Draco Malfoy saiu do Ministério da Magia muito irritado. Era uma ofensa a sua pessoa ser subordinado de Arthur Weasley. Que raio de vida era aquela? Ele deveria ter uma posição de prestígio dentro daquele lugar e não ser empregadinho do Weasley Pai. Ao contrário do que todo bom pai de família deveria fazer, diriam alguns, Malfoy ficou passeando pelas ruas depois do trabalho. Precisava organizar seus pensamentos e a última coisa que queria era ir para uma casa pequena com três pirralhos escandalosos berrando em seu ouvido.

Andava sem destino tentando absorver a grande quantidade de informações que recebera nas últimas horas. Vez ou outra sorria sedutoramente para algumas mulheres que passavam. Isso o fazia sentir-se melhor, pois, apesar de ter uma vida completamente diferente, ele ainda era o mesmo de sempre. O loiro então se pegou pensando em algo desconfortável: se tinha uma família e seu emprego mudara, será que seus amigos permaneciam os mesmos? Será que Blaise ainda era seu amigo? Temeroso, Draco correu para saber a resposta.

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A expressão do homem à sua frente era de alguém que parecia ter visto um fantasma.

- Draco? O quê faz aqui? - Blaise perguntou surpreso.

- Posso entrar? - o outro disse.

- Claro, claro. - Zabini falou dando espaço para Draco entrar.

A casa de Blaise era muito parecida com a que Malfoy se lembrava exceto por alguns quadros e móveis. O loiro agradeceu mentalmente pelo amigo nunca ter sido adepto de grandes mudanças ou senão, não teria sido tão fácil achá-lo.

- Aceita uma bebida, Draco?

- Whisky de Fogo. - Draco respondeu sem tirar os olhos da decoração da sala de estar.

Pouco depois, estavam os dois sentados um de frente para o outro, cada um com um copo na mão.

- Posso saber o motivo da sua visita? - Zabini questionou visivelmente curioso.

Draco suspirou. Pela cara de surpresa que Blaise fizera pouco antes, era óbvio que os dois não tinham mais a amizade que o loiro estava acostumado.

- Pode parecer loucura isso que vou falar agora, mas hoje eu acordei tendo uma vida completamente diferente da qual estou acostumado.

- O quê? Como assim, Draco? Não estou entendendo.

Malfoy então deu um belo gole de sua bebida. Precisava ser mais claro para que o amigo o compreendesse.

- Estou dizendo que hoje eu acordei e descobri que estou casado com a Granger! Com a Granger, Blaise! E pior: eu tenho três pirralhos com ela! E como se isso não fosse o suficiente, eu ainda descubro que sou subordinado de Arthur Weasley!

Blaise mirou o amigo por um longo tempo. Draco o esperou pacientemente.

- Finalmente você se deu conta da idiotice que fez. - Zabini falou por fim.

- Mas... Como isso aconteceu? Como você pôde me deixar fazer uma besteira dessas? - o loiro perguntou indignado.

- Eu tentei te impedir. Todos nós tentamos, mas você foi irredutível. - Zabini disse.

- O quê? Do que é que você está falando, Blaise?

O outro arqueou uma sobrancelha.

- Nossa! O que houve? Lançaram um feitiço em você e a sua memória foi apagada?

- Pare de gracinhas! Conte-me o que houve!

- Certo, certo. Embora isso pareça muito estranho...

Draco rolou os olhos e Blaise pigarreou.

- Lembra-se daquela aposta boba que fizemos enquanto ainda estudávamos em Hogwarts?

- É claro que me lembro daquela coisa ridícula! O que tem?

- Bom, quando os boatos começaram a surgir sobre você e a Granger, eu o aconselhei a terminar toda a história.

- Sim, eu me lembro. Foi isso o que eu fiz. - o loiro falou.

Mais uma vez Blaise arqueou a sobrancelha.

- O que você fez? Não, Draco. Você não fez isso.

- O QUÊ?

- Você não só continuou com ela como acabou se casando.

- O QUÊ? COMO VOCÊ ME DEIXOU FAZER ISSO?

O outro suspirou.

- Já disse. Todos nós tentamos te impedir, mas você não nos ouviu. Parecia até que a sangue-ruim tinha feito uma poção do amor ou sei lá o que.

Draco estava boquiaberto.

- Mas e aí? O que houve?

- Bom, os únicos que foram ao seu casamento fui eu e a Pansy. Ah, claro tinha uma tia sua, acho que o nome dela era Andromeda Tonks, algo assim... Enfim, amigos mesmo só eu e a Pansy e devo dizer que ela não estava nada feliz. Acho que ela esperava que no último instante você fosse desistir. Devo admitir que eu também esperava por isso. Foi muito estranho ver você beijando a sangue-ruim no altar.

- E... E os meus pais? - Draco perguntou já prevendo a resposta.

- Eles não foram, é claro. Lembro que quando você anunciou o casamento, Lucius Malfoy passou mal e foi parar no St. Mungus.

Draco baixou o olhar. Imaginava a decepção que seu pai havia tido.

- Mas creio que ele ainda tinha esperanças de você e a Granger se separarem. Tanto que ele só tirou o seu nome do testamento quando sua filha nasceu.

- O QUÊ? MEU PAI ME TIROU DO TESTAMENTO?

- É claro! O quê você esperava, Draco?

O loiro sentiu um nó na garganta. Havia sido deserdado pelo pai... Tudo culpa daquela sangue-ruim metida a sabe tudo...

- Draco? - Blaise chamou preocupado – Você está bem? Está mais pálido do que de costume...

- E-Estou bem...

- Foi isso. Apesar do resto do pessoal desaprovar, eu ainda o considero meu amigo apesar de fazer meio ano que não nos víamos.

Draco então olhou surpreso para Blaise. Depois suspirou e sorriu.

- Obrigado.

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Quando Draco chegou, já era tarde. A casa estava silenciosa. O homem subiu as escadas devagar para que não rangessem e nenhum dos pirralhos acordasse. Estava cansado, o dia havia sido agitado. Tudo o que ele queria era tomar um bom banho e deitar. Ao entrar no quarto, não pôde deixar de se surpreender. Hermione estava sentada na cama lendo um livro e parecia fazer algumas anotações. Trajava um roupão de seda branco e o frio parecia não incomodar-lhe.

- Chegou tarde. Onde estava? - ela perguntou e Draco pôde notar um tom de irritação em sua voz.

- Não lhe devo satisfações. - ele respondeu sentado-se na cama e tirando os sapatos. Não queria encará-la. Primeiro, porque já havia tomado em Hogwarts uma amostra do quanto Hermione Granger poderia ser perigosa quando estava irritada. Segundo porque a visão da mulher com aquele roupão fino o desconcertava.

- Olhe para mim quando eu falo com você! - Hermione exclamou.

- Não sou um dos seus filhos, Granger. Não use esse tom comigo! - o loiro respondeu ainda sem encará-la. Sabia que se o fizesse, o volume em suas calças aumentaria ainda mais.

- Estava preocupada! - e o tom de voz de Hermione mudou – Não avisou que chegava tarde e nem disse onde estaria. Acidentes acontecem, Draco!

- Não comigo. - Malfoy respondeu indo em direção ao banheiro. Precisava de uma ducha fria.

Tomar um banho frio no inverno era uma idéia estúpida, mas havia aliviado certas sensações que Draco Malfoy se recusava ter naquele momento. Ao voltar para o quarto, Hermione já se encontrava dormindo. O loiro então foi até o armário e pegou um edredon. Depois foi até a cama e pegou o travesseiro. Iria dormir na sala.

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No dia seguinte, Draco acordou com alguém cutucando-o insistentemente. Resmungando, o loiro virou-se para o outro lado.

- Papai.

Resmungo.

- Papai.

Mais um resmungo.

- Papaaaaiiii!

Xingando mentalmente, Draco sentou-se no sofá.

- O quê foi, Andy? - ele perguntou irritado enquanto esfregava os olhos.

- Tô com fome! - o garotinho exclamou.

- E eu com isso? Peça a sua mãe!

- Ela está no banheiro. Tenho fome!

Draco então suspirou tentando manter a calma. Bendita hora em que Hermione havia resolvido se trancar no banheiro. O loiro então encaminhou o filho mais novo até a cozinha. Fez com que o pequeno se sentasse a mesa e procurou algo para lhe dar.

- O que você quer? - ele perguntou olhando três caixas diferentes de cereal. Definitivamente ter três filhos era bem complicado.

- Ovo frito com bacon! - Andy exclamou.

- O quê? Tá maluco, garoto? Você não pode comer isso, não! Faz mal!

- Não faz nada!

- Faz sim! Você é muito novo pra ficar comendo essas porcarias! Toma! Coma esse cereal! - Malfoy disse batendo com a caixa de cereal na mesa.

Andy arqueou as sobrancelhas.

- Esse cereal é do Julien. - ele falou.

Draco bufou irritado.

- E qual é o seu?

- O do pomo de ouro. - Andy respondeu com simplicidade.

Draco então pegou a caixa que tinha desenhado o pomo de ouro.

- Pronto.

- E o meu leite? Não posso comer cereal sem leite!

Malfoy então passou a mão pelos cabelos. Estava muito irritado com o garotinho. Virou-se para pegar o leite quando ouviu duas vozes entrando na cozinha.

- Você é muito chato, Julien!

- Você que é Morgan!

- Ah, cala a boca!

- Cala a boca você!

- CALEM-SE OS DOIS! - Draco berrou enquanto batia a garrafa de leite na mesa fazendo com que pingos espirrassem – Sentem agora!

Assustados, Julien e Morgan sentaram-se a mesa.

- E vocês? O que vão querer? - o homem perguntou.

- Ah... Eu vou comer cereal mesmo... - Morgan falou.

- Eu quero ovo frito com bacon. - Julien disse.

- Okay. - Draco concordou.

- Hei! Por que ele pode e eu não? - Andy se indignou.

- Quando você tiver a idade do seu irmão pode comer essas porcarias. Até lá, não!

O pequeno fechou a cara e abriu a boca para responder ao pai, mas foi interrompido por Hermione que acabava de entrar na cozinha.

- Que gritaria toda é essa logo pela manhã? - a mulher perguntou massageando as têmporas.

- O papai não me deixa comer ovo frito com bacon, mas deixa o Julien! - Andy exclamou.

- Já dissemos que você é muito novo pra comer essas coisas. - Hermione respondeu simplesmente.

- Há! Bem feito! - Julien provocou.

- Cala a boca! - gritou o pequeno.

- Parem com isso vocês dois! - ordenou Draco – Vocês estão achando que são quem? Os Weasley? Nós, Malfoy, somos civilizados!

Todos então ficaram em silêncio. Hermione foi para a bancada preparar café. Draco sentou-se e serviu-se do cereal de Andy.

- Não se esqueçam que hoje à noite temos a festa de Natal do Harry. - Hermione falou fazendo Draco se engasgar.