Capítulo 5

Ela levou um susto quando a luz se acendeu. Seus olhos demoraram a se acostumarem com a claridade. Ela olhou em direção a porta e viu Ele ali parado com um sorriso estampado nos lábios. A raiva tomava conta de seu corpo como nunca antes. Em vão, tentou falar novamente, mas a fita adesiva a calava de um modo que a deixava mais possessa. Viu pela primeira vez o que podia sentir e deduzir: realmente seu corpo estava amarrado a uma cadeira e havia um ferimento em seu ombro. O mais entranho de tudo isso, era que vestia em um vestido vermelho que nunca vira em sua frente.

Ele se aproximou dela, olhando fixamente nos olhos. Sara se remexia na cadeira, tentando inutilmente se afastar dele, os movimentos quase a fizeram cair, mas Ele a assegurou antes disso. Com um tom de voz baixo, falou:

- Oi, meu amor. Toma cuidado, você quase caiu. Olha, eu estou preparando algo pra gente comer. Tenho certeza que está com fome. Eu sei que você gosta de comida vegetariana, então nãos e preocupe. Não vou preparar nada com carne. Aguarda só mais um pouco que eu já volto pra gente comer. Tá?

Ele aproximou seu rosto ao dela e por cima da fita a beijou. Ela virou a cara, mas Ele segurou seu rosto com tanta força que era quase impossível mexer a cabeça sem se machucar de vez. Ele disse:

- Você está com medo de mim? Eu te amo. Eu sei que não devia ter feito aquilo, mas você me forçou. Eu sinto muito, eu fiz isso por amor. Me perdoa? - Ele apertou com mais força os seus dedos envolta das bochechas dela. – Perdoa? Balança a cabeça e diz que sim – O tom de voz dele se alterou um pouco.

Sara percebeu, olhando no fundo dos olhos dele que Ele era um demente e só pararia se ela o "perdoasse". Balançou a cabeça em tom afirmativo. Remoia-se de raiva por ter feito aquilo, mas parecia o único jeito de se livrar daqueles dedos imundos.

- Ótimo. Fico mais aliviado. Em compensação, você ficou linda nesse vestido. Quando eu vi na loja, logo pensei em você e realmente caiu muito bem!

A respiração dela estava cada vez mais intensa, o sangue fervia. Não acreditava que aquilo tudo estava acontecendo com ela. Uma lágrima correu pela sua bochecha, mas ela não podia se entregar. Precisava pensar em como escapar daquele crápula.

Ele apagou a luz, mas antes de fechar a porta falou:

- Eu já volto, querida. – Saiu com um largo sorriso.

Catherine entrou na sala de audiovisual, e entregou a fita a Archie, ele colocou-a e avançou até 20h. Pode ver Sara e Grissom entrando.

- É o Grissom?

- Sim. Eu quero que você analise cada segundo dessa fita até hoje de manhã, às 7h. Qualquer coisa de estranho me avise, está certo?

- Claro. Desculpa perguntar, mas o que eu estou vendo é mesmo que estou pensando?

- Com certeza. Mas isso é irrelevante. Tenho certeza que não foi ele. Eu sei que vai ser difícil, já estive olhando ela e sei que há somente duas cenas: eles entrando e saído. Mas os detalhes para serem descobertos são com você!

- Pode deixar.

O celular de Catherine tocou, ela olhou a identificação que era Sofia e atendeu.

- Sofia, alguma novidade?

- O carro da Sara foi localizado.

- Onde?

- Há um quilômetro do aeroporto.

- Alguma coisa de estranho nele?

- Não visivelmente, irei mandar pra garagem do laboratório. Descobrir coisas invisíveis é com vocês.

- Tá bom. Muito obrigada.

- Hei, Cath! E o Grissom algum sinal dele?

- Ele me ligou há pouco tempo. Só conseguiu um vôo daqui uma hora. Ele tá arrasado!

- Só imagino. Eu vou mandar o carro.

Catherine desligou o celular e ficou parada pensando quando Archie a chamou para a realidade.

- Catherine? Catherine?

Ela se assustou - Oi!

- Eu adiantei fita até eles indo embora, e olha – Deu um zoom na mão esquerda do Grissom - ele está com um curativo na mão.

- Bem, eu ainda não recebi o exame de DNA, mas tenho certeza que é o ferimento causado pela taça de vidro. Ele me disse que cortou a mão quando ia lavar a taça.

- Certo. Mas olha a Sara. Não vejo nenhum ferimento nela. Eu sei que vocês encontraram sangue em cima da cama, mas é dela?

- Não sei. Eu vou ver como anda o exame de DNA. Continue olhando a fita, qualquer novidade me avisa.

- Pode deixar.

Ela caminhava pelos corredores em direção a sala de analise de DNA. Quando Nick a parou de repente.

- Ei Cath. Andei vendo os casos antigos da Sara, não encontrei nada de estranho. Eu acho que não tem nada a ver.

- Não se pode ter tanta certeza disso.

- Tá certo, mas não achei nada que possa ser suspeito. Você está indo a onde?

- Ver se o DNA está pronto quer vim comigo?

- Sim.

Eles entram na sala e Nick cumprimentou Mia.

- Oi, o exame do sangue do lençol já está pronto.

- E então é dela?

- Infelizmente. E o Warrick acertou, os respingos tem saliva. Ela levou um soco.

- Droga! E o sêmen? – Perguntou Nick.

- Interessante, o sangue encontrado na taça de vidro e o sêmen do lençol, são da mesma pessoa. Vou passar no CODIS agora. Deixa-me colocar pra procurar... Pronto! Agora é aguardar.

Nick e Catherine estavam apreensivos, porque sabiam que o dono do sêmen seria, muito provavelmente, Grissom. A procura acabou em poucos minutos e Mia assustou-se.

- É de alguém do laboratório.

E nesse mesmo instante apareceu o nome e a foto. "Gilbert Grissom".

- Deve estar alguma coisa errada!

- Não Mia. Está certo – Catherine fechou os olhos e balançou a cabeça como se quisesse espantar alguma coisa que veio em mente.

- Isso não tem nada a ver. Os dois estão namorando...

Mia ao ouvir "namorando", cortou Nick.

- Fala sério. Namorando?

- É. Então é por isso, ora, sexo é comum entre casais.

Catherine concordou. - Com certeza, mas o problema é que ela: 1º está desaparecida, 2º a última vez que foi vista foi com ele, 3º temos sangue e sêmen no local e 4º e último, ele é o nosso único suspeito até agora. Satisfeitos?