Agradecimentos: Himitsu no Tsuki, Imaginarium, Mademoiselle Giu, JJDani, obrigada pelo apoio!
Aviso: A partir desse capítulo conterá cenas que podem ferir a susceptilidade dos menores de 18 anos.
- O AMOR DO PIRATA -
CAPÍTULO 6
- Capitão! A moça de que lhe falei deve estar escondida na bodega ou num dos camarotes.
- Inferno, não temos muito tempo! Procurem em todo o barco, mas rápido!
Rukia tremia de medo e desejava morrer.
- Por que, por que o capitão não nos deu um arma? - sussurrou, retorcendo-se as mãos.
- Não esperava que perdêssemos a batalha - respondeu Unohana baixinho - Mas não te preocupes, Rukia. Direi ao chefe que pode obter uma grande fortuna se te entregar sã e salva ao conde Ichimaru. O conde seguramente pagará o que lhe pedirem. É francês e um homem honorável.
- Mas são piratas, Re! - gritou Rukia - Nos matarão!
- Não, pequena. Não nos matarão sem motivo, e não demonstres que estás assustada quando nos encontrem. Finja que não sabe inglês. Eu falarei por ti. E, por Deus, não percas as estribeiras com estes homens - advertiu Retsu - se o fazes, pensarão que não és uma dama bem educada e rica.
- Estou assustada demais para me irritar.
- Bem, agora devemos rezar para que sua voracidade de riqueza seja mais poderosa do que sua luxúria.
- Não compreendo, Re.
- Não importa, ma chérie – replicou Retsu, mas sua voz demonstrava sua preocupação - Recorde-se que não deves dizer nada.
O riso e o ruído se fizeram mais fortes quando os homens se aproximaram da porta do camarote.
- Não está na bodega, capitão, e os outros camarotes estão vazios.
- Joguem abaixo a última porta! - replicou uma voz profunda muito perto do camarote, e os golpes começaram de imediato.
- Meu Deus!
- Agora, cale-se - disse rapidamente Unohana -. Recorda que não deves falar em inglês.
Rukia estava aterrorizada. Tinha certeza de que morreria nesse dia e Unohana não poderia fazer nada para impedir. Alguns momentos depois a porta cedeu e Rukia gritou ao ver os homens barbudos e sorridentes.
- Meu Deus, que formosas são as francezinhas! - disse um marinheiro de média estatura com uma bandana verde amarrada na cabeça.
- Sim, companheiro, hoje daria qualquer coisa por ser o capitão.
- Onde está seu Capitão? - Perguntou Unohana.
- Logo o verás, mulher - disse um homem careca, conduzindo-as para fora da cabine.
Rukia evitou olhar para os cadáveres da tripulação do "Hihiou Zabimaru" ao cruzar a coberta e passar ao outro barco. Retsu ia junto com ela, rodeando-lhe a cintura com um braço para protegê-la. O barco pirata era de três mastros e aproximadamente do mesmo tamanho que Zabimaru, mas os homens da tripulação pareciam selvagens. Deixaram a tarefa que estavam realizando e olharam fixamente para Rukia. Alguns não usavam camisa outros só camisetas curtas para cobrir o torso nu, e todos iam descalços. Muitos levavam argolas de ouro nas orelhas, e todos eram muito barbudos.
- Exijo ver seu capitão! - disse Unohana ao homem que as tinha levado ao barco pirata.
Outro homem saltou da coberta do "Hihiou Zabimaru" e as cumprimentou.
- Então falas inglês? - disse - Bem, ao menos agora saberemos quem és.
Era um homem muito corpulento e Rukia se sentia completamente indesfesa perto dele. Estava acostumada a ver homens mais altos que ela, mas este media uns 2 metros e seu tórax era bem largo. Não era gordo, mas sim muito musculoso, e isto se via claramente em seus braços nus. Seu cabelo negro era longo, com guizos nas pontas. A barba longa somada ao tapa-olho lhe dava um aspecto ainda mais sinistro, perigoso. Rukia estremeceu.
- Bem, o que descobriu, Kenpachi?
Quem perguntava era um homem de voz profunda e que parecia estar no comando dos demais.
- Falam inglês, Ichigo, pelo menos a velha.
Ichigo estava atrás de Rukia e ela se virou para vê-lo. Estava a poucos centímetros dela e Rukia teve que levantar a cabeça para ver seu rosto, visto que também era alto. Mas o que a surpreendeu foi seu cabelo, era de um loiro-avermelhado, ou seria... laranja? Seus olhos eram castanhos amendoados e uma longa e delgada cicatriz começava na metade da bochecha direita e chegava até sua barba. Rukia olhou uns instantes para a cicatriz, e os músculos dele se puseram tensos e o olhar gelado. Tomou-a por um braço, causando-lhe dor, e a obrigou a caminhar pela coberta.
- Monsieur, espere! - gritou Unohana – Para onde a está levando?
O homem se virou e sorriu:
- Para o meu camarote, madame, para falar com ela. Tem algo contra?
– É lógico!
- Bem, isso não importa! - disse o homem brevemente, e seguiu arrastando Rukia.
- Monsieur, ela não fala inglês! - gritou Retsu.
Isto provocou risos na tripulação, e o homem voltou a se deter.
- Como fará para lhe dizer o que deve fazer, capitão?
- Para o que pensa fazer o capitão, não se precisam palavras.
Houve mais risos, que obviamente irritaram o capitão, porque apertou ainda mais o braço de Rukia. Ela gritou de dor e ele a soltou imediatamente.
- Malditos! - gritou para sua tripulação - Já se divertiram bastante por hoje. Voltem a suas obrigações e vamos adiante. - Depois se voltou para Rukia - Lamento se a machuquei, mademoiselle.
Ela não esperava uma desculpa deste capitão pirata. Seria tão perigoso como parecia? Fitou-o com curiosidade, mas não falou nada.
- Inferno! - disse ele, furioso, e se virou para o homem corpulento. - Kenpachi, traga essa mulher aqui.
Unohana se aproximou deles sem ajuda, muito assustada.
- Não a machuque, capitão!
O capitão olhou surpreendido para Retsu e depois, de repente, estourou numa gargalhada.
- Está me dando ordens, madame?
- Não posso permitir que a machuque, monsieur.
Kenpachi voltou a rir, mas o capitão lhe enviou um olhar assassino, e depois voltou a se concentrar em Retsu.
- Você é mãe dela?
- Não, mas fui sua babá, e também a de sua mãe. Também cuidarei de seus filhos - replicou Unohana orgulhosa.
- Ela espera um filho agora?
- Monsieur! Não pode me perguntar...
- Pro inferno, me responda, mulher! - disse o capitão interrompendo-a bruscamente.
- Não, não espera um filho.
A preocupação do capitão pareceu diminuir com esta resposta.
- Agora, diga-me, por que falas inglês e ela não?
- Eu... nasci na Inglaterra. Fui à França quando era menina com meus pais - respondeu Retsu sinceramente.
- Ela não fala nada de inglês?
- Não, capitão.
O homem suspirou e observou Rukia, que os olhava o tempo todo.
- Quem é ela?
- Mademoiselle Rukia Kuchiki.
- E para onde a levavam?
- A Saint Martin, para casar-se com o conde Ichimaru - replicou rapidamente Unohana.
- E a fortuna que encontramos em seu navio... era seu dote?
- Sim.
O capitão sorriu preguiçosamente, mostrando seus brancos dentes.
- Sua família deve ser muito rica. E seu noivo, também é um homem rico?
- Sim, e pagará bem se vocês a levarem a Saint Martin sã e salva... sem danos.
Ele riu ao ouvir a última frase.
- Estou certo disso, mas terei que pensar. - Se virou para Kenpachi.- Leve a babá para o seu camarote e tranque-a ali. A mademoiselle virá comigo.
Levaram Unohana arrastada; ela gritava e dava pontapés para libertar-se, e então Rukia voltou a sentir medo. Não podia deixar de pensar nas histórias que tinha ouvido no convento. Não seria melhor uma morte rápida? Olhou o balaústre do barco. Não estava tão longe, e poderia jogar-se às frias águas azuis...
- Ah não, Rukia Kuchiki, ainda não, de jeito nenhum - disse o capitão, como se lesse seus pensamentos.
Tomou-a de um braço e a levou a seu camarote. No pequeno quarto desordenado, o capitão obrigou Rukia a sentar numa cadeira junto a uma longa mesa. Encheu dois copos com vinho tinto seco, entregou-lhe um, e se sentou também. Obviamente a longa mesa servia de escrivaninha, porque estava coberta de cartas e instrumentos náuticos.
Ele se apoiou no respaldo de seu assento e a olhou em silêncio. Ela fitava nervosa os olhos castanhos dele e sentia que suas bochechas ardiam sob seu olhar.
- Meus homens pensam que és uma beleza, Rukia - disse ele distraidamente - Mas não entendo como perceberam isso com todo esse pó negro que cobre tua cara.
Instintivamente Rukia tratou de limpar o rosto. Mas ao ver sua mão limpa, se deu conta de que tinha caído numa armadilha.
- Então entendes inglês? Isso pensava. Por que mentiu tua criada?
Rukia vacilou antes de responder.
- Ela... não queria que eu falasse com você. Creio que tinha medo que eu me irritasse.
- E se irritou?
- Não vejo razões para isso.
O capitão riu.
- Também mentia a velha com respeito a teu casamento?
- Não.
- Então realmente o conde Ichimaru é um homem rico?
-Sim, muito rico, capitão – replicou Rukia, que agora se sentia um pouco mais calma.
Esse homem não parecia tão perigoso como ela pensava. Tinha que admitir que era bonito e jovem, ainda que sua barba alaranjada o fizesse parecer mais velho.
- O fará rico se me levar até ele – disse Rukia.
- Não tenho dúvida disso - replicou o pirata de imediato - Mas seu dote por si só me converteu num homem rico, e não me agrada levar mulheres em meu barco.
- Então, o que fará comigo, monsieur, me jogará no mar... depois de violentar-me? - perguntou Rukia sarcasticamente.
- Exatamente.
Ela o olhou, estupefata. Esperava uma negativa, mas agora o que podia dizer?
- É... é essa sua intenção? - perguntou com temor.
Ele olhou seu copo de vinho por um momento, como se considerasse a pergunta. Depois a encarou com expressão divertida.
- Tire a roupa.
- O que? - sussurrou Rukia.
- Quero fazer amor contigo, Rukia Kuchiki, e depois a levarei para o seu noivo. Portanto, tire a roupa. Não me agradaria ter que violentá-la, poderia te machucar no ato.
- Não, monsieur, não! O conde Ichimaru não me aceitará se estiver desonrada.
- Lhe asseguro que sim, mademoiselle, a aceitará, e pagará um alto preço por isso. Ele a viu, não é?
- Sim, mas...
- Então não há nada mais o que dizer. Tua falta de virgindade não lhe importará muito.
- Não! - replicou Rukia - Não irei até ele desonrada. Envergonharia a minha família. Não farei isso!
- Acho que não tens opção. Mas tenho certeza de que o conde ocultará o fato de que não era virgem em sua noite de núpcias - comentou o capitão com calma.
- Não, não pode fazer isso comigo! - gritou Rukia, com seus olhos violetas cheios de medo.
- Repito, Rukia, farei amor contigo. Nada te salvará disso. Mas não quero te forçar. Não me agradam as violações.
- Mas é uma violação, monsieur, porque eu não desejo fazer amor contigo!
- Chame como quiser, desde que não lute contra mim.
- Você... deve estar louco! Não pode esperar que me submeta, que permita ... Não! – gritou Rukia, sentindo que seu medo era substituído pela fúria - Lutarei com todas as minhas forças.
- Vamos chegar a um acordo, mademoiselle. Além de ti e de tua criada, trouxemos alguns prisioneiros a bordo, incluindo o capitão do barco francês.
- Para se divertir?
- Meus homens são cruéis. Gostam de matar lentamente um homem. Primeiro lhe cortam as orelhas, depois os dedos, então os pés... Preciso continuar?
Rukia se sentia mal.
- E você... Você permite que façam isso?
- E por que não?
Rukia empalideceu ante a resposta. Certamente ele também participava da tortura. Mon Dieu!
- Você falou... de... um trato - disse Rukia debilmente.
- Que te submetas para salvar a vida desses homens. Serás minha opondo-se a isso ou não. Não aceitarei que se negues. Mas pouparei a vida dos prisioneiros e os libertarei no próximo porto com uma condição: que tu não resistas. - Fez uma pausa e sorriu - Já perdeste, Rukia, porque serás minha independentemente do que decidas. Mas os prisioneiros podem ganhar. Viverão e não serão feridos se aceitar. Quero sua resposta agora.
- Você não tem piedade! - ofegou Rukia - Por que quer me forçar?
- Me surpreendes. És um prêmio que vale a pena ganhar, e eu te desejo - disse.
- Mas eu não te desejo.
- Te direi, Rukia, que és a única razão pela qual capturei esse barco. Geralmente só ataco os navios espanhóis. Meu vigia te viu na coberta e me descreveu sua beleza. Deveria estar agradecida, já que não penso compartilhar-te com minha tripulação. Mas agora basta, quero tua resposta!
- Você não me deixa opção - replicou a morena lentamente, sentindo-se completamente abatida. - Devo salvar a vida desses homens.
- Não oferecerás resistência?
- Não, monsieur, não resistirei.
- Bem. Tomaste uma sábia decisão. Tenho certeza que os prisioneiros ficarão muito agradecidos. Direi aos homens que não os perturbem. Enquanto isso, quero que tire a roupa e me espere em minha cama.
Saiu e fechou a porta atrás dele. Não havia escapatória. Rukia não podia fazer mais nada e nem sequer teria a oportunidade de lutar contra ele.
Sem vontade e muito lentamente, Rukia começou a se despir. Finalmente saberia o que era fazer amor... ou o que era uma violação, em todo caso. Bem, pelo menos ao se submeter salvaria a vida de alguns franceses. Pensava nisso para poder suportar o que viria.
Quando o capitão voltou ao camarote, Rukia ainda vestia suas roupas íntimas. Ele fechou a porta, e a olhou com o cenho franzido.
- Não mudaste de idéia, não é? - perguntou.
- Não, e você?
Então ele riu e atravessou a cabine parando na sua frente. Ela se sentia pequena e insegura ante esse homem tão forte.
- Não, pequena. Nada pode me fazer mudar de idéia.
Tomou uma porção de cabelos da moça em suas mãos e os acariciou, sentindo sua textura suave e sedosa. Depois deixou cair os cabelos sobre os ombros de Rukia.
- Tire a roupa, Rukia. Não posso esperar muito.
- Eu o odeio, monsieur - disse ela com os dentes apertados.
Ele voltou a rir.
- Ainda que a palavra monsieur soe bem em seus lábios, prefiro que me chames de Ichigo. Agora, termina teu vinho, Rukia, isso pode te ajudar. Nunca estive antes com uma virgem, mas dizem que a primeira vez é dolorosa.
- Eu precisaria de dois barris de vinho para gostar do que você vai fazer, monsieur Ichigo.
- Me chame de Ichigo, nada mais! E não brinque com a minha paciência, Rukia. Isso acontecerá de qualquer jeito, mas ainda posso mudar de idéia com respeito aos prisioneiros. Beba o vinho e depois tire toda sua roupa sem fazer mais comentários.
Rukia não podia adiar mais. Bebeu o vinho, se virou de costas e tirou lentamente a roupa que ainda vestia. Cobriu seu corpo com os cabelos negros que passavam da cintura e se voltou para ele.
Ichigo não encarou o gesto como um desafio, só como uma manifestação de timidez, mas nem isso permitiu. Separou os cabelos e se regozijou olhando o corpo esbelto durante um momento. Depois tomou o rosto da moça em suas mãos e a beijou ternamente.
Rukia não esperava por isto. Por que a beijava? Por que não terminava de uma vez? Os lábios dele separaram os dela, procurando, exigindo uma resposta. Ela queria fechar a boca, mas a ele não lhe agradaria essa resistência. Rukia tinha que pensar nos pobres cativos e nada mais. Tinha que permitir que fizesse com ela o que quisesse.
Os braços dele a rodearam e apertaram seu corpo nu contra o dele, seu beijo se tornou mais exigente, mais forte, mas sem machucá-la. E de repente Rukia sentiu uma sensação estranha, algo que nunca tinha experimentado antes. Era uma sensação rara, como se realmente sentisse fluir o sangue em suas veias. Era uma sensação excitante, e a fez relaxar e aceitar de boa vontade seus beijos, esquecendo que estava nua nos braços de um desconhecido.
Então Ichigo parou de beijá-la e a levantou em seus poderosos braços. Ela ficou tensa enquanto ele a levava à cama e a colocava ali com suavidade. Ele se despiu lentamente sem separar os olhos dela em nenhum momento. Ela por sua vez não podia deixar de olhá-lo, ainda contra sua vontade.
Quando por fim ele ficou nu, Rukia olhou com assombro seu corpo delgado e musculoso; os ombros largos e os quadris estreitos, as pernas longas e firmes. Ichigo se aproximou dela e se pôs ao seu lado na estreita cama. Olhou-a durante um momento e começou a acariciar seus seios. Esperava uma reação da moça, o que chegou de imediato, enquanto seus olhos se arregalavam pela confusão. Riu ligeiramente e fechou a mão sobre um dos seios, oprimindo-lhe suavemente.
- Esperavas que eu fizesse tudo rapidamente?
- Sim. Por favor, Ichigo, não faça isso. Peço, uma vez mais, por favor poupa-me desta vergonha! - rogou ela inutilmente.
- Não, pequena, é tarde demais para isso.
- Então que seja rápido! - exclamou ela.
Os olhos dele se entrecerraram com fúria. Então se colocou sobre ela, e seu peso a achatou no macio colchão. Penetrou nela com rapidez, provocando-lhe uma intensa dor. Ela gritou e afundou suas unhas nas costas dele, mas a dor desapareceu tão rápido como veio. Ele se movia dentro dela, com lentidão a princípio, depois mais rápido, bem mais rápido, e Rukia viu que lhe agradava. Relaxou e desfrutou com vergonha a sensação de sentí-lo dentro dela. Então, ele se moveu por uma última vez e despencou completamente achatando-a com seu corpo.
Rukia não sabia o que fazer. Isso era tudo? Admitia que tinha sido prazeroso depois da dor inicial, mas se fazer amor era simplesmente isso, podia dispensar. Onde estava o prazer extremo que podia fazer com que um homem arriscasse a vida? Talvez só o homem experimentasse prazer ao fazer amor.
- Sinto muito, Rukia. Não queria ser tão rápido, mas tu falas demais. A próxima vez será melhor para ti.
- A próxima vez? - gritou ela - Mas... Eu pensava que...
- Não, pequena - interrompeu ele com um sorriso divertido - Saint Martin está muito longe e como compartilharás o camarote comigo, farei amor contigo quando quiser. Será uma viagem muito prazerosa.
Quando se levantou e começou a se vestir, Rukia se cobriu rapidamente com o lençol. O que faria agora? Dormir com ele era ruim, mas não teve opção e podia viver com essa vergonha. Mas submeter-se a ele uma e outra vez, não poder lutar contra ele... ser sua amante! Como poderia viver assim? Ichigo a contemplava em silêncio. Inclinou-se sobre ela e roçou suavemente seus lábios.
- Agora devo deixar-te para ver minha tripulação e mudar o curso para Saint Martin. Não quero que saias desta cabine sob nenhum pretexto.
- Mas quero ver a Re. Quero ver os prisioneiros e dizer-lhes que não têm nada o que temer.
-Não - respondeu ele imediatamente - Tua criada pode ver os prisioneiros, e você a verá mais tarde... agora não. Dito isto saiu da cabine.
Rukia pensou em chavear a porta. Mas ele a colocaria abaixo, e ela teria que sofrer sua ira. Estremeceu-se ao pensar como seria. Até esse momento, Ichigo estava de bom humor e só tinha mostrado um lado de seu caráter, e mesmo assim a tinha possuído contra sua vontade. Não desejava ver seu aspecto violento. Estava a mercê de um pirata cruel! Ele podia matá-la se desejasse. Estava totalmente em suas mãos e não sabia o que fazer.
Saiu da cama e viu o sangue nos lençóis... Seu próprio sangue. Te odeio, capitão Ichigo, ela pensou com amargura. Me arruinaste, me envergonhaste, me desonrou! Deu um pontapé com fúria contra o chão. Pouco a pouco foi se acalmando. Não fazia sentido se alterar tanto, já que nem podia demonstrar isso a ele. Mas queria... como queria!
Perto da cama havia um pequeno recipiente com água num lavabo, e Rukia se lavou o melhor que pôde. Vestiu-se apressadamente, e depois, com rebeldia, serviu mais vinho num copo. Sentou-se e começou a beber, e então ouviu uns golpes na porta. Um segundo mais tarde a porta se abriu e Unohana entrou correndo e fechou a porta.
- Ai, Rukia, estás bem? Ele... ele não... ele...
- Nos levará a Saint Martin, mas...
- Então não te fez nada... graças a Deus! Temia por ti, Rukia. Mon Dieu! Não sabia o que pensar quando me trancaram. O capitão é um homem bom... temia que te fizesse dano.
- Não me perdoou - disse Rukia com tranqüilidade - Estava decidido a me possuir e o fez.
- Rukia... não! - ofegou Retsu e se pôs a chorar.
- Está tudo bem - disse Rukia, rodeando com um braço os ombros de sua antiga babá - Pelo menos ainda estamos vivas. E prometeu nos levar a Saint Martin.
- Meu Deus, Rukia! Ele não podia tê-la violado. Esse homem não tem honra!
- Tratei de dissuadir-lhe, mas ele me desejava. Disse que me possuiria apesar de tudo. Agora já é fato, e eu não posso fazer nada a respeito. Mas pelo menos pude salvar os prisioneiros.
- Que prisioneiros?
- Ainda não os viu? - perguntou Rukia.
- Não sabia que havia prisioneiros - replicou Unohana - Esse grandalhão chamado Kenpachi me deixou sair de sua cabine e me disse que fosse ajudar na cozinha. O cozinheiro do barco morreu na última batalha que tiveram. Mas vim aqui primeiro.
- Bem, então vá e procure os prisioneiros. O capitão Abarai é um deles. Diga-lhes que não se preocupem por seu destino, que serão libertados no próximo porto. E se há algum ferido, cuide dele, e depois venha e me diga como está. O capitão me proibiu de sair da cabine.
- Posso fazer algo por ti? - perguntou Retsu com seus olhos azulados cheios de preocupação. - Não me agrada te deixar sozinha depois do que sofreste.
- Não, estou bem, Re. Pensei que seria uma experiência horrível, mas não foi tão ruim - disse Rukia -. Ele foi gentil comigo, e é jovem e agradável. O único que me doeu foi não ter me dado opção... não se importou com meus sentimentos.
- Me alegro que o tenhas tomado tão bem.
- Não posso fazer mais nada – disse Rukia.
Unohana saiu, mas voltou alguns minutos depois.
- Não há prisioneiros, Rukia. Perguntei a um dos homens da tripulação se podia levar-me até eles, mas disse que não tinha ninguém a bordo exceto você e eu. Perguntei a outro, e me disse o mesmo.
Rukia se endureceu, cada nervo, cada fibra de seu corpo cintilava de fúria.
- Ele mentiu! Mentiu... Me fez cair numa armadilha! Maldito!
- Rukia! – exclamou Retsu - O que foi?
- Ele... mentiu! Disse que havia prisioneiros, que lhes pouparia a vida se... Se eu não resistisse! - gritou Rukia com intensa fúria em seus olhos violetas.
- Ai, Rukia!
- Então me submeti. Deus sabe que queria lutar, mas não o fiz. O suportei porque pensava que estava salvando a vida desses homens. Mon Dieu! Vou matá-lo!
- Não, Rukia, não deves falar assim! O que aconteceu já não pode ser mudado. E disseste que não tinha sido tão ruim – disse Retsu.
- Isso não importa! Ele me enganou. Esse capitão Ichigo ficará sabendo como me sinto ao ser enganada. Lamentará ter me trazido para este barco. Me vingarei! Juro... Ichigo pagará por isto!
- Por Deus, Rukia, seja sensata! Só conseguirás que nos matem.
Mas Retsu poderia ter poupado suas palavras, porque Rukia já estava furiosa e a advertência de sua velha criada não interromperia seus pensamentos assassinos.
================Fim do capítulo 6==================
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