N/a: Eu modifiquei algumas coisas no capítulo anterior. Coloquei os travessões que não tinham saído e continuei com o nome Morgan em vez de Vivian. Boa leitura!


Malfoy estava sentado em sua mesa olhando para uma pilha de pergaminhos sem realmente vê-la. Tudo o que podia pensar no momento era na maldita festa que Harry Imbecil Potter daria naquela noite. Como ele havia concordado em ir a essa festa? Ele só poderia estar bêbado quando aquiescera com tal estupidez. Até mesmo ter aceitado nadar nu no lago em seu penúltimo ano parecia agora ser uma idéia menos imbecil do que essa. Merlin! Como ele iria se safar dessa? Hermione se mostrara irredutível alegando que ele dera sua palavra de Malfoy. E um Malfoy nunca falta com sua palavra. Maldita mulher. Ela sabia de seus pontos fracos.

- O senhor está bem, senhor Malfoy? – uma mulher parada em frente a sua mesa perguntou.

Draco mirou-a um tanto desconcertado. Certamente, naquele momento de contemplação, ele deveria ter feito uma cara extremamente retardada.

- Estou bem, senhorita...

- Green. – ela lhe disse sorrindo.

- Certo. O quê quer, Green?

- O senhor precisa analisar alguns pergaminhos.

- Mais? – ele perguntou assustado. Já não bastava a pilha que repousava em sua mesa?

- Bom, é o seu trabalho, não é mesmo? – a mulher disse rindo e deixando os pergaminhos no topo da pilha – Tenha um bom dia, senhor Malfoy. – e se retirou ainda rindo.

O loiro soltou um resmungo e pegou os pergaminhos em cima da pilha. Seus olhos corriam pelo papel, mas sua mente ainda estava distante em uma tal festa que aconteceria naquela noite.

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Aquela definitivamente devia ser a melhor e mais cara roupa em seu guarda-roupa. Lembrava-lhe muito o traje que ele usara no Baile de Inverno em seu quarto ano em Hogwarts. Coitada da roupa. Só deveria ser usada uma vez ao ano...

- Você está lindo, Draco. – ele ouviu uma voz ao seu lado. Ao virar-se, deu de cara com Hermione.

- Eu se... – mas a frase morreu no meio quando o loiro viu a morena. Hermione Malfoy estava com um belíssimo vestido azul-marinho que era muito parecido com o que ela usara no Baile de Inverno. Os cabelos rebeldes estavam presos em um elegante coque e algumas madeixas onduladas pendiam livremente emoldurando o rosto cuidadosamente maquiado.

- Draco? Algum problema? – Hermione perguntou.

- Problema nenhum. – o loiro respondeu virando-se. Tinha que se concentrar em terminar de se arrumar. Tinha que esquecer a pulsação em seu baixo ventre.

- Bom, eu vou ver se as crianças estão prontas. – a morena disse retirando-se do quarto para alívio de Draco. Se ela tivesse ficado um pouco mais, ele não saberia se teria conseguido resistir.

De repente, ir à festa do Santo Potter com Hermione Granger vestida daquele jeito se tornou uma tarefa ainda mais difícil.

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Draco Malfoy respirou fundo ao passar pela entrada da casa dos Potter. Harry e sua família moravam em Godric's Hollow em uma mansão situada no terreno da antiga casa que presenciara a primeira queda de Voldemort. A mansão não era tão grande quanto a dos Malfoy, mas ainda assim era exagerada para os padrões de Harry Potter. Podia-se ouvir a música alta e as risadas. Era agora. Finalmente Draco Malfoy pagaria todos os seus pecados.

- Mione! Você está tão linda! – o loiro ouviu alguém exclamar e no instante seguinte Hermione era sufocada por uma massa de cabelos vermelhos.

- Eu sempre venho, Gina! Agora, por favor, me solte que eu preciso respirar! – a morena falou divertida.

Gina riu e se virou para os filhos de Hermione. Seus olhos brilharam e Malfoy pôde perceber que a mulher de Harry Potter tinha muito carinho pelos herdeiros Malfoy. O loiro não soube explicar, mas isso o fez se sentir bem.

- E como estão vocês? – ela disse alegremente abraçando os três de uma só vez.

- Ai tia, assim você nos esmaga! – Morgan reclamou, mas não parecia irritada.

- Tia, onde está Lily? – Julien perguntou um tanto esperançoso pelo o que Draco pôde notar.

Gina riu e respondeu:

- Ela está no segundo andar com os outros. Podem ir para lá.

E assim os três Malfoy subiram correndo as escadas. Foi então que a atenção de Gina se voltou para Draco.

- E como você está, Draco? – a mulher perguntou de um jeito simpático.

"A pobretona Weasley me chamando pelo primeiro nome? Isso é tãããooo estranho!" – ele pensou.

- Estou bem e você?

- Estou ótima! – ela respondeu sorrindo e o loiro percebeu que a simpatia dela era verdadeira. Ela não estava fingindo nada.

- Hei! Mione! – Harry gritou indo encontrá-los.

- Harry! – Hermione exclamou alegremente se jogando nos braços do melhor amigo. Aquilo incomodou um pouco Draco.

- Nossa, Mi! Você está ótima como sempre! Parece que o tempo não te afeta! – o moreno falava contente.

"Isso é óbvio, seu idiota." – Malfoy pensava.

- Obrigada, Harry! Você também não envelheceu nadinha! – a morena disse.

"Hermione, sua grifinória mentirosa!" – o loiro sorria disfarçadamente.

- Onde está o Rony? – Hermione perguntou e o singelo sorriso de Draco morreu.

- Ah! Ele está com o Dino! Vamos lá falar com eles! – Harry disse e só então seus olhos pousaram em Draco – Olá, Malfoy.

- Oi, Potter. – o outro cumprimentou friamente.

- Desculpe, não tinha te visto aí. – Harry disse visivelmente desconcertado.

- Sei. A beleza da minha esposa deve ter te afetado. Você deve ter ficado momentaneamente retardado. – o sonserino respondeu ligeiramente irritado.

Harry fingiu que não entendeu. Deu um sorriso amarelo e puxou Hermione para o outro canto do salão. Draco observou a cena com os olhos estreitos.

- Você deveria poupar suas energias, Draco. Você sabe, ninguém consegue se meter na relação daqueles três. – Gina, ao seu lado, disse. O loiro achou ter reconhecido uma leve amargura na voz da mulher.

- Que seja. – ele disse indo até a mesa mais próxima pegar uma bebida.

Já haviam se passado dez minutos e tudo o que Draco fizera foi beber e olhar irritado os três amigos que conversavam alegremente no outro lado do salão. Ele não sabia o porquê, mas aquela cena o incomodava profundamente. E quando percebeu que o bobão do Weasley parecia estar flertando descaradamente com Hermione, sua raiva aumentou. Estar cercado por grifinórios imbecis e ainda ter que assistir o retardado do Weasley flertar com Hermione era demais para ele. Decidiu então ir para os jardins antes que fizesse alguma idiotice.

O ar gelado da noite foi uma bênção para ele quando saiu da mansão. O frio fez com que se arrepiasse e esquecesse momentaneamente a cena ridícula que presenciara. Olhou para cima e viu a imponente lua cheia. Sorriu. Estava uma bela noite.

- Está uma noite muito gostosa, não? – ele ouviu alguém do seu lado falar. Ao se virar, deu de cara com uma loira de expressivos olhos azuis.

- Madeline? – ele perguntou surpreso.

- Oh! Você me conhece? – ela perguntou visivelmente satisfeita. Foi então que Draco percebeu que aquele era outro tempo, outra realidade.

- Bem, já ouvi falar sobre a senhorita. – ele disse tentando parecer natural.

- Mesmo? Que bom! – Madeline exclamou sorrindo e Draco pôde ver os dentes brancos e alinhados.

- O que está fazendo aqui? – ele perguntou.

- O mesmo que você. Prestigiando a festa beneficente de Harry Potter.

- Ah sim, claro. Potter...

- Você não gosta muito dele, não é mesmo? – ela disse rindo.

- É tão visível assim? – ele perguntou sarcástico arqueando uma sobrancelha.

- Vou te contar um segredo – Madeline disse aproximando-se perigosamente – Eu também não gosto muito dele – ela sussurrou no ouvido do loiro que se arrepiou.

- Então somos dois. – ele disse sorrindo.

Madeline e Draco estavam tão perto, tão perigosamente perto...

- Finalmente eu conheci o famoso Draco Malfoy... – a loira falou aproximando seus lábios dos de Draco.

O homem suspirou. Fechou os olhos e deixou-se levar pelo momento. Quando acabou e seus lábios se separaram, Madeline tinha os olhos brilhando e Draco sorria.

- Isso foi bom. – ela disse.

- Também achei. – ele respondeu. Foi então que viu algo que fez seu sangue gelar. A poucos metros deles, de olhos arregalados e boca aberta, estava uma Hermione chocada.

"Oh, merda!" – foi o primeiro pensamento de Draco.

- Oh! – Madeline exclamou assim que percebeu Hermione.

A morena suspirou umas duas vezes e disse:

- Não se preocupem. Eu não vou fazer escândalo.

Draco não precisava ser um corvinal para perceber que estava muito encrencado.

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Durante todo o resto da festa, Hermione sequer dirigira seu olhar para o marido. Isso fez com que Draco se sentisse ainda pior. Só agora ele percebia a besteira que havia feito. Do lado de fora da mansão, ele se esquecera que era marido e pai. Esquecera-se que não era mais um solteiro mulherengo. E onde estava com a cabeça para ter beijado Madeline na festa de Potter quando todos os amigos da sua esposa estavam presentes? Afinal, o quão idiota ele poderia ser?

A volta para casa não havia sido diferente. Hermione continuava não olhando para ele e até mesmo as crianças haviam percebido que o clima estava pesado entre os pais. Draco tentava parecer indiferente, mas a verdade é que por dentro ele parecia que ia explodir.

- Papai e mamãe brigaram? – o filho mais novo perguntou.

- Cala a boca, Andy. – Julien sussurrou.

- O que foi que eu disse?

- Sssshhhh! – fez Morgan.

Ao chegarem a casa, as crianças foram direto para o quarto, seguidas por Hermione. Draco foi para o seu aposento, retirou a roupa, colocou o pijama velho e sentou-se na cama esperando a briga inevitável. Quando Hermione chegou, ela passou direto por ele e entrou no banheiro. Draco esperou ansiosamente. A mulher ficou lá cerca de quinze minutos e saiu vestindo o roupão de seda branco que Draco tanto gostava.

- Hermione... – o loiro começou, mas foi cortado pela esposa.

- Não, Draco.

- Mas eu...

- Já disse que não. Eu não vou discutir os seus amassos com aquela vagabunda.

- Foi apenas um beijo, mas admito que Madeline é sim uma vagabunda.

- Oh! Então agora ela é Madeline!

- Nós já nos conhecíamos antes. – ele disse para se arrepender logo em seguida.

- É mesmo, Draco? Que interessante...

- Não foi isso o que eu quis dizer. É só que...

- Então ela é um caso antigo?!

- Não! Hermione, me escute...

- Não, Draco. Não vou escutar. Saia do quarto!

- O quê? – ele perguntou indignado – Não pode me expulsar do meu próprio quarto!

A morena arqueou uma sobrancelha. Draco suspirou. Talvez ela estivesse mais calma pela manhã. Pegou seu travesseiro, uma colcha e saiu do quarto. Mais uma vez teria que dormir no sofá. Agora, por imposição.