Sirius POV

Nossos lábios se tocaram tão suavemente que eu poderia ter me perdido nessa sensação se ele não tivesse virado o rosto em uma fração de segundos. Era claro: ele não estava apaixonado por mim. Ele me amava de outra forma. Que tolice a minha deslizar daquele jeito! Ele poderia nunca mais olhar na minha cara. Merda de trasgo!

- Desculpe... - eu sussurrei sentindo o maior aperto no peito que eu já havia sentido em toda a minha vida.

- Tudo bem, isso é só um sonho mesmo. - a voz dele era arrastada, cheia de sono. Eu me perguntei se ele estava realmente acordado. Bom, pelo menos, ele pensava que isso era um sonho. Amanhã, quando ele acordasse, não iria se lembrar de nada. Eu estava salvo!

Voltei para a minha cama e só então comecei a ter a noção do que estava acontecendo: eu estava apaixonado por outro garoto. Não que o Moony pudesse ser descrito friamente como "outro garoto". Ele era o Moony, era mais que qualquer outro garoto. James estava certo. Como eu pude ter sido tão cego ?

Senti um vazio no peito. Completamente desconfortável. Eu me sentei na escuridão das cortinas fechadas em torno da minha cama. Tudo estava tão claro para mim agora! Eu tive uma epifania quando os meus lábios se encontraram com os dele: eu o amava mais que a qualquer outra pessoa. Por isso meus sentimentos ficaram tão confusos e eu fiquei tão perturbado quando o ouvi gemer alto durante a aula. Eu o queria como algo mais que uma simples amizade.

Que merda! E agora ele estava apaixonado por outro cara! Estremeci ao pensar em como ele ficaria junto do Ranhoso. Isso era bizarro! Eu jamais poderia permitir isso.

Mas era o Ranhoso que ele queria, não era? Eu e James quase nunca errávamos nas nossas suposições. Ah, mas como eu queria estar errado dessa vez, só dessa vez!

Estava decidido: o Ranhoso ia se ver comigo. Eu não ia desistir sem lutar. Não agora que eu descobri que posso amar alguém muito mais intensamente do que já havia amado antes. O que eu sentia pelo Moony era forte demais e latejava em meu peito . Eu precisava fazer alguma coisa!

Remus POV

Sirius me puxava pela mão com força, indo para o centro do Salão Principal. Eu lutava como podia para que ele me soltasse, mas não consegui fazer muito. De repente, ele parou. Estávamos cercados de olhares curiosos e ele estava determinado a fazer alguma coisa que eu não entendia bem.

- Remus, você é meu! - ele disse a plenos pulmões e eu não sabia onde esconder o rosto - Eu te amo! - ele sorriu porque eu provavelmente estava mais corado que nunca. - Remus John Lupin, aceita namorar comigo? - ele se ajoelhou e eu quase morri.

Abri os olhos violentamente, me levantando como se tivesse acabado de sair de um mergulho. Olhei ao meu redor e percebi que Peter ainda estava dormindo porque roncava alto, a cama de James tinha as cortinas fechadas, mas a cama de Sirius estava vazia. Que horas eram?

Olhei para o relógio e percebi que ainda faltava algum tempo para que os outros acordassem. Onde Sirius teria ido?

Eu me permiti desabar na cama de novo, aliviado demais por tudo aquilo ter sido apenas um sonho, mas sempre com aquela pontinha de decepção que se espalhava pelo meu corpo todas as vezes em que eu acordava dos meus sonhos tão perfeitos. Claro, o verdadeiro Sirius jamais faria uma coisa daquelas. E, muito provavelmente, ele era tão hetero quanto James. Uma pontada de decepção mais forte passou pelo meu peito e eu fechei os olhos. Foi quando eu ouvi a porta abrir.

- Sirius? - eu disse, me levantando de novo para ver quem era. Ou talvez eu só precisasse vê-lo. Sim, eu precisava olhar para ele.

- Você está bem? - ele me perguntou, mas parecia um pouco agitado demais para aquele horário. Estaria ele aprontando alguma?

- Estou. - eu sorri. - Por que a pergunta?

- É que... ontem você estava me chamando de novo. - ele respondeu um pouco sem jeito, eu percebi.

- Sério? - eu gelei. O que mais eu tinha falado? - Eu... falei mais alguma coisa? - perguntei preocupado.

- Não que eu me lembre. Eu tentei te acordar, você não se lembra?

- Não... Mas eu agradeço muito por você ter interrompido mais um dos meus pesadelos. São aterrorizantes... - eu desviei os olhos para que ele não lesse a mentira neles.

Ele hesitou um pouco.

- Vamos tomar café? - ele me sorriu de uma forma estranha.

Nós não esperamos os outros para o café. Passamos a maior parte do caminho conversando sobre coisas cotidianas. Chegamos ao Salão Principal e eu pude perceber que ainda era bem cedo porque não havia quase ninguém comendo ainda. Era tão bom poder voltar a conversar normalmente com Sirius! Eu me perguntava se ele havia esquecido a nossa discussão de dias antes, mas preferi não dizer nada, apenas aproveitar a companhia dele.

Ficar com Sirius era ó me sentia leve, apesar do coração acelerado e dos gestos de nervosismo, que eu pedia a Merlim que ele não notasse. Quando ele não estava olhando para mim, eu olhava atentamente para o seu rosto. Ele era tão bonito, tão diferente das outras pessoas!

Suspirei.

Ele olhou para mim e eu desviei o olhar, fixando-o em qualquer outro canto para me recompor.

- Você está bem mesmo, Moony? - ele me olhou interessado.

- Estou sim e você? - eu respondi educadamente, ainda sem olhar para ele com medo de corar pelo que tinha pensado.

- Não, eu estou falando de verdade. Quero saber como você está de verdade.

Não pude evitar olhar para ele ligeiramente confuso.

- Eu estou perfeitamente bem, apesar da proximidade do meu período de martírio. - mordi um bolinho.

Ele bebeu um longo gole de suco de abóbora como que para tomar coragem.

- Sabe, eu tenho notado que você anda meio estranho ultimamente. - ele comentou despreocupado, mas ainda olhando atentamente para mim.

- Verdade? - eu estava desconfortável.

- Você tem suspirado pelos cantos, tem ficado mais calado que o normal e anda tendo sonhos meio... - ele hesitou e eu corei. Droga, ele tinha que prestar atenção?!

- E você chegou a uma conclusão, eu imagino. - tentei fazer o assunto parecer menos preocupante do que ele era.

- Quem é, Moony? - ele foi bem direto ao assunto que eu não queria. - Você sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa, não sabe?

- Eu sou tão transparente assim? - soltei um muxoxo.

- Apenas o suficiente. É alguma das garotas?

- Por que me pergunta isso? Por acaso pensa que eu estou apaixonado por outro garoto? - eu tentei me fazer de surpreso mas acho que não convenci. Ele me olhou com a tradicional cara de "eu sei algo e é melhor você confessar". - Padfoot!

- É tão ruim assim estar apaixonado?

- Sinceramente? É bem ruim. Se eu tivesse escolha, eu não estaria.

- Digamos que, hipoteticamente, alguém saiba que o amigo está apaixonado por outro cara. - eu me entreguei quando fiquei surpreso.

- Hipoteticamente?

- Sim.

- Tudo bem. Digamos que, hipoteticamente, esse amigo esteja realmente apaixonado por outro cara e que isso o coloca em maus lençóis porque ele não é completamente humano. - acho que mudei de cor umas três vezes: primeiro um rosado, depois vermelho e, agora, azul.

- Você tem o direito de amar, Moony! Para com essa de não ser completamente humano, droga!

- Eu pensei que falávamos hipoteticamente...

- Vamos lá, Moony, desembucha! Sou seu amigo e vou te ajudar. - meu peito apertou.

- Isso vai passar, Sirius. É sério. - olhei diretamente nos olhos dele, quase me perdendo entre o cinza e o transparente. Desviei o olhar rapidamente.

- Droga, Moony! Pare de se anular desse jeito!

- Você está falando alto demais.

- Desculpe...

- Tudo bem. Olha, Sirius, eu não vou ser correspondido mesmo. Então qual o problema em me anular?

- Como você sabe se não vai ser correspondido?

- Porque eu o observo há anos e eu não faço o tipo dele. Eu teria que ter um par de seios e muitas curvas e não ter nada na cabeça, entendeu?

- Então não é ninguém da Corvinal.

- Como você sabe?

- Porque eles são inteligentes. Nunca gostariam de alguém com a cabeça vazia.

- Hm... - tomei um gole de suco de abóbora.

- Também não é ninguém da Lufa-Lufa.

- Por quê? - eu o olhei assustado. Ele estava chegando mais perto... droga!

- Porque os Lufas gostam de qualquer tipo de pessoa, mas preferem alguém que seja leal e amigável e alguém que não tem nada na cabeça não pode ser nenhum dos dois justamente por pensar pouco. Então, isso me leva a crer que você só pode estar interessado em alguém da nossa casa - eu engoli seco - ou alguém da Sonserina. - ele sorriu triunfante com a semi-descoberta.

Eu fiquei em silêncio e me condenei por isso. Como me disseram uma vez, o silêncio consentia tudo.

- Moony, eu posso te ajudar a conquistar ele. - por que ele parecia tão mais bonito quando dizia isso? Ele me olhava de um jeito diferente. Isso me dava uma dor no coração...

- Não.

- Moony... por favor. - ele tocou minha mão por alguns instantes, mas depois pareceu ter se dado conta de que estava segurando a mão de outro garoto e quebrou o toque. Eu me quebrei ainda mais por dentro com aquele gesto. Ele pareceu um pouco nervoso depois disso.

- Assunto encerrado, Sirius. Por favor... - minha voz saiu fraca talvez porque as lágrimas começavam a se formar nos meus olhos enquanto eu lutava para que elas não caíssem.

- Você está chorando? - ele perguntou cheio de remorso.

- Não, eu estou bem. - uma lágrima me traiu.

- Vamos, Moony, me desculpe por eu ter tocado nesse assunto... eu só queria te ajudar a resolver... - de repente, ele estava todo sem jeito do meu lado. Hesitou por um momento e depois me deu o abraço mais desajeitado que eu já recebi na vida.

Eu sorri diante disso, ainda chorando. Foi confuso, eu confesso.

- Obrigado, Sirius. - eu disse, enxugando as lágrimas.

- Sabe de uma coisa? Eu tomei uma decisão agora. - ele se levantou decidido.

- E que decisão é essa? - eu tentei decifrar alguma coisa na expressão dele, mas era só decisão que eu via ali. E ela iluminava o seu rosto de uma forma que eu sabia que o velho Sirius Black estava de volta depois de um período de "férias" das azarações nos outros alunos. Isso era preocupante.

- Eu vou lutar! Não vou me entregar assim de jeito nenhum! Não é o meu estilo. - e saiu correndo. Eu fiquei confuso diante do meu café da manhã inacabado.

Sirius POV

Não foi difícil encontrar o meu alvo: Severus Snape, caminhando solitário pelo corredor. Não pensei duas vezes, claro, e esbarrei nele com toda a minha força física disponível naquele momento e o desafiei para um duelo, que aconteceria no dia seguinte antes do café da manhã. Era o melhor horário, longe dos olhares dos monitores e dos professores.

Ele rosnou algo sobre uma armação contra ele e eu disse a verdade com toda a minha sinceridade no olhar: que aquele duelo era por algo muito importante e seríamos apenas nós dois. Sem James, Peter ou Remus. E garanti que nenhum deles saberia sobre o nosso duelo. Foi então que ele perguntou qual era o meu motivo de duelar e eu respondi novamente com sinceridade.

- Eu estou duelando pelo Remus. Se eu ganhar, você cai fora do caminho dele, entendido? - falei arrogante. Ele me pareceu um tanto confuso.

- E o que eu ganharia com isso? - ele torceu aquele nariz anormalmente grande.

- Azarações a menos, claro.

- E quem garante que você está me dizendo a verdade? - ele nunca lavava os cabelos, não? Estavam muito mais ensebados no período da manhã, eca!

- Eu dou a minha palavra.

- Feito então. Amanhã antes do café eu estarei no lago.

- Eu já estarei esperando.


Mais um capítulo carinhosamente betado pela Adne-chan *-* Muito obrigada, querida! Você é meu anjinho =D

Mas tem uma coisa que me entristece çç Eu quero reviews #chora# Eu quero saber se a história está caminhando bem, se vocês estão gostando. Eu vejo que muita gente leu mas só tem duas reviews... não fiquem tímidos(as), comentem por favor! ;D

Beijos e obrigada a todos que comentaram. Amo vocês eternamente! =***