CAPÍTULO 4: ALMOÇO NO 3 VASSOURAS

Harry e Hermione se sentaram em uma mesa afastada, por causa do barulho. O Três Vassouras era um lugar movimentado, e assim poderiam conversar em paz. A garota de cabelos castanhos levantou o braço com seu jeito simpático de sempre e o garçom se aproximou para anotar os pedidos.

- Traga uma pizza de calabresa, por favor, e dois sucos de laranja. – e sorriu para o amigo – Pode ser, Harry?

- Por mim, tudo bem.

- Já trago, senhorita.

- Você está sabendo da festa de aniversário da Ginny? – disse, virando-se para frente novamente.

- Sim, ela me convidou hoje. Você vai?

- Acho que sim. E você?

- Depois do que vi hoje, não tenho certeza se vou.

Hermione apenas encarou o garoto, certa de que não sabia de alguma coisa importante.

- Você se lembra de Pansy Parkinson?

- Claro, aquela garota com cara de poodle que vivia pendurada no pescoço de Malfoy.

- Agora ela e Ginny estão amigas. Hoje mesmo vi Ginny paparicando Draco junto com ela no cursinho.

- Oh, Harry. Você... Você ainda gosta dela, não gosta?

A garota parou de falar, como se soubesse que tinha acabado de pisar em território perigoso. Um cheirinho gostoso de pizza invadiu o ambiente e Harry se aproveitou da chegada do almoço para fugir da pergunta. Hermione o conhecia bem o suficiente para saber se ele estaria mentindo e preferiu não encarar aquela verdade que o incomodava tanto: ele era apaixonado por Ginny Weasley.

- E como vai a faculdade, Dra. Granger?

- Oh.. Muito bem. – disse Hermione, fingindo não ter percebido que Harry não tinha respondido sua pergunta – Mas ainda faltam uns 5 anos para Dra. Granger.

Riram juntos e continuaram concentrados na pizza de calabresa. Hermione era uma das poucas pessoas que Harry sentia que o compreendia sem julgá-lo, e sentia o coração mais leve por estar ali com a única pessoa do mundo que ele podia abrir o coração sem medo. É claro que ele também tinha Rony se quisesse conversar, mas ele era um cabeça-dura, um verdadeiro teimoso. Hermione era melhor do que ninguém para uma conversa daquele tipo.

Após terminarem o almoço, Hermione perguntou se Harry queria carona para casa, mas ele recusou.

- Vou dar uma volta por aí, preciso espairecer.

- Então tá, Harry. Até outro dia.

- Até. Foi bom te ver, Mione.

- Você também.

Deu um beijo estalado na bochecha da menina e saiu.

Harry caminhava cabisbaixo e chapinhando nas eventuais poças d'água que atravessavam seu caminho. O vento com cheiro de chuva tomava conta do ar à sua volta mas o garoto não se importou de não ter trazido o guarda chuva. Apenas quando um clarão tomou o céu com um estrondo distante foi que Harry levantou a cabeça e bateu os olhos verdes numa vitrine. Lembrou-se do aniversário de Ginny e que devia comprar-lhe um presente, afinal de contas, por mais que não tivessem a mesma intimidade de antes, seria indelicado aparecer por lá sem um embrulho nas mãos, por mais singelo que fosse. Atravessou a rua e pegou um ônibus para o shopping.

Harry deu muitas voltas antes de se decidir quanto ao presente. "Um livro talvez? Não sei o que ela gosta de ler"

"Uma roupa? Não, muito pessoal. Sem contar que vou errar o tamanho do manequim e ela vai achar que está gorda"

"Um perfume? Vai pensar que eu acho que ela cheira mal"

No fim das contas, comprou um par de brincos, não muito grandes, não muito pequenos. Comprou também um cartão, um papel de presente estampado com flores brancas e uma fita larga de cetim rosa, para o embrulho. Pensou em cada detalhe, repassou nos dedos cada passo, para não esquecer de nada: estava com medo de não agradar. Tinha tomado uma decisão de ter uma conversa séria com Ginny no sábado, pois sentia que aquela situação não iria leva-los a lugar nenhum. Não agüentava mais ter que desviar seu olhar do olhar firme dela. Levantou-se carregando as sacolas que pareciam pesar bem mais do que realmente pesavam. Passou pela porta do shopping e viu que na rua já caía uma garoa fina e gelada e lamentou-se agora por não ter um guarda-chuva consigo. Parou na calçada, e olhou para o semáforo de pedestres. Estava verde, mas Harry tinha uma mania, quase uma superstição quando atravessava a rua. Tinha medo que o sinal abrisse enquanto ele estava atravessando, portanto sempre esperava abrir e fechar mais uma vez para que ele tivesse certeza de que daria tempo de chegar vivo do outro lado. Enquanto esperava o sinal abrir novamente, sentiu alguém que falava alto e autoritariamente no telefone celular se aproximando de suas costas e indo atravessar a rua. Em apenas uma fração de segundo, Harry viu o sinal dos carros abrir e sua única reação no momento foi largar as sacolas que estavam nas suas mãos e puxar o garoto que se dirigia aos carros distraidamente.

- CUIDADO! – gritou.

O garoto que teve o braço puxado caiu por cima de Harry e os dois caíram no chão.

- Tudo bem? Você est... O QUÊ? – Harry não acreditou no que tinha acabado de fazer.

Draco Malfoy levantou-se do chão, batendo a poeira das roupas. Estava ali, na sua frente, completamente paralisado, segurando o celular ainda aberto e fitando Harry com os seus olhos quase prateados tão abertos que pareciam que iam cair no chão. Ele havia acabado ter sua vida salva por Harry Potter, seu inimigo declarado desde ali se encarando por alguns segundos, meio absortos com a situação totalmente inesperada, mas a chuva tratou de despertá-los.

- Você está bem, Malfoy? – disse Harry, quebrando o silêncio desconfortável que havia se instalado.

- Estou. - meio relutante, o garoto loiro prosseguiu em um volume quase inaudível – Obrigada.

- Não foi nada. - Estou indo então... Cuide-se. – disse juntando suas sacolas e atravessando a rua.

Draco ficou ali parado, sentindo a chuva em seu rosto, e observando Harry entrar dentro de um ônibus e desaparecer. Sentia-se confuso, pasmo, tudo acontecera muito rápido. Estava discutindo com sua mãe aos berros no telefone e no segundo seguinte estava no chão, em cima da pessoa que mais odiava no mundo.


N/A: O Harry não é um fofo? Ele compra presente e embrulha ele mesmo! :~