Capítulo 5
Bem vindo ao Passado
-Hangrid!
-Que estranho, ele não está aqui...
-Droga. – praguejou o menino-que-sobreviveu, baixinho, enquanto sentava no sofá com a cabeça baixa.
Estávamos perto, por isso fui capaz de avaliar as feições do sr. Potter com mais detalhamento.
Ele estava cansado e, mesmo para mim que sou considerado um incessível, era possível perceber a tristeza em seu semblante.
-Calma, Harry. – disse a mãe da sardenta, se aproximando e colocando a mão no ombro dele.
-Parece que tudo está dando errado. Primeiro o ataque dos Demetadores, ai a Umbridge começa a dar aula de DCAT, depois, não posso mais jogar quadribol. Não consigo falar com o Sirius e agora o Hangrid não chega nunca. – ele deu um longo suspirar.
-Bom, pelo menos estamos juntos... – murmurou sr. Weasley, dando de ombros, após apoiar a mão na borda da cama – E você está namorando a Cho. – completou tentando animá-lo, ao que James ensaiou um vomito atrás de mim.
-Ron está certo. Não seja pessimista, pense no bem que esta fazendo para os integrantes da AD. Em como eles melhoraram... Pense no Neville!
Ele deu um leve suspiro antes de levantar-se.
-Certo. – foi quando ele percebeu a xícara de chá que Lily havia me servido sobre a mesa – Alguém esteve aqui... – concluiu se aproximando – Se não foi o Hangrid, quem foi?
Ninguém respondeu, porque não houve tempo. Mal o sr. Potter terminou a frase, seu amigo ruivo soltou um berro de puro terror ao identificar o ser peludo que havia acabado de subir-lhe pelo braço.
-Banguela! – gritou o filho dele, saindo de baixo da capa, e de quebra nos descobrindo também, ao mesmo tempo que seu pai desmaiava, devido ao susto.
Ele correu para o ser de oito patas, a alcançando junto aos pés da sua mãe, que o olhava surpresa.
-Errrr... Desculpa mamãe, ela fugiu.
-Mamãe? – ela olhou na direção de Rose, que já saia do esconderijo, juntamente com Severus. Questionou-a com um olhar e a sardenta confirmou com um aceno de cabeça.
-Droga, vocês de novo! – chiou o sr. Potter, alheio ao movimento da amiga, mas, antes que desembainhasse a sua varinha, porém o filho mais velho já apontara a própria na direção de sua cabeça.
-Nem pensar... – fez sinal para que o pai lhe esticasse o pedaço de madeira – Desculpe o mau jeito, pai, mas não temos tempo para mais um duelo daqueles.
O sr. Potter riu nervosamente.
-Pai? Agora eu também sou seu pai? Muito boa essa.
-Não se preocupe, papai – disse Severus em tom cínico e magoado, saindo do seu esconderijo com a Rose – Esse seu filho está na Grifinória.
-Al, calma... – chamou a ruivinha, também saindo do seu próprio esconderijo, mas sem sucesso, já que sua voz foi abafada por um novo rosnar do irmão do meio.
-Ah, sim, sim, Lily, venha cá. Essa ruiva também é sua filha, papai... E também está na Grifinória. Contente?
-Cala a boca, Al. – chiou James sem paciência.
Tenho certeza que a vontade do mais velho era fazer Severus calar a boca com as próprias mãos, mas ele não podia tirar o foco do pai nem por um minuto.
-Esses filhos eu tenho certeza que você não vai negar, não é?
-Albus, eu mandei calar a porcaria da boca.
Ok, eu conhecia aquele olhar de cólera. Severus estava perdendo o controle. Ele não é um cara que costuma sair do sério, o problema é que ele somatiza. Como não libera a raiva na hora ele vai juntando, juntando, até que explode, e essa explosão não é nada agradável.
Percebendo isso, segurei no braço dele, tentando trazê-lo de volta a normalidade, ao mesmo tempo que o impedia de dar mais passos na direção do pai e do irmão.
-Alias, se eles fossem seguidores de Voldemort, estaria tudo bem, não é? Já que os seus filhinhos perfeitos não foram para a maldita Sonserina!
-Albus Severus! Ou você cala essa maldita boca de uma vez... – gritou James, girando a varinha do pai para o irmão – ...ou eu mesmo vou calá-la.
Ele não conseguiu fazer muita coisa já que o pai arrancara a varinha de sua mão num movimento muito mais autoritário do que defensivo.
O olhar reprovador que deu para James só se comparava ao que o próprio James costumava usar com Severus, e foi o suficiente para que o rapaz abaixasse os ombros, envergonhado.
-Eu não sei quem são vocês, mas se são irmãos não deviam se tratar desse jeito. – disse esticando a mão para que o filho mais velho lhe devolvesse a sua própria varinha.
Gostaria de fazer uma nota aqui: ele fez isso tudo sem levantar a varinha de James, ou a sua própria após recuperá-la, para nenhum de nós.
-Sentem-se. – ordenou, apontando para a cama. E foi o que os dois acabaram por fazer.
Eu me posicionei ao lado de Severus, mas me mantive em pé. E Lily, acabou encostando na madeira ao lado de James.
O sr. Potter soltou um longo suspiro, antes de começar o questionamento.
-Muito bem. Me expliquem exatamente o que está acontecendo. Se são mesmo nossos filhos, como vieram parara aqui?
-Já explicamos isso. – resmungou Severus, ao que eu dei-lhe uma cotovelada.
-Seu pai está tentando resolver as coisas, e nós não estamos numa situação muito agradável tão pouco... Da para ajudar, Severus?
Ele me encarou possesso, mas eu mantive minha posição, então, com mais alguns segundos repensando o que eu havia dito, ele anuviou a expressão para o pai.
-Eu e o Scorpius fizemos uma besteira e fomos pegos. Só que o diretor mandou cartas a você e ao pai dele que certamente nos matariam se soubesse o que fizemos.
-O senhor o mataria pelo que ele fez, meu pai me mataria pela minha companhia mesmo.
-Imagino. – comentou ele – E por que é amigo do meu filho, se isso não agrada o seu pai?
Dei de ombros.
-Gosto de contrariá-lo... É meu passa tempo predileto.
-Já gostei de você. - comentou a mãe de Rose, agachando ao lado do futuro marido que ainda estava desmaiado.
O sr. Potter tirou os olhos de mim e voltou-os para o filho, fazendo uma menção para que ele continuasse a história.
-A única forma de impedir que as corujas chegassem a mão de vocês era alterar o momento em que fomos flagrados pelo zelador.
-Ron, Ron acorda... - chamava a garota morena novamente, dando uns tapinhas no rosto do cara, que pelo visto não ia acordar tão cedo.
-Eu sabia que a Rose estava desenvolvendo um experimento nesse sentido, - continuou Severus, mais uma vez - Então pedi que ela nos ajudasse. Só que alguma coisa deu errado quando entramos na penserativa...
-Pensera o que?
-Penserativa, padrinho... É como eu batizei o experimento. – explicou Rose - Todos os testes que fiz com cobaias já haviam dado certo, não sei o que aconteceu para voltarmos tanto no tempo... Alias, não sei nem como essa lembrança foi parar dentro da bacia... A penseira que eu modifiquei era nova.
-Alterou uma penseira para viagens no tempo? – perguntou a mãe dela, com um olhar orgulhoso – Nossa, é uma idéia bastante interessante.
-Obrigada, mamãe.
Houve um curto silencio onde eu assisti, apreensivo, o sr. Potter se manter calado a nos observar.
-Só mais uma coisa... Eu ouvi bem? O seu nome é Albus Severus?
Com um respirar irritado, Sev fez que sim, tentando fingir que não percebera a boca do irmão se contorcer em um sorriso sarcástico.
-Antes que pergunte, o cara vai salvar sua vida, e você resolveu homenageá-lo. É tudo que sei. – disse ele, sem encará-lo. Acho que se o pai tivesse insistido mais um pouco, Severus era capaz de mandá-lo para aquele lugar.
Felizmente, antes que o sr. Potter voltasse a fazer mais alguma pergunta, o sr. Weasley soltou um gemido baixo, típico de quem recobrava a consciência.
-Ron, você está bem? – perguntou a mãe de Rose, preocupada.
-Aquele monstro... Onde está? – perguntou apavorado.
-A Banguela não é nenhum mostro... Ela só gosta de passear. – disse o filho deles, defendendo o animal.
O pai lançou um olhar reprovador na direção de Hugo, que trazia a aracnídea entre as mãos, a acariciando.
-Não era um mostro, Ron. Era apenas o bichinho de estimação do garoto.
-Bicho de estimação? Como alguém pode ter uma aranha de bicho de estimação?
-A idéia foi da mamãe. – disse, apontando para Hermione, que o olhou curiosa, sob um bufar irritado do sr. Weasley; provavelmente lembrando que a outra devia ter tido aquele filho, também, com um de seus irmãos... devo confessar que foi difícil não rir mais uma vez; - Quando você deu uma vassoura de presente para a Rose no aniversário de sete anos dela a mamãe disse que aquilo era perigoso e o senhor falou que só porque ela tem medo de voar isso não queria dizer que seus filhos tinham que ter também... – ele sorriu para a irmã, que tentava a todo custo conter a gargalhada – Então, como eu fazia aniversário um mês depois... – o sorriso se tornou maior – A mamãe me deu a Banguela. – e ostentou a aranha peluda com orgulho. – Ela não é uma gracinha.
O sr. Wesley, ainda deitado no chão, olhou para a cara da futura esposa indignado.
-Eu não acredito que você fez isso.
-Eu não acredito que deixei você dar uma vassoura para uma filha minha que tinha apenas sete anos, isso sim. – respondeu, se levantando – Você é muito irresponsável, Ronald.
-Ah, mãe, também não é assim. Eu só podia voar na vassoura acompanhada e você só me deixou usá-la mesmo quando entrei para o time de Quadribol.
A mãe arqueou levemente uma das sobrancelhas antes de soltar um "menos mal".
-Time de Quadribol? – tive a impressão de alguém ter finalmente acertado a "palavrinha mágica", porque a expressão do senhor Weasley se iluminou – Entrou para o time de Quadribol da Grifinória? – ela concordou com a cabeça – Em que posição? – perguntou se levantando.
-Goleira, obvio. Afinal foi o senhor que me ensinou tudo que eu sei.
-E é boa?
-A melhor. – disse James, com um sorriso para a prima e fazendo o sr. Weasley estufar ainda mais o peito, isso porque, eu tenho certeza, o cara ainda não tinha se tocado que era o pai dela – No último jogo contra a Sonserina foi ela quem nos salvou.
-Nem me fale... – resmunguei – Não adiantou nem pegarmos o Pomo.
-A Rose não deixava eles fazerem ponto de jeito nenhum... – completou Lily.
-Também joga no time? – perguntou o senhor Potter para o seu primogênito, que fez que sim.
-É um costume na família... Albus e Lily também jogam... – ele apontou para os irmãos, e só então o sr. Potter pareceu perceber a minha Luna.
-Você deve ser...
-...Lily Luna Potter. Sua filha. E irmã desses dois retardados.
-E vocês dois também jogam quadribol? – perguntou para ela e Severus – Em que posição?
-Somos apanhadores... – respondeu Severus, que não se conteve em alfinetar - Igual ao nosso pai. - disse seco. - Oh, esqueci... Ela é igual ao nosso pai... É apanhadora da Grifinória. Já eu... – deu de ombros – Devo ser igual o pai do Scorpius, já que defendo a Sonserina.
-Ah, mas não é mesmo. – disse com graça na voz, até por que alguém tinha que mudar o assunto antes que as brigas recomeçassem – Se você fosse tão ruim como meu pai nós estaríamos ferrados... Eu sou tão ruim como o meu pai, por isso tenho a decência de não tentar participar do time.
-Já no Clube de Duelos você não tem essa "simancol", não é?
-Não preciso, sardenta, se não fosse bom em duelos eu não teria chegado a final.
-Chegar a final é uma coisa. Ganhar é outra.
Bufei em resposta, mas ao menos fui feliz no meu intuito de amenizar o ambiente. Apesar de permanecer calado o sr. Potter, me lançou um sorriso de lado antes de voltar-se novamente para Severus.
-Desculpe... Filho. – suspirou – Mas você há de convir que não é todo dia que um filho nosso volta no tempo.
Severus deu de ombros.
-Não se preocupe, já estamos praticamente indo embora. - ele levou a mão ao bolso para atender o isquelular – Oi Dominique, achou?
"Sim, Al, achei sim... Mas não estou vendo vocês."
-Como assim, não está nos vendo? Estamos na cabana do guarda-caças.
"Aqui só aparece um armário de vassouras, vazio."
Ele virou o rosto para Rose.
-O lugar onde nós caímos. – concluiu ela.
-Droga. Vamos ter que voltar para lá. – resmungou, seguindo em direção a porta.
-Hey, espere ai, não podem tentar voltar agora. – chiou o pai – Acabamos de vir de lá, o perímetro próximo a entrada da Sala Precisa está sendo vasculhado graças ao tumulto que criaram mais cedo... Se tentarem certamente serão descobertos e... – suspirou incomodado – E com essa Umbridged no comando eu não sei o que pode acontecer caso ela descubra quem são vocês.
-Vasculhando? Quem, os monitores? – não me leve a mal, mas monitores não são algo que me metam medo, sabe – A gente pode passar por eles fácil.
-Não são os monitores, é a Brigada Inquisidora... – disse a sra. Hermione Weasley me encarando – Encabeçados, certamente pelo seu pai.
-Oh, papai... – olhei para Severus, embora ele não estivesse olhando na minha direção – Eu realmente não estou com muita saudades dele não. Podíamos esperar mudar o turno dessa tal Brigada, o que acha penoso?
-Acho que você vai matar a saudades do seu pai antes do que pensa, peçonhento... – disse ele se afastando da porta – Os caras estão vindo para cá!
Continua...
Ola para todos!
Vocês são maus, eu to vendo que tem mais gente lendo isso e só a Jessica e a Tomoyo comentaram até agora...
Isso é de deixar qualquer autora triste buáááá.
Bom, eu devo acelerar a postagem da fic, para o projeto que estamos fazendo. Então, espero que se divirtam.
Bjs
Mira
