Depois de acertar as coisas com o pessoal que preparava os funerais, o loiro logo ouviu quando a ambulância chegou, trazendo o corpo de Misha. Assentiu devagar com a cabeça para as pessoas ali presentes e mostrou o smoking escuro do moreno.

Vistam isso aqui nele.. Era um desejo dele.. Espero que possam atendê-lo. – Pediu, e engoliu em seco logo depois.

Sorriu de um jeito leve, e isso significou uma despedida, o loiro virou as costas para as pessoas que se olharam. Dean saiu e andou até o Impala, debruçou-se nele enquanto a chuva ainda caia forte sobre a sua cabeça. Aos poucos a ficha do ocorrida começava a cair, e aquilo fazia o loiro se esmorecer em lágrimas, ergueu seu rosto, deixando que a chuva fria lavasse sua alma culpada. Depois de alguns longos minutos naquela posição, o jovem loiro entrou no carro, e dirigiu para a sua antiga casa, onde tomaria um banho e se arrumaria para o funeral do seu namorado.

Chegou a casa, sem muita vontade de nada. O que ele queria mesmo era deitar na cama, e nunca mais acordar, mas ele não podia fazer isso. Ele tinha que seguir a vida em frente, não podia ficar parado no tempo. Jogou as chaves sobre a mesa que havia em seu quarto, e despiu-se, e em seguida andou devagar até o banheiro, onde observou o rosto cansado, e com certa culpa se olhar do outro lado. Meneou a cabeça, e entrou no chuveiro, deixando a água morna, lavar todos os seus sentimentos, rancores, culpas, toda a sua vida iria embora agora, com aquela água suja e impura. Terminou o banho, e secou-se um pouco, e em seguida enrolou-se na toalha, na parte da cintura pra baixo, enquanto caminhava devagar até o quarto. Andava pelo mesmo a procura de alguma roupa, e logo viu algo que ele não queria mais ter visto. Uma foto dele e Misha dentro de um porta-retrato, ele fungou e tentou engolir as lágrimas, sem sucesso. As lágrimas insistiam em correr pelos olhos do loiro. Olhou e deixou que as lágrimas corressem de seus olhos, depois de muito tempo ali, observando a foto ele vestiu-se com um jeans azul e uma blusa preta, arrumou seus cabelos no topete habitual e sentou-se na cama. Apoiou os cotovelos em seus joelhos, e segurou sua cabeça por algum tempo, enquanto pensava em que seria sua vida, daqui pra frente.

Levantou-se e pegou uma mala que encontravas se nos fundos do armário, ele nunca pensou que um dia a usaria, talvez apenas numa longa viagem com Misha, mas fora essa ocasião era quase impossível ir viajar com aquela grande mala. Colocou a mesma na cama, e abriu o seu armário, em seguida colocou todas as suas roupas dentro da mala, todos os seus pertences e objetos pessoais, coisas que um dia ele fosse precisar. Por espanto do loiro, ele havia conseguido encher aquela grande mala, apenas com seus objetos, sorriu e fechou a mala com certa dificuldade. Depois caminhou até a cômoda, onde estava o porta retrato dos dois. – Adeus Misha.. Acabou pra nós.. Vou seguir a minha vida, e você vai virar um anjo aí em cima.. Pelo menos é o que eu espero.. – Comentou dando uma baixa risada logo depois. Depois abaixou o porta-retrato deixando o virado pra baixo, colocou a mala no chão, e em seguida a ergueu levantando e a levando para fora da casa. Colocou-a dentro do porta-malas do Impala, depois virou-se olhando a sua antiga casa. – É.. Minha querida.. Você vai ficar sozinha agora.. Eu preciso seguir uma vida nova, longe daqui..Caso contrário, nunca mais viverei feliz.. – Falou baixo meneando a cabeça em seguida.

Entrou no carro e dirigiu até a pequena igreja da cidade local, onde o corpo de Misha seria velado, gostaria de ser o primeiro a chegar lá, pra preparar as coisas que faltassem, e para recepcionar as pessoas que ali chegassem. Como o esperado, não havia ninguém, apenas ele e o Impala. Desceu do carro olhando as nuvens pretas que novamente começarem a se formar no céu, depois caminhou devagar até os degraus da igreja, enquanto ainda fitava o céu. Por fim, entrou na igreja, e observou um suporte, que depois o caixão de Misha seria colocado sobre o mesmo, um outro suporte, onde continha dos velas grandes brancas apagadas, e no meio das duas velas, encontrava-se a imagem de Jesus cristo na cruz, em alumínio, parecia ser bastante pesado. Sorriu, e procurou pela igreja alguns fósforos, que ele acenderia as velas assim que os encontrasse. Depois de muito procurar, por fim encontrou os fósforos, e acendeu as velas brancas, com habilidade, é ele fazia isso muitas vezes, no seu "trabalho" que poucas pessoas conheciam. Apagou a chama do fósforo, com apenas um longo sopro, feito por seus lábios.

Sentou no banco de madeira da igreja, e abaixou sua cabeça enquanto pensava ali, no escuro sob a luz da vela que dançava no ritmo do vento que soprava lá fora. Estava tão distraído que nem reparou, ou ouviu quando o camburão da funerária havia chegado. Só despertou de seus devaneios quando ouviu a voz de alguém chamar por ele. Olhou e conheceu o loiro que havia o atendido na funerária, sorriu de forma envergonhada para o homem e logo levantou-se, oferecendo sua ajuda. Caminharam até o camburão, que foi aberto pelo homem loiro, deixando o caixão em tom envelhecido surgir através das portas do carro. Dean e o homem carregaram o caixão de Misha, até o local destinado, e em seguida o colocaram sobre o mesmo. Dean assentiu para o homem.

Pode deixar.. Eu cuido dele, daqui pra frente.. Pode ir fazer o que você precisar fazer.. Logo as pessoas começam a chegar pra vê-lo. Obrigado por tudo, desde já. – Agradeceu enquanto girava as pequenas chaves do caixão, que fariam que o mesmo abrisse.

Lentamente o loiro abria as pequenas chaves do caixão do outro, e quando havia terminado, deixou a tampa do objeto encostada em uma das paredes da igreja, e em seguida caminhou até o caixão que agora se encontrava aberto, e dentro dele estava o moreno, de olhos claros que ele havia amado mais que a sua própria vida, e ele. Havia saído com más influências, e o que havia acontecido? Estavam todos bêbados, e olha o que havia acontecido, a morte de todos. Afastou a pequena toalha de renda, em tecido transparente do rosto do moreno que estava vestido com seu smoking escuro, com o seu penteado habitual, que Dean havia recomendado para as moças da funerária de como ele usava o seu curto cabelo escuro, e com uma ligeira e quase imperceptível maquiagem.