CAPÍTULO 7: PARTY MONSTER
A sexta-feira finalmente chegou, e com ela, a festa. O trio desceu do carro estacionado por Mione com certa dificuldade em uma vaga pequena, e contemplou a mansão à frente deles.
O som abafado de música eletrônica podia ser ouvido com clareza do lado de fora da casa situada em um dos bairros mais chiques da cidade.
- Harry, olha! Essa casa é animal! Quem será que mora aqui? – Ron não se continha de excitação.
- Ai, não sei não, Ron. Por um lado, eu ainda acho meio estranho, aparecer assim numa festa que a gente nem sabe quem está dando. Mas grande coisa né.– resmungou Hermione, tentando se equilibrar no enorme sapato enquanto passavam por um caminho de pedrinhas onde o salto teimava em se enterrar.
- Relaxa, Mione, no cartaz dizia claramente que todos os alunos da turma podiam vir! Eu li, tá?
O três foram contornando a casa, seguindo uma trilha de copos descartáveis vermelhos jogados ao chão que ia aumentando conforme se aproximavam dos fundos. A festa estava acontecendo em volta de uma piscina, e, definitivamente, havia pelo menos o triplo de pessoas ali do que as que estudavam junto com eles, e todas elas pareciam bêbadas. Identificaram Parvati e Lavender, duas de suas colegas, e foram juntar-se à elas.
- Hey, pessoal. Que legal que vocês vieram! Acho que eu nunca tinha visto vocês em nenhuma das festas por aqui. – disse Parvati.
Os três se entreolharam, por que claramente não sabiam quem estava dando a festa, e não queriam ser denunciados tão cedo. Tentando contornar a situação constrangedora, Hermione usou da sua presença de espírito e retirou os dois dali na marra com a desculpa de ir buscar bebidas, antes que algum deles falasse alguma besteira.
- Escutem, eu vou pegar umas cervejas pra gente começar a se enturmar, e vocês dois tratem de ficar aqui e de boca fechada.- falou a menina, que se embrenhou no meio da multidão e desapareceu.
- Eu não sei qual é o problema dela, sempre acha que a gente vai se meter em alguma confusão. De onde ela tira isso? – o ruivo se perguntou com tom irônico, e o amigo riu.
- Mas ela tá certa Ron. Já que estamos aqui, vamos nos infiltrar e aproveitar. Esse era o combinado, lembra?
Hermione voltou com três garrafas de cerveja na mão.
-Fazia milênios que eu não vinha numa festa assim, vamos curtir, garotos. Agora que a gente já está aqui não adianta ficar desse jeito. Tirem essa cara de criança-indo-pela-primeira-vez-a-um-zoológico do rosto, por que está dando na cara, sabem.
Enquanto terminava de falar, Hermione girou a tampa da garrafa no antebraço, que se abriu facilmente com um clique rápido, como se ela já tivesse toda prática do mundo em fazer aquilo.
- Uau, eu não sabia que você tinha essas habilidades todas com garrafas de cerveja! Aliás, você bebe?– disse um estupefato Ron de olhos arregalados.
- Ronald, você acha que os 3 meses que eu passei na França durante o verão foram só pra estudar? Sério? Você acha que eu faço o quê nas festas da faculdade? Sento e leio um livro?– riu a garota.
Ron largou os braços do lado do corpo e deixou o queixo cair.
- Mione, quando eu acho que comecei a te entender de verdade, você vem e prova que tudo que eu pensava sobre você estava errado.
-Realmente, você não sabe nada sobre mim. – e os três riram juntos.
Enquanto conversavam, Harry continuava a observar o movimento com olhos atentos. Tentava reconhecer as pessoas ali, mas a grande maioria dos presentes obviamente não estudavam com ele. Dentro os conhecidos, identificou um grupinho de pessoas dançando, que incluía Pansy e Ginny, sendo que a primeira dançava freneticamente enquanto se esfregava em Draco Malfoy. Harry sentiu uma certa vergonha alheia, mas no fundo, achou engraçado. Depois de um certo tempo de pé, encontraram cadeiras que pareciam extremamente convidativas, tanto que Hermione saiu correndo em direção à elas quando as viu. Sentou e tirou um dos sapatos, massageando um dos pés com a mão livre.
- Nossa, esse salto tá me matando. – resmungou.
Enquanto os outros dois se sentavam, Hermione começou a sorrir e saiu correndo de pés descalços na grama do jardim.
- Tive uma idéia! – gritou enquanto se afastava.
- O que foi isso? Essa garota é maluca Harry, eu sempre desconfiei disso, mas hoje ela está dando sinais claros.
Ela voltou aos pulinhos, com uma garrafa de tequila na mão e três copinhos pequenos.
- Em uma das festas da minha turma da faculdade, eu joguei um jogo de beber e confesso que tive resultados inesperados, mas definitivamente interessantes. O jogo se chama Eu Nunca. Topam?
- Como se joga isso? –disse Harry, com as sobrancelhas arqueadas.
- Funciona assim: cada um serve uma dose no copo, e a gente coloca os shots no centro da mesa. A cada rodada, uma pessoa fala uma coisa que ela nunca fez. Quem já fez, tem que beber. Vale perguntar qualquer coisa, mas não vale mentir hein! É facil e é muito divertido...Vamos? Eu começo, ok?
Harry e Ron se entreolharam, levantaram os ombros, e serviram as doses nos seus respectivos copos.
- Hm... deixa eu pensar. Eu nunca tirei uma nota vermelha na vida.
- Ahhhh, qual é Hermione! Essa não vale, foi a pergunta mais óbvia do universo! – falou Harry.
- Não interessa, tem que beber! Essa é a graça do jogo! Conforme o jogo vai passando, vai tudo ficando mais divertido...
Ela parecia estar realmente se divertindo muito vendo a cara que os dois faziam enquanto entornavam a dose de tequila goela abaixo sem cerimônia alguma. A sensação imediata de queimação na garganta de Harry passou rápido, e então ele batucou os dedos na mesa antes de falar na sua vez.
- Eu nunca estive na França. – seu sorriso era de puro triunfo -Toca aqui, Ron.. - Levantou um braço, ao passo que Ron deu uma batida em sua mão e gargalhou profudamente.
- Hahahahahahahaha, se deu mal, Mione! Falou aquilo só por que sabia que a gente ia ter que beber, mas você pode ver que nosso amigo Harry é mais ardiloso do que você!
A garota suspirou e esvaziou o copo à sua frente, fazendo uma breve careta depois. Conforme o nível da garrafa ia descendo, o nível das perguntas ia descendo junto, e após umas dez rodadas, os três já estavam enrolando a língua, falando muito alto e rindo descontroladamente.
- Herzmoine... eu zabia! Eu zabia! – berrava Ron, divertindo-se com a brabeza da amiga. – Eu zabia que vozê e aqueleee garoto do indro.. intor... intum.. intrecâmbio, o tal do Fítor Krum, nãom tinham fffficado só nos beijinhoz e amassoszs! Harry, passssssa a grana..
Harry deu um suspiro, tateou os bolsos e puxou a carteira, derrubando no chão metade dos cartões e um monte de moedas no processo. Depois de procurar por um momento, estendeu uma nota de dez para o amigo. O rosto de Hermione se cobriu de indignação e ela guinchou agudo com a voz duas oitavas acima da escala humana de audição.
- Queisss? Vozes apostaram? Aposjtaram queu ia t-t-t-tranzar com ele? Não dzá pracredjitar em vozeis!
A garota virou as costas, calçou os sapatos e saiu muito furiosa, cambaleando. Harry continuava deitado no chão, fuçando cada centímetro de grama em busca das moedas que perdera, enquanto cantava algo que soava parecido com "moneeeeeeey, get baack"¹. Ron saiu correndo atrás dela, tão cambaleante quanto.
- Mionhe, voutaqui! Vem cááhhh!
Harry manteve-se alheio à situção, muito empenhado em sua caça ao tesouro, andando de cócoras pelos cantos do jardim, até que seu amigo Neville se aproxima dele.
- Harry, o que houve? Hahaha, sério, o que fizeram com você?
- Neville, assho que az morfig.. forgi...formigas levaram minhas moedjas. – falou muito sério e decepcionado.
- Nossa, você bebeu mais do que devia... Vem cá, vou te ajudar.
O garoto ajudou Harry a se levantar do chão, e passou um dos seus braços em torno do pescoço dele. Harry era magro, e Neville, diferentemente dos tempos de escola, havia se tornado um rapaz atlético que não encontrou muita dificuldade em carregar o peso morto do garoto que cantava em plenos pulmões através do jardim para dentro da casa.
- Muits obrigados Neviule! Vozê éh um amigo dje verdadze, voze sabe que eu the consssidero muito, muitso meszzmos...
Encontrou um sofá, muito grande e cheio de almofadas, e deitou Harry ali, que adormeceu instantaneamente. Quem olhasse a situação isolada, teria chamado o IML, já que as circunstâncias do garoto não eram nada bonitas: muito escabelado, todo babado, joelhos sujos de grama, e aparentemente morto. Neville deu umas voltas pela sala, e ao lado de um telefone, encontrou o que estava à procura - uma caneta. Tateou os bolsos de Harry, pegou o celular do garoto, e encontrou o número de Sirius na agenda. Destampou a caneta com a boca e escreveu no braço de Harry: Oi, meu nome é Harry. Se eu estiver perdido, ligar para 9473-0297, o que pareceu despertar momentaneamente o garoto semi-inconsciente.
- Neviule, isso fash cozégas...
- Harry, tá me ouvindo? Fica aqui tá? Eu volto mais tarde pra te buscar.
- Táá, okkkkzzzzz... Voczê cuidou dje mim, voze eh sensachional, Névi, vozsê é...– e dormiu novamente antes de terminar de falar.
Neville riu, dividido entre pena e divertimento, lutando internamente pra resistir a vontade de tirar uma foto da situação antes de caminhar de volta para a festa.
"moneeeeeeey, get baack"¹ : Música do Pink Floyd, Money. Aquela famosa com barulhinho de caixa registradora no começo.
N/A: Harry bêbado, além de hilário, é altamente inspirado no episódio The Pineapple Incident (S01E10) de How I Met Your Mother. E preparem-se para o approach no próximo cap! BEYJOS.
