Remus POV
Eu segui pelo corredor como normalmente fazia após as aulas. Sirius não tinha ido a nenhuma delas naquele dia e eu estava realmente preocupado. James me encontrou depois do almoço e me disse que Padfoot estava muito doente e que precisava de mim com urgência. Eu não hesitei um segundo sequer, comecei a correr na direção da Torre da Grifinória. Eu corria agora, meu coração batia acelerado e pesado de temor. O que Padfoot teria? Por que James não o levou à Madame Pomfrey?
Não importava. Eu estava chegando e logo o levaria até a Ala Hospitalar nem que fosse arrastando-o com o auxílio da minha varinha.
Cheguei ao nosso dormitório ofegando. As luzes estavam apagadas. Entrei pela porta, que se fechou atrás de mim com um clique diferente que eu reconhecia bem: estava trancada agora. Por mil trasgos, o que estava acontecendo?
Dei alguns passos incertos na direção de onde eu podia ver a luz da Lua entrando pela janela, mas fui parado por braços fortes que envolveram minha cintura. Gelei.
- Sirius? - gaguejei.
- E quem mais seria? - a voz rouca sussurrada ao meu ouvido me fez arrepiar. Cada sílaba pronunciada de encontro a minha pele fazia um impulso elétrico percorrer o meu corpo.
- O que você está fazendo? - perguntei assustado e arrepiado, colocando as mãos nos braços dele, que ainda me seguravam preso a um abraço que eu desejava mais que qualquer outra coisa, mas que devia ser parado imediatamente. Tentei me desvencilhar, mas foi em vão.
- Shhh... - seus lábios deslizaram pela minha orelha, mordiscando-a e depois traçando agilmente um caminho até a base do meu pescoço. Eu já estava derretido a uma altura dessas.
- Sirius, por favor... pare... - ele me soltou finalmente apesar da minha voz ter saído fraca.
- Você está falando demais. Não gosto disso. - eu não reconhecia aquele tom. O que aquilo significava? Eu fiquei perdido tempo suficiente para que ele me virasse de frente para ele e me prendesse novamente no seu abraço.
- Sirius, o que é isso? - perguntei com meu melhor tom de monitor que pega alguém fazendo algo contra as regras.
Eu não sabia o que fazer, se o afastava ou se eu o trazia para mais perto, se é que isso era possível a uma altura daquelas. Acabei optando por tentar afastá-lo como um último sussurro da minha consciência.
- Lute se quiser, mas agora eu sou seu mestre e você é meu escravo. - ouvi o riso baixo dele. Tudo era muito novo para mim. Que tipo de riso era aquele? Era bem diferente do riso quase latido dele...
- O quê? - perguntei completamente perplexo enquanto ele me levava para a cama. Fui jogado nela sem ter direito a responder. Caí sentado, tentando ver alguma coisa agora que estávamos sob a luz da Lua.
- Quieto! - ele foi ríspido, mas ainda ria aquele riso baixo indecifrável.
Peguei minha varinha e tentei acender as luzes, mas fui logo desarmado por um feitiço dele, que tratou de pegar minha varinha e deixá-la longe de mim. Eu estava assustado e também muito curioso. Era realmente Sirius quem estava ali comigo?
Só então pude ver que ele usava apenas as calças do uniforme da escola. E, por Merlim, ele as estava tirando! Não, Sirius! Não, coloque suas calças imediatamente! Oh, meu bom Merlim! Eu estava congelado na cama, olhando fixamente para aquela bela visão sob a luz da Lua: o corpo perfeito dele, agora só usando uma cueca.
Meu coração disparou. Queria sair pela boca, eu sabia, mas eu não ia deixar.
- Eu quero uma boa explicação para isso, Sirius Black! - usei de toda a minha autoridade, tentando não me importar com o fato dele estar vindo na minha direção seminu. Eu sabia que estava tremendo, mas não podia deixar que ele visse isso.
- Eu já dei a sua explicação. Agora fique quieto e faça o que eu mandar! - ele apontava a varinha para mim!
- Sirius, o que você vai fazer?! - com um gesto da sua varinha, ele desabotoou minha capa.
- Tire!
- Não!
- Você fica lindo quando tenta resistir a mim, sabia? - eu corei furiosamente. Ele subiu de joelhos pela cama, colocando um deles entre as minhas pernas para ficar mais próximo a mim. - Mas não quero ficar irritado com você, então tire a sua capa agora. - Não era um pedido, no entanto, ele terminou a frase com seus lábios tocando suavemente os meus. Eu virei meu rosto quando senti a maciez dos seus lábios. Não podia perder o controle agora...
Ele riu mais uma vez o riso baixo e diferente enquanto ele mesmo tirava minha capa. Eu não ofereci resistência. Depois, com outro gesto da varinha, ele desabotoou minha camisa branca, que se abriu e deixou meu peito exposto. Eu corei.
- Tire.
- Não! Não sei o que você pretende mas... - fui interrompido por uma ardência no meu peito. Ardia muito, parecia que minha pele havia pegado fogo. Toquei meu peito e percebi que havia sido um feitiço. Sua varinha havia queimado uma linha em meu peito sem deixar marcas. A dor começou a passar quando ele me empurrou contra a cama e beijou lascivamente o lugar que havia queimado. Eu estremeci de prazer debaixo dele. Seus lábios eram um bálsamo... tão bom!
- Tire.
- Não vou tirar. - minha voz agora estava tão carregada de desejo que nem eu mesmo a reconheci.
Quando a dor veio, era mais forte. Uma pessoa normal teria gritado, mas eu já estava acostumado a sentir dor. Apenas fechei os olhos com força, esperando que ele viesse novamente curar a carne magoada. E ele veio, se demorando mais em um dos meus mamilos já enrijecidos. Eu gemi de prazer. Não pude me conter... era bom demais!
- Teimoso! Tire!
Dessa vez, eu obedeci, esperando secretamente que ele tivesse mais truques como aquele para mim. Ele passou uma das mãos pelo meu peito e desceu até minha virilha. Eu fiquei sem fôlego.
- Viu como você gostou? Posso sentir isso aqui. - Sirius sorriu. - Agora seja um bom escravo e tire as suas calças.
- E se eu não quiser? - arrisquei.
- Dessa vez, você não vai gostar.
Eu o olhei bem. Eu não tinha escolha, ele tinha uma varinha e eu não. Desabotoei minhas calças e ele me deu espaço para tirá-las sem dificuldade. Quando olhei para ele novamente, ele atirou sua varinha longe o suficiente para que eu não pudesse pegá-la facilmente.
Ele se aproximou de novo, colocando os joelhos nas laterais do meu corpo, roçando nossas ereções de um jeito que me deixou completamente fora de controle. Eu o puxei para um beijos desajeitado mas cheio de desejo e ele riu antes que nossos lábios se encontrassem... era aquele mesmo sorriso baixo.
Eu tinha tanta coisa a dizer para ele! Mas não conseguia articular nenhuma palavra tendo ele tão perto. O peso do seu corpo era tão agradável pressionando meu tórax! Minha respiração estava descompassada, eu queria mais, eu precisava de mais...
Enquanto me beijava, ele deslizou as mãos nas laterais do meu corpo até conseguir arrancar a última peça de roupa que eu ainda vestia. Eu tentei fazer o mesmo com ele mas fui desajeitado e ele acabou tirando a própria cueca. Logo ele estava dentro de mim, com um ardor insano. Os movimentos de vai e vem me fizeram gemer de dor a princípio, para depois dar lugar ao prazer. Eu gemia cada vez mais alto e ele gemia comigo, os dois em uma ligação muito maior que eu poderia sonhar.
Alguém começou a me cutucar e eu lentamente abri os olhos. Era James. Eu olhei assustado ao meu redor: estávamos em uma sala de aula repleta de alunos, que olhavam para mim rindo. Olhei desesperado para James, que olhava para mim de um jeito indecifrável.
- O que exatamente aconteceu? - eu perguntei sussurrado. Minha voz parecia ter me deixado quase que completamente. E eu sentia algo errado entre as minhas pernas. Droga! Ainda bem que a capa cobria muito bem...
- Er... bem, você começou a gemer alto no meio da aula de Transfiguração. - James respondeu, arrumando os óculos para tentar disfarçar o riso.
- Você está bem, senhor Lupin? - a professora se materializou diante de nós ou eu realmente estava em pânico por não ter percebido a aproximação dela?
- Estou sim, foi só... um pesadelo. - Tentei esconder a decepção na minha voz, mas James a percebeu. Eu sei disso pela pergunta que ele me fez depois que a professora já estava a uma distância segura.
- Espero que não durma mais durante minha aula. Mandei que praticassem o feitiço e vejo que o senhor ainda não obteve progressos. Eu esperava mais, senhor Lupin. - a professora se virou e me deixou muito mais constrangido do que eu já estava. Eu me encolhi na cadeira e fiquei com a cabeça baixa até juntar coragem pra voltar e praticar o feitiço.
James, que já tinha feito tudo com sucesso como sempre, estava ao meu lado, com cara de quem tem muitas perguntas a fazer.
- Foi tão ruim assim? - eu arrisquei. Olhei ao redor e ainda tinha um número considerável de pessoas me olhando. Eu murchei.
- O sonho parecia ser bom demais ouvindo por aqui. - James brincou.
- O que te leva a acreditar nisso? Gemidos também podem ser de dor, sabia? - Eu tentei me justificar, mas ele parecia saber demais.
- Porque eu conheço os seus gemidos de dor, Moony. Esqueceu? - ele sussurrou ainda com aquela expressão de quem sabe de algo mais.
Fazia sentido inventar alguma mentira? Droga, droga, droga!
- Você venceu.
- E então? Com quem era o sonho? - ele sorriu.
- Com o ninguém especial que eu te contei outro dia. - eu precisava mudar de assunto urgentemente. Socorro!
- Moony, eu ainda acho que você anda se reprimindo demais. Qual o problema em estar apaixonado e dizer isso pra pessoa?
- Você fala isso porque não é um lobisomem e não está apaixonado por alguém impossível. - falei mal humorado.
- Opa! Estamos começando bem! Uma paixão impossível! - ele riu divertido. Parecia ter um plano em mente. Ah, mas isso eu não ia permitir.
- Nada de plano, nada de truques, Prongs! Eu estou avisando.
- BOSTA DE TRASGO! - Nossa, Sirius estava perto de nós e eu não tinha percebido.
- Cinco pontos a menos para a Grifinória pelo vocabulário, senhor Black! - McGonnagal estava irritada em sua mesa. Mais uma dessas e ela expulsaria os quatro Marotos da sala, eu já estava até vendo isso.
- O que foi, Sirius? - eu perguntei, tentando desviar os meus pensamentos que insistiam em voltar àquele sonho maluco e tão bom...
- Não consigo fazer esse feitiço! Eu simplesmente não consigo! - ele disse baixo dessa vez, com medo de perder mais pontos.
Dei graças a Merlim por Sirius parecer não ter ouvido os meus gemidos poucos minutos antes. Ele parecia tão compenetrado em conseguir fazer aquele feitiço de transfiguração para satisfazer o seu ego enorme que não conseguia ouvir ou ver nada além disso. Ufa!
- Deve ser algum bloqueio mental. Você é o melhor em Transfiguração, Padfoot. - James disse, tentando animar o amigo.
Eu olhei para a massa disforme na frente dele, que deveria ser um vaso de argila tão pomposo quanto o de James. Isso não me preocupou, eu tinha coisas mais importantes para pensar como, por exemplo, na minha reputação perdida com aqueles gemidos. Maldito sonho! Mas foi tão bom... e eu queria tanto que tivesse sido real!
Fiquei muito agradecido por nenhum dos três outros Marotos ter tocado no assunto dos meus gemidos pelo resto do dia. Tudo parecia perfeitamente normal, exceto pelos olhares dos outros alunos nos corredores e os cochichos e risos no Salão Principal.
Sirius POV
Deitei na cama no escuro. Era o único momento em que eu podia ficar sozinho sem levantar suspeitas. Foi difícil agir normalmente o dia inteiro depois da sessão de gemidos do Moony na aula de Transfiguração. E ainda ter que perder pontos para a Grifinória por não conseguir pensar em mais nada depois daquilo e, como conseqüência, não ter conseguido fazer aquele feitiço idiota direito.
Bufei e esperei atento para ver se ninguém havia percebido que eu ainda estava acordado.
Nada.
Ótimo. Porque eu tenho certeza de que o Prongs tem uma teoria sobre a minha falha essa manhã. Merda de trasgo! Bosta de dragão! Onde eu estou com a cabeça?!
Será que é possível que alguém me desconcentre tanto assim? Será que foi apenas porque eu nunca tinha ouvido o Moony gemer daquele jeito antes? Eu não era e nem nunca fui idiota, aqueles gemidos eram de prazer! Eu conhecia, assim como Prongs e Wormtail, os gemidos de dor do Moony! Estávamos lá todos os meses! Era agonizante vê-lo sofrer daquela forma e não poder fazer nada além de amaldiçoar o lobisomem que fez aquilo com ele.
Eu me virei na cama. Com quem o Moony estava sonhando afinal? Quem podia fazê-lo ter aquele tipo de sonho?! Logo ele, tão certinho, tão irreprimível!? Eu nunca fui burro também, eu sempre percebi que o Moony sempre foi o mais recatado de nós quatro. Eu percebia que ele procurava não se envolver muito com as garotas talvez por causa daquela bobagem sobre ser um lobisomem. Eu o conhecia tão bem!
Isso mesmo: eu o conhecia, já não conheço mais. Aconteceu! Ele se apaixonou! E por que isso me irrita tanto assim? Eu devia é estar feliz por ele! Mas então por que é tão diferente para mim? Por que me sinto assim?
Eu preciso falar com James e é agora!
Levantei em silêncio e caminhei até a cama do Moony para ver se ele já estava dormindo. Perfeito! Ele parecia estar dormindo tranqüilamente. Agora, segundo passo: James, porque Wormtail já roncava alto.
- Prongs... - eu sussurrei, cutucando ele. Estava impaciente.
- Hm... oi, Padfoot. Já tá na hora de acordar? Parece que não dormi nada... - ele disse sonolento e eu fiz um sinal para que ele falasse baixo.
- Eu só quero conversar e tem que ser agora, enquanto os dois não estão nos ouvindo. - falei bem baixo, mas sabia que ele estava me ouvindo porque estávamos bem próximos. Eu sempre soube que ele era o melhor amigo que alguém podia sonhar em ter e que ele me entenderia como ninguém mais. Até mesmo quando eu mesmo não conseguia me entender direito.
- Ah, sim, claro, claro... - ele pegou os óculos e os colocou, agora parecendo mais acordado que nunca. Era tão bom poder contar com ele!
Eu sentei na cama na frente dele e fechei as cortinas, para o caso de algum dos outros dois acordar.
- Eu quero falar sobre o Moony... Você deve ter notado algo de diferente nele hoje.
- Você fala da sessão de gemidos que ele teve? - ele riu.
- Ele está apaixonado. - eu continuei sério.
- Extra-oficialmente? - ele se arrumou melhor na cama.
- Sempre... - eu sorri.
- Então, você sabe que eu só converso extra-oficialmente com você, não é? Não vai deixar isso vazar, mas eu acho que ele está amando sim! Não é maravilhoso? - ele sorriu, fazendo um coração com um gesto típico.
- E por quem você acha que é? - eu estava confuso por estar tendo essa conversa com ele. Eu só sabia que precisava colocar para fora os meus pensamentos e essa era a melhor maneira de fazer isso.
- Eu tenho lá as minhas teorias sobre isso. Ele não quis me dizer. Disse apenas que não ia levar a coisa adiante porque era um lobisomem. Eu acho isso besteira. Quem ligaria para um probleminha peludo? - seu tom era despreocupado, mas havia algo mais ali, parecia que ele também queria ter essa conversa comigo. Isso era muito bom porque me fazia sentir menos estranho.
Eu exalei.
- Tem algumas garotas que seguem ele fielmente até a biblioteca quando ele se tranca lá pra estudar. Você acha que é o caso?
- Não, não acho que seja algo tão fácil assim. Ele me disse que é um amor impossível. Não é emocionante?
- Um amor impossível...?
- Algo me diz que você quer as minhas teorias... - ele abriu um sorriso ainda maior.
- Você está certo. - eu sorri de volta.
- Eu acho que ele não gosta de uma garota. - ele se aproximou mais de mim, como se estivéssemos correndo um risco muito grande de que alguém ouvisse isso.
Meu coração falhou uma batida.
- Hm... Alguém da nossa Casa? Eu fiquei sabendo de umas histórias...
- Não, eu acho que ele está apaixonado pelo Ranhoso. - Prongs fez uma careta ao mencionar o nome dele.
- OWW! - tapei a boca com as duas mãos. - Falei alto demais, não foi? - sussurrei, fazendo uma careta.
Esperamos alguns minutos até que os roncos de Wormtail se normalizassem. Eu quis ir ver se Remus estava acordado, mas Prongs me fez ficar e continuar a conversa porque ele percebeu meu transtorno.
- Eu sei que você não aprova isso mas nós devemos ser amigos dele até nessas horas, não é? Tente ser tolerante dessa vez. Você precisava ver como ele ficou quando vocês brigaram aquele dia. Tente entender...
- De todas as pessoas por quem ele podia estar apaixonado, ele foi escolher logo o Ranhoso? - eu lutei muito para falar mais devagar e menos alto, mas meus sussurros pareciam ser gritados. - Como você quer que eu fique calmo?! Isso é bizarro! O Moony se afogaria só no óleo dos cabelos dele! - eu gesticulava e fazia muitas caretas.
- Assim você vai acordar ele, Padfoot. Droga, eu sabia que não devia ter dito nada a você. - ele virou o rosto para outro lado.
- Não, você tinha que ter me falado sim. Não se atreva a guardar esse tipo de segredo de mim, ouviu? Eu preciso saber.
- Reagindo desse jeito você acha que vai ajudar em alguma coisa? Eu não duvido nada que você esteja querendo acordar o Moony agora pra tirar tudo a limpo com ele, Padfoot!
- Você me conhece melhor que eu mesmo. - murchei.
- Você não vai fazer nada disso, ouviu? Vamos ser amigos dele como sempre fomos.
- Como você pode lidar com isso de uma maneira tão amena? - Eu o olhei completamente confuso. Será que Prongs não sentia o mesmo que eu?
- Eu sou amigo dele e quero o bem dele. Se ele acha que o Ranhoso é o melhor para ele, então ele deve ficar com o Ranhoso, oras. Eu só não quero que ele se machuque muito com toda essa história e eu sei que se nós dois formos contra, podemos acabar perdendo a amizade dele a médio prazo. - ele arrumou os óculos.
- Então é isso? Você o deixa ir para o abismo só porque ele pensa que quer isso?! - eu o fuzilei com o olhar.
- O que nós podemos fazer?
- O Moony não vai ficar com o Ranhoso. Não se eu puder matar aquele monte de sebo antes. - eu ia me levantando quando Prongs me segurou e me puxou de volta pra cama.
- Aonde você pensa que vai?
- Matar o Seboso!
- Tente ser mais racional. E se não for ele?
- Claro que é! Essa é a sua teoria e é a minha também. Eu pensei nisso por várias horas todos esses dias. Todos os caminhos nos levam ao Seboso!
- Eu também quero a cabeça dele numa bandeja de prata, Padfoot.
- E, no entanto, me diz pra não fazer nada?!
- Por que você está tão raivoso assim?
- Porque ele está apaixonado pelo último cara no mundo que eu aprovaria.
- E por que ele precisa da sua aprovação?
- Eu... - eu me larguei na cama. Prongs tinha razão: Moony não precisava da minha aprovação, não precisava de mim. Por que isso estava doendo tanto? - ...saber que ele está apaixonado me deixa irritado. - confessei, esperando que Prongs apenas risse da minha cara, enquanto eu encarava a parte de cima do dossel.
Mas ele não riu. Eu esperei e esperei e ele não riu.
- Continue... - foi tudo o que ele disse. Será que ele entendia aquilo que nem eu mesmo conseguia entender sobre mim?
Eu não olhei para ele, apenas mantive meu foco nos pensamentos enquanto fitava o dossel.
- Prongs, é díficil pra mim... eu costumava conhecer o Moony, eu costumava entender as reações dele, cada expressão que ele fazia, até mesmo quando zombava de mim nas nossas brincadeiras. Eu o conhecia... e agora ele está diferente. Tem sonhos úmidos com um alguém muito desprezível, por sinal. Isso não estava de acordo com o que eu estava acostumado, deve ser isso.
- Você queria que o Remus não se apaixonasse nunca?
- Não sei. Isso não combina muito bem ele. E, além do mais, o Ranhoso não é tudo o que o Moony precisa.
- E quem é tudo o que ele precisa?
- Eu não sei! - eu fechei os olhos.
- Não seria você?
Abri os olhos em choque. Levantei e olhei diretamente nos olhos dele. Era algum tipo de piada?
- Não achei graça nisso, se for algum tipo de piada de mau gosto, Prongs. - falei ranzinza.
- Eu estou falando sério. Veja bem, é minha outra teoria: há uma certa tensão sexual entre você e o Moony. - ele olhou pra mim como se eu pudesse explodir a qualquer minuto, mas eu simplesmente estava ouvindo o que ele estava dizendo e nada mais, então ele voltou a falar. - Havia algo naquela briga de você dois que me fez pensar isso. Lembra de como eu fui excluído da briga no Salão Comunal?
Eu assenti.
- Nós não temos conversado direito desde aquele dia. Eu detestei vê-lo defendendo o Ranhoso.
- Vê como tudo se encaixa?
- Eu não sei, Prongs. Estou confuso demais.
- Era pra estar mesmo.
- Eu preciso pensar.
- O seu fã clube vai pirar!
Ele me deu aquele sorriso compreensivo com aquele olhar de quem sabe mais do que havia falado. Eu agradeci pela sinceridade e foi para a minha cama, passando pela de Remus para ver se ele realmente estava dormindo. Quando eu estava fechando as cortinas da cama dele, eu ouvi a voz que eu conhecia tão bem.
- Sirius... - eu virei e abri as cortinas novamente. Ele parecia estar dormindo antes. Será que ele tinha ouvido alguma coisa da minha conversa com Prongs?
- Sim? - eu me sentei na cama, perto dos pés dele.
Ele não respondeu e eu fiquei com medo de que ele estivesse zangado. Quando o silêncio ficou incômodo demais por muito tempo, eu arrisquei:
- Você está dormindo, Moony?
- Sirius... Sirius... - sim, ele parecia estar dormindo. Devia ser mais um dos seus pesadelos. - Não, Sirius...
- Moony, acorda... é só um pesadelo. - eu toquei seu braço e uma onda elétrica passou pelo meu corpo. Será que Prongs tinha realmente razão? O cheiro que vinha dele era tão bom!
Eu me sentei mais perto da parte de cima do corpo dele e aspirei aquele cheiro maravilhoso. Não era uma espécie de colônia qualquer, era o próprio cheiro dele, da pele dele, misturado a algum perfume das suas roupas.
- Sirius... - ele fechava os olhos com força. Devia estar tendo um dos piores pesadelos. Por que ele me chamava?
Eu me inclinei sobre ele, falando bem próximo do seu rosto.
- Moony, acorda... ei... - eu o cutuquei. Ele abriu um pouco os olhos. Eu sorri, mesmo na semi-escuridão. - Você está bem?
- Hmm...
Nós estávamos tão próximos que eu simplesmente poderia... me aproximar só mais um pouquinho. Minha boca estava a centímetros da dele. Era só mais um pouquinho...
Eu me inclinei sem pensar em mais nada além daquele cheiro bom que vinha dele.
