Capítulo 8
Estava anoitecendo em Vegas. Não era a primeira vez que Grissom entrava num carro de polícia, mas dessa vez a situação era diferente. Em vez de acompanhar algum policial até uma cena de crime, dessa vez era levado para a delegacia e estava no banco de trás. Lugar geralmente reservado para criminosos.
Seus pensamentos estavam todos em Sara. Fechou os olhos e encostou a cabeça no vidro da janela. Começou a lembrar quando esqueceu seu medo e a disse que a amava. Ela tinha sido suspensa por Ecklie, por ter desrespeitado Catherine. Foi ao apartamento dela, para saber qual era o motivo dela estar tão brava. Ela contou sobre a infância que teve. Que sua mãe matou seu pai. Começou a chorar era a primeira vez que ele a via tão frágil. Segurou sua mão e ficou a olhando, teve coragem e a abraçou.
Um abraço tão carinho que ele mesmo se assustou com o seu gesto. Passado alguns minutos, ela encostava a cabeça em seu peito. Sara falou que ele era muito importante para sua vida. E que sempre que se sentia triste, como naquele momento, como desejava ter ele ao lado dela para abraçá-la daquele jeito.
Sara olhou em seus olhos. Seus corpos unidos, um sentindo a respiração do outro. Seus lábios se encontraram, era um beijo que ao mesmo tempo era doce, úmido e quente. Grissom a desejava há anos, mas sempre se afastou por um medo tolo de ela um dia o trocar por alguém mais jovem, da idade dela. E também por os dois trabalharem juntos.
Parou de beijá-la. Sara falou que sabia que o maior medo dele era perdê-la. Só que não deveria ter. Ele ficou impressionado com as palavras dela. Voltou a beijá-la, só que agora um beijo mais voraz que explorava cada centímetro de sua boca. Ela o levantou e caminharam em direção a cama.
Tiveram uma noite de amor que nunca esqueceriam. Ficaram ali olhando um para o outro, conversaram, perceberam quanto tempo perderam tentando se afastarem. Ele se declarou a ela e disse que o medo que sentia terminara, porque sabia que a amava e esse sentimento era mais forte do que qualquer medo.
Seus pensamentos foram interrompidos pela viatura que parava. Olhou para fora e viu que já tinham chegado à delegacia. E que era agora, que teria que dizer que não tinha culpa de nada. Que a única coisa que importava naquele momento era saber de Sara, sua Sara.
Conhecia muito bem aquela sala. Mas agora estava se sentindo como um estranho. Ficou ali sentado e aguardando. Na sala, junto com ele, havia somente um policial. Que estava visivelmente incomodado com aquela situação.
A porta se abriu e entraram o detetive Cavaliere e Catherine. Os dois se sentaram em frente a ele. Segundos de um silêncio que se tornou insuportável foi quebrado por Cavaliere que também ligou um gravador.
- Por favor, diga seu nome completo.
- Gilbert Grissom.
- Você está consciente das acusações que esta sofrendo?
-Não. Que acusações?
- Sara Sidle foi vista pela ultima vez com você. Hoje às 7 da manhã, o apartamento dela foi encontrado aberto e revirado. Em cima da cama, foi encontrado sangue, que com o exame de DNA comprovou que pertence a ela. No lençol foi também encontrado sêmen. Seu sêmen. Na cozinha uma taça de vidro quebrada que continha sua digital e seu DNA. E ela está desaparecida. Algumas horas atrás o carro dela foi localizado há 1 km do aeroporto, e as únicas digitais encontradas no carro pertencia a somente duas pessoas: Sara Sidle e suas. O que me diz sobre isso?
- Bem, primeiro as digitais do carro estão lá, porque eu de vez em quando dirijo o carro dela. E a última vez que dirigi foi ontem à noite em direção ao aeroporto.
Catherine com lagrimas nos olhos, disse:
- Grissom, as câmeras de seguranças do prédio captaram duas imagens de vocês. Entrando às 20h e depois saindo às 23h12, visivelmente apressados. Qual era o motivo da pressa? Para esclarecer, por que você não conta tudo que aconteceu deste que saíram do laboratório?
Grissom concordou e com a voz tremula, começou a narrar os eventos.
- Saímos do laboratório era umas 19h. Eu fui com meu carro e a Sara no dela. Passamos primeiro na minha casa. Deixei meu carro na garagem, peguei minhas malas e coloquei no carro dela. Depois disso, fomos em direção ao prédio dela, chegamos acho que era umas 20h. Quis fazer um jantar, já que eu ia ficar fora por alguns dias. Jantamos, tomamos umas taças de vinho, conversamos sobre o dia e... Fizemos amor - Grissom estava incomodado, estava expondo sua intimidade que sempre escondeu.
- Bebemos o resto do vinho que sobrava. Então peguei as taças e fui lavá-las. Uma delas escorregou e acabou quebrando, foi assim que cortei minha mão. –Grissom riu - Parecia que o sangue não queria parar. A Sara ficou preocupada, queria até me levar ao hospital, disse que não tinha necessidade, e realmente não houve. Ela fez um curativo e quando olhamos no relógio já era 22h50 e meu vôo partia às 23h45. Tomei um banho rápido e saímos com pressa. Eu estava atrasado. Por isso quem nos viu saindo achou que tinha algo de errado, mas não tinha. Chegamos ao aeroporto às 23h30 - com um sorriso no rosto, Grissom continuou - Corremos igual uns loucos pelo aeroporto, tentando chegar o mais rápido possível. Enfim conseguimos, dei um beijo nela e embarquei no avião. - Grissom tira do bolso do casaco um papel - Aqui está o comprovante que embarquei às 23h45.
Cavaliere pega a passagem, olhou com atenção e disse:
- Mesmo assim, até que se saiba o que aconteceu com ela você é suspeito.
- Isso é ridículo! Estou desesperado, EU que quero saber o que aconteceu com ela. Este papel que está em sua mão, comprova que EU embarquei. E não fiz nada com ela.
- Você poderia muito bem ter feito algo antes de embarcar e...
Batidas na porta, o interrompe. Era Nick, ele chama os dois para fora da sala.
- O que foi Stokes?
- Por favor, me acompanhe.
Eles entraram em uma sala, e Nick ligou a televisão. Nela aparece a imagem de Grissom e Sara no aeroporto.
- Eu fui ao aeroporto e pedi as imagens da segurança. E aí mostra e comprovando que a última vez que ele a viu foi na hora do embarque. Agora olhem essa outra imagem. É do estacionamento do aeroporto. A Sara está entrando no carro e indo embora. Ele não tem nada ver com isso.
- Muito bem pensado, Nick. Qualquer coisa que aconteceu com ela, foi depois que ela deixou o Grissom. – Catherine disse aliviada.
Cavaliere ainda relutante disse:
- Ele poderia ter pedido para alguém ter feito algo com ela.
- Não acredito você ainda acha que ele fez algo? Ele está liberado. Nós temos que procurar outra pessoa. – Falou Catherine.
Cavaliere concorda com a cabeça e vai embora.
- Obrigada por ter pensado em pegar as fitas, Nick.
- Não foi nada. Você sabe que devo minha vida a ele.
Catherine sorri e volta para sala onde Grissom está.
