Capítulo 3
Encarando os fatos, por mim mesmo
Eu pisquei duas vezes sem acreditar que aquela garota loira e miúda, com brincos de beterraba? estava me ameaçando. Quem ela pensava que era? Ou melhor, quem ela era, afinal?
Empurrei a madeira ponta do dedo, desviando o objeto do meu pescoço, lançando-lhe o meu melhor olhar de arrogância.
-Olha para onde você aponta essa coisa, garota. É capaz de machucar alguém com isso. – disse, percebendo enfim que o ambiente para o qual havia saído não era o do corredor onde estavam anteriormente e sim uma enorme sala e bem pouco iluminada.
-Pois é exatamente isso que ela vai fazer, Malfoy. O que está fazendo aqui, heim?
"Hey, esse lufa-lufa me conhece?" Pensei ao olhar na direção do rapaz que se aproximava, com a varinha em punho também... Aquilo estava ficando ridículo, até parecia que havíamos invadido propriedade privada ou algo parecido.
-Que pergunta, Smith... O que mais ele poderia estar fazendo se não bisbilhotando no que não é da sua conta? – disse uma outra garota saindo das sombras, que, para minha surpresa, e total incompreensão, era extremamente parecida com a sardenta da Rose, só que sem as sardas.
-Não deixem ele sair, ou vai correndo contar para a diretora onde estamos. – disse outra garota, essa de cabelos negros e olhos puxados, que veio de outra direção.
Alias, as pessoas pareciam surgir do nada naquela sala. E sem fazer "ploc".
Esfreguei os olhos, certo de que as imagens sumiriam, mas não fui feliz. E, detrás da sósia de Rose, apareceu um rapaz ruivo, bem mais alto que eu, com a varinha apontada para mim, parecendo realmente ameaçador enquanto se aproximava.
-Eu vou dar um jeito dele não contar nada!
-Não! – ah! Finalmente o meu "amigo" resolveu fazer alguma coisa. Sim, porque até então eu cheguei a pensar que estava sozinho naquela sala de malucos.
-Ele não é quem você estão pensando.
-Ah não? – o rapaz ruivo sorriu debochado – Loiro, vestes da sonserina, cara de abobado...
-Hey! – chiei, mas calei a boca após recebeu uma cotovelada na altura da boca do estomago.
-Ele não é Draco Malfoy. – negociou Severus.
O ruivo nos olhou desconfiado, depois resolveu encurtar a distância entre nós para avaliar melhor o que Severus dissera.
-Ron, cuidado... – disse a sósia da Rose que também se aproximara, mas não tanto quanto ele.
Alias, falando em Rose, de repente me dei conta de que ela não havia aparecido para o grupo ainda.
E com uma leve entortada no pescoço, a descobriu tentando se esconder atrás de mim e do primo. Típico de Grifinórios. Vivem abrindo a boca para se declararem os mais corajosos possíveis e quando o bicho pega se escondem... Ridículo!
-Verdade... Ele não é a doninha azeda do Draco Malfoy, Mione.
Tive vontade dizer-lhe quem era a doninha azeda ali, mas me contive, o momento não era apropriado para demonstração de orgulho familiar. E o meu nem é tão grande assim.
-É, só entramos na porta errada, ok. – disse Severus – Agora que foi desfeito o mal entendido, nós já vamos indo.
Ele bem que tentou virar em direção a porta, mas uma garota ruiva, a mesma que pensamos se tratar de Lily a poucos minutos atrás, apareceu ao lado da japonesa e sentenciou:
-Esperem! Não podemos deixá-los ir embora. Eles certamente vão correndo para a Umbridged assim que saírem daqui...
A loira, o ruivo e o lufo voltaram a levantar as varinha e eu senti uma tremenda simpatia pela antipatia exagerada que papai tem pelos Weasley.
Sim, por que aquela altura do campeonato, eu também havia me tocado que tal garota era ninguém menos que a mãe de Severus.
-Melhor esperarmos o Harry chegar. - concluiu a sósia da Rose, que provavelmente deveria ser a tal tia Hermione e motivo pelo qual a sardenta ainda se escondia atrás de mim - Assim ele decide o que fazer...
-Eu decido o que, Mione?
Ohouu! Sinto que vamos ter problemas...
Minha vida é impressionante. Quando eu acho que não tem como ficar pior, ela vai lá e Bumm! me surpreender.
Cá estou, no meio de grupo revolucionário que eu se quer sabia que havia existido, prestes a ser "julgado" por ninguém menos que o Sr. Harry Potter.
Antes meu pai só iria me matar, agora, certamente, ele me deserda também... Vou ser enterrado como indigente, certeza!
-Estamos discutindo o que fazer com esses dois sonserianos, Harry. – comentou o ruivo.
Eu vi o pai de Severus poucas vezes na estação, mas o achei mais baixo do que o de costume quando ele se aproximou para nos observar melhor.
Passous os olhos rapidamente por mim, para se prender um tempo maior, principalmente nos olhos do filho.
-Você me lembra alguém... – comentou.
Revirei os olhos discretamente, o retardado não percebeu que Severus lembrava a ele mesmo.
-Eu tenho uma cara muito comum mesmo. – respondeu o penoso, com um tom cínico e seco. Pelo visto ele também se irritara com a pouca percepção do pai, mas também, o cara usa óculos, ele queria o que?
-Como entraram aqui?
-Não sabemos ao certo. Entramos num armário de vassouras e quando saímos a porta deu para essa sala...
O sr. Potter olhou para a mãe da Rose, que deu de ombros.
-A Sala Precisa tem seus mistérios. Eles certamente precisavam de alguma coisa que ela forneceu ao deixá-los entrar.
-Flint também precisa nos encontrar a qualquer custo e nem por isso ela abre as portas para ele.
-Porque isso iria contra a nossa necessidade, Ron, que é de esconderijo. Nesse caso, a necessidade deles provavelmente não fere a nossa.
Não feria mesmo, nós só queríamos voltar para o nosso tempo, só não sei por que aquela sala maluca imaginava que nos jogar de frente com a tal Armada Dumbledore (a qual Severus me explicou, posteriormente, o que era) ajudaria em algo.
-Isso prova que não queremos causar problemas. – falou novamente o meu amigo – Podemos ir agora?
O sr. Potter cruzou os braços, pensativo, até que finalmente balançou a cabeça.
-Claro, depois de um Oblivate estarão liberados.
-Não! – Rose surgiu de trás de nós dois – Oblivate, não!
A puxei pelas vestes.
-Deixa os caras, anda. Qual o problema de esquecer isso? Pelo menos saímos daqui. – murmurei contrariado – Para de escândalos.
-Eles já deixaram um cara louco desse jeito, sabia... - comentou baixinho, me deixando preocupado - Além do mais eu não sei o que esse tipo de feitiço pode causar na gente, precisamos saber quem nós somos, se não nunca mais voltaremos e...
-Do que diabos você está falando? – perguntou o sr. Potter.
-E quem diabos é você? – perguntou o Weasley.
Bom que se tratava de um sr. Weasley eu já havia percebido, só não sabia qual. Mas, diante do olhar de pânico que Rose fez devia ser ninguém menos que o pai dela.
-Então, - disse a mãe de Severus, que ainda se mantinha no mesmo lugar – estamos esperando uma explicação. Por que estava se escondendo, garota?
-Eu não queria ser vista com eles...
Quem não queria ser visto com ela era eu, mas tudo bem.
-Não devia sentir vergonha dos seus amigos... – falou a loira com olhar perdido, num tom calmo que destoava e muito dos demais – mesmo eles sendo Sonserianos.
-Não é bem isso, ti... Senhorita. – comentou Severus, engolindo o tratamento comum pelo qual a chamava – Nós não somos exatamente amigos.
-São o que? Cúmplices? – perguntou a japonesa, qual era o nome dela mesmo? Alguém já falou? Não lembro.
-É, pode-se dizer que sim. Mas eu fui contra. – respondi.
-Deixa eu adivinhar... – disse o sr. Potter, pensativo. Espero que ele não seja tão "teorias mirabolantes" como o filho - Ela roubou as vestes de alguém. Para se passar, quem sabe, pela Hermione, já que são parecidas... - ele voltou o olhar para a amiga – Mas pelo visto a poção polissuco de vocês não funcionou muito bem, não é? - brilhante sr Potter, brilhante! O cara conseguira chutar o mais longe possível e de quebra deixar a afilhada irritada pelas acusações.
-Eu não erro poções polissucos desde os meus onze anos de idade, se o senhor quer saber. – chiou, levando as mãos a cintura – E não roubei roupa nenhuma, o chapéu seletor não precisou nem assentar direito na minha cabeça pra gritar Grifinória! – "grande coisa" pensei.
-Você não está na Grifinória, garota. – disse o pai dela – Nós estudamos na Grifinória e nunca a vimos por lá... A Luna e a Cho estudam na Corvinal... Vocês a conhecem? – a garota loira e a japonesa fizeram que não – Smith?
-Nunca a vi mais gorda. – comentou o cara de vestes Lufa-lufa.
-Eu estou na Grifinória sim, é verdade. – por que ela se vangloriava tanto disso, me diz? Eu teria vergonha de dizer que meu uniforme era vermelho com amarelo – Só que... – ela voltou os olhos para mim, depois para o primo - Bom, é melhor dizer a verdade de uma vez...
-Rose... – advertiu o primo – Não acho que seria muito boa idéia.
-A verdade é sempre melhor, Al.
-Quando você pode comprová-la, sim. Mas infelizmente eu esqueci a minha identidade... – sorriu cínico – Você trouxe a sua? - ela fez que não – Então acho bom não forçar a barra.
-Que verdade? – perguntou o pai de Severus, mas nós três permanecemos calados – Muito bem, vocês não me deixam outra saída além do Oblivate... - levantou a varinha – ...quem vai ser o primeiro?
Ele e Rose voltaram a se entreolhar, depois virou-se para mim e perguntou um "o que você acha?" baixinho.
Dei de ombros.
-Pior do que está é impossível. Fala logo.
-Certo... – ele respirou fundo – Nós estudamos em Hogwarts sim, mas não exatamente na mesma época de vocês... Somos de alguns anos no futuro.
Ele se calou, a espera de alguma reação do grupo a frente. Como não houve nenhuma, continuou.
-Esse é Scorpius, eu e ele somos amigos desde que entramos para a mesma casa, a Sonserina. Esta é Rose, que não é exatamente minha amiga porque, na verdade, é minha prima. E ela só está aqui porque eu implorei que me ajudasse...
-Mas o erro no negócio foi culpa dela... – comentei.
-Culpa sua e do seu medinho de água, você quer dizer.
-Hey! – ótimo, agora o fato se tornara realmente publico.
-Ela e Scorpius se detestam... – sorriu Severus, achando aquilo divertido – E eu... Bom. – ele voltou o olhar novamente para o pai - Sou Albus Potter... - o menino-que-sobreviveu arregalou os olhos por detrás dos óculos - ...seu filho.
