Disclaimer:Todos os personagens de Naruto pertencem a Masashi Kishimoto.

Avisos:Romance, Drama, Ecchi, Hentai, Suspense, Universo Alternativo.

OBS: Essa fic foi originalmente postada em meu perfil no Nyah.

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SILÊNCIO

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Capítulo 1

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Londres, 24 de Setembro de 1999.

Eu estava no segundo ano do meu curso de psicologia, e com vinte anos, quando pus meus olhos na garota mais linda que há havia contemplado desde então. Só havia um pequeno probleminha aí. O lugar e a circunstância não era a das mais favoráveis para um flerte. Eu estava na minha sala, no departamento de investigações da polícia federal, quando a trouxeram cheia de hematomas.

Eu estava lendo o jornal do dia, quando meu parceiro bateu na porta.

— Ei... trouxe um caso novinho em folha pra você! — e então, ele a trouxe. Eu tinha até bufado, e revirado os olhos, achando que era mais uma queixa idiota de barulho na vizinhança. Só porque havia um prédio da polícia federal por perto, as pessoas achavam que seria mais eficaz trazer esses casos idiotas para resolvermos, já que a policia civil não fazia muita coisa. Mas eu estava redondamente enganado.

A menina era incrívelmente linda, apesar de tudo... Bem, ela tinha o olho esquerdo roxo e inchado. Seus lábios estavam cortados, havia arranhões por todo o corpo, e marcas de estrangulamento em seu pescoço. No mesmo instante em que pus meus olhos sobre seu estado físico, julguei se tratar de agressões físicas por algum namorado. Ou talvez, fosse mais um caso de estupro. Ela não dizia nada, e olhava sempre para o chão, como se estivesse constrangida... Mas eu não conseguia deixar de notar que seus olhos eram dotados de um tom de verde incrível... Além de, é claro, seu peculiar tom de cabelo cor de rosa.

Ela havia sido trazida à delegacia pela amiga, para fazer uma ocorrência. Eu tinha até jogando meu jornal de qualquer jeito sobre minha mesa, quando elas se aproximaram. Mas assim que elas sentaram-se de frente para mim, lembrei que devia ter arrumado minha bagunça. Então, rapidamente, fui arrumando toda aquela papelada inútil. Mas uma notícia em destaque, na página aberta e que eu ainda não havia lido, me chamou a atenção.

"Homem de vinte e quatro anos é encontrado esquartejado, preso pelos pulsos, com o corpo banhado em sangue. Seus olhos haviam sido arrancados do rosto e os dedos cortados com alicate. Sem língua e sem genitais."

Na primeira vez que li a notícia, não dei muita bola. Esse tipo de coisa se via com freqüência na delegacia em que trabalhava. Mas a foto abaixo me chocou. Chocou tanto que tive um ataque de asma, e precisaram me levar a um hospital por insuficiência respiratória. Obviamente, pediram para as moças fazerem a ocorrência com outra pessoa... Infelizmente.

E então, dia 25 de Setembro de 1999, tive que voltar à realidade.

Apesar do dia ensolarado, bonito, eu só via solidão à minha volta. Naquele dia, senti que acordar nunca me fora tão absurdo. Tomar banho nunca tivera sido tão penoso. E dirigir, nunca me fora tão exaustivo.

As pessoas, todas vestidas de preto, não melhoravam em nada com aquele clima mórbido que ali pairava. Não sei por que se veste preto em uma ocasião que, em essência, já é obscura por si só. Mas foi por isso mesmo que me vesti de branco. Calça jeans branca, camiseta branca, sapato branco. Eu parecia um médico, mas não estava nem aí. O Itachi teria gostado da minha escolha. Seria capaz de ele ter feito o mesmo por mim. Mas o desgraçado estava ali, deitado, todo de preto, descansando com um buquê de flores amarelas nas mãos. Metade de todo aquele povo, em volta dele, eu não fazia a mínima idéia de quem fossem. As mulheres choravam e os homens as consolavam. Enquanto eu estava ali sozinho.

O padre fazia sua oração, quando resolvi me distanciar. Eu precisava respirar um ar mais limpo, que não cheirasse à morte. O que é quase impossível, se analisarmos o fato de que estava em um cemitério... Mas enfim, fui caminhando por entre as lápides — distante daquela que menos queria ver — que ali, naquele vasto campo verde, descansavam. Pessoas vítimas de assassinatos, vítimas de doenças, vítimas de acidentes, vítimas da loucura que às levaram ao suicídio... Pessoas morrem o tempo todo. Bem como nascem. Vivemos para morrer. Vida e morte; dois conceitos tão opostos e, ao mesmo tempo, tão conectados.

Merda. Eu estava devastado. Ele era o único restante da minha família. Eu me sentia mais sozinho do que nunca. Eu amava meu irmão mais do que qualquer outra coisa.

Deixei o cemitério para trás, mas não voltei para casa. Não queria ter que lidar com as coisas dele ainda. E então, passei uma semana inteira de luto em um hotel, bebendo e fumando cigarros. Faltei ao trabalho, e não dei satisfações. Não avisei nada a ninguém sobre meu paradeiro. Tudo o que eu queria era sossego, solidão e vingança. Principalmente vingança. A quem quer que tenha feito isso...

Mas passei dois miseráveis anos sem ter uma pista sequer sobre o assino de meu irmão. Tudo o que o infeliz deixou foi um bilhete anônimo, escrito com recortes de revistas.

"Sem arrependimentos pelos meus atos. Arrependo-me apenas do que não fiz."

Esses dois anos fora o pior da minha vida. Tranquei a matrícula da minha faculdade, emagreci dez quilos e tive uma parada cardíaca por estresse. Durante esses dois anos, fui atrás de qualquer pista possível. Fui atrás de todos os suspeitos. Fiz com que revistassem todos os pertences do meu irmão, em busca de digitais, mais de três vezes. Mas tudo o que encontraram fora fios de cabelos de mulheres que tinhas álibis perfeitos, que as ocupavam no dia em que ele fora encontrado. Mas por também ser da polícia, o cara tinha inimigos demais. Havia suspeitos demais, que eram todos inocentes de sua morte.

O Itachi havia passado dois dias fora de casa investigando um caso de suicídio. Um adolescente havia, supostamente, se matado tomando altas doses de um medicamento para dormir. Era um caso novo. Nem suspeito ele ainda tinha. Então, consegui autorização para continuar com as investigações daquele caso com a ajuda do meu parceiro, Naruto Uzumaki, que era investigador. Eu suspeitava que o real culpado pela morte do garoto tivesse tomado conhecimento sobre meu irmão, e por temer que ele o encontrasse, o matara. Mas no final das contas, descobrimos que ele cometera suicídio por amor não correspondido. Algo totalmente comum entre jovens.

E então, virei-me do avesso atrás de todos os arquivos da polícia que guardasse informações sobre serial killers. Aquele tipo de esquartejamento, aquela mensagem, tudo me dizia que era obra de um assassino em série. Um simples assassino não teria feito todo aquele trabalho, nem se camuflado tão bem. Apesar de ter parado com as aulas na faculdade, me afundei ainda mais nos livros de psicologia, tentando encontrar alguma coisa que me servisse. Mas quando eu estive prestes a ter minha segunda parada cárdica, fui demitido da policia federal, onde trabalhava a pouco tempo graças às indicações do Itachi que era chefe do departamento de investigações.

E em Fevereiro de 2002, meu ex parceiro do departamento da policia federal, onde costumava trabalhar, bate na porta do meu novo apartamento.

— Ei... Acharam o cara!

Não sei explicar a sensação que senti na hora que ouvi isso. Era uma mistura de alívio, com sufoco, ódio, paz, inquietação e tranqüilidade... Todos os negativos com os positivos juntos. Até tive outra crise de asma. Mas ele não precisou me levar para hospital algum, daquela vez. No entanto, tive queda de pressão quando reconhecia o cara na sala de interrogações da delegacia. Era o melhor amigo do Itachi, Deidara. Aparentemente, ele era gay e tinha uma queda pelo meu irmão que sempre o rejeitava, apesar de tudo. Itachi que um mulherengo de carteirinha, sem sombra de dúvidas. Mas havia alguma coisa errada nessa história, que não consegui identificar, naquele momento...