Capítulo 1

A notícia os pegou desprevenidos. Prontos para irem para casa após mais um turno, os CSIs ficaram chocados ao saber do que aconteceu, quer dizer, o que não sabem o que aconteceu com Sara. Catherine, Nick, Warrick e Greg chegam o mais rápido possível ao prédio de Sara. Sofia já os aguardava na entrada do edifício.

- Sofia, o quê aconteceu? – A pergunta de Catherine saiu com aflição.

- Margareth Stones, sindica do prédio estava entregando convites para a reunião de condomínio, quando chegou ao apartamento de Sara e percebeu que porta estava aberta, entrou e encontrou o apartamento todo revirado e... – Sofia relutou - e encima da cama viu sangue, mas nenhum sinal de Sara.

Nick, Warrick e Greg, que só escutavam, quando ouviram a palavra "sangue", tiveram que segurar as emoções. Sofia se dirigiu a Catherine novamente.

- Onde é que está Grissom?

- Ele foi ontem à noite para Chicago dar uma palestra na Universidade. Estou tentando ligar para o celular dele, mas como sempre quando ele viaja, ele desliga. E também o que é mais estranho dessa vez, é que ele não me disse em que hotel ficaria hospedado. É a primeira vez que não me avisa.

Catherine virou-se para os rapazes e disse:

- Hoje, esse caso é nossa prioridade. Recolham tudo que encontrarem. Temos que saber o que houve com ela!

Nick ficou pensando sobre o seqüestro que sofreu há pouco mais de um ano. Ele disse com a voz tremula:

- Gente, estou preocupado que tenha acontecido com a Sara o mesmo que comigo.

- Nick é impossível. As pessoas que fizeram isso com você estão mortas – Greg disse.

- Eu sei. Mas não da mesma forma, mas alguém querendo vingança.

- Você está certo, Nick. Vou ligar pro Ecklie e pedir pra ele separar os casos dela. – Warrick pegou o celular, mas antes de começar a discar Catherine o impediu.

- Não Warrick, deixa que ligo. Vocês vão para o apartamento. Não deixe passar nada.

- O Detetive Vega está pegando os depoimentos dos vizinhos. Catherine acho que vou ligar pra Universidade de Chicago e ver se consigo falar com o Grissom.

- Obrigada Sofia. Mantenha-me informada – Agradeceu Catherine.

Chegando ao terceiro andar, os três rapazes passaram por Vega, que estava pegando o depoimento de um dos vizinhos. Param em frente à porta e Warrick observa.

- Não há sinal de arrombamento.

- Pode ser que o agressor é conhecido. – Observou Nick.

- Será que a Sara está namorando? – Greg completou.

- Se estiver, não sei, mas também, necessariamente não precisa ser um namorado – Warrick respondeu.

Ao entrarem no apartamento, ficam estarrecidos com o que viram. Foram até a cama e olharam o sangue.

- Com certeza ela reagiu. E esse sangue no colchão, ah... – Warrick hesitou.

- Será que o cara a estuprou ou bateu? – Nick ficou ofegante.

- Ou a matou? – Greg disse isso num tom baixo, como para si mesmo, porém seus dois amigos ouviram.

Todos se olharam, por que sabiam que seria muito provável que uma dessas alternativas seria a correta. Warrick continuou.

- Se foi estuprada, temos que ver se encontramos sêmen no lençol.

Nick começa a observar o apartamento, quando seus olhos fixam na cozinha.

- Olhem, mais sangue. Uma taça de vidro quebrada. Pode ser do agressor ou dela.

- Vamos saber com o exame de DNA, e também vê se você encontra alguma digital aí, Nick – Pediu Warrick.

- Ok.

Eles começam a trabalhar imaginado que algo de muito ruim aconteceu naquele apartamento horas antes. Enquanto isso, Detetive Vega batia na porta do apartamento ao lado do de Sara.

- Bom dia, sou o Detetive Vega gostaria de fazer umas perguntas a respeito de sua vizinha, Sara Sidle. Seu nome é... – Consultou seu bloco de notas - Caroline Fox, certo?

- Sim. Pode me chamar somente de Carol - A moça aparentava ter seus vinte cinco anos, podia até ter mais, porém por ser magra e com o cabelo tingido de vermelho e naquele momento mastigando um chiclete, dava-lhe o ar de ser somente uma adolescente.

- Certo, Carol. Você por acaso ouviu algum barulho vindo do apartamento de Sara, ontem à noite?

- Não, é que eu e o Jonny...

- Quem é Johnny?

- Johnny Mattheus, meu vizinho aqui debaixo. Como eu tava dizendo, nós saímos ontem por volta das 21h, pra "night". E só voltamos lá pelas 4h.

- E quando você chegou, não ouviu ou viu nada estranho?

A moça disse em tom de deboche - Eu já disse que não, tá? Mas eu vi um tempo atrás um homem, umas duas ou três vezes, entrando e saindo junto com ela do apartamento. Eu acho que era o namorado. Sei lá!

- Você conseguiria descrevê-lo?

- Acho que sim. Ele tem uns... 48 anos, acho. 1,85 de altura, 90 kg... Ah, e tem barba.

- Branco ou negro.

- Branco. E também não sei se ajuda, mas... Ele é bem bonitão.

Detetive Vega ainda não tinha assimilado a imagem do tal homem. E continua.

- Tem mais alguma coisa que lembre?

- Não. Sabe o que é engraçado. Ela mora aqui há seis anos, e nunca a conheci direito. De vez em quando, encontrávamos no corredor, mas as únicas palavras que trocávamos eram: "oi", "Bom dia", "tudo bem?". Achei muito estranho quando a vi na televisão, naquele caso da advogada morta na festa de casamento do filho.

- É, infelizmente nosso trabalho toma muito do nosso tempo. Mesmo assim obrigado pela colaboração. Pode ser que tenha que ver a senhorita novamente.

- Sempre as ordens, detetive.

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Ela não entendia porque sua cabeça doía tanto, seu ombro esquerdo latejava e por que estava amarrada. Abriu com muita dificuldade seus olhos, mas parecia que tudo rodava. Também não entendia onde estava e o porquê da escuridão. A única luz que entrava vinha de uma de porta entreaberta.

Nessa mesma porta surgiu à figura de um homem, que logo ela o reconheceu mesmo não vendo seu rosto. O corpo dele era o que chamou a atenção quando se conheceram anos atrás. Tentou falar, mas a fita adesiva que tampava sua boca não a deixava. Pensava, por que ele? Logo ele?

O tal homem a olhava como um prêmio. Passava esses anos todos a desejando. Agora a tinha, sorriu e fechou a porta deixando-a novamente sozinha.