Capítulo 2

Catherine desligou o celular, acabara de falar com Ecklie. Foi à procura de Sofia e a encontrou falando também ao celular.

- Muito obrigada – Sofia desligou o celular.

- Então conseguiu falar com Grissom?

- Bem, eu liguei para Universidade, e eles disseram que a palestra dele só começa às 15h, mas ele estará por lá às 13h. E também não sabem onde está hospedado. Oh hora pra esse homem sumir, droga!- Sofia se mostrava visivelmente irritada.

- Fico até imaginado a reação dele quando souber.

- Catherine, vou falar de novo com a sindica, quer vir comigo?

- Claro!

Não usaram o elevador, pois o apartamento da sindica ficava no primeiro andar. Subiram as escadas, foram até uma porta que tinha uma plaquinha escrita "Margarethe Stones – Sindica", e tocaram a campainha. A porta se abriu segundo depois. Catherine logo que pôs seus olhos na mulher, viu que não gostara dela.

A sindica, com certeza morava sozinha. A mulher tinha um ar superior e o cigarro entre os seus dedos, dava-lhe um aspecto de alguém fútil ou de alguém que nunca foi amada.

- Oi! Detetive, o que posso ajudá-la novamente?

- Essa é Catherine Willows da criminalística. Podemos entrar?

- Sim. Então, qual é o assunto?

- Queremos saber quais são as pessoas que tem acesso ao prédio. Quais são os funcionários?

- Bem, cada morador tem uma chave. Tanto da entrada quanto da garagem. E os funcionários são somente dois, que fazem os serviços de porteiro e de zelador. Das 8h às 19h, é Tony Ramirez. E das 21h às 6h, é John McQueen. E temos câmeras, no hall de entrada.

- Há câmeras em outro lugar? – Sofia perguntou, sem deixar de anotar.

- No momento não. Estamos instalando as câmeras. A do hall colocamos na quarta-feira. E na semana que vem vamos instalar as outras. Na garagem e nos corredores.

Catherine que estava só observando, perguntou:

- E ela grava?

- Com certeza!

- Teremos que levá-la. E o porteiro-zelador do turno da noite, John...- Catherine estralava os dedos como se isso a ajudava a lembrar o nome.

- McQueen.

- Isso, John MacQueen. Ele estava trabalhando ontem à noite?

- Sim, mas só uma pergunta, como é que vocês sabem que foi a noite que isso aconteceu com ela?

- Por que ela saiu do trabalho por volta das 19h. Hoje seria o seu dia de folga.

- Onde podemos encontrar esse John? – Sofia perguntou.

- Desçam até a garagem, no final dela vocês irão encontrar uma porta com uma plaquinha escrito "zelador".

Num tom irônico, Catherine disse:

- Vocês gostam de uma plaquinha, hein! E o Tony Ramirez também mora aqui?

- Não, somente o John. É que ele trabalha aqui desde que esse prédio foi construído, há dez anos.

- Obrigada – Catherine e Sofia agradeceram quase ao mesmo tempo.

As duas saíram do apartamento da sindica e voltaram para o hall. Catherine disse apontando para a câmera.

- Olha, a câmera é voltada somente para porta de entrada.

- É, pelo menos da pra ver quem entra e quem sai.

Antes de irem para a garagem, o Detetive Vega as parou.

- A central ligou, houve um tiroteio em uma lanchonete. E tenho que ir.

- Obrigada, Vega. Pode deixar. E os depoimentos dos vizinhos?

- Ninguém ouviu nada, dá pra acreditar nisso? No andar da Sara, tem cinco apartamentos, contando o dela. Um apartamento, não tem ninguém morando, o outro o cara que mora saiu de viagem há uma semana. Os que estão no andar: Denzel Andrade, disse que não ouviu nada, por que como todas as noites vai pra cama cedo e com o walkman no ouvido. E por fim, Carol Fox. Ela disse que ontem saiu às 21h com Johnny Mattheus seu vizinho do apartamento debaixo, pra "nigth" só voltou às 4h. E também não ouviu nada, mas... Ela disse que um tempo atrás viu um homem umas duas ou três vezes, entrando e saindo junto do apartamento com Sara. E disse que pode ser o namorado.

- Ótimo, ela conseguiu descrevê-lo? – Catherine ficou esperançosa.

- Sim. Homem caucasiano, uns 48 anos, 1,85 de altura, 90 kg e tem barba. Bem é isso aí, tenho quer ir. Tchau.

Sofia e Catherine se olharam porque sabiam que aquelas características daquele homem eram as mesmas de Grissom.

- Será que é o Grissom?

- Então os dois se entenderam – Catherine pensou alto.

- Como assim se entenderam?

- Os dois já vêm enrolando um romance há anos. Mas, se for o Grissom mesmo, vai se complicar pro lado dele.

- Qual é Cath. O Grissom nunca machucaria alguém.

- Você acha que eu não sei? Eu o conheço há anos, e foram raras as vezes que o vi perdendo a paciência. Mas eu estou querendo dizer que iremos encontrar o Grissom por todo o apartamento.

- Já sei que eu vou fazer. Vou ligar para um amigo meu que é policial em Chicago e pedir pra ele ir à Universidade esperar o Grissom, e quando ele chegar pedir pra vim direto pra cá.

- Faça isso, Sofia. Eu vou ver o tal John.

Catherine entrou na garagem e viu que o carro de Sara não estava na vaga. Nesse momento, correu uma lágrima em seu rosto. Pensou em tudo que poderia ter acontecido com Sara, e ainda estavam sem nenhuma pista e, para piorar a situação, Grissom iria se tornar o principal suspeito.