CAPÍTULO 5: A ESPERA
O resto da semana passou tranquilamente, tirando o fato de que Harry não parava de ensaiar discursos mentalmente, com todas as variações possíveis, decidido que precisaria ter uma conversa séria com Ginny. Fazia mais ou menos uns 3 meses desde que tinham saído pela última vez, e desde então, Harry sentia-se cada vez mais triste. Gostava de Ginny, mas ela era muito indecisa - ora gostava dele, ora não tinha certeza do que queria, e quando Harry decidiu que daria a ela o tempo que ela quisesse para pensar, nunca mais se viram a sós novamente, e isso o consumia por dentro. Estava resignado.
No sábado, acordou cedo demais, para seu próprio desgosto. Naturalmente, Sirius ainda estava dormindo. Se dirigiu ao banheiro para se lavar, e, quando olhou para o espelho lembrou-se imediatamente do aniversário de Ginny, e sentiu como se todas as células de seu corpo tivessem tomado consciência disso só agora, através de um leve calafrio de ansiedade e a sensação no estômago de que ele havia comido um saco de cimento na noite anterior.
Preparou um café da manhã - um café decente, não a fatia de pão engolida sem mastigar que ele costumava comer com pressa quando saía para o cursinho todo dia de manhã - enquanto Edwiges se enroscava nos seus pés.
Frutas, iogurte, cereais, pão, geléia e suco de uva. Arrumou com cuidado os pratos na mesa, e deu um passo para trás para apreciar o efeito.
"Hora de chamar Sirius" ele pensou.
Bateu na porta do quarto do padrinho, e, quando entrou, encontrou a cômica cena de Sirius acordado mais cedo do que jamais acordara nos últimos 5 anos, vestido com uma antiquada roupa de ginástica vinda direto dos anos 80, com direito a um shorts verde bandeira, meias até o joelho, regata amarelo ovo e uma faixa na testa muito em desalinho com seu emaranhado de cabelos negros, alongando a perna desajeitadamente na cômoda. Não pode conter a gargalhada.
- Sirius, o que está acontecendo aqui? - e aqui ele parou para respirar entre uma gargalhada e outra - Desde quando você é, tipo, saudável e faz ginástica?
- Harry, nunca é tarde para cuidar da saúde - e fez um gesto com a mão estendida para cima com um quê de super-herói. - Vou correr no parque!
- Eu fiz café da manhã pra gente, tá.
- Ótimo! Obrigada, Harry.
Sentaram-se na pequena mesinha da cozinha, e enquanto Sirius mastigava seu desjejum, passava freneticamente os canais da televisão sem ao menos dar tempo de ver o que estava passando. Apertava com uma força desnecessária os botões.
- Sirius, quando a pilha está fraca, não adianta apertar com mais força, sabia? - sorriu.
- Ahhhh... que seja! - resmungou, e atirou o controle remoto na mesa.
Acabara de começar o jornal da manhã, e a primeira notícia era de mais um monte de arquivos descobertos com dados, nomes e números do escândalo Riddle. O rosto duro de Lúcio Malfoy apareceu na tela, e ao ver aquilo, Harry desligou o aparelho.
- 18 anos se passaram, e ainda continuam encontrando caixas com papelada desse escândalo. O lugar onde eles guardam essas caixas deve ser menos organizado que o seu quarto, Sirius, e isso é um paradoxo, você sabe.
- Bem, eu sinceramente não ligo. Vou correr, Harry! - e levantou de um salto da cadeira, se dirigindo á porta caminhando em pequenos pulinhos ridículos, dobrando os joelhos na altura da cintura à guisa de aquecimento.
- Ok, cuide-se. – falou Harry entre risinhos disfarçados. – Não vá arranjar uma contusão.
Ficou sentado na mesa da cozinha, a imagem de Lúcio Malfoy fixada na cabeça. Lembrou-se de Draco, e do incidente do começo da semana. Apesar de toda a pose que ele demonstrava, sentia pena dele. Sabia que no fundo era infeliz, e sentia vontade de poder fazer algo para ajudá-lo.
"Isso é patético. Harry" Pensou. "Ele já aprontou poucas e boas com você, lembra?"
Colocou os pratos e copos sujos na pia, e sentou no sofá para assistir televisão. Estava passando um desenho animado que ele não sabia o nome, muito barulhento, cheio de robôs, naves e explosões. Chamou Edwiges para o seu colo com um chiado da boca, e ficou alisando a gatinha pelos 40 minutos seguintes, meio catatônico, com os olhos fixados nas imagens rápidas do desenho animado. Na cabeça, alternavam-se dois rostos... Draco Malfoy, seguido de Ginny Weasley, e ambas lembranças lhe traziam uma sensação desconfortável.
A apatia fora interrompida quando Sirius entrou ofegando asmaticamente pela porta, suando em bicas, com a faixa da cabeça muito torta.
- E aí, como foi a corrida saudável? - disse tentando não rir muito.
- Foi... *hufff huffff* ótimo! *huuuff* Vou repetir... *huuff hufff* sábado que vem! - falou com a respiração de um motor entupido.
- Estou vendo! Que bom...
- Harry, não é hoje o aniversário da Ginny? - falou enquanto se servia de um copo de água. - Você não parece muito animado
- Sim, é hoje... Passei a semana inteira esperando esse dia chegar, e estou com um pouco de medo agora, na verdade.
- Ahhhh... Qual é, Harry! Vai falar com ela, não?
- Vou, só não sei muito bem como vou fazer isso sem ter um ataque de nervos e travar, falar uma besteira, ter uma crise de soluços, qualquer coisa embaraçosa do gênero...
- Relaxa, garoto. Apenas diga a ela como se sente, e isso deve bastar. Diga que gosta dela.
- É fácil falar não é, Sr. Tenho-todas-as-mulheres-do-mundo-aos-meus-pés? – disse Harry em tom de desafio.
- Oh, você vai pagar por isso!
E Sirius agarrou as pernas de Harry, que começou a fazer cócegas no padrinho e os dois rolaram no chão da cozinha, simulando uma briga.
- Não Harry, não! Eu me rendo! Cócegas não! – falou atirando-se no sofá da sala com a respiração cortada e ofegante.
- Você vê, Edwiges? Sirius não é de nada! Acabo com ele com apenas um dedo! - disse satisfeito levantando o dedo como se fosse um troféu, e a gatinha apenas miou em uma resposta elegante de quem não tinha nada a ver com aquela história.
A tarde passou mais rápido do que Harry imaginou que passaria, e quando se deu conta, já estava quase na hora de começar a se arrumar. Tomou um banho demorado, e saiu do banheiro com o rosto vermelho do vapor quente da água. Vestiu-se com uma camiseta vermelha estampada, e uma camisa de manga curta por cima com os botões abertos, uma calça jeans e tênis brancos, cuidadosamente escolhidos apenas por que Ginny tinha elogiado Harry uma vez que estava usando a mesma combinação. Passou perfume.
Pegou o celular e telefonou para Hermione, certificando-se do horário da carona, e meteu o aparelho no bolso de qualquer jeito. Foi pegar a sacola com o presente que havia comprado e viu que o cartão estava em cima de sua escrivaninha, ainda em branco.
"Droga, esqueci o cartão"
Escolheu uma caneta preta, e mordiscou a ponta por alguns segundos enquanto pensava no que escrever.
Ginny
Parabéns pelo seu aniversário.
Que cada um dos dias no decorrer do seu 17º ano de vida possam ser sempre uma festa como hoje.
Feliz Aniversário, Harry
Ps: Espero que goste do presente
"É, ficou um pouco cafona" pensou. "Mas vai servir."
Colocou o cartão junto com o presente, embrulhado com esmero no dia anterior, e caminhou até o quarto de Sirius para se despedir.
- Tchau Sirius, estou saindo. A Hermione vem me buscar e vou voltar de carona com ela também.
- Tchau. Qualquer coisa me liga. E boa sorte. E divirta-se. Ah, e juízo viu! Nada de dirigir bêbado por aí, moleque.
- Eu já disse, vou com a Hermione.
- Melhor assim! Divirta-se, Harry.
Saiu pela porta e desceu o elevador com pressa, desejando que ele descesse mais rápido. Olhou se no espelho e passou a mão na cabeça, numa tentativa de ajeitar a cabeleira rebelde. Chegou ao térreo, e sentou-se na calçada para esperar Hermione. Olhava com demasiada freqüência para o relógio de pulso, e de vez em quando para o relógio do celular, para certificar-se de que nenhum dos dois estava atrasado ou adiantado, e sinceramente tinha a sensação de que ambos estavam parados. Quando Harry viu pela trigésima oitava vez que Hermione estava 3 minutos atrasada, viu o carro preto dobrando a esquina e deu um suspiro de alívio.
Entrou no carro de Hermione e os dois se dirigiram ao local da festa.
- Você está ótimo, Harry! - falou Mione, dando uma piscadinha.
- Não seja boba. – disse, sem perceber que tinha corado levemente.
Desceram na casa de Rony, e foram recebidos com muito carinho, e uns apertões na bochecha, diga-se de passagem, pela mãe dele. Gostava muito dela, já tinha passado as férias várias vezes com os Weasley, e sentia-se muito à vontade ali, como em poucos lugares já havia se sentido.
A casa era pequena e simples, mas estava toda decorada com flores, balões e fitas amarelas, tal qual o convite. Havia muita gente ali, apesar do espaço um pouco apertado, inclusive vários ex-colegas de Hogwarts. Um garoto gorducho saiu do meio de um grupo de pessoas conversando, e veio cumprimentar Hermione e Harry com entusiasmo.
- Oi pessoal! Quanto tempo!
- Oi Neville – responderam os dois em coro.
- Eu estou indo lá pegar uma bebida, depois a gente se vê por aí.
- Neville, – disse Harry, segurando o ombro do garoto – você viu Ginny por aí?
- Acho que ela está lá fora.
- Ah, ok...
Hermione olhou pra ele com um sorriso daqueles que os amigos se dão e entendem na hora o que o outro quer dizer. E Harry entendeu. Rumou para o lado de fora da casa seguido pela garota, com cuidado para não deixar cair o embrulho que tinha lhe custado várias horas de trabalho árduo no dia anterior. Olhou para os lados com os olhos apertados, como se quisesse aguçar a visão, e encontrou o que procurava: uma cabeça com longos cabelos ruivos. Foi em direção à garota entre tropeços, e cordialmente atropelando alguns transeuntes inadvertidos que estavam na linha reta que se estabelecia entre ele e Ginny, e parou alguns segundos nas costas dela, tomando fôlego.
- Oi Ginny – deu um leve cutuco no seu ombro.
- Oi Harry! – respondeu a garota, dando um abraço em Harry, e com um sorriso tão cordial e sem embaraço que fez até Hermione, que observava de longe, erguer uma sobrancelha de desconfiança.
- Feliz aniversário. – falou enquanto estendia as mãos segurando o presente em direção à garota – É pra você.
Ginny pegou o embrulho com uma das mãos, quando ele percebeu que o motivo para isso acontecer era que a outra mão da garota estava muito ocupada segurando a mão de Dean Thomas, um ex-colega de Hogwarts. Harry sentiu o coração parar por uns dois segundos, e depois voltar à bater com tanta força que parecia um tambor. Ginny agradeceu e saiu de mãos dadas com Dean, e os dois pareciam muito felizes.
Sentiu um embrulho no estômago e saiu dali batendo o pé com convicção no chão. Hermione fez menção de seguí-lo, mas foi surpreendida por um olhar furioso dos olhos verdes de Harry e achou melhor deixá-lo sozinho por um tempo.
A frustração de Harry era uma mistura de alívio e dor. Dor, por que gostava de Ginny e alívio por que subitamente percebeu que tinha ido longe demais ao alimentar seus sentimentos sem ter certeza de que valia a pena. Era um sentimento totalmente novo, misturado com um monte de outros sentimentos que ele não sabia o nome.
Saiu batendo os pés, furioso consigo mesmo, com Ginny, com Dean, com mundo. Foi em direção aos fundos da casa, pensando em se sentar sozinho em um banco de jardim que costumava ficar lá. Agradeceu em silêncio quando chegou lá e viu que o lugar estava vazio como havia esperado, e sentou-se pra remoer com maior dedicação a frustração, pensando no quanto havia sido sempre tão feliz, sem entender por que as coisas na sua vida haviam tomado aquele rumo.
Estava escuro, e as únicas coisas de que conseguia tomar conhecimento eram as árvores ressecadas à sua frente, uma cerca de metal, um balão amarelo solitário que havia rolado pra lá, e o som de música abafado vindo do outro lado da casa. Mas de repente, o som da música não era o único que ele escutava, havia passos, e uma voz também, perigosamente próxima.
- Hey, Harry... Rony falou que viu você vindo pra cá.
Despertou assustado. Não era qualquer voz, era a voz da Ginny. Sentia uma vergonha imensa, uma vontade de sumir instantaneamente.
- Bem... É, estou aqui.
- À propósito... Gostei muito do seu presente. - disse Ginny, mais vermelha do que já era.
- Que bom pra você. - respondeu Harry rudemente, e aparentemente pouco preocupado de que estivesse soando grosseiro.
- Eu estava querendo falar com você a algum tempo, Harry. Sobre nós...
- Nós? Que "nós"? Não existe nós, nunca existiu.
- Não fale assim, como se nada tivesse acontecido! - disse Ginny, com uma ponta de mágoa na voz.
- Eu sei o que aconteceu, você me enrolou. Melhor dizendo, você me procrastinou. E eu, idiota, esperei por você, pra você ter todo o tempo livre que quisesse no mundo pra namorar com o Dean? É isso que você queria me dizer? Pode ir embora então, por que essa parte eu já entendi.
Ginny virou o rosto, e abriu a boca numa expressão raivosa, mas parou antes que saísse qualquer palavra. Então respirou fundo e falou.
- Harry, me desculpa se te magoei. Nós sempre fomos amigos até tudo isso acontecer, e, sendo franca com você, por que eu acho que você merece a minha franqueza, não acredito que eu possa sentir por você algo além de amizade. Você é o melhor amigo do Rony, é como se fosse meu irmão mais velho, entende? Nunca tive essa intenção, foi tudo muito confuso pra mim e peço desculpas se não te contei tudo isso antes. - e então levantou e saiu caminhando, sem olhar pra Harry novamente, voltando pra ser o centro das atenções da sua festa de aniversário.
Apesar do peso da conversa, finalmente tudo estava em pratos limpos, do jeito que Harry precisava pra seguir em frente, se recompor e esquecer de tudo. Respirou profundamente, como se quisesse limpar o pulmão e a cabeça de uma vez só, e soltou o ar devagar. Harry sentiu uma força nova tomando conta de si.
"Não sou um coitado, não vou ficar aqui choramingando sozinho" Pensou. "Vou voltar pra festa, isso sim."
Quando estava virando o canto da parede que separava o quintal do lugar onde a festa de Ginny estava armada, esbarrou em algo macio, mas definitivamente grande, que o fez ir direto pro chão. Ficou meio zonzo, mas se colocou de pé novamente, e ao levantar os olhos, vê ninguém mais, ninguém menos que Draco Malfoy, levantando do chão também, com uma expressão no rosto de ego diminuído por ter caído.
- Você, de novo? Você é burro, Malfoy? Não olha por onde anda?
- Cai fora, idiota! - berrou Malfoy, enquanto tirava um maço de cigarros do bolso, saindo pra fumar escondido nos fundos da casa.
Harry seguiu para a festa, e Malfoy se acomodou no mesmo banco de jardim em que Harry estivera, mas ao contrário de Harry, muito mais displicente, meio deitado e com os pés pra cima do apoio de braço. Acendeu um cigarro, tragou e soltou a fumaça pelo nariz, entediado. A pose era digna de um Rolling Stone.
"Aquele imbecil do Potter parece que me persegue por onde eu vou. Também, pudera, não é de se admirar que ele queira uns amigos melhores do que a Granger e o Weasley, coitado, e ainda mais qu.."
Draco teve a linha de pensamento interrompida pelo celular vibrando no bolso.
- Fala, mãe...
- Draquinho, querido, seu pai e eu estamos indo viajar amanhã cedo, acho que você vai estar dormindo quando saírmos. Então vou deixar alguns cartões de crédito pra você enquanto estivermos fora, está bem assim?
- Tá mãe...- e soltou um suspiro de puro tédio, junto com a fumaça do cigarro.
- Draco, você não está fumando, né? O seu pai morreria de desgosto se fosse verdade! - Narcisa falou em um guincho estridente de pavor.
- Claro que não mãe! - dissimulou.
- Ah, que bom, filho. Bem, cuide-se no caminho de casa.
- Ok, boa viagem pra vocês - e desligou sem dizer tchau.
Draco se levantou, e jogou a bituca em um vaso de flores da Sra. Weasley enquanto alinhava as roupas novamente. "Essa festa tá um saco", pensou. "Vou me mandar daqui."
Enquanto dava esbarrões em todos os convidados, seus olhos se moviam em todas as direções. Procurava por Pansy, e encontrou-a sentada numa rodinha ao lado de Ginny, e mais um monte de pessoas cujos rostos Draco não se deu ao trabalho de reconhecer.
- Pansy, você ainda vai querer uma carona? Eu estou indo embora, você tem 2 minutos pra me encontrar no carro. – falou enquanto virando as costas.
Já dentro do carro, Draco ligou o rádio, fechou os vidros tão escuros que mal podia enxergar o lado de fora, e ligou a ignição.
Pansy abriu a porta logo em seguida, e sentou-se do seu lado. Segurava a bolsa de grife em uma mão e uma garrafa de cerveja choca na outra.
- E aí, vamos pra onde? – insinuou Pansy com uma expressão de malícia.
- Meus pais foram viajar. – Draco acrescentou com um sorriso mais malicioso ainda.
- Tá esperando o que pra dar a partida?
Já na casa de Draco, Pansy estava sentada em uma luxuosa e comprida chaise à beira de uma piscina, bebericando de uma taça de daiquiri que ostentava um vermelho muito vivo. A noite estava escura, sem lua, mas a iluminação proveniente da piscina e das luminárias espalhadas pelo jardim dava ao lugar uma aura quente e agradável. Draco juntou se à ela, sentando-se na chaise ao lado e acendendo um cigarro.
-Draco, eu já te disse que essa porcaria fede, né? Sem falar que o meu cabelo fica impregnado com o cheiro desse negócio.
- Pansy, fica na sua. Eu gosto, fumar me relaxa, ok?
- E você tá precisando relaxar por quê?
Draco suspirou profundamente e bateu as cinzas no chão.
- Sabe, estou pensando seriamente em me mandar daqui.
- Pra onde? Como assim? – arqueou as sobrancelhas enquanto dava um golinho no coquetel.
- Sei lá, morar fora do país. Tirar umas férias da vida.
- Como se a sua vida fosse tão difícil assim.. Você tem tudo que quer na hora que quer. Você consegue ser mais mimado do que eu pelos seus pais! – disse Pansy, com um ar de despeito.
- E como se você soubesse de dez por cento do que acontece na minha vida! Você não tem a menor idéia do que é ser filho de quem sou! Meu pai espera mil coisas de mim, e não vai tolerar desvios. E eu não quero nenhum pouco a vida que planejaram pra mim, simplesmente pelo fato de que não fui eu quem planejou. Tô cansado de todo mundo tentando fazer tudo por mim, quero tomar minhas próprias decisões, escolher os meus caminhos.
- Draco, Draco... você se preocupa de mais e aproveita de menos. Vem pra cá, senta aqui comigo...
Draco se levantou da cadeira e beijou-a bruscamente, segurando sua nuca com força desnecessária. Pansy rendeu-se rapidamente, e o copo que segurava caiu no chão e espatifou-se em mil pedaços de cristais, provavelmente da Bavária, espalhando uma poça de líquido escarlate pelo deck da piscina, espesso como sangue.
Na manhã seguinte, Pansy acordou com a luz que entrava por uma fresta da cortina e batia em seu rosto. Tateou a cama em volta, ofuscada pela claridade, mas descobriu-se sozinha ali. Levantou em direção ao banheiro, lavou o rosto e arrumou rapidamente os cabelos, vestiu-se e desceu para procurar por Draco. Depois de algumas voltas pela casa, ao ver que o carro dele não estava na garagem, concluiu que o garoto também não estava ali e sentiu uma onda de decepção e vergonha tomar conta de si. Cravou as unhas pintadas de vermelho na sua Hermès Birkin¹ branca num contraste trágico, e saiu, batendo a porta com força ao passar..
Hermès Birkin¹: Uma das bolsas mais famosas do mundo e a maior it-bag da história, com preços que começam nos US$ 7 mil e ultrapassam facilmente os US$ 50 mil. Resumindo, é a queridinha das celebridades.
N/A: Sério, a Pansy TINHA que ter uma Birkin. Por que nesse capítulo ela é chique, ela é diva, e ninguém pode com ela por que ela é RYKAH! ADOGO!
