, andava Zetsu.
Quando chegaram no segundo andar, caminharam até o final do corredor onde havia uma escada escondida. Essa escada dava acesso ao terceiro andar, que era onde se localizava o escritório de Pain. Ao chegarem no recinto, Itachi foi jogado em uma sofá de couro negro.
O escritório de Pain era grande e belamente decorado. Alguns móveis, como mesa e estante, eram feitos de madeira. O sofá onde estava Itachi ficava encostado em uma das paredes, a frente do sofá ficava a mesa de Pain, onde o mesmo se encontrava, ao lado da mesa havia uma estante e do outro lado, a porta de acesso. Pelas paredes algumas lâmpadas estavam espalhadas, colocadas em seus devidos suportes.
-Hidan, Kakuzu e Zetsu estão dispensados. - disse Pain. Os três mencionados se retiraram. O líder do lugar estava com a parte de trás do corpo apoiada na beirada da mesa, os braços cruzados e o olhar arroxeado fixo no subordinado. - O quê houve hoje, Itachi?
-Nada, Pain-sama. - respondeu o segurança.
-Nada? Você estava trocando socos com Madara em plena rua! Ele deve ter feito algo para conseguir te tirar do sério dessa maneira.
Itachi respirou fundo e passou as mãos pelo rosto, afastando alguns fios de cabelo que caiam sobre ele. Não se atrevia a olhar para o superior. Permaneceu em silêncio.
-Eu ouvi quando Madara citou a data de amanhã. - comentou Pain.
-Foi por isso que você o socou? - uma voz suave foi ouvida.
O Uchiha levantou o olhar e viu uma jovem mulher se aproximando. Ela era bela. Possuía os cabelos curtos, em um tom que lembrava o azul quase roxo e olhos claros. Uma rosa feita de origami enfeitava os fios presos, combinando com o vestido negro que cobria o corpo pálido. O vestido, longo e simples, era decorado com o desenho de várias rosas brancas. Ela se aproximou e lhe entregou um pequeno saco plástico com gelo. O rapaz aceitou o saco e o colocou sobra a lateral do rosto, onde Madara havia dado um soco especialmente forte. Um rastro de sangue marcava essa lateral da boca do segurança.
-Obrigado, Konan-sama.
-Foi por isso, não foi, Itachi? Por ele ter citado amanhã? - a mulher perguntou no mesmo tom de voz suave enquanto se sentava ao lado do rapaz.
-Sim, foi.
-Vá para casa descansar, Itachi. Amanhã tem o dia de folga. - disse Pain.
-Obrigado, Pain-sama. - o rapaz se levantou e fez menção de devolver o saco de gelo para a mulher. Com um movimento da mão, Konan indicou que ele deveria levar. Com um leve movimento da cabeça Itachi agradeceu. - Boa noite. - se retirou.
Assim que Itachi deixou o escritório, Konan se levantou e se aproximou de Pain.
-Tome cuidado, Pain. - disse enquanto abraçava o rapaz pela cintura.
-Por que, meu amor? - Pain retribuiu o abraço.
-Madara não aparece sem motivo. Quando ele resolve se revelar é porque quer algo.
-O que você acha que ele quer?
-Eu não sei. Mas parece que o alvo é o Itachi. - Konan depositou um leve selinho nos lábios do marido e se afastou, deixando o escritório.
Pain suspirou enquanto via a esposa se afastar. O que Madara poderia querer com Itachi?
x-x
Uma garoa intensa caía sobre a cidade, abaixando a temperatura e dando um ar melancólico ao dia que apenas começava. Em um apartamento no centro de Tóquio um insistente e alto som era ouvido.
Sonolento, Sasori se levantou e saiu da cama, caminhando em direção a sala. Bocejou e se espreguiçou. Enquanto ia em direção ao telefone, que não parava de tocar, passou as mãos pelos braços tentando se esquentar. Uma brisa fria circulava pelo apartamento e ele estava apenas de boxer. Suspirando, atendeu o telefone.
-Alô.
-Pain. - a voz do outro lado da linha respondeu.
-Pain-sama? - o fotógrafo estranhou. - Aconteceu algo?
-Não. Mas preciso que realize uma tarefa.
-Claro. O que é?
Conforme Pain falava, Sasori olhava pelo apartamento procurando um objeto em particular. Quando o achou, jogado em um sofá, o pegou e confirmou as informações que seu chefe passava pelo telefone.
-Pode fazer isso, Sasori?
-Claro, Pain-sama.
-Ótimo. Vejo-o mais tarde na empresa.
-Sim, senhor.
Sasori desligou o telefone e voltou para o quarto. O objeto ainda em suas mãos. Antes de chegar no aposento passou no banheiro e lavou o rosto. Parecia que ia ser um longo dia. Enxugou o rosto e enquanto pendurava a toalha com uma mão, com a outra pegava o calendário que havia achado no sofá.
Quando chegou no quarto, se ajoelhou no cama e sacudiu o corpo de Deidara.
-Deidara, acorde.
-Un? - a resposta murmurada saiu abafada pelo lençol que cobria o rosto do rapaz.
-Acorde, Deidara! - repetiu o ruivo.
O dito rapaz abriu os olhos e esticou a mão em direção ao criado mundo, pegando o celular. Apertou um botão e resmungou, voltando a colocar o celular no criado mundo e a se ajeitar na cama.
-Tá cedo, Saso-chan, un. - respondeu com a voz manhosa.
Sasori respirou fundo e pegou o próprio travesseiro. Olhou para o rapaz deitado na cama, de costas para si. Bateu com tudo o travesseiro nas costas de Deidara.
-Acorda, loiro! - mandou com um tom de voz mais alto.
-Aiê, Saso-chan, un! - Deidara reclamou enquanto se sentava na cama e passava a mão nas costas.
O fotógrafo fechou os olhos e tentou se controlar. Havia se esquecido do quão manhoso o loiro era quando acordava. Abriu os olhos e saiu da cama.
-Arrume-se! Temos que sair.
-Está cedo para irmos trabalhar, un. - Deidara comentou ao mesmo tempo em que abraçava o travesseiro de Sasori.
-Não vamos trabalhar. Vamos visitar o Itachi. - Sasori respondeu enquanto pegava uma camisa em uma gaveta e vestia.
-Por quê?
-Ordens de Pain-sama. - Sasori respondeu enquanto terminava de colocar a calça e procurava o cinto pelo chão do quarto.
-Aconteceu algo com Itachi? - Deidara perguntou, preocupado.
O ruivo não respondeu. Pegou o calendário em cima da cama e jogou na cara do loiro.
-Olhe que dia é hoje.
Deidara pegou o calendário e olhou o dia. Logo entendeu o por que das ordens de Pain. Suspirando, deixou o calendário de lado e se espreguiçou. Saiu da cama e andou até Sasori. Sorrindo, pulou em cima do fotógrafo, abraçando-o e beijando-o. Com uma mão Sasori segurou a cintura de Deidara e com a outra segurou no criado mudo tentando ter algo para se apoiar enquanto retribuía o beijo.
-Vá colocar uma roupa. Está frio. - Sasori mandou após quebrar o beijo.
-Ok,un. - Deidara respondeu caminhando em direção ao guarda roupa.
Sasori sorriu e andou até onde Deidara estava. O puxou pela cintura, fazendo-o cair em seu colo. Segurando-o, esticou a mão e pegou uma gravata que estava pendurada na porta do guarda roupa. Deu um leve beijo bochecha do loiro e se afastou.
-Apresse-se. Temos que ir.
-Hai hai, un. - Deidara concordou enquanto bocejava e pegava a própria roupa.
x-x
Sozinho no imenso apartamento, Itachi bebia um copo de café enquanto andava pela sala. Seus olhos vagavam por todo o cômodo, vez ou outra parando na janela. A chuva começava a se intensificar. Em breve se tornaria uma tempestade.
Praticamente não dormira na noite anterior. Ficara remoendo o que Madara dissera, o que aquele dia chuvoso significava. Suspirou enquanto tomava um gole de café e seu olhar vermelho caía sobre o rack ao seu lado. Sobre o topo do rack, várias fotos estavam espalhadas. Uma em especial chamou a atenção de Itachi. Ela estava colocada em um simples porta retrato de armação preta. Na foto estavam ele e mais um rapaz. O rapaz parecia ser mais novo que o jovem de olhos vermelhos. Os dois estavam lado a lado, Itachi sorria enquanto o outro rapaz fazia uma cara que expressava a raiva que sentia por ter Itachi apertando suas bochechas.
Itachi sorriu enquanto pegava o porta retrato. Aquela fora a última foto que tirara ao lado dele. A última foto em que ele apareceria. O sorriso em seu rosto sumiu ao mesmo tempo em que colocava o porta retrato no lugar, com a foto virada para baixo.
x-x
Sasori estacionou o carro em frente ao prédio que Itachi morava. Saiu com Deidara, ambos correndo para chegarem logo dentro do prédio para assim não se molharem muito. Andaram até o elevador e esperaram. Por sorte, ou azar, Itachi morava no vigésimo andar, o último andar. Quando o elevador chegou, entraram. O silêncio dominou boa parte do trajeto, até ser quebrado por Deidara.
-Espero que Itachi esteja bem.
-Você acha que ele está? - Sasori perguntou.
Deidara suspirou: - Eu sei que ele não está,un.
-Há quanto tempo você conhece o Itachi? - Sasori questionou.
-Desde que tínhamos dez anos. Ou seja, há treze anos. - o loiro respondeu. - Por quê?
-Curiosidade. - respondeu o ruivo.
-E você, conhece o Itachi há quanto tempo?
-Oito anos.
Mais alguns momentos de silêncio se seguiram.
-Foi um baque para ele. - comentou Deidara.
-E que baque. - concordou Sasori.
Nesse momento um som foi ouvido indicando que o elevador tinha chegado no andar de destino. A porta se abriu e os rapazes seguiram pelo corredor até o apartamento de Itachi. Bateram na porta e aguardaram. Alguns segundos depois, Itachi a abriu.
-Sasori? Deidara? O que fazem aqui? - Itachi perguntou, estranhando a presença dos amigos.
-Viemos conversar. - Deidara respondeu sorrindo.
-Sei. - Itachi abriu mais a porta e afastou o corpo, indicando que os dois amigos deveriam entrar. Depois que os rapazes passaram, Itachi fechou a porta e encostou na mesma.
-O que vocês realmente vieram fazer aqui? - perguntou enquanto tomava um gole de café.
-Viemos ver como você está. - respondeu Sasori.
Itachi suspirou e desencostou da porta: - Estou bem.
-Você nunca fica bem nesse dia! - objetou Deidara.
-E daí? - Itachi replicou enquanto se afastava dos amigos e deixava o copo em cima da mesa.
-Não foi sua culpa, Itachi. - disse Sasori.
-Sasori tem razão, Itachi. Não foi sua culpa! Não havia nada que você pudesse fazer! - completou Deidara.
-Não foi minha culpa?! Não havia nada que eu pudesse fazer?! - Itachi se virou para os amigos, a raiva transparente em sua voz: – Eu deveria tê-lo protegido! Deveria tê-lo mantido longe da vida que levo!
-E você o fez. - respondeu Sasori. - Você o protegeu sempre que pôde, o manteve longe da vida que leva o máximo que pôde!
-Mas não foi o suficiente! - falou Itachi.
-Nunca seria o suficiente! - retorquiu Deidara – Por mais que você o mantivesse longe, o protegesse, você não poderia estar com ele vinte e quatro horas por dia, Itachi!
-Se eu pudesse estar talvez isso não tivesse acontecido!
-Não foi sua culpa, Itachi!
-Ele era minha responsabilidade! Era meu dever protegê-lo! E eu falhei! Como não foi minha culpa?! Como Deidara?!
-O único culpado é Madara, Itachi. - disse Sasori. - Ele é o único culpado.
-O único culpado sou eu, Sasori. Culpado de não tê-lo protegido. De não tê-lo mantido longe de Madara. O único culpado sou eu.
Itachi deu a conversa por encerrada. Pegou o paletó que estava jogado em cima do sofá e saiu do apartamento. A porta foi fechada com força e com o impacto, um porta retrato caiu no chão. Deidara e Sasori suspiraram, cansados.
-Todo ano é a mesma coisa. - comentou Sasori.
Deidara reparou no porta retrato caído no chão. Se aproximou e o pegou. Sasori também se aproximou e olhou a foto por cima do ombro do namorado. Na foto estavam Itachi e mais um rapaz.
-Eu me lembro dessa foto. - comentou o fotógrafo.– Fui eu quem tirou.
-Foi? - se surpreendeu Deidara.
-Foi. A última foto que eles tiraram.
-A última?
-É. Uma semana depois que eu tirei essa foto, Sasuke foi assassinado.
-Por Madara.
-Exato. E Madara não só matou como também torturou e estuprou Sasuke.
-O quê, un?! - Deidara estava perplexo.
-Eu estava com Itachi quando ele foi ao necrotério reconhecer o corpo do irmão. O corpo de Sasuke estava marcado por cortes e hematomas. Ele sofreu antes de morrer, tenho certeza.
Deidara mantinha os olhos fixos na foto dos irmãos.
-Ele era tão novo!
-Se ele estivesse vivo, quantos anos ele estaria completando hoje? - Sasori perguntou enquanto passava os braços pela cintura do namorado e encostava o corpo nas costas do loiro.
-Vinte. - respondeu Deidara. - Ele e Itachi tinham três anos de diferença.
-Então ele morreu com dezesseis anos. - Sasori comentou.
-Isso, un. Já faz quatro anos e o Itachi ainda não superou, un.
-Ele não superou porque se sente culpado. - Sasori pegou a foto das mãos de Deidara e colocou em cima do rack.
-Eu não entendo. Por que Madara mataria Sasuke?
-Porque Madara é assim. Um sádico psicopata. Quando ele tem um alvo ele faz qualquer coisa para conseguir ter esse alvo.
-Sasuke-kun era um alvo?
-Madara ficou de olho em Sasuke desde que Itachi recusou trabalhar para ele. - explicou o fotógrafo – Itachi ameaçou matar Madara se ele se aproximasse de Sasuke. Mas mesmo assim, ele o fez. Se aproximou, sequestrou, torturou, estuprou e assassinou Sasuke.
-Só porque Itachi se recusou a trabalhar para ele?
-É o que parece, mas não faria diferença se Itachi tivesse aceitado o trabalho. Quando Madara tem um alvo, esse alvo termina morto.
-Mas Itachi acha que Sasuke foi morto porque ele recusou trabalhar para Madara, não é?
-Sim. Por isso ele se sente culpado pela morte do irmão. Por não ter conseguido protegê-lo da suposta vingança de Madara.
-Ainda assim, não faz sentido matar Sasuke-kun só porque Itachi recusou um trabalho, un!
-Entenda, loiro. É como eu disse: quando Madara tem um alvo ele faz qualquer coisa para ter esse alvo. Chamar a atenção de Uchiha Madara é como chamar a atenção da Morte. Lembra-se do que lhe disse ontem sobre os preferidos de Madara?
-Lembro.
-Então, lembra-se que lhe expliquei que dizem que os preferidos sofrem horrores nas mãos de Madara.
-Lembro, un.
-A maioria dos preferidos não sobrevive à Madara. A maioria dos preferidos morre nas mãos dele, Deidara. Foi sorte Sai ter escapado.
-Madara mata todos eles?
-Não diretamente. Mas ele os tortura tanto que eles acabam por não resistir.
-Que horrível, un.
-Já disse: Madara é um sádico psicopata. Agora vamos. Vamos achar o Itachi.
Sasori soltou a cintura do namorado e segurou-o pela mão.
-Hai, un.
Deidara seguiu Sasori para fora do apartamento do Uchiha.
x-x
Durante todo esse tempo ele estivera fugindo. Fugindo das lembranças. E a maior prova disso era o fato de ele não ter reconhecido nas marcas de Sai as mesmas marcas que vira espalhadas pelo corpo do irmão. Os mesmos cortes, só que a pele de Sasuke também estava marcada por várias hematomas. Ele se deixara surpreender por aquelas marcas sem se dar conta de que já as conhecia.
As marcas que vitimaram seu irmão. Sasuke fora espancado, molestado e morto por Madara e ele não pôde fazer nada para impedir! Sentia-se tão culpado! No fundo, sabia que Sasori e Deidara tinham razão, que ele não tinha culpa na morte do irmão. Mas ainda assim ele não conseguia evitar de sentir a culpa por aquela morte. Sasuke era sua responsabilidade desde que os pais morreram em um acidente de carro. Era seu dever proteger e cuidar de Sasuke e ele falhara! Falhara com o irmão.
-Sinto muito, Sasuke. - as palavras saíram como um sussurro em meio a chuva que ainda caía. As gotas d'água molhavam o corpo, a face de Itachi, escondendo as lágrimas que eram derramadas silenciosamente pelos olhos vermelhos. Íris cor de sangue estavam fixas na lápide no chão. Itachi se curvou e colocou algumas rosas brancas próximas a lápide. Foi quando, mesmo com o som da chuva, ouviu o barulho de passos se aproximando. Se virou e viu Sasori e Deidara, sob um guarda chuva, andando em direção à ele.
-Itachi. - Deidara chamou quando estava perto o suficiente para Itachi ouvi-lo.
O moreno podia ver que os amigos estavam verdadeiramente preocupados com ele. E ele agradecia, mas no momento não queria a companhia deles.
-Eu vou para a Akatsuki. - informou enquanto passava pelos companheiros, indo em direção à saída do cemitério.
Sasori e Deidara não disseram nada, nem o impediram de se afastar. Ficaram em silêncio, observando as rosas brancas que Itachi levara para Sasuke.
Colocaram duas rosas vermelhas em meio as brancas.
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Itachi dirigiu até a boate. Quando chegou não havia ninguém. Não era de se estranhar. Era muito cedo para alguém estar ali. Subiu as escadas que davam acesso ao segundo andar. Andou pelo corredor e parou em frente a uma porta. A porta do quarto de Sai.
Por que estava ali? Por que em um momento como aquele, em que dispensara a companhia de seus amigos mais próximos, estava procurando a companhia dele? Por que fora até ele? Não entendia. Ele e Sai não tinham nada, não eram nada um do outro e ainda assim ele, que estava emocionalmente frágil, fora procurar a companhia do modelo.
O jovem de olhos vermelhos foi tirado de seus pensamentos por um som vindo de dentro do quarto. Parecia que Sai estava ouvindo alguma música.
Eu pareço sucumbir ao som da chuva que cai.
Esta promessa é de quem sonha, para quem é este sonho?
"Eu quero ver tudo de você." "Eu quero amar tudo de você."
É este o caminho, não é?
Quando nossas mãos estão apertadas juntas,
Tem este perfume desconhecido que vem do lado oposto.
"Eu quero ver tudo de você." "Eu quero amar tudo de você."
Itachi se aproximou e tocou na maçaneta. Com um giro ela abriu e ele entrou no aposento. Após fechar a porta, olhou em volta procurando pelo modelo. Sai estava próximo à janela, observando a chuva. Quando ouviu o barulho da porta sendo aberta se virou para encarar quem invadia seu quarto.
-Olá, Itachi-san.
-Sai. - o nome saiu inconscientemente dos lábios do mais velho.
-Está tudo bem, Itachi-san? - o sorriso falso estava desenhado nos lábios de Sai.
-A música... - Itachi começou.
-Conhece essa música? - o modelo perguntou enquanto se aproximava do aparelho de som, que era a fonte da canção e estava em cima da cômoda, perto da janela. Sai aumentou o volume e olhou para o outro rapaz.
Itachi, por sua vez, estava prestando atenção na música. Havia uma boa melodia e a letra, de alguma forma, combinava perfeitamente com aquele momento.
Embora eu posso respirar normalmente, eu eventualmente pareço esmigalhar-me.
Se você puder me amar tão profundamente do que apenas aquelas palavras.
Eu poderia acreditar que você sempre estaria por perto.
De repente mostrando o passado, o tempo que nós tocaríamos, poderia não preencher a frágil solidão, flutuando naquelas lágrimas.
Embora eu ache conforto nesta paz, você, que está ao meu ladodespedaçando meu interior.
"Eu quero ver tudo de você." "Eu quero amar tudo de você."
A resposta está afogando-se num sorriso.
"Você não ama a sombra diária, quando esta foi perdida."
Nós carregamos esses limites que eu não posso deixar desaparecer.
Sai se afastou do aparelho de som e se aproximou da cama, sentando-se. Seu olhar estava fixo no rapaz próximo a porta.
-Está tudo bem, Itachi-san?
-Não.
-Quer ajuda?
-Não.
-Por quê?
-Você não pode me ajudar.
-Tem certeza?
Itachi ficou em silêncio. Não queria usar Sai. Não queria que Sai se tornasse um boneco, um brinquedo em suas mãos. Um brinquedo que ele usaria para esquecer a dor da perda do irmão. Mas, ao mesmo tempo, o desejo que sentia pelo rapaz também começava a dominá-lo. O desejo e a necessidade de alívio da dor se misturavam e formavam uma imagem abstrata na mente do Uchiha, confundindo-o ainda mais.
-Itachi-san... você está... chorando? - Sai perguntou levemente assustado. Nunca imaginou que um dia veria aquele rapaz tão sério em um estado tão vulnerável.
Itachi não respondeu. Embora não tivesse percebido quando começara a chorar, podia sentir as lágrimas deslizando por sua pele.
-Itachi-san?!
Mesmo que eu jogasse aquelas palavras em você, se você puder me amar eu poderia acreditar que você sempre estaria por perto.
De repente mostrando o passado, machuca toda vez que você toca em mim.
Eu quero amá-lo a minha solidão interior.
Porque eu não deixarei você ver como eu enxugo minhas lágrimas.
Não há nada demais rir a meu respeito na minha frente.
-Desculpe-me, Sai. - a voz do Uchiha saiu fraca.
-Pelo que, Itachi-san?
-Por isso.
Um segundo depois, Itachi estava abraçando Sai fortemente, beijado-o de uma maneira forte e profunda. Com a língua, explorava a boca do modelo completamente. Sai se entregava ao beijo e o retribuía da mesma forma. Apesar da sensação boa, Itachi não se deixava enganar. Sabia que todas as atitudes de Sai eram falsas. Sabia que todas as retribuições de carícias e toques seriam vazias de sentimentos ou desejos. Sai faria aquilo porque estava acostumado a fazer, não porque queria fazer. Como um boneco. A última coisa que Itachi queria era transformar Sai novamente em um boneco, mas naquele momento não havia nada que ele pudesse fazer. Tocar, beijar Sai proporcionava sensações boas demais para serem ignoradas, ainda mais no estado em que ele estava. Ele queria esquecer a dor da perda do irmão e parecia que, com Sai, ele conseguiria isso.
Com uma mão, empurrou Sai para trás, fazendo-o deitar na cama. Deitou por cima do corpo menor, ainda o beijando. Deslizou as mãos por todo o tronco de Sai. Quando chegou na cintura, passou a tocar o modelo diretamente sobre a pele, por baixo da camisa negra. Sai, por sua vez, não ficou parado e começou a retirar o paletó a camisa social que Itachi usava. As peças estavam molhadas e isso dificultava o trabalho de retirá-las. Por fim, com a ajuda de Itachi, conseguiu tirá-las. Tocava, beijava Itachi porque o mais velho havia começado, não porque ele queria. Aliás, sabia que a sua função ali na Akatsuki era entreter Itachi de todas as maneiras. Ao tocá-lo e beijá-lo estava fazendo seu trabalho. Então, por que sentia que havia mais do que obrigação em seus atos? Por que sentia que havia desejo, vontade de querer tocar e ser tocado pelo Uchiha?
Um não entendia por que havia mais que obrigação em seus gestos. O outro não entendia por que, mesmo não querendo ceder, ele não conseguia resistir aos seus desejos. Mas nenhuma dúvida ou medo os impediu de se deixarem levar pela chuva. E pela música.
Se não nós dois, dissimulando um "Adeus".
Como eu queria que fossemos nós que gritam juntos nesta despedida.
Quanto mais eu penso sobre isso, eu gostaria de esquecê-lo.
E me colocar neste lugar vazio.
Não persiga os longos dias passados.
Não deixe nada mais que já foi deixado.
"Pelo menos..."
Eu seguro este adeus, até eu cair no sono.
E o calor fraco desaparece com o tabaco.
Os dias que não retornaram, a pessoa que eu amei.
Notas da Autora: Sekininsha = Responsável.
23 de julho é realmente o aniversário do Sasuke, ok? =P
A música utilizada nesse capítulo é Calm Envy da banda japonesa The Gazette. Recomendo! É muito boa! =)
Espero que tenham gostado desse capítulo. ^^
Bom, agora todos sabem o por que do Itachi odiar o Madara.
Ah, só uma pequena observação: Vocês devem ter reparado que eu descrevo o Itachi como tendo olhos vermelhos quando na verdade ele só tem olhos vermelhos quando está usando o Sharingan. É que eu acho que ele fica mais bonito com os olhos vermelhos. Além de ficar mais diferente, então eu acabo sempre descrevendo o Itachi como "um rapaz de olhos vermelhos." ^^
Os personagens de Konoha (Naruto, Sakura, Kakashi, etc) não irão aparecer nessa fic. A fic é focada na Akatsuki apenas. Os únicos personagens que não são da Akatsuki e irão aparecer serão Sai e Sasuke, ok? Já trabalhei muito com o pessoal de Konoha na minha fic Seis. Se alguém se interessar, Seis também é Yaoi e em Universo Alternativo. Os casais são: SasukexNaruto, ItachixSai, KakashixIruka. Link no meu perfil. ^^
Como sempre:
Por favor, deixem reviews. Críticas e sugestões são sempre bem vindas. Obrigada. E lembre-se: faz bem ao coração! Ao seu e ao meu! 8D
Obrigada
Lavi Black
