Eu estive voando... Mãezinha, não existe negação.

Eu estive voando, não existe negação, não existe negação.

Lemúria

Capítulo 3

Terra Submersa

A passagem se abriu e todos eles puderam sentir o cheiro forte de umidade, a rocha à frente deles formava um túnel, um gigantesco túnel. Lien e Laico se posicionaram para fazê-los entrar primeiro.

Dentro do túnel a pressão era extrema e o cheiro de umidade se acentuava de tal forma que se tornara insuportável. A impressão que Mu e os demais possuíam era a de que não chegariam com vida.

Quando esse pensamento se tornou mais forte eles notaram a luz fraca que indicava que o caminho estava chegando ao fim e um ar doce tomou conta de todos. E como uma cortina que se abria a terra Submersa se revelou...

Lemúria.

Nada poderia descrever a natureza exuberante que emergia diante dos olhos daqueles que ali penetravam pela primeira vez. O som das cachoeiras, dos pássaros cantando, as flores, as árvores. Ao longe podia-se ouvir riso de crianças.

Aquele lugar... Era o paraíso perdido?

- Bem vindos de volta ao lar... – Lamara disse, seu sorriso era fraco e um dos guerreiros nacaals a apoiava.

- É um lugar lindo. – Shaka exclamou, antes de todos. Estava extasiado.

- Viu, você tinha de permanecer de olhos bem abertos... – a sacerdotisa gargalhou. – Na verdade é que a pressão aqui é muita, é necessário se adaptar antes de poder utilizar esse método de elevação de cosmos.

- Entendo. – disse Shaka.

Ao lado dos dois, sem ao menos reparar na pequena conversa. Os quatro habitantes da casa de Áries olhavam a cena com ainda mais admiração, em cada coração uma idéia diferente se formava.

- Vamos. – disse Lien.

- Terão muito tempo para conhecer tudo. – Lamara disse, caminhando devagar.

Foi quando crianças apareceram correndo, todas muito alegres e diferentes uma das outras em características físicas, mas todas com os mesmos pontos que identificavam um lemuriano.

- Lamara! Lamara! Você voltou! – eles se apressaram para o colo da mulher.

- Calma, crianças, calma! Acabamos de chegar, esperem Lamara descansar. – disse Lien sério.

- Deixe as crianças.

- Esses são os visitantes? – um garotinho moreno com cabelos vinhos se aproximou de Kiki, tocando-lhe os pontos. – LEGAL!

- Nê, não avance assim... Sim, são eles. – o garotinho nem olhava mais para a sacerdotisa.

- Quer brincar? Como você se chama? Pode nos contar tudo sobre a Terra acima de nós?

- Bem... – Kiki dizia um tanto sem graça.

- Assim que eles forem ao templo, poderão brincar. – Lamara respondeu, enquanto ria do suspiro do pequeno que saiu correndo junto com os outros.

- Quanta energia. – Sara disse num sorriso.

- Não temos muitas crianças por aqui... Por isso eles sempre ficam alegres quando sabem que terão um novo amigo.

- Poucas crianças? - Sara perguntou.

- Poucos sobreviventes, poucas crianças. Estamos numa luta de milênios para manter nossa raça viva.

- Entendo...

- Podemos ir? – disse a outra se desviando do assunto.

- Claro.

Quanto mais andavam, mais conheciam daquela terra que para eles era ainda desconhecida. Havia casas simples e também casas sem portas, como a de Mu em Jamiel, mas essas estavam sempre marcando algum ponto específico. Haviam prédios maciços de pedra todos repletos de inscrições, que Mu estranhamente percebeu que apesar de certa distância era capaz de ler.

- Sara... – disse chamando a esposa e apontando um dos prédios. – Consegue ler aquilo? – ela olhou cuidadosa.

- Não... Por quê?

- Porque eu consigo. – ele parou por instantes.

- Seria estranho se não conseguisse Mu. – Lamara disse interrompendo a conversa dos dois. – Poucos podem entender essa linguagem, você é um deles.

- Como?

- Olha, lá está o templo. – disse ela cortando o assunto. – O templo maior e o único que permaneceu em pé, ele é da época em que Lemúria ainda não era uma terra submersa. Repleto de inscrições também... Vamos, rápido, já estamos atrasados.

O templo era gigantesco, totalmente feito em pedra. Possuía grandes janelas e apenas uma porta de entrada. Sua frente era ricamente ornamentada com fios de ouro e prata, uma escada imensa levava até a grande varanda que se erguia suntuosa. Era um prédio belíssimo.

- Que bom que chegaram! Sejam bem vindos à nossa terra submersa. – uma figura ainda oculta disse em tom alegre.

Logo um senhor de meia idade, com vestes que lembravam as batinas de um padre, com desenhos finos e repleta de símbolos, surgiu entre eles. Ele era negro, com a pele tão bela como um céu ao anoitecer e seu sorriso irradiava brilho como as estrelas.

- Sou Aramias, sacerdote do templo maior de Lemúria. Sejam Bem Vindos, filhos dessa terra e você também filho da terra. – disse voltando-se para Shaka.

- Senhor. – Lamara se curvou solenemente e ele repetiu o mesmo gesto que ela.

- É bom te ver em casa Lamara. – ele aproximou-se e beijou-a na testa.

Neste momento duas pessoas saíram correndo do templo, com ares de juventude recém conquistada. Lamara olhou-os com repreensão.

- Mara, isso não são modos!

- Ah Mana, tava com saudades suas. – a garota que deveria ter entre seus doze ou treze anos rancorosa. E era incrivelmente parecida com a sacerdotisa.

- Pelo menos você não foi largada para trás pelos seus irmãos, que deveriam te ensinar a vida de um nacaal na terra acima de nós. – o outro rapaz, de cabelos verdes rebeldes e curtos, com olhos em um violeta vivo, completou a frase da menina em tom de acusação.

- Henri, cada coisa a seu tempo. – Lamara respondeu. – Seus irmãos sabem o que são melhor para você.

- Sei.

- Ele não tem mesmo jeito. – Lien e Laico disseram juntos. – Cumprimentem as visitas.

- Vocês mal podem se ver não é mesmos? – Aramias sorriu. – Venha filhos, vocês devem estar cansados pela travessia dolorosa, ainda mais você Sara, grávida como está!

- Sabe meu nome?

- Não só o seu. – ele sorriu. – Conheço vocês desde seu nascimento.

- Como isso pode ser? – Mu perguntou, curioso pela primeira vez.

- Alguns dons que possuo, como você também será capaz de possuir algum dia. – sorriu de maneira enigmática. – Mas, não fiquemos retesados nesse assunto sim? Vamos adentrar.

Todos consentiram e passaram a subir a longa escadaria quando um ruído forte os interrompeu. Lamara correu para onde provinha o som.

- Não, não vá sozinha Lamara. – Laico tentou correr atrás dela, assim como Lien e o irmão mais novo, mas foram barrados pela telecinesia de Aramias.

- Ela não pode ir sozinha mestre. – Lien disse em um tom que quase se aproximava da revolta.

- Só ela pode fazer isso nesse momento, vocês sabem...

O tremor aumentava ainda mais, assustando a todos. Aramias conduzia rapidamente os visitantes para dentro, mas Mu permaneceu para trás, ainda a tempo de presenciar o Cristal Hall se levantando e cobrindo todo o "céu".

Era muita liberação de energia para uma pessoa só.

- Não se preocupe, vamos buscá-la. – Laico disse em voz triste.

- Você tem razão, ela realmente gasta energia demais quando ergue o escudo. – Lien também acompanhou o irmão.

- Vamos, filho. Logo eles trarão Lamara. – Aramias surgiu de repente.

Mu ainda pode ver os Nacaals retornando com a garota nos braços. Ela estava desmaiada.

- O que está acontecendo aqui? – o sacerdote sorriu tristemente.

- Agora não é o momento. Mas, logo saberá de tudo.

Mu olhou para o alto antes de entrar, a Parede de Cristal ainda permanecia firme e os tremores que a minutos estavam cada vez mais fortes haviam sumido quase por completo. Aquilo não era nada bom.

Continua...

N.A: E não é que hoje eu to produtiva a beça? Dois fanfics atualizados em um dia só. Oia que beleza!!! XD

Aqui está mais um capítulo de Lemúria, agora as coisas realmente começam a esquentar.

Aguardem...