Pensei em desistir de postar aqui, mas graças ao review da Luna continuarei com a fic. Muito obrigada por comentar^^
O AMOR DO PIRATA
Capítulo 4
Depois de uma semana no mar, Rukia começou a sentir falta do prazer de seus banhos. O pequeno recipiente de água que lhe entregavam cada dia não era suficiente, e seu pior problema era o cabelo sujo. Mas depois de duas semanas pôde enfim lavá-lo, quando o "Hihiou Zabimaru" passou pela primeira tormenta com chuva da viagem. Teve que ir para a coberta, coisa que o capitão desaprovava severamente, e deixar que a chuva que escorregava pelas velas caísse sobre sua cabeça. Significava molhar-se até os ossos e ter que cruzar as perigosas cobertas escorregadias, mas valia a pena.
Ordenou-se aos homens que permanecessem nas cobertas debaixo, porque o capitão preferia não correr riscos. Mas com Renji Abarai e seus oficiais vigiando e com Unohana junto a eles, Rukia se sentia muito segura. O capitão se reuniu com ela várias vezes para jantar, e todas as vezes enfatizou que não deveria deixar-se ver pela tripulação. Só lhe permitia sair à coberta na última hora da noite, quando já a tripulação tinha descido, e somente se o capitão ou um dos oficiais estivesse com ela. Rukia não compreendia por quê, e o capitão encontrava dificuldade em explicar-lhe. Finalmente, Rukia perguntou a Retsu por que não podia desfrutar de sua liberdade no barco.
- Não deves preocupar-se por isso, ma chérie - disse Unhohana -. Limita-te a seguir as indicações do capitão.
- Mas tu conheces as razões, não é, Retsu? - insistiu Rukia.
- Sim, creio que sim.
- E por que vacilas em me dizer? Já não sou uma menininha.
Unohana sacudiu a cabeça.
- És inocente, e és uma menina em muitos sentidos. Nada sabes sobre os homens, e quanto menos saibas, melhor.
- Não podes seguir protegendo-me sempre, Re. Em breve terei um marido. Devo ser completamente ignorante?
- Não... não, acho que tens razão. Mas não esperes que esta senhora te diga tudo o que queres saber.
- Bem, diga-me por que não posso ter liberdade no barco - replicou Rukia.
- Porque não deves tentar à tripulação com tua beleza, menina. Os homens têm fortes desejos, ânsias de amar a uma mulher, especialmente se é tão bela como tu.
- Ah! - exclamou Rukia - Mas certamente sabem que não podem.
- Sim, mas se a tripulação te vê todos os dias, começará a te desejar. O desejo de um homem pode tornar-se tão intenso que pode chegar a arriscar a vida para fazer amor com uma mulher.
- Como sabes estas coisas, Re? - perguntou Rukia sorrindo.
- Nunca me casei, mas conheço os homens. Quando era jovem, não estava tão protegida deles como você, Rukia.
- Isso quer dizer que fizeste amor com um homem?
- Agora tua curiosidade vai longe demais, senhorita. Deixa esta senhora em paz.
- Ah, Re - suspirou Rukia, porque sabia que Unohana não lhe diria nada mais, e tinha muitas coisas que desejava saber. Talvez depois de se casar todas suas perguntas teriam resposta. Mas não podia evitar se perguntar como seria fazer amor. Devia ser um prazer enorme, já que os homens estavam dispostos a arriscar a vida por isso. Mas teria que esperar até se casar, para então saber o que era.
Após três semanas no mar, um incidente muito desagradável aconteceu. Rukia estava só em seu camarote, porque Unohana tinha saído para lavar alguma roupa. Quando a porta se abriu, Rukia não levantou o olhar, pensando que era Retsu que voltava. Mas gritou quando sentiu duas mãos agarrarem seus ombros e a obrigarem a se virar. O homem não parecia ouvi-la. Limitava-se a segurar seus ombros, com os olhos vidrados, percorrendo lentamente seu corpo, mas sem fazer qualquer outro movimento.
- Agarrem-no! - gritou o capitão.
Rukia se sobressaltou, e dois homens entraram no camarote e agarraram o intruso. Ela olhou confusa para eles, vendo como arrastavam o homem pela coberta, apesar deste lutar por se libertar. Em seguida, o ataram no mastro maior e o primeiro oficial lhe arrancou a túnica. O capitão Abarai apareceu diante de Rukia, furioso.
- É lamentável que isto tenha ocorrido, mademoiselle. O conde Ichimaru se enfurecerá quando se inteirar de que estiveram prestes a violá-la.
Rukia não olhou para o capitão, pois seus olhos não podiam se afastar do pobre homem que esperava seu castigo. O primeiro oficial se aproximou do homem com um chicote em mãos. O chicote era de couro, longo, com muitos nódulos.O capitão falou duramente com sua tripulação, mas Rukia estava perturbada demais para escutar suas palavras. Então, o capitão Abarai deu o sinal e o primeiro oficial fez soar o chicote no ar duas vezes e depois o aplicou com força brutal nas costas do homem. Viram-se escorrer gotas de sangue pelas costas trêmulas. Logo, outra marca apareceu quando o chicote voltou a descer.
- Não, por Deus! Basta! - gritou Rukia.
- Isso tem que ser feito, mademoiselle Kuchiki. A tripulação recebeu advertências, portanto, não é culpa sua.
Outras vezes o horrível instrumento caiu sobre as costas do homem, cujo sangue salpicou a coberta e as roupas de quem estava por perto. Rukia correu para a balaustrada quase que instantaneamente. Quando terminou de vomitar, ainda escutava o horrível som do chicote que açoitava a carne do homem, e isso era tudo o que se ouvia.
Finalmente terminou. Tinham dado trinta chibatadas, segundo lhe disseram mais tarde, o homem estava meio morto. Rukia pensava que esse homem só a tinha assustado, e que por isso lhe infligiam este horrível castigo, que o deixaria inútil pelo resto da viagem. Rukia chorou nessa noite, e vomitou mais três vezes, sempre pensando na horrível cena. Um homem tinha estado à beira da morte por tentar violá-la. Violá-la!
======== Fim do Capítulo 4 ========
