Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Anieri é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.


Boa Leitura!


Capitulo 2: Brilho Intenso.

I – A Criação.

Primeiro havia o Caos, que era o Nada do Mundo. Naquela época era só isso que existia. Não existia Céu, Terra ou Mar. O Universo que conhecemos hoje era um completo Nada.

Apenas o que coexistia eram três reinos: o Ginnungagap (o Grande Vazio), abismo primitivo e vazio, situado entre Musspell (o Reino de Fogo) e Niflheim (a Terra da Neblina), terra da escuridão e das nevoas geladas.

Durante muitas Eras foi assim, até as nevoas começarem a subir lentamente das profundezas da Terra da Neblina e formarem no medonho abismo do Grande Vazio, um gigantesco bloco de gelo.

Eras depois, o encontro entre o gelo de Niflheim e o fogo de Musspell nasceu o gigante Ymir, uma criatura primitiva. Tão antiga quanto a terra, movida apenas por instintos.

Durante Eras ele permaneceu dormindo, das gotas de suor que escorriam sobre sua pele e que pararam sobre seus braços, nasceu um casal de gigantes, que deu origem a primeira classe de seres vivos. Nascidos da água e do gelo.

Depois disso, entre outras uniões, outros gigantes surgiram, dando inicio a povoação da Terra Média, que desde seus primórdios vem sendo formada de água e gelo.

II – Uma Nova Vida.

Hilda sentou-se na beira da fonte que ficava nos jardins do palácio, observava vagamente o gelo caiar das árvores e flores que ainda sobreviviam a baixa temperatura de Asgard.

Três anos haviam se passado, as guerras haviam cessado completamente, embora ainda não houvesse recebido noticia alguma do santuário que não fosse por Hyoga.

O jovem cavaleiro certa vez fora a Asgard a mando de Saori lhe informar sobre a volta dos cavaleiros de ouro, mas tanto quanto os demais só sabia isso, quem fora o responsável por tal feito ele não soubera lhe responder. Muito menos quem era a deusa. O que fazia Hilda ainda se questionar sobre isso.

-Hilda; Siegfried chamou, parando atrás dela.

A jovem pode contemplar o reflexo do cavaleiro através da água, tanto tempo que ele estava a seu lado, que já perdera as contas inúmeras vezes de quanto precisara de seu apoio e conselhos ao longo de seu governo em Asgard, talvez não viesse a ter conseguido agüentar todas aquelas provações sem ele.

-Pois não; ela falou, voltando-se para ele com um olhar calmo.

-Está acontecendo alguma coisa? –ele perguntou, sentando-se ao seu lado.

-Não, porque pergunta? –Hilda falou.

-Há alguns dias que a noto com o olhar vago, procurando respostas das quais ainda não conseguiu encontrar; Siegfried respondeu de forma enigmática.

-...; Hilda abriu a boca para fechá-la em seguida sem emitir som algum. Suspirou cansada, sabia o quanto poderia confiar em Siegfried, cegamente se fosse o caso, não faria mal em contar-lhe aquilo que andava lhe atormentando. –Na noite que vocês voltaram a vida, recebi a visita de Caos; ela confessou.

-Quem? –ele perguntou arqueando a sobrancelha, surpreso.

-Caos, a origem e o fim de tudo; ela respondeu, já imaginando que ele ficaria surpreso. –Ele me disse que as guerras haviam acabado, que alguém havia voltado-se contra os deuses e intercedeu pelos cavaleiros;

-Quem fez isso? –Siegfried perguntou curioso.

-Não sei; Hilda respondeu, dando um suspiro frustrado. –Caos não quis me responder quando perguntei, disse apenas que era uma deusa e que não era de Asgard;

-Interessante, nunca pensei que outra divindade poderia intervir pelos cavaleiros que não fosse Odin; ele comentou, com ar pensativo.

-Desde que Posseidon fez aquilo, não duvido de mais nada; ela falou abaixando a cabeça.

-Ainda se culpa por aquilo? –ele perguntou, notando o olhar magoado da jovem, que desviou rapidamente.

-Se eu não tivesse sido tão fraca, vocês não teriam sofrido tanto; Hilda falou, levantando-se e lhe dando as costas.

-Há coisas que não podemos mudar; Siegfried falou, parando atrás dela e colocando a mão sobre seu ombro;

-...; Hilda negou, sentindo uma lágrima correr-lhe na face. –Há coisas que nem deveriam ter acontecido; ela falou num murmúrio.

-Diz isso pelo que? –ele perguntou, erguendo-lhe a face delicadamente com a ponta dos dedos.

Fitaram-se de forma intensa, a jovem queria afastar-se, porém ele impediu, enlaçando-lhe com um dos braços pela cintura e apoiando o queixo em seu ombro.

-Entenda uma coisa Hilda; ele falou carinhosamente. Sentiu-a aconchegar-se entre seus braços. Eram raros os momentos que ficavam assim, mas que já lhes conferia o privilegio de não procurarem respostas para isso. –Há coisas que precisam ser da forma como são, se não, nunca aprenderíamos a dar valor;

-Como assim?

-Nascemos em um país coberto pelo gelo. Cujas adversidades apenas nos tornam mais fortes, procurando meios alternativos de viver em paz e da melhor forma que nos é conferida; ele explicou. –Se ganhássemos tudo isso de graça, nunca daríamos valor. Por isso, por mais difícil que algumas coisas sejam, elas tem de acontecer, isso só é para o nosso bem;

-Me desculpe, por ficar lhe chateando com isso; ela falou, com a face levemente enrubescida. –Mas às vezes me esqueço de algumas coisas;

-Sabe que não precisa se desculpar; ele falou com um sorriso carinhoso, acariciando-lhe a face com suavidade.

-o-o-o-o-

-Parece que eles se acertaram; Flér falou, escondendo-se atrás de um pilar, junto com o guerreiro deus de Merak.

-Não sei, faz anos que eles estão nesse chove não molha; Haguen comentou, casualmente.

Estava indo para os treinos quando a jovem princesa lhe abordara e o arrastara para lá. Não reclamava, pelo contrario. Ultimamente seu interesse por ela era bem evidente, porém, ela era a única que parecia não ter percebido isso ainda.

-Como? –Flér perguntou confusa.

-Digo, eles não assumiram nada ainda; ele apressou-se em se corrigir, devido ao termo que usara.

-É; ela concordou. –Mas posso apostar que minha irmã gosta muito de Siegfried;

-Digo o mesmo dele, mas não entendo porque eles ainda não assumiram nada; Haguen falou, colocando a mão no queixo com ar pensativo.

-Talvez seja porque eles estão inseguros com relação ao futuro, certos títulos por vezes só atrapalham aqueles que querem uma vida comum; Alberich falou de forma enigmática, parando atrás dos dois.

-O QUE? –os dois gritaram assustados, não haviam sentido a presença dele ali.

-Em vez de ficarem espiando os dois deveriam aproveitar e acertarem-se vocês; Alberich falou, ignorando o fato dos dois terem ficado com a face mais vermelha do que o fogo de Musspell.

-Alberich; Haguen falou perigosamente.

-...; O cavaleiro deu de ombros, dando-lhes as costas e saindo dali.

-Acho que o Alberich está certo; Flér falou inocentemente.

-Co-mo? –Haguen perguntou com a voz tremula.

-Devemos deixá-los, acho que ficar aqui só vai atrapalhar; ela falou, seguindo para dentro do palácio, sendo seguida por ele.

-Entendo; ele murmurou desapontado.

III – Mensageiro.

Há cerca de três anos estivera ali para avisar Hilda sobre o retorno dos cavaleiros de ouro e qual não foi sua surpresa ao encontrar todos os guerreiros deuses vivos, na época não sabia metade das coisas que sabia agora.

Muito menos conhecia metade da historia que ocorrera nos bastidores da ultima guerra. Principalmente sobre a presença de Harmonia; deu um meio sorriso, lembrando-se do quão o mestre era ciumento ao tratar-se da noiva.

Continuou caminhando em meio à neve, Eiri havia ficado no Japão junto com Mino e os outros cavaleiros, enquanto ele viera para a Sibéria e depois Asgard a pedido de Saori. Como não poderia sair do santuário a jovem deusa pedira que ele fosse como mensageiro a Asgard falar com a princesa regente.

-Quem é você? –Fenrir perguntou, barrando-lhe o caminho dos portões.

Hyoga parou de caminhar, em menos de um segundo uma matilha inteira de lobos acinzentados lhe rodeou, no meio deles King surgiu com seu porte imponente acompanhando Ferir.

-Hyoga de Cisne; o jovem respondeu calmamente. –Vim a mando de Athena conversar com a Princesa Hilda; ele explicou.

-Me acompanhe; Fenrir falou, com um único assovio os lobos de dispersaram.

Hyoga assentiu, acompanhando-o para dentro dos portões do palácio. As coisas não mudaram desde a ultima vez que estivera ali. Seguiu com Fenrir pelos corredores frios do palácio, mas não parecia incomodado com isso. Sempre fora acostumado com baixas temperaturas, que por vezes Asgard parecia quente se comparado à própria Sibéria ou ao Estreito de Bering que a ligava ao Alasca.

-Seja bem-vindo Hyoga; Flér falou amavelmente o recebendo.

-Obrigado, e é um prazer revê-la; ele falou numa breve reverencia.

-Deixe de formalidades, venha comigo; a princesa falou animada, puxando-o pelo braço, despedindo-se de Fenrir com um aceno e indo até Hilda.

-Mas me diga, a que se deve a sua visita? –ela perguntou curiosa, sem notar que não muito longe dali, um certo alguém não parecia nada contente com aquela aproximação.

-Parece preocupado Haguen. Algum problema? –Siegfried perguntou, encontrando-o próximo à escadaria que levava para o segundo andar o palácio.

O guerreiro deus tinha um olhar perdido e vez ou outra uma veinha saltava-lhe na testa.

-Estou; ele respondeu seco.

-Deixe-o Siegfried, ele só esta assim porque aquele cavaleiro de Athena acabou de chegar; Alberich provocou, surgindo sabe-se lá de onde.

-Quem? –Siegfried perguntou interessando.

-Hyoga; Alberich respondeu impassível, embora tivesse ouvido o que poderia muito bem ser um rosnado vindo do outro cavaleiro.

-Faz tempo que ele não aparece por aqui; Thor comentou se aproximando e pegando a conversa pela metade.

-O que será que o Santuário de Athena quer em Asgard? –Siegfried se perguntou intrigado.

-Vamos esperar, o pior que pode acontecer é alguém ai ser passado pra trás; Alberich provocou, dando-lhes as costas e se afastando.

-Oras, seu...; Haguen falou serrando os punhos.

-Deixe-o, ele só esta querendo te irritar; Shido falou divertido, era sempre a mesma coisa, queria irritar o cavaleiro era mencionar algum possível rival e lembrá-lo eternamente de sua falta de atitude.

-Até você? –Haguen perguntou indignado.

-Creio meu caro amigo, que meu irmão esta certo, enquanto você não tomar uma atitude, nós sempre vamos lembrá-lo disso; Bado brincou, fazendo-os rirem.

-Puff; ele resmungou algo saindo rapidamente dali.

-Dêem um tempo pra ele; Thor falou compreensível.

-A gente até dá, mas a Flér não; Bado brincou.

Uma gotinha escorreu na testa de todos, contra isso não existia argumentos. Eles apenas assentiram, concordando com o cavaleiro.

IV – Família.

Caminhou com calma, ultrapassando os velhos portões entortados pelas cruéis tempestades de gelo, não demorou para avistar a uns dez passos a sua frente o topo daquele pequeno monte uma grande árvore que estava incrivelmente bela nessa estação, completamente coberta pelas flores, poderia até dizer que aquela era uma dádiva concedida pelos deuses, afinal em Asgard era completamente impossível naquela época do ano alguma árvore florescer ainda mais com a chegada do outono.

O jovem de cabelos alaranjados subiu com calma até a árvore, encontrando ao pé da mesma uma lapide, quase completamente coberta pela neve, sentou sobre as próprias pernas deixando que a harpa que trazia consigo, permanecesse esquecida a seu lado, enquanto olhava com atenção o nome de um dos grandes heróis de Asgard e que por muito tempo foi sua única família, a qual ele ainda sentia-se culpado por destruir.

-Não acha que já passou tempo de mais se culpando por isso? –uma melodiosa voz falou atrás do Guerreiro Deus.

-Isso não lhe diz respeito; Mime respondeu ferino, sem ao menos voltar-se para a jovem que a si se dirigia.

-Não pensei que os Guerreiros Deuses fossem tão evasivos; a jovem rebateu sem se importar com a hostilidade mostrada por ele, caminhou com calma até parar ao lado do cavaleiro.

-O que quer? –ele perguntou, voltando-se com um olhar entrecortado para jovem, porém estancou, ao vê-la abaixar-se a seu lado e colocar sobre o tumulo um pequeno ramo de gérberas vermelhas, extremamente raras em Asgard.

-Vim apenas fazer uma visita; ela respondeu, levantando-se sem ao menos olhá-lo.

O Guerreiro Deus parecia completamente aparvalhado, nunca vira alguém como ela antes, os cabelos verde-água pendiam pelas costas como uma grande cascata de fios lisos, os orbes azuis tinham um brilho intenso como o céu numa tarde de tempestade, o corpo jazia completamente coberto por um longo vestido e um casaco de peles, porque o dia estava relativamente frio.

-Quem é você? –Mime perguntou, vendo a jovem afastar-se aos poucos.

-Anieri; ela respondeu parando um pouco e voltando-se para o cavaleiro que tinha um olhar confuso. –Ele era meu tio; a jovem respondeu como se lesse os pensamentos do cavaleiro, voltou a andar desaparecendo entre as árvores.

-Anieri; ele murmurou, deixando que o nome soasse mais como um sussurro perdido pelo vento cortante daquela manhã fria.

V – Gelo.

Sentou-se no topo daquela montanha, pouco se importava com o vento cortante que lhe acoitava a face. Ainda se perguntava porque voltara?

Passou a mão nervosamente pelos cabelos rosados, mesmo tentando a franja sempre tornava a cair sobre os olhos. Suspirou.

-"Maldição"; Alberich praguejou. –"O que esta acontecendo comigo?"; ele se perguntou.

Levantou-se da pedra em que se sentara e começou a descer a montanha, estava bem próximo a cachoeira congelada. Onde outrora Fenrir e Shyriu se enfrentaram, levando o guerreiro deus a morte.

Parou com o olhar intrigado, agora estava sobre o lago de gelo, acima de si as águas congeladas da queda dágua. Algo brilhava no meio do gelo, a poucos passos.

Caminhou até lá com passos lentos. O brilho parecia aumentar a cada passo que ele dava.

Parou de frente para a parede de gelo. Era como um pisca-pisca. A luz parecia lhe chamar cada vez mais a atenção, ainda mais por vir de dentro do gelo. Tocou a superfície gelada e o brilho se intensificou, como se quisesse que ele lhe tirasse dali.

Não sabia o que era, mas em um único impulso serrou o punho direito atingindo a superfície de gelo. A camada por mais grossa que fosse não suportou o impacto de seu punho, rompendo-se em seguida.

Alberich só teve tempo de olhar pra cima e ver toda a camada de gelo da cachoeira rachar e cair em sua direção. Antes que pudesse perdê-lo de vista tocou o brilho dourado com os dedos notando que aquilo era um colar, um colar dourado. Segurou-o fortemente.

Não teve tempo de fazer mais nada, a água que estava por baixo das camadas de gelo caiu sobre si arrastando-o para o fundo do lago.

Debateu-se desesperado, mal se lembrando que deveria acalmar-se para conseguir sair dali com mais facilidade.

Com dificuldade conseguiu nadar até a borda. A água gelada estava congelado até mesmo seus ossos. Precisava sair dali antes que ficasse com hipotermia. Praticamente arrastando-se, saiu da água agarrado fortemente ao colar que pegara na cachoeira.

Respirava com dificuldade. Guardou o colar dentro da roupa quando sentiu mesmo que fracamente a aproximação de alguém. Sua cabeça latejava, a muito havia se esquecido qual era a sensação de cair nas águas geladas de Asgard daquela forma e a primeira vez que se sentiu assim não fora nada agradável.

-Alberich; Mime falou, aproximando-se e encontrando o guerreiro deus quase inconsciente na beira do lago, a cascata aos poucos parecia formar novamente as placas de gelo, mas a água ainda corria.

Alberich não reagiu, caindo inconsciente em seguida. Mime rapidamente o levou para o palácio, não sabia o porque dele estar ali, mas isso não importava agora. Se não fizesse algo certamente ele morreria.

Continua...