Agradecimentos: JJDani, Bad Little Angel, Luryane, miranda, Laew, lua, luna: obrigada por suas lindas reviews!

Capítulo 9

Os olhos de Rukia se abriram lentamente, e depois se arregalaram quando recordou todo o ocorrido. Sentou-se rapidamente e arqueou as costas, mas não sentiu dor alguma, só um ligeiro frio em sua carne nua. O que teria acontecido? Por que ainda estava viva?

Por um momento tremeu violentamente, recordando o horrível som do chicote chasqueando no ar. Mon Die! Como era possível que tivesse escapado dessa horrível morte? Certamente tinha desmaiado. Talvez só esperavam que acordasse para continuar? Nunca tinha pensado que a açoitariam até a morte por matar o capitão. Podia suportar qualquer coisa, sim, qualquer coisa... exceto essa terrível tortura.

Por que tive que matá-lo?, pensou sentindo-se muito mal e cobrindo o rosto com as mãos. Só teria que suportar por pouco tempo o capitão; depois teria ficado livre... livre para desfrutar de uma longa vida. Não teria levado muito tempo para esquecer esta experiência e ser feliz outra vez. Por que coloquei em perigo toda minha vida só para me vingar? Afinal de contas, esse homem era um pirata. Eu não deveria ter esperado nada mais que enganos e mentiras da parte dele. O que aconteceria agora? Aquele monstro lhe prepararia uma morte ainda mais cruel? Deveria escapar do camarote, decidiu. Saltaria pelo balaústre e sua vida terminaria no mar. Sabia nadar, mas estando tão longe da terra, o esgotamento e os tubarões logo terminariam com ela. Não era exatamente a forma que tinha escolhido morrer, mas seria uma morte mais tolerável do que a do chicote.

Sem pensar duas vezes Rukia se levantou da cama. Depois ficou imóvel, e um pequeno suspiro escapou de seus lábios. Este deve ser o fantasma, foi a primeira coisa que pensou. Mas enquanto o olhava com terror, viu que seus olhos brilhavam de alegria, como os de um demônio... não eram os olhos de um homem morto.

Tinha se equivocado. Ele estava vivo, e por isso ela estava ali, sem que nada lhe ocorrera.

Ele permaneceu fitando-a sem falar desde que ela acordou, deixando-a sofrer pela dúvida e ansiedade. Agora estava ali na sua frente, sentado com as pernas estendidas e um copo de vinho na mão, cheio até a metade. E sorria. Sorria!

Rukia endureceu de raiva.

- Deverias estar morto! - conseguiu gritar por fim - Mas ainda vou conseguir, Ichigo!

- Realmente desejas sentir o chicote sobre tua carne terna, Rukia? - perguntou ele em voz baixa, deixando o copo na mesa.

Ela empalideceu visivelmente.

- Sei a resposta, Rukia - disse Ichigo em voz mais alta - Está disposta a passar pelo o que teria acontecido se eu não tivesse recobrado a consciência a tempo para detê-lo?

Seus olhos eram ametistas escuras e ardentes que percorriam o capitão com ódio. Havia outras formas de se vingar e ela encontraria alguma. Mas esperaria até se sentir segura.

- Responda-me, diabos! - Ele descarregou seu enorme punho sobre a mesa, fazendo-a saltar.

- Não desejo sentir o chicote, como imagina - replicou ela acaloradamente.

Ele sorriu ante a resposta.

- Então posso compartilhar minha cabine contigo sem perigo?

- Não quero ficar aqui! Certamente não desejarás que fique depois do que tentei.

- Ao contrário, pequena, desfrutarei de tua companhia. - riu malignamente.

- Então ficarás a salvo da morte, monsieur, mas não de outros danos! - replicou ela com fúria.

- Não acredito, Rukia. Vê isto? - Levantou o chicote que tinha deixado antes na mesa - Não tenho nada contra em usá-lo.

- Não ousaria!

- Duvidas? Queres uma demonstração?

- Não sou tua escrava, monsieur. Não te obedecerei! - replicou Rukia com raiva.

- Não? Vêem aqui, Rukia – ordenou, desfrutando do jogo.

- Não, não, não! - Deu um pontapé de desafio no chão - Não me aproximarei.

Antes que pudesse dizer algo mais, o chicote voou pelo ar e atingiu os vincos do vestido de veludo. Rukia saltou e olhou o longo rasgo que permitia ver o tecido branco de sua anágua sob o veludo. Olhou lentamente para Ichigo, com os olhos arregalados pelo terror. Tinha evitado tocar sua pele de propósito? Ou tinha realmente a intenção de atingi-la? Na dúvida, não tentaria provocá-lo outra vez.

Reunindo coragem, Rukia se aproximou até parar frente a ele.

- O que deseja, monsieur? - perguntou altivamente.

Ele começou a rir.

- O que desejo pode esperar. Tens fome?

Ela assentiu de má vontade, e pela primeira vez percebeu a bandeja com comida no outro extremo da mesa. Estava faminta.

Rukia passou perto dele, se sentou na cadeira contígua e começou a comer. Depois de alguns instantes, levantou lentamente seus olhos e viu que Ichigo continuava olhando atentamente para ela, com uma expressão divertida em seu rosto barbudo.

- Aprovas que eu coma, monsieur, ou prefere que eu morra de fome? - perguntou Rukia com sarcasmo.

Ele franziu o cenho.

- Coma até se encher e depois saberás o que desejo fazer.

Rukia comeu com deliberada lentidão, irritando ainda mais o capitão. Mas se conseguia aborrecê-lo dessa forma, de qualquer maneira possível, o faria. Sempre que saísse viva.

Enquanto seguia comendo notou que tinham acendido velas no camarote, e pela janelinha ao pé da cama via que lá fora estava escuro. Bem, agora que já era de noite, ao menos podia fazer questão de que o quarto estivesse a escuras se ele voltasse a violá-la. Não podia tolerar que ele olhasse seu corpo nu como antes. Por um momento se perguntou onde dormiria, porque sem dúvida, a besta não renunciaria a sua cama quando tivesse terminado com ela. Mas, em que estava pensando? Não permitiria que voltasse a lhe violar.

- Termina de comer agora, Rukia, ou ficará sem comida, porque estou cansado de esperar.

- Esperar o que, monsieur? - Rukia fingia inocência - Já me violou uma vez. Certamente não pensa fazê-lo duas vezes no mesmo dia?

Por resposta Rukia recebeu um sorriso demoníaco. Deu um salto e correu para a porta, mas o estalar do chicote no ar a deteve.

- Vem aqui, Rukia!

Sentiu pânico do que ele poderia fazer para conseguir que ela obedecesse, virou-se e foi lentamente na direção do capitão. Quando esteve ao seu lado ele pegou sua mão e a obrigou a se aproximar ainda mais.

Ainda sentado e sem prévio aviso, Ichigo segurou o vestido dela pelos ombros e o baixou até a cintura.

Rukia, aflita, tentou puxar o vestido, mas ele pegou suas mãos e as aprisionou para trás das costas, aproximando os seios nus ao seu rosto.

- Está me machucando! - gritou ela tratando de libertar-se.

- Acaso você não quer me machucar também? - perguntou ele, mas soltou os braços dela - Sei que deseja lutar contra mim, Rukia, mas saiba que não permitirei. Por cada golpe seu, receberás dez chicotadas. Pela menor resistência, receberás cinco chicotadas. Está me entendendo?

Maldição! Outra vez lhe negaria a oportunidade de se opor. Se iria violá-la por que não podia ao menos lutar por sua honra como as outras mulheres? Mas ele não permitia. Era insuportável, porque teria que se submeter a este homem como se o aceitasse.

- Irá resistir, Rukia? - perguntou ele com voz calma, afundando seus olhos castanhos nos olhos violeta dela.

- Deve pensar que não está a minha altura se precisa ameaçar-me para se sentir seguro. Tem medo de mim porque esta tarde pude te vencer? - perguntou com sarcasmo, alegrando-se ao ver que ele entrecerrava os olhos – O que pensaria sua tripulação se soubessem que não pode dominar uma jovem?

- Teu plano não dará resultado, Rukia, ainda que tenha sido bom. Quando posso evitar um conflito, o faço. Evito todos os possíveis danos e dores e deixo lugar somente para o prazer.

- E a angústia de minha mente? Preferiria receber um golpe e ter a rosto inchado, inclusive ossos quebrados, do que deixar que me viole sem resistência. Você é quem teme os danos que eu poderia te causar, se retirasse as ameaças.

- Novamente te saístes bem, pequena, mas as ameaças seguem de pé. Bem, já desperdiçou tempo suficiente tratando de me fazer morder a isca. Tire o que tem de roupa, e ande pressa.

- Não o farei! Não facilitarei as coisas! - gritou ela com indignação.

- Queres que destrua completamente o vestido? - perguntou Ichigo.

- Ah, te odeio! - gritou ela, mas de qualquer jeito ele tirou as roupas que lhe restavam. Ela enrijeceu ante ele, completamente desprotegida ante seu olhar libidinoso - Se devo sofrer essa vergonha, Ichigo, ao menos permita que seja na escuridão.

- Não tens nada para ocultar, pequena.

- Por favor!

- Não! - replicou ele duramente.

- És muito cruel, monsieur.

- Talvez pense isso agora, mas quero conservar-te para mim; depois mudará sua opinião - disse ele -. Esperará com ansiedade que te tome em meus braços. Ainda que não chegaste ao prazer quando fizemos amor pela primeira vez, não pode negar a sensação agradável que te dei.

- Está... está louco! Teu contato me adoece!

- Queria me matar porque menti, Rukia, mas agora não diz a verdade. Quer que eu prove?

Sem esperar resposta, Ichigo a tomou pela cintura e a atraiu para ele até que seus lábios separados cobriram a ponta de um dos seios redondos. Rukia ofegou instantaneamente e pôs as mãos sobre seus ombros para afastá-lo dela. Mas ele apertou ainda mais sua cintura até que ela deixou de resistir. Sua boca, que agora se movia de um seio ao outro, era como um fogo selvagem, que chegava ao fundo de sua alma. Ichigo continuou com seu jogo, chupando, lambendo, roçando suavemente seus seios, até que Rukia ficou a ponto de chorar pelo prazer que sentia. Todo seu corpo percebia os lábios dele, que demonstravam a verdade de suas palavras. Mas então ele parou.

Rukia sabia onde isto a levaria. Sentiu o terror outra vez quando Ichigo ficou em pé e começou a se despir. Tinha dito que antes ela não tinha chegado ao prazer máximo. Existia um prazer maior ao fazer amor? E se existia o experimentaria desta vez? Ele se daria conta se ela conseguisse? Não! Não podia acontecer... ela não suportaria. Seria humilhante demais se ele soubesse que lhe dava prazer, se não podia lutar contra ele fisicamente, ao menos lutaria contra o prazer que ele podia lhe proporcionar.

Ichigo a tomou nos braços e a levou para a cama, e depois se deitou a seu lado, seus lábios encontraram os dela e a beijou ansiosamente, exigindo a resposta que ela não queria lhe dar. Ela procurou algo em sua mente... qualquer coisa para irritá-lo e fazer que terminasse rapidamente com ela.

As mãos dele acariciaram seus seios, seu ventre, e seguiram mais abaixo.

- Ichigo! - gritou ela perturbada - Não sou uma mulher fácil que deseja que teus dedos explorem meu corpo. Sou uma dama, monsieur, e me dá nojo! - sussurrou, com a voz cheia de desprezo.

- Mas que inferno, bruxa, queres que te jogue aos tubarões - grunhiu ele com fúria.

- Prefiro que eles se alimentem de meu corpo e não você!

- Tua língua te privará de muitas coisas, Rukia.

Depois de dizer isto, se colocou sobre ela e penetrou-a rapidamente, causando-lhe um pouco de dor. Possuiu-a com profundos movimentos penetrantes, e apesar do desejo de resistir, um prazer incrível começou a invadir todo seu corpo, até que foi interrompido pelo movimento final de Ichigo.

Rukia tinha vontade de gritar quando ele relaxou sobre ela, esgotado. Passou um minuto, logo dois, mas Ichigo não se movia.

- Quero me levantar - disse ela com frieza.

Ele se apoiou sobre cotovelos e a olhou.

- Por que? - perguntou com suavidade.

- Gostaria de ir dormir, se isso não te desagrada. Então, permite que me levante?

- O que diz não faz sentido, Rukia. Se quer dormir, durma.

- Sei que não é um cavalheiro e que não renunciará a tua cama para uma dama, então...

- Nesse sentido tens razão. Mas não preciso renunciar a minha cama porque penso compartilhá-la.

- Não! - gritou ela tratando de afastá-lo, mas era como tentar mover um homem de ferro – Me nego a compartilhar esta cama contigo. Já é suficiente ter sofrido teu... teu ataque e a violação de meu corpo, não compartilharei tua cama!

- E se insisto?

- Não compartilharei! - gritou ela.

- Ah, mas eu insisto, pequena - replicou ele, com um sorriso divertido nos lábios.

- Não sabe o quanto te detesto? - silvou ela enquanto se retorcia embaixo dele - Não tolero estar perto de você. Agora, me deixa!

- Se não parar de se retorcer, te possuirei pela terceira vez. Prefere isso a compartilhar minha cama? - perguntou ele, com seus olhos brilhando.

Rukia ficou imóvel, com medo até de respirar. Sentia o membro dele crescer e seus olhos se arregalaram. Eram grandes espelhos violetas que lhe rogavam piedade em silêncio.

- Essa é tua resposta? Compartilhará minha cama?

- Como em tudo, não me deixa opção. Mas teu peso é insuportável, Ichigo. Não posso dormir assim.

- Te concederei isso, mas nada mais.

Depois de ter dito isto, virou-se de costas para Rukia. Ela se tapou rapidamente com os cobertores e se afastou o máximo que pode dele.

Ouviu-o rir suavemente, mas logo dormiu.

Ah, Mon Die, como o odiava! Acabava de dormir como se este dia não tivesse sido diferente de qualquer outro. Em compensação ela... tinha vontade de gritar. Se no dia anterior alguém tivesse dito que tinha caído nas mãos de um pirata cruel, teria rido histericamente. Mas agora... agora que tinha sido violada não uma, senão duas vezes no mesmo dia por esse gigante, agora que já não era inocente nem apta para o casamento, nem sequer podia chorar. As lágrimas a libertariam de parte de sua angústia. Mas estava furiosa demais para chorar. Ichigo, essa besta, desfrutava de tê-la dominado. Bem, não seria por muito tempo. Uma vez que a libertasse e já não estivesse a sua mercê, encontraria uma forma de se vingar dele.

Contrataria um barco, um barco mais poderoso do que o seu, e o apagaria dos mares. Sim, ainda que não pudesse degolá-lo com suas próprias mãos, provocaria sua morte. O conde Ichimaru ajudaria. Se bem que era provável que o conde não quisesse mais desposá-la. Nesse caso, teria que encontrar outra maneira. Mas não descansaria até enviar Ichigo ao inferno. Com esse pensamento, Rukia finalmente dormiu...

==================Fim do Capítulo 9 ========================